ESTRELA: JULIANA ALVES CELEBRA TRÊS GRAÇAS COM ARTE, MODA E PROPÓSITO

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Por Marcia Dornelles 

Em plena contagem regressiva para a estreia de Três Graças, nova novela das 21h da TV Globo que promete conquistar o público ao substituir Vale Tudo, a atriz Juliana Alves (@julianaalvesiam) celebra uma fase de plenitude artística e maturidade pessoal. Reconhecida por sua entrega e sensibilidade em cada personagem, ela fala à MENSCH sobre os desafios e as conquistas de uma trajetória marcada por resistência, talento e propósito. A entrevista chega acompanhada de um ensaio exclusivo inspirado em Joséphine Baker, ícone de liberdade, arte e expressão feminina — uma produção sofisticada e simbólica realizada pela produtora Márcia Dornelles para a MENSCH, com locação no Hotel Mercure Copacabana. O resultado traduz com força poética o espírito da atriz: ousada, elegante e consciente de seu papel como mulher e artista em tempos de transformação.

Nesta nova fase, ela também se aproxima do universo da moda, destacando e valorizando o trabalho de designers brasileiras que têm feito história com criatividade e propósito, como Fabiana Thorres, criadora da coleção “Sereias Joséphine Baker”, em colaboração com Iara Figueiredo (LuxandFit), Valcira Santiago, e as irmãs Dalva e Neide — nomes que refletem a potência do design nacional e a beleza que nasce da autenticidade.

Entre arte, engajamento e inspiração, esta entrevista revela muito mais do que uma carreira de sucesso — é o retrato de uma mulher que se reinventa a cada personagem, sem perder a ternura nem a coragem de transformar o mundo ao seu redor.

Você está estreando na novela das 21h da Rede Globo, “Três Graças”. Conte um pouco sobre sua personagem na trama e o que o público pode esperar. Minha personagem é a Laíde. Ela mora na Aclimação, com a família, na casa do porteiro do prédio. É uma figura que faz parte do núcleo cômico e vive situações muito inusitadas. Contra a vontade do marido, ela leva os pais para morarem juntos com eles — chega de surpresa com as malas, decidida a ficar. Eu considero a Laíde uma mulher abusada e muito inteligente, que usa seu poder de persuasão para convencer o marido a fazer o que ela quer e manter a vida boa sem precisar trabalhar. É uma mãe que eu não admiro — não dá atenção ao filho, que vive no celular, e representa exatamente o tipo de exemplo do que não fazer. Acho que o público vai se divertir e se surpreender com essa personagem, porque ela reflete uma realidade brasileira invertida, em que muitos precisam trabalhar duro para sustentar a casa — e ela, ao contrário, vive “surfando” nas regalias. Está sendo uma experiência deliciosa, ainda mais por trabalhar com pessoas que admiro e que têm sido grandes parceiras de cena.

Você foi convidada para ser musa da coleção da estilista brasileira Fabiana Thorres, em uma colab com a LuxandFit e as designers e artesãs pernambucanas Valcira Santiago e Dalva e Neide Rendas. Como foi a experiência de ser o rosto brasileiro na França, representando nossa moda autoral? Olha, eu fiquei muito feliz com essa experiência! Foi um privilégio colaborar no lançamento de uma coleção tão especial, na qual a Fabiana Thorres dedicou seu talento e esse espírito de cooperação entre outras artistas e designers brasileiras — como Iara Figueiredo (LuxandFit), Valcira Santiago e Dalva e Neide Rendas — para mostrar ao mundo a força da nossa moda autoral. Ela teve a ideia de fazer alguns cliques inspirados em Josephine Baker, o que me encantou. Já tinha homenageado essa artista em outro momento e foi muito emocionante revisitar esse universo. Me senti honrada em ser modelo para uma estilista que admiro tanto e, ao mesmo tempo, exaltar mulheres brasileiras que me dão tanto orgulho.

Em “Apenas Três Meninas”, de que forma esse papel dialogou com a sua própria história e memórias pessoais? Foi um trabalho muito emocionante, porque me remeteu ao meu passado — que, de certa forma, ainda é presente. Eu comecei minha trajetória trabalhando em ONG, ainda jovem, liderando ações em comunidades e sendo coordenada por pessoas muito parecidas com a minha personagem, a Maju. As protagonistas do filme me tocaram profundamente, porque me vi muito nelas. Revisitar essa história foi como revisitar um pedaço de mim. A Jo, minha personagem, é uma mulher que eu conheço, admiro e que representa tantas outras. Espero que o filme inspire as pessoas a perceberem o poder que têm de transformar o meio em que vivem e a se engajarem, cada uma à sua maneira, em causas que gerem um bem comum. É um filme realmente muito bonito.

Quais são os principais desafios durante sua trajetória? Os principais desafios da minha trajetória, primeiro, foram acreditar na possibilidade de seguir essa carreira. Eu fazia teatro, mas não via isso, inicialmente, como uma profissão. No começo, precisei provar muito mais do que outras pessoas o meu merecimento de estar naqueles espaços — inclusive para mim mesma. Foi um processo difícil, emocionalmente. Precisei de um tempo para realmente acreditar na possibilidade de ser uma atriz profissional. Só em 2008, quando ganhei o prêmio de atriz revelação e interpretei uma personagem que cresceu ao longo da novela, comecei a me sentir mais orgulhosa do meu trabalho.

Essa é uma carreira inconstante. Mesmo hoje, com mais respeito e reconhecimento, continuo enfrentando desafios a cada personagem — porque muitas vezes não tenho domínio total da narrativa ou da forma como os papéis são apresentados. Ainda assim, hoje me sinto mais preparada para dialogar sobre aspectos criativos das produções e também mais respeitada nesses diálogos. Já falei muito sobre os silenciamentos e as dificuldades de ser artista em um país que não valoriza a arte como deveria — e que, por tanto tempo, restringiu espaços para mulheres negras. Mas tenho testemunhado conquistas importantes. Uma geração inteira de artistas vem lutando e reivindicando melhorias, e estamos, sim, construindo algo melhor, passo a passo.

Como você avalia a postura e o olhar da geração Z, tanto nos bastidores quanto em cena? A geração Z me inspira muito. É uma geração que chegou com coragem, questionando estruturas, trazendo novas pautas e um olhar mais atento para as relações humanas e sociais. Nos bastidores, percebo jovens muito conscientes, com senso de coletividade, que querem ambientes de trabalho mais justos e colaborativos. Em cena, são ousados, autênticos e trazem uma verdade que transforma o modo como a gente enxerga a arte. Eles me fazem acreditar que o futuro do audiovisual será mais plural, sensível e representativo. É uma geração que quer viver de arte, mas também quer mudar o mundo com ela — e isso é muito bonito.

Você revela um forte compromisso com o coletivo. O que te inspira a se envolver nessas iniciativas e que legado deseja deixar — especialmente para a sua filha? O que me inspira é perceber que, mesmo diante das dificuldades, o trabalho coletivo sempre gera frutos. Eu gosto de atuar nos bastidores, articulando ideias, criando pontes e fomentando projetos de forma simples e discreta — é assim que me sinto bem. O meu maior incentivo é a necessidade de transformação. Não é possível aceitar que as próximas gerações vivam a mesma realidade que nós enfrentamos. Quando vejo as crianças e adolescentes de hoje, tão conscientes dos erros e acertos das gerações anteriores, fico esperançosa. Quero deixar como legado a certeza de que, com ternura, atenção e respeito, é possível transformar o ambiente à nossa volta. Se cada um cuidar do seu pequeno círculo, as mudanças se tornam consistentes e contínuas. Acredito que cada atitude, por menor que pareça, pode criar uma realidade melhor para muita gente. Que tenhamos o conhecimento e a coragem necessários para construir uma sociedade mais justa e solidária.

Como você avalia a experiência de participar como apresentadora do reality “No Jogo”? Foi uma experiência incrível! Eu realmente me encontrei como apresentadora. Foi um verdadeiro desafio, porque o roteiro era dinâmico e mudava constantemente — eu tinha pouco tempo para me apropriar do texto e, ao mesmo tempo, criar uma boa conexão com as participantes. Precisava me comunicar de forma objetiva, mas com empatia e verdade, já que eu sabia exatamente o que elas estavam vivendo. Curiosamente, eu mesma apareci para o grande público por meio de um reality, e isso criou uma identificação imediata. Foi muito emocionante — muitas vezes precisei conter as lágrimas para conseguir comunicar com potência e clareza. Tenho muito orgulho desse programa e espero que o público também se emocione, porque o final é realmente surpreendente.

Deixe uma mensagem para os leitores da MENSCH… Queridos leitores da MENSCH, é uma alegria imensa poder compartilhar com vocês este novo ciclo da minha vida e carreira. Cada etapa tem sido um aprendizado e uma celebração. Obrigada por todo o carinho e apoio que sempre recebo. Que possamos seguir juntos, inspirando e sendo inspirados. Um grande beijo!

Atriz @julianaalvesiam

Fotos @RolfMullerfotos

Beleza @titovidal

Produção executiva e styling @Marcia_Dornelles

Assistente @margaretsf01

Juliana veste maiôs @fabianathorres — coleção colab com as designers @dalvaeneiderendas e @linhadamao

Acessórios @luxandfit

Chapéus @pernambucanadagema

Agradecimentos @grandmercurecopacabana