Ela escalou em altas montanhas, mergulhou em cavernas, caminhou pela boca de um vulcão e viveu momentos extremos na profissão de jornalista. Nossa estrela de capa, Carol Barcellos, sempre combateu o medo sem se deixar abater. “Enfrentei medos, me desafiei, me surpreendi e me entreguei com todo amor ao ‘Planeta Extremo”, comentou Carol. Mas nem tudo foi só extremo e adrenalina dessa jornalista de belos olhos verdes e corpo de garotinha de praia, Carol começou muito cedo sua jornada passando boa parte da carreira no universo esportivo. Taí. talvez a influência por gostar tanto de esportes. Mãe de uma garotinha, Carol enfrenta a saudade com um simples fechar de olhos e muito amor no coração durante suas longas viagens. A MENSCH conversou com ela e de quebra produziu esse ensaio exclusivo que mostra um lado mais sexy da jornalista que nos faz suar frio sempre, dentro ou for ada telinha.

Carol, foi o jornalismo que te descobriu ou você que descobriu o jornalismo? Como se deu esse encontro? Nos encontramos! Foi um dos grandes encontros da minha vida, ainda que tenha sido um pouco ao acaso. É difícil escolher profissão aos 19 anos. Na época, também pensei em Direito e Economia. Mas acabei escolhendo o Jornalismo porque sempre amei contar histórias. Amo ser jornalista e comunicadora.

Você começou pelo SporTV e hoje já completou mais de 10 anos na Globo. Como se deu esse início? Entrei como estagiária, em 2004, durante os Jogos Olímpicos de Atenas. E, desde então, vivi muita coisa bacana aqui.

A internet e as redes sociais sem dúvida vieram para ajudar ao jornalismo. Mas ao mesmo tempo atrapalha com as fake news e todo mundo se achando meio jornalista. Como você vê isso? Acho muito sério. Checar a notícia é básico. É um absurdo divulgar algo sem responsabilidade.

Ainda falando em fake news, como jornalista, a que se deve o crescimento delas hoje em dia? Como combater? Difícil demais responder a essa pergunta. Como controlar um ambiente que se propõe a ser livre, como a internet?

Da sua época de estudante de jornalismo para hoje em dia existe uma grande diferença dos profissionais que estão saindo da faculdade para o mercado de trabalho. Você percebe isso? Sim, e isso é natural e esperado. Saí da faculdade em 2005 e muita coisa mudou desde então. É da vida e isso é sensacional. Nos desafia a mudar e a nos reinventar o tempo todo. Também sou bem diferente hoje.

Dentro do universo do jornalismo você migrou para a área de esporte e aventura. Era um desejo antigo ou foi acontecendo? Aconteceu naturalmente. No início, eu tentava controlar a vida. Depois, a ficha caiu. Era perda de tempo. A vida vai nos mostrando os caminhos e devemos estar abertos a isso. E olha que presente: vivi experiências tão maravilhosas, que eu nunca teria planejado. A vida é bem mais interessante que os nossos planos.

Passar de repórter esportivo para repórter e apresentadora do “Planeta Extremo” foi bem extremo. Como foi no início desse projeto? A adrenalina e o desejo de fazer sempre foram maiores que o medo do que viria pela frente? Sou apaixonada pelo ‘Planeta Extremo’. Pelo projeto, pela proposta, pela equipe e pela entrega que todos nós tivemos durante as reportagens. Marcou minha vida. E isso vai muito além da profissão. Mudou minha perspectiva da vida. Enfrentei medos, me desafiei, me surpreendi e me entreguei com todo amor ao ‘Planeta Extremo’.

Das suas experiências durante o “Planeta Extremo” que lugares você voltaria e que lugar jamais quer repetir? O mergulho na caverna na China foi tenso demais. De resto, acho que faria tudo de novo. Com o ‘Planeta Extremo’, tive a chance de viver muitos momentos especiais, dos quais tenho muita saudade.


E como combatia o medo durante algumas matérias extremas? Nunca combati o medo, mas já o enfrentei muitas vezes. O medo é humano e é preciso ter humildade para reconhecer que todos nós sentimos.

Cobrir as Olimpíadas de 2016 no Brasil teve um gostinho especial? Bem menos extremos… (risos) Amo esporte olímpico e a emoção do “ao vivo”. Juntar os dois, então, é incrível. Em alguns dias, eu e o Flávio Canto passamos quase cinco horas ao vivo. Foi uma baita experiência. Recebemos convidados muito legais e com grandes histórias no ‘Balada Olímpica’.

Para um programa como “Planeta Extremo” é necessário uma condição física especial. Você já era ligada em esporte e cuidados com o corpo? Sempre pratiquei esporte mas, quando virou trabalho, a coisa mudou. Cada hora precisava treinar uma modalidade diferente. Sem contar que acompanhar o Clayton Conservani não é fácil. Ele me ensinou e me ajudou muito durante o processo. Hoje eu continuo treinando para um novo projeto, que ainda está por vir. Não vou parar de fazer esporte nunca, está na minha essência.

Você que é mãe de uma garotinha é complicado administrar o tempo e viagens? É a minha realidade. Conversamos muito e sempre explico para a Julia que esse é o meu trabalho e me faz feliz. É claro que sentimos saudade, eu e ela. Mas quando estamos juntas, ninguém segura! O que sempre digo a ela é que, em qualquer lugar do mundo que eu estiver – ou que ela estiver, no futuro – nós estaremos sempre juntas. Porque carrego ela no meu coração. E ela me carrega no dela. A gente tem um combinado: quando a saudade aperta, fechamos os olhos e nos encontramos. Estamos juntas para sempre e sabemos disso.

Depois de viajar o mundo fazendo matérias, quando tira férias fica em casa ou cai no mundo novamente? Viajo. Juju ama viajar e viajar com ela é a melhor coisa da vida. Descobrimos e exploramos lugares juntas. Quer coisa melhor que isso? Quero que ela cresça convivendo com lugares e pessoas diferentes. E que ela saiba que as pessoas são diferentes, mas ao mesmo tempo, iguais. E o que o mundo é de todos nós.

Em 2015 você lançou o livro “Quebrando Limites” que traz um pouco da sua trajetória como jornalista. Esse também é o tema de suas palestras ainda? O que procura passar para o público? Ainda tenho dificuldade em chamar de palestra. Divido com as pessoas um pouco do que já vivi e experimentei. Falo sobre estratégia, planejamento, treinamento e coragem para enfrentar os nossos medos. Tudo isso está presente no nosso dia a dia. E na vida de quem se propõe a sair da zona de conforto. No fundo, o mais legal é que as pessoas se identificam com as histórias. Todo mundo já enfrentou uma maratona no Polo Norte, escalou uma árvore gigante… Só que, no dia a dia, esses desafios têm nomes diferentes.

O que te conquista e o que te tira do sério? Leveza, risada e paixão pela vida me conquistam. A maldade me tira do sério.

Uma pergunta básica… E aí, teremos outra temporada de “Planeta Extremo”? Adoraria, mas ainda não temos outra temporada prevista.

Fotos Márcio Farias

Beleza Suzana Marins

Stylist Thiago Muruci

Assist. de Produção Dafne Falicio

Assist. de Fotografia Luana Cabral