
Seguindo um movimento comum de brasileiros em busca de oportunidades de expansão profissional dez anos atrás Rodrigo Paiva chegava a Dubai em busca de conquistar e desbravar novos mercados. Nos dois primeiros anos, atuou em uma empresa, o que lhe permitiu compreender de perto a lógica de negócios e as nuances culturais da região. E foi a partir dessa compreensão que, há oito anos, abriu seu primeiro negócio próprio: uma trading focada em exportação. Hoje, é fundador e CEO do Redwood Prime Group, conglomerado multinacional com operações em comércio internacional, logística, inteligência de mercado, real estate, consultoria estratégica, serviços corporativos e tecnologias emergentes, com presença consolidada no Oriente Médio, África, Américas e Ásia. O que prova que sua atuação só expandiu. A MENSCH conversou com Rodrigo para saber um pouco da sua trajetória brilhante, os desafios encontrados e o que pode ser decisivo em um ambiente tão diverso e estimulante.
Rodrigo como foi que a ideia de ir para Dubai chegou até você? Saí do Brasil muito cedo. Morei na China, depois em Singapura, sempre buscando entender como o mundo realmente funcionava fora da teoria. Vim para Dubai com um contrato de trabalho, como muitos brasileiros fazem. Mas aqui é diferente. Você vê os prédios mais altos do mundo, Ferraris passando o tempo todo, encontra celebridades jantando ao seu lado no shopping. A cidade respira ambição. E não deixa você parado. Depois de um ano, percebi que queria mais do que um salário fixo. Abri minha primeira empresa, uma trading, e comecei a trilhar meu caminho como empreendedor no Oriente Médio.

Que dificuldades enfrentou no início e como foi a sua superação diante disso? O desafio inicial foi lidar com a complexidade do ambiente multicultural, que exige não só inteligência emocional como também precisão estratégica. Em Dubai, não há margem para ruído na comunicação ou nas entregas. Aprendi a me adaptar com velocidade, ajustar o modelo mental de negócio ao perfil dos interlocutores e, acima de tudo, construir reputação antes de tentar crescer. Quando entendi que o foco era agregar, e não impressionar, as portas começaram a abrir.
Hoje você é apontado como referência de liderança brasileira nos Emirados Árabes. A que se deve isso? A posição veio como consequência de uma construção consistente. Não por discurso, mas por entrega. Sempre atuei com o pé no chão, tomando risco, colocando capital, abrindo mercado, estruturando operações e conectando pessoas certas nos momentos certos. A liderança veio do campo de batalha, dos negócios fechados, das pontes concretas criadas entre Brasil e Oriente Médio. Não estou vendendo um manual do que poderia dar certo. Estou executando com resultado comprovado.
Você é fundador e CEO do Redwood Prime Group, conglomerado multinacional com operações em comércio internacional, logística, inteligência de mercado, real estate, consultoria estratégica, serviços corporativos e tecnologias emergentes, com presença consolidada no Oriente Médio, África, Américas e Ásia. Como chegou até aqui? Quais os passos mais assertivos? Tudo ganhou escala quando decidi abrir o escritório do Oriente Médio da maior plataforma de negócios da América Latina, com mais de 50% do PIB do Brasil entre seus membros. Nascia ali o LIDE Emirados. Ao receber empresários dos dois lados, percebi que Brasil e mundo árabe não estavam desconectados por falta de interesse, mas por ausência de estrutura, contexto e canal certo. Desde então, passei a construir um ecossistema com soluções integradas: inteligência de mercado, acesso institucional, expansão internacional, abertura de capital, estruturação de ativos. Já trouxemos mais de meio bilhão de reais em investimentos diretos para a região. Nosso foco sempre foi gerar tração real, com visão de longo prazo.

Dentro do mundo dos negócios o que a cultura árabe te ensinou? Aprendi que há valor em saber ocupar o seu espaço com serenidade e precisão. O mundo árabe valoriza solidez e postura. Aqui, menos é mais. Você não precisa falar muito para ser respeitado. Precisa ter equilíbrio entre escuta, presença e entrega. As relações se constroem com consistência. E é isso que me inspira: transformar respeito em negócio, e negócio em legado.
Qual a chave para sobreviver e crescer em meio a uma cultura tão diferente da nossa no Brasil? É sair do modo de adaptação e entrar no modo de construção. Crescer aqui não é apenas entender as regras, mas saber influenciar positivamente o ambiente onde você atua. É se posicionar de forma estratégica, sem depender de atalhos ou fórmulas prontas. A chave está em criar valor para a região, enxergar onde sua visão pode contribuir para o ecossistema local e fazer parte do jogo com legitimidade. Resultado cria espaço. Resultado mantém espaço.
A região é um verdadeiro hub global de negócios. Cenário perfeito para uma trading focada em exportação. Que foi o que você fez. O que fez você ser respeitado como negócio lucrativo e necessário num mercado exigente e altamente competitivo? Desde o início, minha abordagem foi tratar os Emirados como base e não como vitrine. Operar com seriedade, logística própria, contratos bem estruturados e comunicação profissional. O que gerou respeito não foi apenas o que eu trouxe, mas o que eu devolvi à região: negócios que fazem sentido, parcerias que andam e oportunidades que geram impacto. Enquanto muitos chegam para tentar vender qualquer coisa, meu foco sempre foi criar valor tangível e gerar prosperidade mútua.


Ao invés de atuar como mero conector você consolidou uma plataforma legítima e de entregas concretas. Isso só foi possível graças ao apoio institucional direto de entidades como Emirates Airline, Abu Dhabi Investment Office e Dubai CommerCity, players que dificilmente se associam a projetos sem robustez estratégica. Como chamou atenção desses gigantes e se fez importante como parceiro? Com consistência, discrição e profundidade. Não viemos aqui com apresentações chamativas, mas com presença sólida, soluções práticas e capacidade de execução. Hoje temos um ecossistema que conta com a confiança de grandes nomes da região; são empresas e entidades que se tornaram clientes, parceiros, aliados. E isso não foi conquistado com marketing. Foi conquistado no relacionamento de longo prazo, nas entregas feitas, nos resultados concretos e no respeito ao ambiente institucional de cada um deles.

Em tempos de tarifaço de Trump, como você percebe o mercado de exportações brasileiro? Vejo um Brasil talentoso, mas ainda pouco preparado para jogar o jogo global com inteligência estratégica. Exportamos bem, mas nos posicionamos mal. O mundo árabe está buscando fornecedores confiáveis, estável juridicamente e com entrega garantida. O Brasil tem tudo isso. O que faltava era tradução. Hoje conseguimos traduzir interesses, adequar a linguagem empresarial e apresentar oportunidades brasileiras com profundidade e forma. Isso muda tudo.
Acredita que focar mais nos Emirados é um caminho mais seguro e promissor? Sim, porque os Emirados não são apenas um destino. São um ponto de partida. Aqui se acessa África, Ásia e Europa com fluidez. O país combina modernidade com estabilidade; inovação com pragmatismo. É o ambiente ideal para quem pensa grande, quer proteger patrimônio, captar investimentos ou expandir com base sólida. E não falo apenas em tese. Falo como alguém que opera aqui diariamente, vê os movimentos acontecendo e participa deles.

Hoje em dia você ajuda diversos brasileiros que chegam pretendem investir nos Emirados Árabes. Que orientações você daria a quem pretende atuar com investimentos árabes em setores estratégicos? Seja real. Aqui não há espaço para teatro. Muitos chegam contando que conhecem um Sheikh ou têm um contato especial, mas não conseguem nem abrir uma empresa sozinhos. O investidor árabe valoriza quem entrega, não quem promete. O conselho é simples: traga algo de valor, saiba operar, respeite o processo e se posicione com verdade. Relacionamento aqui é consequência da entrega, não da aproximação forçada.
Como é seu dia-a-dia em Dubai e do que sente falta do Brasil? Meu dia começa bem cedo. Gosto de aproveitar as primeiras horas da manhã para ir à academia e levar meu filho à escola — um momento que valorizo muito, pois representa um início de dia em família, mesmo que breve. Ao longo do dia, estou completamente imerso em reuniões estratégicas e agendas de networking, sempre com foco em construir pontes de negócios entre o mundo árabe e o Brasil. À noite, priorizo estar com minha família. Aprendi que tempo de qualidade, mesmo que curto, é muito mais valioso do que a simples quantidade. Sinto falta da espontaneidade do brasileiro, da leveza das interações e, principalmente, da convivência com minha família que ainda está no Brasil. Ver meus filhos distantes dos avós e tios, às vezes, pesa. Mas tenho plena convicção de que, ao estarmos aqui, estou proporcionando a eles acesso às melhores oportunidades globais — o que, para mim, é uma forma concreta de cuidado e preparo para o futuro.



