Fotos Dayvison Nunes

Grande artista plástico pernambucano de sua geração, amigo de poetas, críticos e artistas contemporâneos, Carlos Pragana (@pragana) está em plena atividade. Nesta terça-feira (05/04), ele completa 70 anos e diz sentir que a sua energia criativa só aumenta: “Eu nunca trabalhei tanto como nos últimos dois anos e, mesmo agora que a pandemia já está dando sinais de que acabou não quero perder esse pique”, conta. O seu relato não traz um “exílio pandêmico” na perspectiva do isolamento social imposto (ou auto-imposto), mas um mergulho de cabeça nas artes plásticas e suas facetas. 

Segundo ele, o período da pandemia foi muito proveitoso e que mudou a sua forma de se relacionar com o seu ofício. Encontramos um Pragana livre, no platô de sua criatividade, experimentando tudo o que deseja: “Hoje minha atividade no ateliê vai além da pintura. Isso tem me motivado a experimentar o novo sempre. Tenho misturado técnicas, feito serigrafias, colagens, pinturas digitais… não tenho medo de experimentar. Não existem limites para a arte. Ela flui e me traz novas possibilidades”. 

Discreto e concentrado, Pragana é um mestre das cores, linhas e superfícies que compõem a realidade de sua obra. Sobre ele, outro grande mestre, escreveu: “Um dos aspectos curiosos da pintura de Pragana é que, apesar de sua extrema ousadia, ele continua um pintor figurativo, embora a maior parte de suas figuras totêmicas, humanizadas ou animalizadas, estejam aprisionadas por um grafismo carbonário, isto é, revolucionário, portanto, inusitado. Ele é novo como astronauta e tão antigo quanto um feiticeiro das cavernas a pintar na escuridão”. A fala é de Francisco Brennand. 

UM PRAGANA SOLTO E SEM AMARRAS

Seu arrojo é percebido não só pelos medalhões das artes pernambucanas, mas também pelos designers e arquitetos da nova geração. Os últimos projetos especiais trazem essa marca: um Pragana solto e sem amarras, assim como no Entrelaçados – encabeçado por Cris Lemos (da Cis Joalheria). Juntos, criaram uma jóia-conceito: um colar que ressalta um prisma com a inscrição “A arte é o alívio da alma”. Virou objeto de desejo e ganhou uma coleção dedicada às formas e cores. 

Assim, também está no rol do experimental, o quadro “Atalho” feito a pedido dos arquitetos João Vasconcelos e Luiz Dubeux, para um ambiente da Casa Cor 2022. O painel de dimensões “muralistas” foi pintado com tinta acrílica. O processo do quadro foi gravado e virou um mini documentário que pode ser assistido nas redes sociais do artista. Sobre planos para o futuro, Pragana promete uma grande exposição no final do ano, que deve concentrar toda a produção do período – onde destacam-se as colagens e os painéis, ainda sem data e local definidos.