Você saiu de Maringá aos 18 anos para cursar faculdade de Comércio Exterior em São Paulo e até arrumou emprego em uma multinacional. Ainda assim você não seguiu carreira nessa área. O que aconteceu? A veia artística falou mais alto ou você já tinha ideia de ir pra São Paulo pensando nas possibilidades para ator em uma cidade maior? Eu já fui para São Paulo pensando que viveria uma vida dupla: Tentaria carreiras paralelas na empresa e no teatro. Claro que uma hora tudo conspirou para que eu tivesse que tomar uma decisão. Passei em um teste para uma peça em SP e comecei a não ir à empresa pela tarde. Meu chefe me chamou para conversar e perguntou: “você quer continuar trabalhando aqui, nos moldes que a empresa exige?” Eu disse: “Não. Quero trabalhar da minha casa e ser cobrado pelo resultado, não pelo tempo marcado no ponto eletrônico” Ele foi meu amigo e lutou por mim, mas dois meses depois (e eu continuava indo a empresa apenas no período matutino) eles me demitiram. Foram quatro anos trabalhando na indústria gráfica. (Heidelberg)
Para atuar nos seus primeiros musicais e peças foram precisos testes de elenco. Como se preparou pra eles? Como se concentrar em um papel sabendo que ali está sendo testado? É uma exposição gigante. Na hora a gente tenta se esconder atrás do personagem, mas não da pra mentir. A banca quer ver transparência do começo ao fim. Querem ver o ator que chegou para o teste e a transição em personagem. O teste vale para os dois. Como em qualquer profissão, o empregado é avaliado pelo trabalho executado e por como ele se comporta. E para isso não há regras. O empregador pode se identificar ou não com o candidato, independente do que o senso comum diria.Você atuou no espetáculo “Hair” e atualmente está no “Rock in Rio”. O que esses grandes musicais, tipo de espetáculo que está ficando cada vez mais popular no Brasil, tem te acrescentando como artista? Trabalhar com muitas pessoas exige que o sujeito goste de gente e que saia de casa com o objetivo de ser feliz. Com um pensamento nessa linha, muitas coisas que a principio parecem ser pesadas passam a ter menos importância. Esta sendo bastante complicado. Há altos e baixos, mas com o apoio de amigos e familiares tudo sempre fica mais simples e leve. Eu pedi isso que estou vivendo, com os prós e os contras. Sou muito grato por essas conquistas e estou lutando para que se cumpra o melhor. Estou aprendendo a exigir menos das pessoas e encontrando novas responsabilidades pra mim, abandonando padrões de comportamento que me levam a resultados ruins e aceitando a não-unanimidade. E estou fazendo um monte de coisas erradas que só vou descobrir daqui um tempo.
Falando no “Rock in Rio”, fala um pouco pra gente como é esse musical… Alef é um garoto que não fala há quinze anos e só se expressa através da música. Sofia é uma garota que odeia música e fala mais que uma tia italiana embriagada. O encontro dos dois obviamente resulta em uma paixão agressiva. Para se encontrarem no outro, ambos terão que abdicar das leis que criaram. O maior festival de música é cenário para a resolução desta e de outras histórias paralelas que narram perdas, mas também amores.Até bem pouco tempo ninguém sabia do seu parentesco com o jornalista e apresentador do Jornal Nacional, William Bonner. Isso foi natural ou algo que você realmente fez questão de preservar para que as pessoas não achassem que portas se poderiam se abrir pelo laço familiar e não pelo talento? Foi natural. Não paro para pensar muito sobre isso.
Como você é no trabalho? Dedicado? Questionador? Curioso? Esforçado…? E na vida? Sou dedicado, curioso, esforçado e focado no meu trabalho, é realmente a minha prioridade no momento. Vida? Existe vida além do trabalho?
É mais difícil atuar, dançar e cantar ao mesmo tempo? Sim. É mais fácil fazer uma coisa de cada vez.
Considera a série Preamar seu grande “teste” para atuar na TV? Preamar passou em quarenta países e recebeu indicação ao FIPA, uma das maiores premiações da TV européia. É maravilhoso para um ator hoje poder trabalhar internacionalmente sem sair do Brasil. Hoje todos os canais de TV a cabo produzem conteúdo nacional e muita coisa boa deve acontecer nos próximos anos.
O que você planeja para seus próximos passo? Não sou uma pessoa que planeja quase nada.
Assistente de fotografia: David Soega
Produção Lucas MagnoHugo Bonemer usou:
Look 1: Blazer Puma na Avec, Camiseta com capuz Johnny Size, Calça jeans encerada Emporio Armani, Tênis Fred Perry na Avec
Look2: Camiseta, colete e calça Emporio Armani, Sapato Mr. Cat
Look3: Camisa e calça, ambos Gant na Avec, Jaqueta com detalhes em couro Armani Exchange, Tênis Mr. Cat
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