A música move a vida de Dudu Azevedo. Pelo cenário e elementos presentes nesse ensaio já dá pra perceber. Aos 41 anos, Dudu já fez de tudo um pouco como ator, já foi pop star do rock no filme sobre Cazuza, já foi surfista em novela e até Jesus na TV. Na vida real, o prazer de tocar bateria acompanha a de atuar. Seu maior, e melhor, papel no momento é o de pai. Curtindo o filho nessa quarentena ao som do rock é o que mais tem feito sua cabeça. Nesse ensaio invadimos a intimidade de Dudu via celular e curtimos bons momentos com ele nesse bate papo. Entre seus cachorros e seus instrumentos musicais, Dudu se mostrou bem à vontade e mais uma vez mostrou que ele é “o cara”! Não é à toa que é um dos atores mais queridos de sua geração.

Dudu, podemos dizer que você é um baterista que atua, ou um ator que toca bateria? (risos) Como esses dois talentos te completam? Toco e atuo desde muito novo. As duas coisas sempre me fascinaram, desde muito criança. Preciso estar ativo na música tanto quanto na dramaturgia para estar em equilíbrio. Não tenho dúvidas de que são complementares.

Com 26 anos de carreira (me corrija se estiver errado), você começou pela música, depois cinema até chegar na TV. As coisas foram acontecendo naturalmente e você embarcando? Como se deu isso? Comecei no início da adolescência a fazer testes para publicidade, novelas, filmes, mais ou menos em 1991 ou 1992. Meu primeiro trabalho de verdade como ator foi em 1994 na série “Confissões de Adolescente”. Na mesma época vieram os instrumentos e o desejo de desbravar a música. No devido e justo tempo tudo aconteceu. Pude descobrir ao longo do processo as alegrias e dificuldades de viver para e sobreviver da arte. Um “casamento” que, como quase todos, a realização e a felicidade são descobertas e construídas a cada dia, na alegria e na tristeza. Sou privilegiado pelo meu processo e a forma como transcorreu ao longo de toda a minha vida.

Sua paixão pela música te levou ao cinema com o filme sobre Cazuza. Como surgiu o convite na época? Já era fã do cantor? O filme “Cazuza, O Tempo Não Para” me reconectou ao trabalho e foi decisivo. Participei de alguns testes e essa etapa já foi incrível! Depois que fomos selecionados entramos em uma nova etapa de imersão na história do Barão Vermelho e tivemos a chance de nos tornar Rock Stars naquele período. Fazer parte de um filme assim é um verdadeiro deleite. Sempre fui fã do Cazuza e do Barão, estar ali foi uma catarse!

Sabemos que bandas como Pink Floyd e Rush, e cantores como Jimi Hendrix e Gonzaguinha, te influenciaram musicalmente. Isso ainda hoje em dia? O que te encanta musicalmente? Sem dúvidas essas bandas e artistas foram e continuam sendo grandes inspirações pra mim. Música mexe muito comigo. Talento e vocação para música são dons divinos!

Cantar ou tocar, o que mais curte fazer? Planos para se aventurar com a banda Redtrip pelos palcos do Brasil? Os instrumentos me fascinam e cantar não é, pelo menos até agora, a minha verdadeira vocação. Acho incrível ver cantores e cantoras talentosos e viscerais. A “Redtrip” não está ativa, não temos feito shows. Fico saudoso quando lembro, foi um tempo bom.

Nesse período de quarentena como tem ocupado seu tempo? Tenho ficado em casa com minha família e buscado viver tudo isso em paz, com saúde e responsabilidade. Procuro criar memórias positivas, inclusive nas passagens difíceis da vida.

Falando nisso, como foi posar para essas fotos via facetime? Foi curioso fazer fotos por celular e principalmente, foi surpreendente ver o resultado.

Esse momento de isolamento social te trouxe mais tempo com teu filho. Como tem sido esses momentos de paternidade? Como é Dudu como pai? Sempre sonhei em viver exatamente o que vivo hoje com o meu filho. Tenho procurado desperdiçar o mínimo. Meu filho é o maior presente que a vida me deu e tenho tentado honrar isso.

Desde o fim da novela “Jesus” você ficou um pouco afastado da TV pra colocar a saúde em dia. Como foi (ou tem sido) esse momento? Ao fim das gravações de “Jesus” tentei fazer tudo que não pude antes. Ficar com meu filho, viajar, descansar e me preparar para a próxima jornada, que tenho certeza que será grande também.

Com a reprise de “Fina Estampa” você volta ao ar como o lutador de MMA Wallace Mu. Costuma assistir? Aliás, costuma se ver na TV? Vejo “Fina Estampa” de vez em quando e acho bacana revisitar esse tempo. Foi um tempo bom e um personagem muito popular.

Falando em “Jesus”, como foi a experiência par você? “Jesus” foi um grande trabalho, uma experiência profissional inigualável e, da mesma forma, uma experiência pessoal única.

Depois de algumas novelas bíblicas já imagina o próximo personagem? Algo mais contemporâneo estaria no desejo como ator? Queremos sempre diversificar, ser desafiados. As novelas bíblicas são exercícios preciosos, as contemporâneas também são, o que queremos é estar sempre fazendo coisas diferentes, instigantes e desafiadoras.

O que costuma ler, ver e ouvir? Tenho lido muito menos do que gostaria, preciso mudar isso. Quanto a música, bebo das fontes tradicionais, mas diversifico também, do Jazz ao Rock Progressivo, da MPB a música africana. Descobri um som no Marrocos quando fomos gravar “Jesus”; uma banda chamada TINARIWEN. Experimentem!

Você é um cara muito vaidoso? Se sim, até que ponto? Qual vaidade não abre mão? Não sou vaidoso demais. Acho a vaidade excessiva um tanto quanto tóxica. Principalmente quando ela despende para as relações. Acho que minha vaidade é querer muito fazer bem feitas as coisas que faço.

Falando em saúde, hoje aos 41 anos tem alguma preocupação que não tinha aos 31? Como cuida do corpo e saúde? Tenho praticamente as mesmas preocupações, mas com uma intensidade diferente, sobretudo porque os efeitos hoje em dia são diferentes dos de quando eu tinha 31. Procuro estar minimamente saudável fisicamente, mentalmente e espiritualmente também. Saúde pra mim é o alinhamento dessas três coisas.

O que o papel de pai modificou em sua vida? Hoje, pai, sou muito melhor do que antes. É como se tivesse ingressado em um novo horizonte, com novas perspectivas e uma nova capacidade de perceber e codificar as coisas.

Quando está com tempo livre que programa faz a sua cabeça? Gosto de praia, gosto de mata, gosto de viajar, gosto de tocar, gosto de estar com amigos e pessoas queridas. O tempo é dos bens mais preciosos.

Passada essa quarentena o que mais deseja fazer? Passando a quarentena quero saborear a liberdade como nunca antes!

Fotos Guilherme Lima

Styling Samantha Szczerb

Agradecimentos Amil Confecções, Eduardo Guinle, King & Joe