CAPA: CADU LIBONATI LUTANDO POR JUSTIÇA EM “GUERREIROS DO SOL”

Dentro da dureza do cangaço exibido na novela Guerreiros do Sol (Globoplay) muita injustiça e abusos de poder. É quando entra Vicente, um jovem com sede de justiça, personagem de Cadu Libonati, que é filho do personagem de Aline Moraes na trama. Para alguns Cadu pode parecer um rosto novo na TV, mas nosso homem da capa já passou por diversos trabalhos na TV. E fora dela, ele não para quieto, vai balé contemporâneo à música, ele já fez de tudo um pouco. Cadu adora um desafio na profissão e ir gravar no sertão foi mais um desafio que ele abraçou e amou.

Cadu como surgiu o convite para interpretar o Vicente em “Guerreiros do Sol”? Na verdade, eu fui testado! Primeiro mandaram textos referentes aos personagens “Vicente” e “Bernardino”. Fiz para Vicente Bandeira mais de uma vez, e o Matheus, grande amigo e produtor, me ligou avisando.

O universo do cangaço era algo que você já tinha alguma referência? Como foi mergulhar nesse tema? A referência que eu tinha de cangaço era de aulas de escola, e depois, mais velho, indo buscar em livros e autores mais focados no assunto. Ao começar a ouvir Nação Zumbi, eu fui mais atrás do assunto. E em “Guerreiros” se tornou um hiperfoco na época. Ainda mais porque eu sou apaixonado por História e política do Brasil.

Você chegou a ir para o sertão brabo ou suas cenas foram gravadas todas em estúdio? Como foi a experiência? Eu gravei algumas cenas no sertão, passei duas semanas em Piranhas. Foi incrível poder estar ali e fazer todo o passeio turístico cultural da região. O sertão é um lugar cheio de coisas incríveis, mistérios deliciosos de se buscar. Eu quero voltar sempre!

Nesse trabalho você reencontrou com Aline Moraes, com quem já tinha trabalhado duas outras vezes. Como é a relação entre vocês e como foi criar essa relação de “mãe e filho”? Reencontrar Alinne foi um privilégio sem tamanho. Eu sou muito fã apaixonado na pessoa que a Alinne é. Desde sempre. Desde quando trabalhamos juntos, anteriormente, mas não tão próximos. Dessa vez foi diferente. A Alinne já havia se tornado uma mãe diferente da que conheci em 2018, e eu já era um “filho” diferente em 2023. Poder criar uma atmosfera assim de amizade e muito amor foi essencial. Sou eternamente grato por Alinne nesse trabalho!

Na trama seu personagem Vicente é um que luta contra injustiças. Como isso te pega? O que não dá pra tolerar? O fato de Vicente ser inconformado com seu tempo (fazendo do mesmo “à frente” do seu) me ajudou muito na construção. Costumo dizer que me tornei mais entendido do mundo, quando meu ódio foi parar no lugar correto. Eu li muito Josué de Castro, para poder entender melhor a fome na sua geografia. Sinto que Vicente também leria seu trabalho por completo. Talvez fossem até amigos.

Fora a dramaturgia você também é bailarino, cantor e instrumentista. De onde veio tanto talento? Alguma influência? Eu sou inquieto, hiperativo, sei lá o que tem de nome pro que “eu sou”. Mas minha agitação me faz ser assim. Quero saber de tudo um pouco! Fiz balé clássico, contemporâneo, já toquei em shows, cantei… circo… faço muay thai tem anos. Acho que ninguém é uma coisa só. Eu vou sendo o “tudo que puder” (risos). Influência foi esse país maravilhoso. Em terra de Jorge Ben, Gal Costa… Dorival Caymmi… como não se inspirar?

E como a arte surgiu na sua vida? Eu sou NetoBaby*, né? Eu tive o privilégio de nascer numa família de artistas, num país tão desigual como o nosso, isso faz diferença e MUITA, e esse privilégio me colocou desde cedo para conhecer o mundo da arte. Apesar de que aos 15 anos eu detestava, achava chato (como disse, eu gosto de ser tudo um pouco. (risos). Mas aos poucos eu fui assistindo teatro, e amadureci assistindo teatro, e foi muito bom pro meu ator esse crescimento no meio.

Na TV você já participou de algumas novelas e programas. Como e quando foi sua estreia na TV? Eu estreei na televisão em 2014, com a saudosa Malhação Sonhos. Eu interpretei o Jeff, bailarino inspirado em Billy Elliot, um dos meus filmes favoritos. Obra de Rosane Svartman e Paulo Halm, ali aprendi o ofício um pouco mais. E me jogar como um ator que tem carteira assinada (sdds) foi muito intenso e incrível.

Qual seu maior desejo como ator? Que personagens deseja muito fazer? Eu quero fazer um personagem quase que surrealista, irreal. Tenho saudade de obras que não sejam 200% naturalistas. Essa coisa de story faz com que a gente produza sempre o naturalista, né? O mais próximo do “real”, e eu amo!!! Mas também tem outros tipos de linguagem. Eu, por exemplo, sou doidooooo para fazer a linguagem do “absurdo” no audiovisual.

Você é um cara muito vaidoso? Como lida com isso e do que não abre mão? Sim e não. Sou preguiçoso, até queria ser mais vaidoso, mas acho que tô num lugar “bom”. A gente vive uma pressão estética absurda nos dias atuais, e isso tem me afetado também. Então sempre procuro tomar muito cuidado pra não cuidar TANTO de mim, a ponto de me perder nesse caminho. Quero cada vez mais me tornar vaidoso com meu conhecimento, esperteza, sagacidade.

Na hora de relaxar o que procura? Estou novo, mas tenho meus 31 aninhos e posso afirmar que eu vivi muito os 20. Eu, ultimamente, tenho preferido estar com minha namorada, meus amigos, violão, um bom show (amo música, música o tempo todoo!) e me estressar só com Vasco da Gama.

Quais os planos daqui pra frente? Se todos os deuses permitirem, continuar fazendo meu trabalho, que eu amo e me dá dignidade. Crescer meus dois podcasts, Salvando Cadu e o Na Trave, que o Vasco seja campeão da Libertadores e que as coisas melhorem pro povo brasileiro.

Fotos Victor Pollak