Como foi a experiência de apresentar um programa voltado para o público masculino? Como foi a aceitação? Foi incrível!! O “Contemporâneo” foi – e ainda é – o único programa do gênero no Brasil. Pintaram outras tentativas, mas ninguém acertou a fórmula como nós fizemos. Era um barato, porque o programa era para homens, mas as mulheres de todas as idades também curtiam. A aceitação foi incrível! Até hoje as pessoas vêem me perguntar “Quanto volta ao ar o seu programa”? Fazem isso TODOS os dias, sem exagero. Já faz quase quatro anos que o “Contemporâneo” acabou e as pessoas tratam como se tivesse prestes a estrear nova temporada.
Que experiências você levou do tempo de produtor do “Domingão do Faustão” para o “Contemporâneo”? Produção é um trabalho duro, que exige mais que competência, exige tesão do produtor. Conheço gente como eu, que produzia como porta de entrada para a TV, mas os melhores produtores com os quais trabalhei, eram gente que curtia produzir! Produtor que não quer ficar frente às câmeras, que é produtor de carreira. Agora, acho que se todos os apresentadores trabalhassem pelo menos um ano como produtores, teríamos muito menos “estrelas” e apresentadores muito mais eficientes por aí… Como produtor você aprende como a TV realmente funciona. No “Contemporâneo” eu sabia quais eram as limitações e as capacidades dos produtores, então nunca pedia mais/mais rápido do que eram capazes, mas também não me contentava com menos/mais devagar do sabia ser possível.
[vídeo de um dos programas apresentado por Christiano, no caso esse traz uma entrevista com Sabrina Sato e uma matéria sobre ternos]
Para você o que mudou no papel do homem e da mulher na sociedade hoje em dia em relação a 20, 30 anos atrás? Ao passo que a mulher tem passado as ultimas três décadas conquistando o que lhe era de direito, o homem tem passado as últimas décadas percebendo que seu papel mudou e agora está perdido tentando descobrir qual o seu papel. Estamos menos necessários para as mulheres de acordo com os moldes antigos, mas a nova mulher, que trabalha muito, ganha muito, ocupa cargos antes do homem, agora tem a necessidade de parceiros mais disponíveis, mais presentes do que nunca. Isso para nossa engenharia genética/evolutiva é muito difícil, é um trabalho em andamento, porque nos somos mais dispersos, impetuosos.
As pessoas tendem a achar que apresentar um programa de viagens é o trabalho perfeito, pois se conhece vários lugares. É verdade? Foi assim quando você apresentou o “Brasil é Aqui” no GNT?Trabalho mais duro que já tive! Partíamos para viagens de vinte dias, onde gravávamos das 5/6 da manhã até as 9/10 da noite, subindo e descendo montanhas, fazendo a mesma trilha N vezes, debaixo de um calor insuportável, etc. Daí comíamos (muitas vezes mal), dormíamos (muitas vezes mal) e dia seguinte tudo de novo. TV a cabo tem um budget SUPER restrito, então a gente tinha que tirar leite de pedra. No vídeo tudo fica lindo e parece divertido, esse é nosso trabalho e essa seria a experiência de um viajante a lazer, mas pra fazer aquilo ficar legal no vídeo, é duuuuro!
Você está no segundo casamento… que lições você traz de positivo da primeira experiência? Que não podemos mudar as pessoas. Minha ex era muito diferente de mim, de outra cultura, outro país (não que isso não dê certo pra muita gente) e queria muito que eu fosse outra pessoa, acho que eu também queria isso dela. Tem que gostar do outro como ele é. A gente evolui, mas não muda completamente. Com a Dani já expus toda a minha vida de cara, pra não ter surpresas. Nós não temos segredo algum e isso nos fortaleceu muito. Sabemos que gostamos um do outro como somos.
E ser um futuro papai, já te afeta de alguma forma? Tem se preparado para esse novo papel? Putz, estou completamente bobo! Quero comprar tudo que é cor-de-rosa por aí! A Dani até diz “menina pode usar outras cores, tá”! rs rs rs Não tive irmã, então é tudo novo pra mim. Comprei vários livros e tenho estudado muito. Vamos fazer aquele curso para pais e estamos nos divertido escolhendo as coisas pro quartinho dela. Quero tentar não ser paranóico, mas tá difícil… Fiquei um mês estudando os carrinhos e cadeirinhas antes de comprar e agora vamos trocar de carro para ter Isofix (que prende a cadeirinha melhor)… Acho que faz parte de ser pai de primeira viagem. Parece que no segundo filho a gente alivia…Por falar em papel, você já atuou em duas novelas e três filmes. Como foi a experiência de atuar? Se descobriu ator de vez? Nas novelas fiz participações pequenas, mas filmes já fiz quatro, dois deles com papéis principais. Sou apresentador por experiência, mas sou ator formado; estudei três anos profissionalizantes, mais vários cursos livres. A curva de aprendizado de um ator é muito mais longa. Um bom ator nunca deixa de aprender, evoluir. É um prazer bem diferente da apresentação. O prazer de fazer um filme é menos imediato que fazer um programa de TV. Às vezes é um prazer agridoce também. Você passa semanas, ou meses, se preparando e quando faz se diverte. Daí quando vê aquilo na tela muito tempo se passou e aquela cena que você gostou de fazer, fica envergonhado de assistir, ao passo que coisas que nem tinha notado, ficam muito legais. Não é à toa que atores são tão inseguros. Estamos sempre sob alguma lente analítica – nossa ou dos outros…
Capa:
Foto: Rodrigo Lopes
Tratamento de Imagem: Jorge Souza
Agradecimento: Bia Serra – Montenegro & Raman
Entrevista: André Porto e Nadezhda Bezerra
Revisão: Dulce Porto







