Texto / Fotos Fernando Russo

Um roteiro para fazer muito bem acompanhado, os lagos do norte da Itália oferecem paisagens espetaculares, vilarejos medievais autênticos, e uma bela experiência gastronômica longe das multidões de turistas que invadiram a Toscana e as principais cidades da Itália. Comece sua viagem por Milão. Vale ficar pelo menos duas noites curtindo essa que é a cidade mais cosmopolita da Itália.

Aqui os clichês de capital da moda estão mais presentes que em Paris. Pelas ruas todos andam elegantes e o desfile de Ferrari e modelos faz parte da rotina da cidade, principalmente na região conhecida como “Quadrilatero D`Oro” onde se concentram as lojas das principais grifes Italianas. Se futebol faz mais a sua cabeça não perca uma partida no San Siro.  Além de ver os grandes craques ao vivo a experiência da arquibancada já vale o ingresso que geralmente é bem mais fácil de comprar no próprio estádio do que em outros países da Europa.
Terminada a visita a Milão alugue um carro e siga para o norte em direção ao Lago Maggiore. Comece pela cidade de Stresa que fica a beira do lago e tem como grande atrativo suas ilhotas – Isola Bella e Isola Pescatori que ficam a 10 minutos de barco da cidade.  A primeira tem um maravilhoso palácio com o jardim mais impressionante que eu vi na Europa. A segunda tem um belo vilarejo medieval cheio de restaurantes, que apesar da quantidade excessiva de turistas ainda conserva seu charme.  No final da tarde vale cruzar as montanhas até o lago vizinho – Lago D’Orta. Foi aqui que encontramos a cidade mais interessante e tranquila da viagem – Orta de San Giulio. Esse espetacular vilarejo medieval é um tesouro escondido dos turistas. Aqui você pode ficar em um hotel com vista para o lago por menos de 150 Euros.
Assim como Stresa, Orta também tem a sua maravilhosa ilhota – Isola de San Giulio, onde no lugar dos restaurantes turísticos reina o silencio total e casas medievais bem preservadas. Compre uma garrafa do ótimo vinho Gattinara exclusivo da região na mercearia próximo da praça principal. Se você resistir à degustação de salames e queijos que o simpático dono vai te servir comece a noite jantando no ótimo restaurante Olina e termine tomando o seu vinho na varanda do hotel apreciando a vista da Isola de San Giulio iluminada. No dia seguinte de volta ao Lago Maggiore suba em direção à fronteira Suiça. No caminho pare para almoçar no excelente restaurante do Hotel do Lago na entrada da cidade de Cannobio, que também vale uma visita nem que seja apenas para tomar um sorvete italiano.
Atravessando a fronteira a próxima parada é Lugano. Aqui os preços são mais altos, mas vale conhecer o centro histórico da cidade e em um dia de sol a bela orla e montanhas que rodeiam o Lago Lugano. Para quem curte esporte correr de manhã na beira do lago ou alugar um veleiro vale a estadia. A cidade fica a poucos quilômetros do lago mais sofisticado da Itália – o Lago di Como. Aqui o destaque é o vilarejo de Bellagio e a estreita estrada que beirando o lago percorre outros tantos belos vilarejos com os Alpes como pano de fundo.
Se você conseguir deixar o Lago di Como para trás siga viagem rumo a Verona, a próxima parada é o Lago di Garda. Aqui o grande atrativo é o belo vilarejo de Sirmeone. Fique no hotel Gatullo que por 110 Euros nos ofereceu um quarto confortável com uma bela varanda com vista para a praça acompanhando de um atendimento mais que simpático. O hotel fica dentro da cidade medieval em uma península cercada de água por todos os lados e com um belo castelo do século XIII.

Sirmeone é também uma ótima base para conhecer Verona que está a apenas 40 km. Vale passar duas noites na vila e conhecer Verona durante um dia sem ter que dormir na cidade. Acordar com os sinos da igreja e curtir a cidade medieval vazia a noite é sem preço. Além disso, a vila tem ótimos restaurantes. Vale investir alguns Euros a mais em um jantar no La Rucula que nos proporcionou a melhor refeição da viagem. O Trattoria Speranzina também vale pelos frutos do mar e o terraço com vista para o lago.

Aproveite para explorar as ruas estreitas do vilarejo e suas ruínas romanas antes das onze da manhã. Nesse horário chegam os ônibus de excursão lotados de velhinhos e crianças que abarrotam as ruas da cidade. Nessa hora a média de idade da vila sobe para 70 anos considerando as crianças. Portanto vale fechar a matéria reforçando a primeira frase que escrevi: Só faça esse roteiro se estiver muito bem acompanhado. A chance de se dar bem por lá é menor do que a de pescar um Pirarucu em um dos lagos.

Texto: Fernando Russo
Fotos: Fernando Russo

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