Linda, bem humorada e dona de um belo olhão azul, Rhaisa Batista ainda transborda talento. Essa pernambucana arretada antes de tudo é uma guerreira. Largou sua terra natal ainda adolescente e foi ser modelo pelo mundo. Depois de um período em São Paulo ganhou o mundo surpreendia a todos quando falava da sua origem devido a seu tipo loiro de olhos claros. Daí para sua estreia na TV foi um caminho natural. Logo veio a série Louco Por Elas, e na sequência sua estreia nas novelas com a personagem Esther na novela Lado a Lado, na Globo. E agora nossa estrela chega com tudo em “Gênesis” para abalar a Torre de Babel, fazer Adão trair Eva e o Mar Vermelho abrir no meio para a bela passar. Ou seja, a gata sem dúvida vai detonar na trama bíblica. Aqui na MENSCH, como vocês já devem ter visto, ela nos deixou tontos. Recuperados? Vamos à entrevista…

Rhaisa, desde sua estreia na TV já se vão quase 10 anos. Como foi chegar até aqui? Quais os maiores obstáculos e conquistas? Pois é! 8 anos imersa nessa loucura de emprestar meu corpo e mente para os personagens. Eu tenho muito orgulho, é um trabalho lindo, onde a lapidação é constante e o crescimento aparece não só nas telas, mas na vida. É autoconhecimento. Não foi simples a transição de modelo a atriz – ou a conciliação – e pude perceber que a exigência principalmente por ter vindo desse mercado é até maior. Porém a moda somou SIM, foram tantas experiências de mundo que faculdade nenhuma me daria, e já dividi com alguns personagens assim como na vida.

Você nasceu em Recife e mudou para São Paulo para trabalhar como modelo. Depois foi para o exterior. Algum preconceito nesse início como modelo? A mudança foi muito radical e o preço foi muito alto? Como modelo já “zoaram” com meu sotaque que era mais forte na época, mas era brincadeira e nunca me incomodou. Se fosse hoje o olhar já seria diferente, o mundo mudou, as ideias, nem tudo q parece inocente é tão engraçado assim. A mudança foi realmente radical! Saí do colo dos meus pais – de onde nunca havia desgrudado – pra enfrentar outro mundo, outras culturas, não falava inglês, era uma menina se descobrindo mulher, profissional e capaz de muito mais do que imaginava. 

Ser vista como uma bela mulher, modelo e depois querendo ser atriz. Foi muito julgada pela imagem de modelo? Existiu esse preconceito? Sim, existiu. Muitas vezes de forma camuflada, mas sou tão sensitiva que não precisei do verbal pra notar. Mas vemos grandes atores hoje em dia que já foram modelos. Aproveitando a deixa, é muito “fácil” intitular-se modelo hoje em dia, mas pra quem realmente viveu ou vive a dor e a delícia da profissão, sabe o quão sério é o trabalho, o quanto é exigido de nós física e mentalmente, e claro, as grandes oportunidades de trabalhar em diversos países. É uma aula de cultura gigantesca, é muito enriquecedor e gratificante. 

Você nasceu em Recife mas morou muito tempo no interior do estado, em Lagoa de Itaenga. Que lembranças guarda das suas raízes? Costuma visitar a terrinha com frequência? Como eu amo a culinária do Nordeste! Sempre que vou meus pais preparam um banquete! Visito a terrinha menos do que gostaria, mas meus pais também vêm pro Rio, amo passear aqui com eles e eles também adoram. Antes da pandemia isso acontecia com mais frequência. Mas assim que possível estarei lá pra relembrar a época das brincadeiras de criança na rua e dos papos de calçada… uma simplicidade gostosa regada de muita alegria! 

Loira dos olhos azuis, bem um tipo europeu, no interior do nordeste. As pessoas estranharam isso? Acredito que especialmente quando você foi morar em São Paulo. Aconteceu isso? Aconteceu demais! Inclusive até hoje quando alguém me pergunta de onde eu sou, peço pra que adivinhe. Sempre começam pelo Sul! E fora do Brasil, o palpite não é de que sou brasileira. Geralmente Russa! Me divirto! 

Na sua estreia uma baita novela, Lado a Lado, ao lado de craques como Camila Pitanga e Lázaro Ramos. Como foi esse início na TV? Na verdade estreei na série ‘Louco Por Elas’, Mas ‘Lado A Lado’ foi minha primeira experiência em novelas, que tem outra velocidade se comparada a uma série gravada com antecedência e mais “cautela”. TV é indústria, tem que entregar o produto, muitas cenas todos os dias, existe um prazo. Porém tive muita sorte de ter um elenco tão acolhedor do lado, pessoas que eu acompanhei a carreira e fui aprendendo e me espelhando a cada dia. Foi ali que eu me apaixonei de vez pela profissão e também vi que pra seguir nela precisaria de ainda mais dedicação.

Vindo para trabalhos mais recentes você participou de “Bom Sucesso” (Globo) e agora em “Gênesis” (Record). Como foi sair de um trabalho contemporâneo para um bíblico? Qual o maior desafio? Definitivamente a linguagem. No dia a dia temos expressões que A.C. não existiam, então sem querer saem em forma de “cacos”. Mas vamos contornando! Eu saí de uma francesa super descolada querendo curtir o carnaval carioca pra uma mãe de família dos tempos MUITO antigos, imagina o contraste né? 

Conta um pouco da sua personagem em “Gênesis”? Ela se chama Muriel, esposa de Judá (personagem do Thiago Rodrigues) com quem tem 3 filhos. É uma mulher forte, personagem densa, que vai passar por uns maus bocados. Não posso falar muito, mas é bem desafiadora, do jeito que deve ser pra intrigar a mim estudando e emocionar vocês do lado de cá da telinha. 

Dos tempos de modelo ficou alguma lição ou vaidade? Me tornei uma mulher que se cuida e ama se exercitar. Comecei só pelo físico, agora vejo que é o básico pra manter a mente sã também. Quando lembro dos tempos de passarela la no comecinho eu fico lembrando como foi difícil cortar o cordão umbilical, e como valeu a pena, como agradeço o altruísmo dos meus pais. Corram atrás dos seus sonhos! Vale a pena! 

Falando em vaidade, como lida com o espelho e como se cuida? Antes me cobrava muito mais e fazia loucuras. Hoje prezo pela saúde em primeiro lugar. Faço musculação 3x por semana, funcional 2x e pedalo 3x. Tenho uma alimentação mais balanceada e procuro não me estressar – o que anda bem difícil na situação que todos estamos. Eu sou naturalmente bem humorada e acredito demais que isso reflete na beleza. É o que a gente é que desabrocha! 

Mudaria algo em você (no seu físico e no seu jeito de ser)? Eu só queria amar sem sofrer e comer sem engordar. É pedir muito? (risos)

Qual seu maior pecado? Não resiste a que? Formiguinha assumida! Não resisto a uma bela sobremesa! 

Como lidou/lida com esse momento de isolamento social? O que aprendeu e como usou o tempo em casa? Que nosso bem mais precioso é a saúde e que não tem lugar melhor no mundo pra estar que no abraço de quem a gente ama.  No início da quarentena participei de grupos de exercício online, fiz classes de espanhol, fiz dublagem, li, atualizei séries, chorei, gritei, tentei me acalmar e tomei muito vinho. (risos). Tentei fazer do limão uma limonada, nem sempre deu certo. Mas eu tô aqui pra contar e essa é a melhor parte.

O que te diverte e te faz relaxar? Uma mesa cheia de amigos, brindando, rindo das coisas boas da vida – porque ainda existem. 

Se tivesse que escolher: Noronha ou Búzios? Bolo de rolo ou brownie? Queijo de coalho assado ou biscoito Globo? Caldo de cana ou açaí?

Team Noronha! 

Team Bolo de Rolo! 

Team Queijo coalho! 

E Team Açaí! 

Nunca fui muito fã de caldo de cana, achava doce demais! Mas também gosto! É que o açaí me conquistou, vocês me entendem né? Para conquistar Rhaisa basta… Honestidade, cuidado e ATITUDE. Em todos os tipos de relação.

Fotos Adri Lima / beleza Aline Oliver