Um dos fantasmas que mais assombram os homens em geral é a perda de sua vasta cabeleira. É como se a lenda do nobre Sansão que perdeu sua força depois de perder seus cabelos durasse até os dias de hoje para muitos homens. A queda de cabelo é um mal que atinge 50% dos homens aos 15 anos e 90% na casa dos 40 anos, dentre aqueles que apresentam genes hereditários. Porém nem sempre as causas são genéticas e hereditárias, o stress, a má alimentação, a ingestão de esteroides, ou doenças como o Lúpus ou a diabetes também podem levar à queda do cabelo. São os chamados fatores endógenos (provocados pelo próprio organismo) ou exógenos (sob influências externas). Esses fatores externos não costumam ser o fator principal que leva à queda de cabelos, mas ajudam ou aceleram o processo.

A calvície existe desde que o mundo é mundo e a causa mais comum é de origem androgenética, ou seja, transmitida de geração em geração sob a interferência do hormônio masculino Testosterona. Se servir de consolo, amigo leitor, as mulheres também são vítimas deste mal e no caso delas, além do fator genético ainda há as famosas alterações hormonais típicas do organismo feminino, seja por disfunções ovarianas, da tireóide, do pós-parto, da menopausa ou pelo uso de anticoncepcionais.

Vaidade, virilidade, seja qual for a razão, homem nenhum quer ser careca. Há até os que aceitam, tentam tirar proveito da situação, mas gostar mesmo, hum, difícil de encontrar. Mas quais as causas da calvície, quais as medidas preventivas e as reversíveis? Para responder a essas perguntas MENSCH conversou com a Drª Leila Bloch, dermatologista e cirurgiã capilar, além de pesquisadora com publicações em congressos internacionais e Drº Fernando Bastos médico especialista e uma referência em transplante capilar.

AS CAUSAS 

Para quem acredita que o grande vilão é o estresse, calma, não se estresse, mas não é. Não há nenhuma comprovação científica que ligue os fatores emocionais a calvície em si. O que temos comprovado é que em média, de 3 a 6 meses após um evento de estresse, como uma perda familiar, cirurgia ou estado febril, pode haver queda de cabelo mais intensiva. Porém, trata-se de um evento temporário, pois novos fios crescem de volta.

Agora, totalmente inocente o estresse também não é. Ele tem sim uma participação na aceleração da calvície em que já tem essa predisposição genética.  O estresse pode aumentar a oleosidade do couro cabeludo, que induz à inflamação e, consequentemente, pode precipitar a perda capilar.

Falando em predisposição genética, aí sim temos a grande causa da calvície. Então, se seu pai é calvo, seu avô ou qualquer outro membro da sua família, você provavelmente terá o gene da calvície, pois a calvície é hereditária sim, e de herança dominante. Se tanto o pai como a mãe tem tendência genética, há uma chance de desenvolvimento de calvície de mais de 50% ao longo da vida. Ou seja, mais um motivo para procurar orientação médica aos primeiros sinais do processo.

OS MITOS

As crendices populares estão por toda parte e não poderia ser diferente quando o assunto é calvície. Cortar o cabelo em lua cheia ou crescente, não vai fazer diferença, a lua interfere nas marés, não nos fios de cabelo, portanto não se deve apegar a isso como prevenção ou tratamento para a calvície. Reduzir a frequência com que se lavam os cabelos também não faz diferença. Durante a lavagem de cabelos é natural que alguns fios caiam. Diminuir a frequência em que se lava os cabelos é que pode piorar a situação já que aumenta a oleosidade capilar que leva a uma inflamação e consequentemente à queda.

E AGORA DOUTOR? 

Independente de existir na família um histórico de calvície é importante procurar um dermatologista ao notar uma diminuição de volume capilar, ao passar mais de 3 meses com uma queda de grande volume e quando perceber que as entradas estão aumentando ou o couro cabeludo começa a aparecer. Esses são sinais de alerta que demonstram a necessidade de orientação médica. Uma vez detectada a calvície, é feita uma avaliação para escolha do melhor tratamento. A avaliação se dá já na primeira consulta através de exame clínico, realização de fotografias com o uso de microcâmara de contato e fotos macro em estúdio.

Para avaliação cirúrgica é feita uma análise da área doadora, sua densidade e elasticidade. Após, é desenhado esboço da área em que o cabelo será restaurado no próprio paciente. Também é mostrado um filme explicando a técnica cirúrgica. A primeira consulta é tem a duração de uma hora, para adequado avaliação e orientação do paciente. São solicitados exames e avaliação pré-operatórios, além de uma prescrição médica inicial.

O TRANSPLANTE CAPILAR: FAZER OU NÃO FAZER?

Aos que já estão com a calvície do tipo 3*, considerado avançado, a proposta é transplante capilar. A cirurgia tem indicação quando se deseja restaurar os cabelos perdidos, ou seja, quando não se está satisfeito com a quantidade de cabelos que se têm, uma vez que com o tratamento clínico se consegue manter, mas não se consegue recuperar o que se perdeu.

Usada por políticos como José Dirceu e José Mucio, a técnica tem sido cada vez mais procurada por famosos ou anônimos. O transplante capilar consiste em retirar um tufo de couro cabeludo da nuca e enquanto um médico vai fechando refinadamente essa área, através da sutura tricofítica, as técnicas em microscopia (seis especialistas) vão dissecando as unidades foliculares que serão devolvidas uma a uma para as mãos do cirurgião para serem implantadas com auxílio de micro agulhas ou micro laminas na área calva sem deixar marcas.

A cirurgia é conduzida através de microscópios ultramodernos, tridimensionais, que permitem uma dissecção e confecção dessas unidades preservando as raízes pilosas, as glândulas sebáceas e o músculo pilo-eretor. De acordo com o Doutor Fernando Bastos, a qualidade da equipe cirúrgica é fundamental, e conta em média com 10 profissionais para que se consiga a colocação de 8 a 10 mil fios de cabelos em apenas uma sessão. Esta quantidade pode variar de acordo com a qualidade da área doadora de cada paciente, que geralmente é região occipital, conhecida como nuca.

Esses cabelos começam a nascer por volta do quarto mês de operado e vão aparecendo até o décimo mês, quando o resultado final se completa. Durante o pós-operatório o paciente não sente nenhum tipo de desconforto e pode voltar às suas atividades normais com dois dias de operado. O transplante capilar realizado pela técnica das unidades foliculares representa hoje o que há de mais moderno e eficiente no tratamento da calvície.

Caso você não tenha paciência para fazer o tratamento ou coragem (e dinheiro) para fazer o transplante, a saída é assumir sua careca ou sua calvície assim como vários famosos (e anônimos) já fazem. Afinal a música “é dos carecas que elas gostam mais” deve ter algum fundamento. O importante é estar bem com você mesmo.

*A calvície masculina é classificada em 7 tipos e a feminina em 6, sendo esta última publicada pelo Dr. Fernando Bastos em 2005 e aceita por grandes centros de calvície do mundo e é conhecida como “Classificação de Basto”.

 

SERVIÇO:

Clínica Fernando Basto – Rua Alberto Paiva, 349 – Graças

Recife / PE – 52050-260 – (0xx) 81 3427-9000

www.fernandobasto.com.br

Clínica Bloch – Rua Joaquim Floriano, 72, cj 37 – Itaim Bibi

São Paulo / SP – 52050-260 – (0xx) 11 3071.4114

www.clinicabloch.com.br