A história de Maria Andrade, ou simplesmente Maria, daria um bom enredo de novela. Nascida e criada na Cidade Alta, no Rio de Janeiro, Maria viu sua vida mudar da água pro vinho com a sua estreia na TV no horário nobre da Globo. Com a personagem Verena em ‘Amor de Mãe’ Maria conquistou seu grande público com seu jeito de menina-mulher de apenas 19 e uma longa trajetória do morro até os holofotes. “A minha essência não ficou lá no morro, ela veio comigo pro asfalto, ela transita comigo pela elite”, comentou ela durante a entrevista. Sua veia artística vai além de atuar, Maria também canta, desde os 12 anos, muito bem, e isso só trouxe ainda mais encanto para sua personagem. Se depender de talento e garra, a Verena será apans a primeira de muitas personagens marcantes. E essa capa da MENSCH a primeira de muitas.

Como e quando Maria virou Verena? Como foi esse processo? No início de 2019 fui chamada pra fazer teste pra novela, através da Marcella Bérgamo, produtora de elenco da novela. Ela já me conhece há 5 anos e o teste era pra outro papel. O Villamarim gostou do primeiro teste e me chamou pra fazer outro diretamente com ele, mas já pra Verena. Ainda faltava um último teste e depois disso, a aprovação da Manu. Felizmente, passei! Comecei as preparações em junho e as gravações das minhas cenas começaram em setembro.

A trajetória de Verena em “Amor de Mãe” começou discreta, como esposa do vilão Álvaro, e aos poucos foi ganhando destaque e elogios do público. Espera por isso? Eu tinha desconfianças em relação a algum segredo dela, pois tinham detalhes que indicavam isso… mas não esperava tanto. Foram sequências lindas e a cada bloco me surpreendo ainda mais! Nem imagino essa segunda fase, por exemplo.

Por ser sua estreia na TV e contracenar com feras como Irandhir Santos, Murilo Benício e Taís Araújo deu um frio na barriga? Como foi isso no início e como tem tirado de letra? Meu primeiro dia de gravação foram as cenas da premiação do Raul, capítulo 14/15, com toda aquela galera. Ali, fiquei nervosa, era tudo muito novo, primeira vez num estúdio de gravação… foi mágico. Já me acostumei com a rotina de gravações, mas descobri que o frio na barriga é inevitável! É a graça da nossa profissão, (risos). Ainda não acredito que trabalho e aprendo com tanta gente que sempre admirei de longe, a ficha só vai cair quando acabar.

Como você analisa Verena? Erros e acertos. Verena é uma mulher muito jovem e muito sozinha, já tomou algumas decisões erradas pra tentar se manter, e por ter vivido muita coisa, sinto que ela não tem discernimento do certo e do errado. Mas com a maternidade, ela amadureceu. Coloca sempre o filho em primeiro lugar, o que faz com que não tome decisões impulsivas. Gostei muito dela ter buscado a independência financeira!

Aos poucos a sua veia musical foi tomando espaço na vida de Verena e hoje ela canta e dança. Isso já estava previsto? Te dar um prazer ainda maior em estar em cena com essa personagem que tem um pouco de você? Não sei se já estava previsto, mas eu também cantei e dancei no teste. Acredito que tenham aproveitado pra acrescentar à personagem. O público me conheceu como cantora, antes de atriz. Mas o teatro esteve na minha vida desde sempre, muito antes de trabalhar com a música, por isso acabo não fazendo muita distinção dessas cenas com as demais… pra mim, o importante é atuar! (risos)

Por sinal, conta um pouco da sua trajetória como cantora… Quando e como começou na sua vida? Descobri que cantava aos 12 anos, graças aos meus amigos. Um dia, eles me gravaram cantando (áudio de celular) e mostraram pra minha mãe. Nessa época, já fazia teatro… misturei as duas artes, mas sempre com a atuação em primeiro plano. Fiz um musical: “Um Olhar Carioca”, com músicas do Chico Buarque – doadas pelo próprio. Eu cantava “Cálice”, dele e do Gilberto Gil. Com 15 anos, calhou de começar a cantar em bar com o Delacruz, que conheci e me tornei amiga nessa época. Logo depois, ele começou a se relacionar com a minha irmã, Gabriela, ela engravidou e ele escreveu uma música sobre isso, que originou o “Poesia Acústica #2 – Sobre Nós”. Ele quem me chamou pra gravar a música, e também me levou pra fazer parte do acústico. Dali, com os convites, comecei a levar a música como carreira e fui parar na Sony Music.

Uma novela das 9h é uma baita vitrine para qualquer artista. O que mudou na sua vida / rotina depois que começou a novela? Comecei a ser chamada por um terceiro nome: Verena, (risos). Acho super legal e engraçado a forma que as pessoas me abordam, geralmente gritam ou me param na rua para dizer “larga aquele careca, mulher, ele tá te traindo”!

Como lida com o assédio? O que ficou mais fácil e mais difícil por conta disso tudo? Já tem três anos que lido com os assédios do público nas ruas, mas antes, as pessoas ficavam muito mais em dúvida se era eu, então nem todo mundo chegava. Isso ainda rola, mas agora é mais frequente falarem comigo. Eu sigo a vida normalmente, vou no salão, no mercado, na praia… só tenho evitado sair pra me divertir, beber, prefiro fazer coisas mais reservadas!

Lá no início… como se descobriu atriz? Atriz ou cantora, o que te completa mais? Tem como escolher? Aos três anos de idade! Eu pedia muito a minha mãe que me levasse em agências ou curso de teatro, mas só comecei as aulas aos 7 anos e fui até os 14. Não gosto de comparar meus trabalhos ou tentar decidir entre eles. Eu sou da arte, não só canto, não só atuo, mas também componho, danço, escrevo, se quiser, desenho, costuro… eu não gosto de limitar minha arte, muito pelo contrário, gosto de abranger!

Você veio de uma comunidade na Cidade Alta, Norte do RJ, até “chegar no asfalto” e se realizar como artista foram muitas barreiras? Existem barreiras até hoje. A minha essência não ficou lá no morro, ela veio comigo pro asfalto, ela transita comigo pela elite. Eu sou “lida” como favelada dentro desses lugares, e junto desse rótulo, também vem os estereótipos: tudo que esperam que eu seja, fale, pense… trabalho e estudo todos os dias para estar sempre me reinventando e quebrando esses paradigmas.

Como escolhe o que vai cantar? Alguma referência ou influência? Eu não politizo minhas letras, sempre digo que elas são apenas minhas vivências pessoais. Não escolho o que canto, só sento, escuto o beat e me dou liberdade de escrever o que vier à cabeça!

Em comum com Verena também a vaidade? Do que não abre mão? Como lida com o espelho? Não tenho, (risos). Muito pelo contrário, sou prática! Mas não costumo sair sem argolas, me sinto meio nua. Me dou bem com o espelho, não passo horas me olhando nele, porém, quando olho, gosto muito de tudo que vejo. Foram muitos anos de autoconhecimento pra me ajudar na autoestima que tenho hoje e ter adquirido o amor próprio.

Solteira? O que um homem deve ter ou ser para chamar sua atenção? Ando tão ocupada com trabalho e estudos, que nem penso nessas coisas, (risos).

Nas horas vagas o que faz sua cabeça? Leio, vejo filmes, séries, documentários, prático pole, ou algum esporte… nessa quarentena aproveitei para começar as aulas de inglês e espanhol que não tinha tempo durante as gravações. Também voltei a estudar língua portuguesa e literatura. Amo ler biografias, sou bem fofoqueira, rs. Também gosto de dançar, fazer atividade física, cozinhar… e o principal: dormir!

Uma noite inesquecível (acompanhada ou não) deve ter… Alegria! Boas risadas… acredito que na maioria das minhas noites inesquecíveis, sempre estive rodeada de bons amigos!

Para conquistar Maria basta… Sinceridade e lealdade. Preservo esse tipo de gente em minha vida, em todas as áreas: família, trabalho, amizade… sou totalmente do diálogo, famoso “papo reto”!

Fotos Guto Costa

Styling Samantha Szczerb

Cabelo Luka Santos (D’Luka Hair)

Maquiagem Elcides Freitas

Agradecimentos: Duloren, 613, Lilac, Schutz e Fernanda Chies