
Nos dias de hoje, manter o equilíbrio mental em harmonia com um corpo saudável é algo cada vez mais desejado pelas pessoas. Em meio ao caos e à pressa do dia a dia, isso se tornou quase um item de luxo. Mas não para Carol Senna, que traz em sua bagagem a certeza de que as terapias holísticas desempenham um papel essencial na superação de dificuldades e na busca por uma vida mais saudável. Especialista formada pelo Institute of Integrative Nutrition de Nova York e sócia-fundadora e diretora do Personare, o maior portal de autoconhecimento e qualidade de vida do país, Carol é uma das maiores referências em saúde integrativa e autoconhecimento do Brasil. Com 21 anos de atuação no portal, que já alcançou mais de 4 milhões de pessoas por mês ao redor do mundo, Carolina tem se dedicado a levar para cada vez mais pessoas o equilíbrio entre mente, corpo e espírito. E não para por aí: ela se formou em Reiki Integrado, se dedicou a se aprofundar nos estudos de ferramentas de autoconhecimento, incluindo Astrologia e Numerologia. Nos cursos de alimentação que ministra, Carol alia sua experiência pessoal de ter vivido distúrbios alimentares com sua formação em Saúde Integrativa . Uma combinação que mostra como ela compartilha aquilo que viveu e estudou para ajudar outras pessoas em jornadas semelhantes. Sua trajetória se mescla com a do Personare, que se tornou um marco importante da vida da empresária, resultado da sua dedicação e consistência, especialmente em um mercado altamente competitivo.
| Fotos Thalles Leamari |
Quando e como foi teu primeiro contato com a astrologia? Meu primeiro contato tanto com a astrologia quanto com o Tarot foram ainda adolescentes em conteúdos da revista Capricho que, curiosamente, hoje é nossa parceira de conteúdo.
Em que sentido a gente pode entender práticas como mapa-astral e tarô como ciência, isso é possível? Se entendermos o termo ciência como aplicado aos estudos empíricos e acadêmicos, segundo a metodologia científica, não podemos considerar ambos os estudos como ciência. Mas se olharmos do ponto de vista de conhecimentos humanos ou, em outras palavras, saberes da humanidade, estamos falando de estudos literalmente milenares. As primeiras aplicações da astrologia surgiram na Babilônia, entre 2.000 a 1.000 A.C. Estamos falando de mais de 4.000 anos de estudos, aprimoramentos, aplicação prática e evolução. Assim como a astrologia ou o Tarot, temos tantos outros saberes que caem nessa categoria e possuem um amplo impacto e benefícios na vida das pessoas como a medicina chinesa e a ayurveda, por exemplo. A ciência ainda está desbravando o campo da consciência. Nesse processo, é possível que práticas como a astrologia e o Tarot sejam revisitadas sob novas lentes, contribuindo para ampliar o diálogo entre diferentes formas de compreender a experiência humana.
Como pensar de forma integrativa ajuda a nossa saúde do corpo e da mente e a lidar com tanta informação (verdadeira e falsa) e tantos estímulos via redes sociais? Adorei a pergunta! Pensar de forma integrativa nos convida a olhar para o ser humano de forma holística. Muitas vezes, uma pessoa vive um conflito numa relação amorosa por estar passando por desafios no trabalho e pode acabar “descontando” em casa. Ou vive desafios alimentares, por dormir mal e estar com o sistema hormonal desregulado. Neste sentido, a saúde integrativa convida a pessoa a olhar para si como um todo e entender de uma forma mais profunda onde se encontram seus desafios atuais. Isso ajuda a não cair em tantos estímulos, porque você se conecta com você, com seu interno. Por exemplo: Se o problema alimentar de uma pessoa é a falta de sono, ela sabe disso, naturalmente não cairá numa armadilha que sua grande oportunidade é a nova dieta da moda. E esse é o tipo de estímulo que recebemos todos os dias nas redes. A próxima promessa, a trend do momento. Isso nos tira do nosso centro e nos coloca na pauta que uma outra pessoa criou naquele ambiente.

Em que momento entendeu que aquilo que você praticava em sua vida pessoal poderia se tornar algo para outras pessoas usufruírem e se tornar uma empresa? Minha vida profissional sempre foi no meio digital e peguei o período “jurássico” da internet, vivenciando inclusive o período de bolha e quebradeira. Nesta época, eu queria trazer propósito para o meu trabalho. Buscava conexão e queria enxergar que estava fazendo algo que tivesse sentido e um impacto real na vida das pessoas. Até então eu tinha trabalhado com Guias de Entretenimento no online e também com a blah!, uma subsidiária da Tim. Nestes ambientes, eu trabalhava meu lado comunicadora, marketing, mas parecia vazio, sabe? Foi então que identifiquei que no Brasil não tinha um site que apresentasse a astrologia com a profundidade que o estudo merecia. Um estudo que nos ajuda a mergulhar no autoconhecimento, nos descobrir e entender coisas que, em geral, levamos anos para perceber e reconhecer.
Como nasceu a Personare? Existe diferença entre o que você imaginou e o que ela se tornou ao longo dos anos? Eu trabalhava em outra empresa com meus dois sócios atuais e tínhamos o desejo de montar nosso próprio negócio. Um deles tinha uma idéia de um serviço de encontro amoroso, como tantos apps que existem atualmente, e idealizamos o potencial de usar a astrologia para identificar as afinidades entre duas pessoas. Ao estudar o mercado, identificamos que não tinha um site no Brasil que trabalhasse com astrologia séria, focada em autoconhecimento, indo além de previsões simplistas ou visões rasas de signos. E acabamos abandonando a ideia original e partindo para elaborar o projeto mais amplo. Saímos da empresa para nos dedicar inteiramente ao projeto e chegamos a criar uma agência de publicidade para termos uma receita mensal enquanto o Personare era elaborado. Em pouco mais de um ano, a primeira versão do site estava no ar. E, por coincidência, hoje temos parceria também com um app de relacionamentos, o Happn! Ter essa visão mais ampla até da astrologia foi fundamental para o Personare posteriormente expandir para outros temas como a meditação, o yoga, a saúde integrativa, psicologia e por aí vai.
Independente da área de atuação empreender é um exercício de persistência, o teu estilo de vida ajuda a lidar com os percalços de ter o próprio negócio? Com certeza, acho que se eu não tivesse as práticas que tenho hoje eu teria tido um problema mais grave de saúde mental ou emocional. As práticas diárias me permitem considerar na equação empresarial. A questão é: gerir um negócio, sem um investidor e sem um grande grupo por trás, gera uma pressão de ser lucrativo anualmente, pois o lucro do próprio negócio é que alavanca os próximos passos de crescimento. Isso, por si só, é uma grande pressão. E a gente soma isso a responsabilidade com o impacto da empresa na vida da própria equipe, dos clientes e parceiros. Quem empreende vive nessa panela de pressão. E o que me salva são as práticas diárias, minha rotina de meditação, yoga, higiene do sono, alimentação saudável e muito autoconhecimento para me entender, conhecer meus limites e me respeitar.

Já aconteceu de alguém chegar muito cético e aos poucos se entregar às consultas e serviços da Personare? Sempre! Dos clientes temos diversos relatos de pessoas que entraram só para ler um artigo e acabaram se entregando aos outros serviços. E de pessoas próximas, amigos, parceiros comerciais sempre encontramos um caso de alguém que vai “testar” por ser próximo da gente e acaba se surpreendendo.
O que nos afasta de crer além do que podemos tocar ou ver? Somos seres extremamente sensoriais. Se pensarmos em um cachorro, o toque é seu último nível de contato, o primeiro é a visão. No caso do ser humano, a visão e o toque estão no topo dos sentidos mais importantes e impactantes. Se esses sentidos não são “atendidos” de cara, acabamos ficando com pé atrás, querendo ter comprovações, com medo de sermos enganados etc. É natural do ser humano. Mas não é algo que nos preocupamos no Personare, nossos serviços, conteúdos, consultas e cursos têm foco em quem compreende o valor de nossas ferramentas e quer nosso apoio para viver um processo de autoconhecimento e bem-viver. Estamos aqui para oferecer caminhos que ajudem as pessoas a viver melhor.
21 anos de empresa, mais de 4 milhões de pessoas por mês usando o Personare em várias partes do mundo, mais de 50 milhões de Mapas Astrais, Tarots e Mapas Numerológicos feitos ao longo dos anos, como foi o caminho para chegar até aqui? Foi um caminho que sempre nos pediu comprometimento com nossos próprios valores. Muitos perfis em redes sociais e outros sites crescem com promessas mais simplistas, fazendo memes sobre saúde mental ou sobre signos. Claro que isso atrai atenção, ganha seguidores, atrai holofotes. E, veja bem, não vejo problema em falarmos de autoconhecimento de forma bem humorada. Mas o que faz diferença no longo prazo é o impacto que você tem na vida das pessoas. A gente se distrai com o que é superficial, mas a gente dá as mãos e segue com quem faz diferença em nossas vidas. Então, nesses vinte e um anos, o desafio foi sempre voltar para a essência, questionar os pilares, os valores, corrigir rotas e manter essa fidelidade ao que acreditamos.

Como escolher os especialistas que vão atuar na Personare? Temos uma área interna de gerenciamento de parcerias dedicada a cuidar e desenvolver nosso time de especialistas. A própria gerente desta área conduz o recrutamento com um olhar afiado para selecionar profissionais não só pelo conhecimento técnico, mas considerando também o perfil humano e o alinhamento aos valores do Personare.
Como funciona a estrutura das aulas, a logística, produção, os cuidados com segurança para pagamentos e acessos? Temos uma equipe interna dedicada a cada uma dessas etapas: desde a concepção de um novo serviço, passando pela idealização do conteúdo, testes internos e com pessoas que usam o Personare até a entrega final. Além disso, temos equipes de produto e desenvolvimento que estão constantemente idealizando e fazendo melhorias na interface do Personare, melhorias na navegação. Na parte de pagamentos e segurança, trabalhamos com os mesmos gateways de pagamento que atendem grandes e- commerces brasileiros, garantindo a criptografia dos dados e usando as melhores certificações de segurança existentes hoje.
Quem era a Carolina Senna que começou a Personare e quem é a Carolina Senna hoje após esse 21 anos? A Carolina de 21 anos atrás era uma jovem de 25 anos (risos). Nesse tempo, além do Personare, casei, tive três filhos, fiz a formação em saúde integrativa no Institute of Integrative Nutrition de Nova York, mudei de cidade, fui morar no campo. Passei por tantas coisas que além do natural amadurecimento pelo qual passei em tantos anos, posso dizer que descobri (e continuo descobrindo a cada dia) a importância de construir uma vida aliada ao que acredito. Mas do que uma palavra bonita, autoconhecimento é uma necessidade básica para uma vida com sentido. Quando deixamos de olhar para dentro, com facilidade, nos vemos buscando sonhos que são da sociedade, dos nossos pais ou crenças transmitidas por outras pessoas. E a Carolina de hoje valoriza, mais do que nunca, cada minuto de vida aliada ao que faz sentido com quem eu realmente sou. Neste sentido, após a pandemia, o Personare se tornou inteiramente remoto, abrimos mão do escritório e mudei de cidade para morar mais perto do campo. Uma mudança de vida grande, porém feita na busca por viver o que se alinha a quem eu sou realmente. E sigo nessa busca, a cada nova descoberta sobre mim, para para delinear novas decisões e caminhos de vida.

+ ENTREVISTA ALEXEY DODSWORTH
A inteligência artificial pode oferecer rapidez e praticidade em análises astrológicas. Mas até que ponto essa automação pode comprometer a profundidade de uma leitura feita por um astrólogo profissional?
Alexey Dodsworth: Há vários problemas envolvidos no uso da IA como ferramenta de análises astrológicas. Começo pelo mais grave: erro de interpretação. É bastante comum que os modelos de IA forneçam dados astrológicos incorretos. Se o usuário for leigo, não terá como saber que a informação está errada. Em segundo lugar, há o problema do viés: as IAs usam um discurso que procura agradar o usuário o tempo todo, de modo que as interpretações são excessivamente positivas.
A astrologia envolve acolhimento e empatia na forma de comunicar. Quais os riscos da IA entregar mensagens frias ou até insensíveis ao lidar com temas delicados do mapa astral?
Alexey Dodsworth: Na verdade, os modelos de IA estão longe de serem insensíveis e frios. Os modelos atuais emulam empatia perfeitamente bem, oferecendo respostas gentis e acolhedoras. O problema é de outra ordem: tudo é interpretado como muito positivo, de modo que a análise do mapa fica prejudicada. Volta e meia alguém me diz que a IA mostrou aspectos “raríssimos” presentes em seu mapa, quando na verdade é algo bastante comum. É como se a IA estivesse a todo momento tentando fazer o usuário se sentir especial. Isso virou até uma piada interna entre pessoas que lidam com IA: em qualquer ocasião, ela dirá que seu pensamento é incrível.
Existe o risco de a inteligência artificial criar uma “padronização” das leituras astrológicas, tirando a singularidade de cada interpretação?
Alexey Dodsworth: Há dois riscos fortes envolvidos. O primeiro diz respeito a uma modalidade de plágio. A IA não cria coisas do nada. O que ela faz é ler textos astrológicos que têm autores e daí muda as palavras e reconstrói o texto. Isso é bastante prejudicial, já que os autores estão tendo seus textos utilizados como ferramentas de treinamento, mas sem autorização dada para isso. O segundo risco é o de interpretações sempre genéricas, invariavelmente muito positivas, em que o usuário sai se sentindo maravilhoso. Uma leitura astrológica eficaz não existe para fazer a pessoa se sentir maravilhosa. É preciso também confrontar as próprias sombras.
Muitas pessoas têm recorrido a ferramentas como o ChatGPT para fazer mapa astral, numerologia e consultas astrológicas. Quais são os riscos de confiar nesse tipo de recurso automatizado?
Alexey Dodsworth: Como eu disse, é muito comum que os resultados saiam errados. Se a pessoa for leiga, não conseguirá saber que os dados fornecidos pela IA estão errados.
Com o aumento do uso de inteligência artificial em consultas de astrologia e numerologia, quais seriam os principais perigos ou limitações que os usuários podem enfrentar ao confiar nessas ferramentas para orientações pessoais?
Alexey Dodsworth: Repito o ponto principal: dados errados. Esses erros têm vários graus de gravidade. Elenco: Se a pessoa fornecer os dados de nascimento e pede que a IA gere o mapa, a IA fará isso, mas entregará um mapa com diversos erros misturados a diversos acertos. Já testei várias vezes, e há sempre algo errado como resposta. Se o usuário for leigo, não tem como identificar erro algum e passa a confiar numa informação errada;
Se a pessoa tira um print de um mapa correto e fornece isso para a IA interpretar, o erro diminui, mas não muito. É bastante comum que a IA interprete uma Lua em Leão como sendo em Virgem, por exemplo. Ou um ascendente em Câncer como sendo gêmeos;
Se a pessoa escreve cada posicionamento astrológico que tem e pede a interpretação, a IA não cometerá erros de dados e fornecerá interpretações corretas, mas elas serão sempre positivas demais. Deixa de ser astrologia para se tornar uma ferramenta indutora do autoengano e da vaidade. Tudo considerado, a IA pode ser um excelente aliado. Por exemplo: você pode fornecer o texto ou áudio feito por um astrólogo competente, e usar a IA para fazer resumos eficientes. Trata-se de uma ferramenta poderosa, mas que deve ser usada com sabedoria.


