Querido e atencioso com todos, sejam colegas de trabalho, público ou na vida íntima, Thiago Fragoso é aquele cara que todos querem, de certa forma, ter por perto. Incrivelmente inquieto, atua, canta e está sempre atrás de um novo desafio para movimentar ainda mais a vida desse grande paizão. Em meio a tantos e marcantes personagens ao longo da sua trajetória de 27 anos de TV (mas 30 de carreira), todo mundo lembra de algum personagem que ficou na memória para sempre, de Márcio Hayalla (O Astro), passando por Marcos (O Profeta), o Niko (que protagonizou o primeiro beijo gay em novelas, em Amor à Vida) até chegarmos em o atual Alan Máximo (de Salve-se Quem Puder). Thiago é meticuloso na composição de cada tipo que tem o prazer de representar e contar uma história. Consciente de seu papel como artista e cidadão, Thiago é um cara admirável que temos o prazer de tê-lo de volta à MENSCH.

Thiago, por incrível que pareça desde sua estreia em Confissões de Adolescentes (1994) até hoje, já se vão 27 anos de carreira. Como você se auto avalia até aqui? Se sente realizado até esse ponto? Na verdade, já são trinta anos… Eu comecei a fazer teatro antes de ter uma oportunidade na televisão. Eu sempre busco o próximo desafio, de forma a não correr o risco de ser muito auto referente. Não me permito comemorar as conquistas… Não sei o que diria em relação a me sentir realizado. Nossa profissão tem muitos altos e baixos… Diria que eu tenho momentos de me sentir realizado… Mas, rapidamente, eu vou em busca de novas realizações e conquistas.

Ao longo desses anos e diversos personagens, quais citaria como mais marcantes para você? Quais foram primordiais? Eu sempre trato todos os personagens da mesma forma. Eu sempre dou o meu melhor… Faço isso porque acredito que não há dois personagens iguais e o público merece minha dedicação. Alguns personagens alcançaram o coração das pessoas… Posso citar o Marcos de O Profeta, o Nando do Clone, Edgar de Lado a Lado, Estevão da Casa das Sete Mulheres, Márcio Hayalla em O Astro e, por fim, não posso não ter um grande carinho pelo Niko de Amor à Vida. Acredito que foi o maior impacto da minha carreira… Mas como disse no início, quero logo outro personagem tão impactante! 

Em 2003, em Sexo Frágil, você interpretou duas mulheres, Soraya e Ana Paula. Como foi viver o dia a dia do dito “sexo frágil”? A experiência de certa forma serviu para entender melhor as mulheres? Sim… Eu ficava horas e horas na caracterização e depois ainda tinha que andar de salto alto! Admiro muito as mulheres… E de sexo frágil, não têm nada.

Vindo para o trabalho mais recente, Alan Máximo. Como foi a volta aos estúdios e os desafios de gravar com tantas restrições? O que foi mais difícil? Sempre há um receio pela família, né? Eu estava com o Martin recém-nascido quando voltei a gravar. Mas o protocolo instaurado pela Globo despertou a minha confiança. Eu me sentia muito protegido, gravando a novela.

Já sente falta dos seus “filhos” Mosquito, Queen e Tarantino? (risos) Muito! Dei muita sorte no meu núcleo na novela… Os três são talentosíssimos…

Na trama você é um pai viúvo com três filhos adotivos. Chegou a fazer algum laboratório sobre adoção? Mudou algo no seu olhar sobre adoção? Como pai, como enxerga isso? Não precisei fazer laboratório… A gente faz isso quando encara um personagem muito diferente da nossa realidade. Por exemplo, com o capitão Estevão em A Casa das Sete Mulheres, eu precisei aprender a me portar como militar, fazer chimarrão, aprender a andar a cavalo (caí sete vezes do cavalo durante a preparação…) Aprendemos até a fazer churrasco como fazia-se na época. Eu acho adoção algo lindo. Já consideramos algumas vezes. Sei da burocracia e dos procedimentos que às vezes retardam a adoção por até cinco anos… Acho que retratarmos uma família de três filhos adotados, já traz essa conversa pra sociedade naturalmente.

Você parece ser um super pai. Sempre presente e atencioso. O que aprende com seu filho Benjamin, e que lições pretende passar para ele? Nossa… Eu aprendo porque, através dele e de seus olhos, eu descubro o mundo todo novamente, dia após dia. Eu tento ser um bom exemplo pra ele. Não se educa com palavras de ordem (ainda que elas existam e sejam necessárias), se educa com modelos, exemplos de valores e ideais nobres… Eu pretendo que ele saiba da importância da compaixão, da necessidade de acolhermos o próximo, de nunca se achar melhor do que ninguém… Muitas coisas. 

Momento de pandemia e isolamento social, momento de aprendizado e reflexão também. Como foi ou tem sido isso para você? O Martim nasceu em meio à pandemia, o que foi uma experiência muito intensa cheia de medos envolvidos. Ter um filho sempre traz medo… Será que vou ser um bom pai, será que vou cuidar bem dele, será que vou entender quando ele estiver precisando de mim, etc… No meio da pandemia é cruel. Tudo o que se ama demais vem com medo de perder ou não saber cuidar. Entramos eu e Mari na maternidade e saímos três, sem nenhuma visita, nada. Teve prós e contras. A convivência intensa foi, na maior parte do tempo, uma alegria… Mas faz muita falta não poder ter a família (principalmente as avós e avôs) junto com a gente. O Benjamin, que já está com dez anos, é apaixonado pela família e sentiu muito a falta de todo mundo. Só posso torcer (além de contribuir com o isolamento social, uso de máscaras e higienização das mãos) pra que a gente passe por essa tempestade o mais rápido possível.

Você imaginava que as pessoas iriam mudar ou evoluir com o passar dessa pandemia mundial? Eu ainda acho que haverá consequências positivas. Uma delas será a maior valorização das relações, do afeto, da proximidade… E o home office veio pra ficar. Claro que há um grupo de negacionistas e terraplanistas que perderam a oportunidade de qualquer crescimento como ser humano durante a pandemia.

No meio disso tudo existe a discussão sobre se posicionar ou não politicamente. O que pensa sobre isso? Eu acho que a gente se posiciona politicamente em tudo o que faz. Acredito que a discussão seja sobre revelar esse posicionamento com palavras, principalmente pra quem tem muitos seguidores… Acho que é importante se posicionar, sim. Mas eu não tenho o direito de pressionar alguém a mudar seu ponto de vista, por exemplo. Sempre acho que a melhor forma de fazer política é através do exemplo. Atacando quem pensa diferente só vamos piorar a sinuca de bico. Por último, acho importante mencionar que entre dois lados de um rio há uma ponte. Em algum momento, as pessoas vão entender que se isolar com quem pensa exatamente como você não apresenta nenhuma oportunidade de crescimento como pessoa. Pra terminar, só pra deixar bem claro – não votei, não votaria e não votarei em Bolsonaro. Ele representa tudo o que eu abomino.

Indo para temas mais leves… Thiago, você parece ser um cara tranquilão, alto astral. Cara de bom moço! É isso mesmo ou disfarça bem? (risos) Tudo mentira… (risos) Quem me conhece mais na intimidade, sabe que eu estou sempre borbulhando.

E o que te coloca um sorriso no rosto e te tira o humor? Sorriso no rosto é instantâneo com meus filhos. O que me tira do sério é o retrocesso que estamos vivendo. Mais uma década perdida para o Brasil. Isso me tira o humor.

E o Thiago cantor, como anda? Como a música tem te completado ultimamente? Nesse momento é só serenata lá em casa! (risos) Não tá dando pra fazer shows e até ensaiar é meio arriscado. Estamos esperando essa pandemia estar controlada para lançar um EP com cinco músicas e sair em turnê pelo Brasil com uma peça musical que estou desenvolvendo. O Thiago cantor vem sempre comigo.

Como você se definiria em uma frase? “Iluminar a vida já que a morte cai do Azul.”

No meio disso tudo, dá para planejar 2021? Se sim, o que ainda vem por aí? Temos projetos musicais, teatrais, tenho feito uma série de cursos de roteiro, enfim… São muitos projetos.

Fotos Guilherme Lima / Assist. Foto Letícia Lavatori / Edição de vídeo Uriel Zanyor / Styling Samantha Szczerb / Beleza Victor Fattori / Agradecimentos ao Hotel Fairmont Rio / Assessoria Evva Comunicação / Thiago usou Foxton, Ellus, Eduardo Bogosian, Amil Confecções, By Segheto