De ex-tímido e odontólogo a ator de destaque, Marcos Pitombo já soma aí 18 anos de profissão e alguns sucessos que marcaram sua carreira. Como o atual Felipe em “Haja Coração” e o Bruno de “Salve-se Quem Puder”, que este ano serão dois trabalhos seguidos do ator no horário das 19h na Globo. A cara de bom moço e positividade que se percebe em alguns de seus personagens são inerentes da personalidade de Marcos. “Eu acho que é importante ter hábitos positivos, tentar sempre levar a vida com leveza e acreditar no conhecimento, na cultura”, conclui ele durante nossa entrevista. É disso que precisamos mais hoje em dia, positividade e alto astral, que Marcos influencie muita gente.

Marcos, por um acaso do destino você estará no ar com duas novelas seguidas (na Globo) no horário das 19h. Consegue fazer algum comparativo entre os dois trabalhos? A ré exibição de ‘Haja Coração’ foi uma grande surpresa, com esse personagem que foi talvez um dos mais amados da minha carreira. Emendar esses dois trabalhos vai ser no mínimo curioso, até por conta da minha parceria com a Sabrina, né? Até brinco com ela que a gente tem uma inspiração nos filmes ‘Before sunrise’ e ‘Before sunset’. Vai ser bacana poder ver não só o amadurecimento físico dos dois, como também o amadurecimento profissional. Tem coisas da vida do ator que eu tenho certeza que estão ali na construção do personagem. São dois personagens bem diferentes… O Felipe tem uma grande autoestima e é solar, já o outro personagem, o Bruno, é introspectivo, mas se ilumina através da presença da Micaela. Enfim, vai ser curioso ver os dois assim, colados. Estou na maior expectativa também!

Como o “seu Felipe” tem tocado o público nesta segunda exibição de “Haja Coração”. Consegue sentir esse retorno do público? Pois é, ‘seu Felipe’! Às vezes é assim que eu sou chamado na rua e é super gratificante. Ele é um personagem muito carismático, muito amado, muito bem desenhado pelo Daniel Ortiz. Eu lembro que nas primeiras cenas em que fui dirigido pelo Fred, ele me orientou de uma forma muito bacana e a gente conseguiu construir juntos esse personagem. Realmente, vendo agora, com um olhar ‘de fora’, percebo o quanto ele é carismático e certamente traz um feedback muito bacana das pessoas.

Que lembranças guarda desse trabalho? ‘Haja Coração’ foi um trabalho muito feliz. Desde os bastidores, a Karen, Sabrina… era uma ‘coxia’ muito gostosa. E o personagem também passou por situações tão bonitas, né? Reafirmando caráter, questionando algumas atitudes da Jéssica… Eu trago recordações muito boas, inclusive pelo feedback das pessoas que torcem muito pela história, pelo casal. Foi muito bonito assistir à novela na época também.

Já em “Salve-se Quem Puder” seu personagem Bruno surge como parte de uma vingança e termina se envolvendo. Como tem sido esse processo de composição do personagem e essa mudança de rumo? Ansioso para a volta de Bruno? Em ‘Salve-se quem puder’, o Bruno foi apresentado dentro de uma dinâmica de vingança. É gostoso quando a gente pode criar e brincar junto com o roteiro na composição do personagem, jogar pistas falsas… é interessante. A composição do Bruno teve também um detalhe em particular. Ele tem dislexia, então foi bacana poder me aprofundar mais no assunto e tentar jogar uma luz no tema para a gente diminuir o preconceito, ajudar as pessoas… E a gente não construiu o personagem em cima de dificuldades intelectuais, mas sim em relação à autoestima. Ele é tímido e vai se abrindo com a presença da Micaela, vai desabrochando com ela.

E como foi voltar a contracenar com “sua Shirlei”, no caso a atriz Sabrina Petraglia, pela segunda vez e a despedida prematura da personagem dela (Micaela), seu par romântico na novela? Estou super ansioso para essa volta! A gente conseguiu gravar algumas cenas muito bonitas. Houve a super notícia da gravidez, mas isso naquele momento significava que ela não podia continuar a gravação e nos proporcionou estar no set de uma forma muito bonita, fazendo cenas de despedida. Mas uma despedida positiva, sem amargura ou dor, com leveza e orgulho. A gente teve oportunidade de gravar cenas emocionantes naquele momento de retomada dos trabalhos, cercados de muitos cuidados. Ter catalisado tudo o que estava acontecendo para o trabalho foi muito especial, então estou muito ansioso pelas cenas. Foi muito bacana estar com a Sabrina grávida. Uma gravidez no set é sempre algo muito especial, principalmente quando você contracena com a atriz grávida. São três corações batendo!

Esse jeito de bom moço já dificultou fazer algum vilão? Ou você realmente tem se dado melhor com mocinhos e românticos? Eu venho numa sequência de bons moços, mas eu fiz um vilão na Record, em ‘Vitória’ que era um neonazista extremamente racista, homofóbico, preconceituoso… Acho que aquele vilão vale por dez! Foi um personagem muito bem construído pela Cristianne Fridman, que arrebenta na construção de personagens. Era bem difícil. Lembro que tinha um ritual para chegar em casa, tomava um banho para conseguir cortar aquela energia que era realmente bem complexa. Apesar de ter essa cara de bom moço, também é bom surpreender quando há oportunidade de viver algo assim.

Para quem ainda não conhece sua trajetória, conta aí como foi seu início como ator… Isso em 2006 com “Malhação”, não foi isso? Sempre soube que queria ser ator? Como tudo começou? Eu comecei em “Malhação” em 2006. São 15 anos de TV e 18 de profissão. Eu fazia faculdade de Odontologia na UFRJ e conciliava com o teatro na Glauber Rocha. Conciliei por três anos. E aí veio o convite para “Malhação”, os trabalhos acabaram vindo em sequência e tranquei a UFRJ. Odontologia sempre foi a minha certeza de vida, mas não gostava muito da parte clínica, queria ser professor, trabalhar na parte acadêmica… Como me considerava meio tímido, comecei a fazer teatro para soltar a voz, perder a timidez. Daí as coisas foram acontecendo… E tenho certeza de que fiz a escolha correta.

Antes ainda veio o trabalho como modelo que te levou pra Ásia, onde passou um tempo na China. Que lembranças e experiências guarda desse período? Eu tinha que fazer umas fotos pra deixar no cadastro da Globo e pedi ajuda para a namorada do meu pai na época, que trabalhava na Mega. Fiz umas fotos com ela e acabei sendo selecionado para ir para a China. Topei o desafio, mas assim que cheguei lá, recebi a notícia da Oficina de Atores da Rede Globo e aí abri mão de todo o circuito que ia fazer na China e Europa. Não tive uma experiência muito longa na China, mas foi o suficiente para me surpreender muito com a diferença cultural. Há muitas pessoas, diferentes hábitos de comida… por não compreender a língua, tinha dificuldade até para me locomover. Lembro que no prédio onde eu morava tinha uma sobreloja e eu andava com cartão da loja para cima e para abaixo. Se eu me perdesse, era só mostrar o cartão no táxi.

Você parece ser um cara tranquilão, alto astral. Cara de bom moço! É isso mesmo ou disfarça bem? (risos) Eu sou um cara tranquilo, alto astral. Eu acho que a gente sempre tem oportunidade de praticar hábitos positivos, generosidade, empatia. É como andar de bicicleta… às vezes as pessoas têm uma vaga lembrança de como é ser generoso, mas não pratica. Eu acho que é importante ter hábitos positivos, tentar sempre levar a vida com leveza e acreditar no conhecimento, na cultura.

O que te coloca um sorriso no rosto e o que te tira do sério? Um sorriso no rosto é estar com os meus amigos, me divertir com os meus cachorros, com minha família, ver um pôr do Sol… e o que me tira do sério é essa pandemia e como algumas pessoas têm relativizado ou negado o que está acontecendo. Tempos difíceis.

Como administrou esse período de isolamento social? Foi uma montanha russa, porque eu tive momentos de muita produtividade e outros em que eu fui tragado pelo jornalismo. Houve muitas incertezas, mas também foi um período de muita reflexão, busca de autoconhecimento do que verdadeiramente importa, e de tentar estreitar relações afetivas, apesar do distanciamento… Tentei tirar proveito disso, cuidei de mim, da minha casa, das minhas coisas… Num determinado momento, eu tentei ser produtivo, mas depois entendi que o mundo pedia um momento de pausa e de reflexão.

Perto dos 40 e sempre em boa forma. Como faz para manter o shape em dia e cuida da saúde? Na verdade, eu busco sempre ter hábitos saudáveis. Eu acredito numa alimentação equilibrada como forma de saúde. Exercícios físicos estão aí para comprovar que fazem bem não só para o corpo, mas para a mente. Acho que ter bons hábitos regulares acaba transbordando para a estética, mas esses hábitos visam longevidade e qualidade de vida, essa é a minha meta.

O trabalho de modelo e a preocupação em estar em boa forma para a TV te deixou um cara mais vaidoso? Do que você não abre mão? O trabalho como modelo foi bem breve, mas na própria TV a gente lida com a imagem de forma muito intensa, então alguns detalhes, como cuidados com a pele, acabam sendo extremamente importantes. Obviamente, com o chegar da idade, é importante a gente se cuidar cada vez mais, mas na vida, eu acho que tenho muito equilíbrio.

Quando busca inspiração, o que procura? A inspiração do ator é bem ampla. O ator pode estar às duas horas da manhã assistindo a alguma coisa na TV e estar trabalhando. Pode estar num papo com alguém e estar trabalhando. O processo criativo de um personagem é muito interessante. Mas uma coisa que eu gosto muito de fazer é pegar atores que eu admiro e tentar buscar no início da carreira deles algo que possa me inspirar. Por exemplo, quando estava no início de ‘Haja Coração’, me peguei assistindo a ‘O Poderoso Chefão’, um filme que mostra um lado carnal forte do herói, de ímpeto, de atitude. Eu faço muito isso, pego um filme antigo de um bom ator para estudar. Sempre tem muita coisa interessante.

Para 2021, há algum plano ou tá difícil planejar algo? Em 2021, eu planejo muita vacina, muita empatia. Que a gente consiga sair dessa, que a gente consiga viver num mundo com mais saúde, mais amor. E curtir esses personagens, tanto o Felipe quanto o Bruno. Agora vai ser só pegar pipoca e assistir, já tá tudo gravado.