Natural de Porto Alegre, Giovana Echeverria fez sua estreia na TV (em “Malhação ID”) mas foi no cinema que ela se descobriu como atriz e participou de alguns festivais mundo afora. Sua estreia nas telonas foi como protagonista de “#garotas – O Filme”, em 2015. Seu brilhante desempenho logo lhe rendeu outros trabalhos como protagonista no longa-metragem “A Superfície da Sombra”, e em seguida o filme “O Mundo não Cabe nos Meus Olhos”, ao lado de Edson Celulari, que circulou pelos festivais em Los Angeles. Depois disso vieram trabalhos na MTV Brasil, com o seriado “Perrengue”, na TV Globo, Giovana brilhou como Gabriela em “Orgulho e Paixão”, em 2018, e mais recentemente fez uma participação em “Gênesis” (Record). Depois de interpretar a Rainha Kíria, em “Gênesis”, Giovana foi escalada para o elenco de “Verdades Secretas 2”. Na trama, ela será Lisa, braço direito da estilista Betty, personagem de Deborah Evelyn e também dona do apartamento onde as modelos moram na trama.

Depois de um trabalho bíblico (“Gênesis”) veio o convite para “Verdades Secretas 2” que é bem contemporânea e urbana. Como surgiu o convite e como foi essa mudança radical de universos? Recebi a ligação do produtor de elenco e topei na hora, pois sempre quis trabalhar com Amora Mautner. Foi uma mudança e tanto! Sou suspeita para falar, pois amo mudanças radicais, principalmente para personagens. Tanto em Gênesis como em Verdades contei com apoio de preparadores de elenco maravilhosos, isso facilitou bastante a transição.

Falando nisso, conta um pouco da Lisa (personagem em “Verdades Secretas 2”). Lisa é uma mulher autêntica, assistente da estilista Betty (Deborah Evelyn), que já teve um romance no passado com o personagem Giotto (Johnny Massaro). Ela é misteriosa, tem um apartamento onde aluga quartos para as modelos e parece que conhece bem a realidade por trás das passarelas, mas isso fica subentendido apenas. E o resto não posso contar para não dar spoiller.

Já teve que encarar alguma cena mais picante? Teria algum problema quanto a isso? Pelo personagem vale tudo? Ao longo da carreira já tive que encarar muitas vezes, acho que isso me trouxe confiança, tranquilidade e técnica. Eu não sei se vale tudo, eu acho que depende muito. Uma coisa que sempre avalio antes de topar, é se aquela cena está a serviço da história, se terei uma equipe da qual eu confio, isso é fundamental. Eu acho que o ator está sempre a serviço da história, e se for uma boa história, sim, acho que podemos ir além dos limites.

Sua estreia na TV praticamente foi em “Malhação ID”. O que ficou dessa experiência? Conta um pouco desse início. Tanta coisa ficou. Acredito que o crescimento, profissionalismo, técnica, foco e disciplina. “Malhação” foi uma escola de verdade em muitos quesitos. Eu era bem menina ainda e não tinha experiência audiovisual, nem corporativista. Fazia teatro, tinha feito apenas um trabalho no cinema antes. Não tinha um senso crítico e estético estabelecido, tudo era totalmente novo, uma grande descoberta. Eu sempre quis ser atriz desde os 9 anos de idade, mas eu lembro que, no início, não queria fazer televisão, meu sonho desde criança era fazer cinema. Poucas pessoas sabem, a primeira temporada que eu ia fazer era a anterior a que fiz, por não saber exatamente se era aquilo que queria, a produtora de elenco na época me disse que chamaria um ano depois. E chamaram, ainda bem! Porque mudou a minha vida radicalmente.

Depois vieram alguns filmes para o cinema e por consequência você participou de alguns festivais internacionais. Como foi isso? O que destaca? O cinema chegou para mim de uma forma muito inusitada. Eu dava aula de atuação na comunidade da Cidade de Deus, no Rio de Janeiro e o diretor do grupo chamado Fernando Barcellos resolveu fazer a experiência de montar um curta-metragem em dois dias, então ele me convenceu de que não estaria atrás da câmera, e sim atuando, pois precisávamos ganhar tempo. Nesse set estava um roteirista que gostou do meu trabalho e me indicou para um diretor, o diretor me procurou, fiz o teste e passei. O longa era “A Superfície da Sombra”, que era co-produção Brasil/ Uruguai. Esse teste me deu tanta sorte, que fui convidada para fazer outros dois filmes que me levaram para estes festivais. A experiência fora do Brasil foi única e expandiu muito meu repertório. O que se destaca para mim é a importância de investir no cinema nacional e levar nosso cinema para o mundo.

O que a arte faz por você? A arte é minha religião, é a forma que me reconecto comigo mesma, que me autoconheço e expando. A arte me salvou e salva, não só a mim, a muitos. Eu concordo absolutamente com a filosofia maia de que “Tempo é Arte”.

Como lida com as questões de produção de conteúdos digitais? Como é sua relação com o público nas redes sociais? Nossa, isso ainda é uma mega questão para mim. Cresci ouvindo walkman, fui a última da minha turma a ter um blog e usar MSN, sei que isso não é desculpa, pois minha avó posta mais do que eu (risos). Só que ainda tenho uma grande dificuldade em priorizar isso, além do mais, sou um pouco tímida, então não tenho muita interação, zero engajamento, mas estou melhorando muito!!

Vivendo uma personagem ligada à moda e beleza em “Verdades Secretas 2”, como você lida com vaidade? Do que não abre mão? A Lisa parece bem desconstruída em relação aos padrões. Eu acredito que minha vaidade não passa muito pela estética e sim pelo intelectual, mas gosto de me cuidar, não abro mão dos meus rituais de skincare e banho de ervas. (risos) 

Para você viver a personagem Lisa, você teve que mudar o visual. Como foi esse processo? Eu amei!!! A caracterizadora Carla Biriba veio toda cuidadosa falar comigo para eu comprar a ideia, mas eu já tinha comprado quando ela mandou a referência. O primeiro momento foi: Oh, Jesus! O que eu fiz? E meio segundo depois já estava me amando demais!

Algo em comum entre vocês? Difícil essa pergunta, acho que somos muito diferentes. Mas tem um momento em que ela parece ter uma empatia muito grande com as dificuldades do feminino. Me identifico com isso. Sou uma lutadora pelo nosso espaço.

E na hora de relaxar, o que faz sua cabeça? Cachoeira, água gelada na cabeça, mato, pés descalços na terra. Meditação e muita música.

Para conquistar Giovana basta… Eita! Gosto de sinceridade, respeito e estado de presença em qualquer relação. Adoro rir e estar rodeada de leveza. Confiança é algo fundamental. Preciso confiar para ser conquistada. 

Foto e beleza Vinicius Mochizuki

Edição de moda Ale Duprat

Produção de moda Kadu Nunnes