É quase unanimidade que praticar exercícios e se alimentar bem são fundamentais para uma melhor qualidade de vida, mas só isso não tem sido suficiente, já que a grande maioria das pessoas não aderem as recomendações mínimas de atividade física, muito menos se alimentam bem. O resultado; uma epidemia de obesidade e sobrepeso que assola não só nossa casa, como também boa parte do mundo e que se concretiza como um dos grandes problemas de saúde pública da modernidade.

Mas porque mesmo conhecendo boa parte dos benefícios continuamos sedentários? Por que não conseguimos olhar para o espelho e nos reconhecemos como seres ativos? Olhando para trás, é como se em algum momento um “elo estivesse se perdido”, entre quem nascemos para ser (enquanto espécie) e o que nos tornamos. Certamente, algo ficou pelo caminho.

Talvez você nunca parado para pensar nesse papo, mas já existem teorias baseadas em centenas de artigos científicos e livros* que buscam reconectar a este “elo perdido”. Esta vertente é chamada de “estudo do raciocínio evolucionário da saúde e no movimento”, por alguns pesquisadores, diz que estamos tão condicionados, enquanto seres sociais, que só valorizamos e nos identificamos com comportamentos que estão dentro do contexto em que fomos criados, ignorando a nossa história enquanto espécie humana. Esta desconexão seria uma das responsáveis por acharmos que as pessoas que se exercitam “são fitness”, “diferentes’, “excepcionais”, quando o comportamento inadequado e “antinatural” é o sedentarismo, que dentre outros, aumenta e muito o risco de desenvolvimento de inúmeras doenças, como o câncer, só para dar um exemplo.

Vivemos dentro de uma lógica em que nos consideramos inteligentes, que seguimos regras, leis, nos baseamos em determinados comportamentos, hábitos, ganhamos nosso dinheiro, conseguimos nos manter, então está tudo bem, e segue a vida. Correr, pular, saltar, pendurar, rolar, engatinhar, fazer força, colocar nossos músculos a prova, são coisas que para quem gosta, não para mim.

É PRECISO COMEÇAR

Acreditamos de “pés juntos” que somos apenas seres sociais (mero engano), quando, somos muito mais. “Somos um organismo sujeito a leis físicas, químicas e biológicas, assim como a aspectos culturais, antropogênicos e psicossociais” … E o que isso significa?

Implica dizer que não caímos de paraquedas nesse mundo, no meio da cultura ocidental. As leis (física, químicas e biológicas) que imperam hoje são exatamente as mesmas de milhares de anos atrás. Continuamos guiados por uma programação biológica muito primitiva, que evoluiu durante milhões de anos e que não se encontra preparada para escadas rolantes, controles remotos, fast foods, para uma vida imóvel dentro escritório ou no sofá frente à televisão. Os variados objetos, as construções, os automóveis são coisas estranhas à nossa programação, e tudo isso somado nos levou a um grande problema, descrito como “uma incompatibilidade” entre o nosso ser biológico e o nosso ambiente tecnológico, que ocorreu e ocorre de forma exponencial, principalmente nas últimas décadas, anos, meses e não tem previsão para parar.

Uma das formas de romper com o forte paradigma que é passar a enxergar a atividade física como algo necessário e não como uma coisa opcional para uma vida saudável. É internalizar que evoluímos a partir do nosso corpo e do movimento e desprezá-lo tem um alto preço, que nem a medicina ultra sofisticada encontrou solução para nos livrar. Você gostando ou não, a atividade física e uma alimentação livre dos refinados/industrializados está cravada em nossos genes, como parte dessa história evolutiva e não podemos nos esquivar.

Seu corpo não está nem aí para pensamentos como “não consigo, não tenho tempo, isso não é para mim, é muito chato, sou feliz assim”. Definitivamente, se você não via sentido em se exercitar, seja qual for a atividade, imagine que essa é a ferramenta mais eficiente contra toda a “incompatibilidade” que estamos envoltos e este pode ser o ‘ELO” que possibilita nos aproximarmos minimamente daquilo para o que fomos preparados ao longo de milhões de anos.