Quem se lembra de Juliana Knust da época de Malhação em 1997 não percebeu que já se passaram 25 anos. Exato, Juliana completou 25 anos de carreira desde sua estreia na TV. Da época do seriado Sandy & Junior, passando por Celebridades, Fina Estampa, todas na Globo, até chegar em Apocalipse e Jezabel, ambas na Record, foi um longo percurso. “Nunca pensei, de fato, em chegar aos 25 anos de carreira, mas agora já mentalizo os próximos 25!”, comentou Ju no início dessa entrevista. E os próximos 25 já começaram com muito trabalho. Em breve ela estará com novo trabalho na TV e no teatro, isso sem falar do novo filme lançado ano passado. Juliana é puro desafio e garra para encarar personagens diferentes entre si, e com ela suas mudanças de visual. Na fase “blond ambition”, Juliana posou para nossa 3ª capa e se mostrou ainda mais sexy e provocante.

Juliana, entre um personagem e outro, já se vão 25 anos de carreira. Se sente realizada? Esperava chegar a tudo isso? Essa é uma profissão muito difícil, de uma instabilidade extrema. É preciso ter perseverança e muito foco!  Tenho sorte de ter tido grandes oportunidades ao longo desses 25 anos. Sou muito grata por tudo o que já realizei até aqui. Por conseguir viver da minha arte por todos esses anos, mas também reconheço que vivi fases angustiantes. E tudo bem!

Essa é a minha história. Uma história de luta, de alegrias, tristezas, realizações, decepções, descobertas, aprendizados… Sou quem sou hoje justamente porque pude vivenciar os mais diversos sentimentos ao longo da minha vida. E sempre de forma muito intensa! Sou geminiana. Vou de 8 ao 80, mas me cuido pra conseguir equilibrar mente corpo e espírito. Nunca pensei, de fato, em chegar aos 25 anos de carreira, mas agora já mentalizo os próximos 25! 

E quais os grandes momentos para você nesses 25 anos? Percebo cada novo trabalho como um grande momento porque nessa profissão, você vive ciclos. Você se esvazia completamente pra se preencher de um novo personagem. E Cada novo personagem vem pra sacudir a gente, fazer pensar e repensar valores, evoluir, desfazer crenças, emocionar, e atravessar as pessoas com novos pensamentos. Quando você percebe o público envolvido com as questões do seu personagem… nossa! Isso é o auge do reconhecimento do seu trabalho. Esse é o papel da arte! Levar reflexões às pessoas. 

De mocinha a vilã, você fez de tudo. Agora, na nova série da Record, será seu primeiro papel bíblico? Que desafios imagina encontrar? Fiz a protagonista de Apocalipse – uma novela bíblica, porém contemporânea. Falávamos  sobre algo que ainda não aconteceu. Logo depois, fiz uma personagem em Jezabel, uma personagem bíblica. Agora, faço uma série num formato completamente inovador. Todas As Garotas em Mim será contemporânea com passagens bíblicas. Minha personagem, a principal, será Giane, mas também vou dar uma passeada no tempo e encontrar Dalila, Sansao, Ruth, Jezabel… Acho que vai ser divertido demais!

O que te move como atriz? Qual o grande barato? O que me move como atriz é realmente o amor e o prazer de realizar um trabalho e todo o processo envolvido na criação de um novo personagem. É preciso muito estudo, muita observação. E a hora do “ação” ou do “terceiro sinal”, quando você já estudou, criou, arriscou, errou, acertou… é a hora de relaxar, se jogar e se divertir! Esse momento pra mim, é muito mágico. Quando as palavras escritas num papel ganham vida. E, a partir dai, você consegue chegar no coração de cada pessoa que está te assistindo. 

Nos corrija se estivermos errados, mas seu trabalho mais recente foi o filme Reação em Cadeia. É isso? E como foi participar desse projeto? Na verdade, o meu trabalho mais recente foi no teatro. Aos 40 anos, me deparei com um enorme desafio. Talvez, o maior de todos! Depois de dois anos completamente paralisada pela pandemia, Marilyn Monroe se apresentou pra mim em sua forma mais humana. Sim!! Porque a diva é uma mulher da vida real. E como foi difícil desconstruir o estereótipo! Aos poucos, fui me encontrando nela, criando conexões emocionais. Suas inseguranças, sua fragilidade emocional, seu humor, sua generosidade. Fiz um mergulho profundo, sempre guiado por meu amoroso e talentoso diretor Fernando Philbert. Já trabalhei com ele em um outro espetáculo.  É um diretor que respeito demais! Ele me provoca, me traz pro o momento presente, não desiste, me incentiva, me encoraja. Sou só gratidão! 

Como surgiu o convite para fazer As Garotas em Mim, a nova série da Record. O que podemos esperar da sua personagem Giane? O Foguinho (nosso diretor geral Rudi) me fez esse convite num momento em que eu já estava louca pra voltar à TV. Eu sinto saudade do processo da televisão. Sinto saudade dos estúdios, da vida sem rotina. Cada dia é um dia diferente, com cenas diferentes, cenários diferentes, trocas com atores diferentes. Isso faz com que eu me sinta viva, sabe? Eu sou completamente apaixonada por minha profissão.

Prontamente, aceitei o convite e tenho me divertido bastante com a minha personagem. Ela é bem diferente das outras personagens que já fiz. Ela é muito complexa – preconceituosa, elitista, interesseira. Capaz de tudo pra conseguir o que deseja. E, ao mesmo tempo, tem uma fragilidade enorme. Um vazio que a faz se mover precipitadamente. Ela não é aquela vilã clássica, mas comete muitos equívocos. 

E, em breve, você volta para o teatro no musical Parabéns, Sr. Presidente – In Concert, em que interpreta Marilyn Monroe ao lado de Claudia Ohana e que esteve em cartaz em 2021. Como foi essa estreia e qual a expectativa para essa volta? Queremos muito voltar, mas ainda não temos nenhuma definição quanto a isso. Estamos em busca de apoio e patrocínio pra que o espetáculo tenha vida longa. É uma peça linda, que merece ser vista por todos. Queremos rodar o Brasil, mas infelizmente, a cultura está sendo tratada de forma desprezível. O Brasil precisa reagir. 

Chegar aos 40, mexeu com você de alguma forma? Como lida com tempo e idade? Eu vou vivendo a minha vida sem pensar muito na idade que eu tenho. Realmente, ter 40 anos não é um peso pra mim. Muito pelo contrário. Me sinto melhor hoje, do que 20 anos atrás. Me sinto mais confiante, mais segura. Eu me cobrava demais. Era cheia de paranoias. Me preocupava muito com a opinião dos outros. A tal da insegurança. Acho que amadurecer traz leveza pra nossa vida. Hoje em dia, eu sou mais amorosa e compreensiva comigo mesma. 

Onde está a real beleza? E como você vê a beleza em você? Acho que a real beleza está dentro da gente, sabe? A beleza está em saber respeitar os outros, ter empatia. Ter um olhar mais amoroso para o próximo. As pessoas são únicas e diferentes. Cada um com sua complexidade, na sua batalha diária. A beleza está no não julgamento – no acolhimento. A beleza está no sorriso de uma pessoa feliz que contagia quem está à sua volta. Tem uma frase maravilhosa que diz assim “A beleza exterior enfeita o mundo. A beleza interior ilumina a humanidade”.

Falando em beleza… Por conta da peça você está loira. Em nossas capas anteriores, seu visual era outro. Gosta dessa mudança de visual ou é apenas resultado do trabalho? Como lida com essas mudanças de visual? Sou geminiana, gosto de mudar. Já tive cabelo longo, médio, bem curtinho. Com luzes, ruiva, morena… e agora loira! E todas essas mudanças de visual, cada uma em seu tempo, me levaram a compreender algumas transformações interiores. Me fortaleceram como mulher! Adoro descobrir novas faces de mim. 

Como está você nessa retomada e nesse quase “pós-pandemia”? Acho que a saúde mental é uma necessidade inadiável. É fato que essa pandemia deu uma bagunçada na gente. Todos nós passamos por mudanças significativas em nossas rotinas. Reclusão social, medo, luto, perda da rotina, insegurança com relação ao trabalho, aumento da ansiedade… É hora de se cuidar, prestar atenção nos detalhes. Buscar ajuda profissional. Tenho me cuidado. Foi muito difícil passar por tantas questões. Mas é preciso ter força e fé pra seguir em frente. 

Para relaxar o que tem feito sua cabeça? Ver um bom filme, escutar uma boa música, estar em família. A simplicidade me traz paz. 

Quando se olha no espelho, que Juliana é mais sexy, a loira ou a morena? (risos) Adoro todas as minhas versões. Aproveito ao máximo porque sei que daqui a pouco vou querer mudar de novo. (risos). Sou uma mulher em transformação. 

Para conquistar Juliana basta… Ser de verdade. E ser do amor.

Fotos Priscila Nicheli

Styling e produção executiva Samantha Szczerb

Beleza Patricia Nicheli

Assessoria First Press Comunicação

Agradecimentos Le Chateaux Joa

Juliana usou 613, Dona Mocinha, Segheto, Liebe, Eduardo Guinle