CAPA: PEDRO ALVES E SUA TRAJETÓRIA ATÉ O VANMPIRO MICHEL DE ‘VERMELHO SANGUE’

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Atualmente estamos podendo assistir Pedro Alves em dois papéis bem distintos em sua carreira. O ator de 32 anos está no ar na novela das 7, Dona de Mim, com o personagem Caco, e na série Vermelho Sangue onde interpreta o vampiro Michel. O convite para interpretar o Michel surgiu enquanto ele estava em Paris estudando cinema. Convite aceito, prontamente Pedro voltou para o Brasil para mais uma temporada de gravações e novos desafios, que ele nos conta ao longo dessa entrevista para a MENSCH. Nascido no Rio de Janeiro e criado na Bélgica, onde mora até hoje, Pedro descobriu cedo a paixão pelo teatro e começou a se profissionalizar no país europeu onde se formou na Academia de artes da Bélgica. Aqui no Brasil ele se formou na CAL Casa das Artes de Laranjeiras (RJ). Sua estreia na TV foi com Malhação – Toda Forma de Amar, e daí em diante não parou mais. Mas o resto dessa história contamos logo abaixo.

Pedro, quer dizer que desde muito cedo você já demonstrava interesse e vocação para as artes cênicas? Como percebeu isso? Tinha incentivo em casa? Quando pequeno, desde os meus 7, eu já falava que queria ser ator. Minha família, como sempre soube, sempre me apoiou nesse caminho. Não existia outro destino possível, sempre foi algo óbvio. 

Você foi criado na Bélgica. Quanto tempo morou lá e como foi sua formação fora do Brasil? No que isso contribuiu para o cara que você é hoje? Eu moro lá até hoje. Fico sempre indo e voltando dependendo dos trabalhos aqui no Brasil. Acho que o meu despertar artístico na Academia de artes da Bélgica junto com minha formação na CAL, contribuíram  para uma visão ampla e diversificada da arte. Ter esses dois lados culturais só me fortalece. 

O fato de morar muito tempo fora do Brasil muito provavelmente abriu sua mente e horizontes para diversas culturas. Como isso te contribuiu profissionalmente? Viver entre culturas diferentes é uma riqueza sem igual e isso se traduz na arte, porque a arte é reflexo de uma sociedade. Então acho que só me enriquece tanto como pessoa como quanto ator. Fora as línguas né?! Me abre espaço para personagens diversificados. 

E quando e como foi sua volta para o Brasil? O que você trouxe com você e o que somou com a vida no Brasil? Eu voltei pro Brasil para fazer faculdade porque queria entender o que era ser carioca e me aproximar do universo televisivo brasileiro. Eu tive um período difícil de adaptação, de saber entender o jeitinho carioca. Lá na Bélgica tudo é preto no branco, não tem muito jogo de cintura e daí eu sempre era tido como muito certinho por aqui, aprendi que regras devem ser seguidas a letra. Hoje consigo lidar melhor com imprevistos e ter um pouco do jogo de cintura do brasileiro. Consegui aliar esse lado belga com o lado brasileiro, que me enriquece como pessoa e como profissional. 

Seu primeiro trabalho na TV foi Malhação e depois vieram muitos outros até seus personagens atuais em Dona de Mim e Vermelho Sangue. Como foi esse início e como avalia a carreira hoje em dia? Eu acho que tenho um percurso do qual me orgulho. Todos os trabalhos que recebi, foram através de testes, então sei que passei por mérito meu e isso me orgulha. Também sinto que consegui personagens muito diferentes, quando alguém me vê na série não acredita que é o mesmo ator que faz o caco em Dona de mim, são personagens completamente diferentes, com vozes diferentes, jeitos diferentes, mundo distintos. A Rosane estava conversando sobre isso comigo outro dia, que eu tenho a sorte de fazer dois papéis de formas completamente diferentes. Isso valoriza meu trabalho como intérprete versátil. 

Indo para Dona de Mim seu personagem é marcante por se tratar de um homem gay muito bem resolvido no seu relacionamento que faz uma doação de sémem para a personagem de Bel Lima engravidar. Como foi encarar essa missão? Foi ótimo! Estou adorando tratar de um tema importante e ao mesmo tempo, pela primeira vez, fazer humor. O público que me encontra nas ruas adora meu núcleo, é o momento de rir e descontrair. Estou adorando ser o fofinho da novela que traz um tema importante de forma leve e carismática. 

Indo para Vermelho Sangue… Você é o charmoso vampiro Michel que se envolve com a personagem Luna (de Leticia Vieira). Como foi dar vida a um personagem tão diferente de tudo? Quais os desafios e recompensas desse trabalho? Foi o que falei, poder fazer personagens tão diferentes é uma oportunidade que poucos têm. Isso é lindo! Desafios distintos, porque humor eu nunca havia feito e um vampiro de um universo mágico, também não. Tive que me preparar pra conseguir dar conta de fazer personagens que não tava acostumado. Venci medos, incertezas e acho que consegui me sair bem. 

Ficamos curiosos como deve ter sido o laboratório para o personagem… Tinha uma boa relação com sangue? (risos) (risos) Aquele sangue era horrível de tomar, me enjoava. O laboratório demandou muito trabalho corporal e de pesquisa por conta do gênero. Também tive que perder meu medo de altura e mergulhar numa personalidade que não parece em nada comigo. Eu ficava com receio de minha família me ver nas cenas mais picantes, mas eles falaram que esqueciam que era eu, de tão diferente que eu estou. 

Pedro e longe das câmeras como você é? Mais discreto? Mais de balada? Praia? O que faz sua cabeça quando não está gravando? Eu sou tímido muitas vezes, se chego em ambiente com muita gente que não conheço me dá vontade de me enterrar, mas eu tento ao máximo vencer isso. Eu sempre fui muito caseiro e discreto e agora, mais velho, estou me abrindo mais para o mundo. Há dois anos eu não bebia, eu não saía muito, gostava mais de ficar em casa e curtir coisas mais leves e agora eu estou mais carioca. Mas o que mais gosto mesmo é de casa de amigos, cozinhar algo e comer junto de pessoas que amo. 

É um cara vaidoso? Do que não abre mão? Eu sou, mas acho que já fui mais. Não abro mão de um protetor solar, saio com a cara branca às vezes, mas vou de protetor pra qualquer lugar. 

O que alguém precisa ter pra te conquistar? Posso falar o que não poder ter: Eu não vejo menor graça em gente bonita que só tem a beleza como chamativo. Eu, realmente, me interesso de ver como a pessoa trata as outras e se ela tem algo além do ego e da superficialidade. Isso me dá muito mais tesão do que só um físico. Tanto é que posso ficar meses e meses sem ter relações com ninguém porque as pessoas já chegam achando que é o corpo delas que vai chamar mais minha atenção, quando na verdade to prestando atenção no que ela tá dizendo e como ela se comporta em sociedade, como ela tá tratando o garçom, como ela tá sorrindo… acho que as palavras chaves que me atraem são a originalidade genuína. 

Planos? O que vem por aí? Vou manter meu direito ao silêncio para não atrapalhar nada. (risos)

Fotos Nanda Araújo

Produção executiva e Styling Samantha Szczerb

Pedro usou Angelo Bertoni, Amil Confecções, Democrata, Oficina, Dois Maridos, Zduoz