
EM UMA MANHÃ DE SOL NA QUADRA, THAIS CARLA NOS RECEBEU PARA COMPARTILHAR MAIS DETALHES SOBRE SUA NOVA FASE PÓS-BARIÁTRICA.
É difícil acompanhar o ritmo de Thais Carla quando ela entra em quadra. A movimentação firme, o olhar concentrado e as risadas entre uma raquetada e outra revelam alguém que está redescobrindo o prazer de se movimentar — no próprio corpo e no mundo. O tênis, esporte que antes parecia distante de sua realidade, virou um dos símbolos dessa nova fase.
Thais recebeu a revista MENSCH em meio a um treino leve em São Paulo para conversar sobre sua recente cirurgia bariátrica, o impacto das críticas e, sobretudo, sobre o que significa viver essa transformação com autonomia. Ela fala sem filtros, mas com ternura. E mostra que recomeçar também pode ser um ato de afeto — com o corpo, com a mente e com a própria história.



“Os maiores desafios vieram antes mesmo de eu pisar na quadra”, conta. “Eu tinha muito medo de praticar qualquer esporte que não fosse a dança. Temia perder o fôlego, me machucar ou me frustrar, já que sou muito competitiva e sempre quero dar o meu melhor. Esses medos mexiam tanto com o físico quanto com o emocional.”
A escolha pelo tênis não foi ao acaso. “Sempre admirei o esporte, acho lindo. É um jogo que exige estratégia e concentração. E tenho inspirações enormes, como Serena Williams, que representa força e excelência — ainda mais por ser uma mulher fora dos padrões e uma das maiores do mundo.”
As mudanças no corpo e na rotina também trouxeram olhares críticos. Alguns questionaram se Thais teria “traído” o movimento body positive que sempre defendeu. Ela responde sem hesitar: “Acredito que muitos comentários vêm de pessoas que não conhecem de fato os ideais do movimento. O body positive fala sobre ser livre e feliz em qualquer corpo. Eu continuo acreditando nisso e vivendo dessaforma. E, se para ter mais saúde e poder acompanhar o crescimento das minhas filhas eu precisar fazer mudanças, farei sem hesitar.”

Mais do que estética, essa nova fase tem significado liberdade. “É uma virada de chave. Hoje posso viver experiências que a gordofobia estrutural me impedia de ter. Me amo cada vez mais, tenho coragem para me arriscar em novos desafios, voltei a dançar e estou estudando teatro. É uma fase de expansão, de reencontro comigo mesma.”
Os sonhos já estão se concretizando: “Meu maior sonho já se realizou: fazer a cirurgia com segurança e viver o bônus disso. Agora, quero seguir sendo exemplo para as mulheres que me acompanham e inspirar outras a acreditarem em suas próprias jornadas.”
Para quem está começando a própria transformação, o recado é simples, mas poderoso: “Não desista. Não deixe que comentários alheios influenciem suas decisões. Respeite e tenha carinho pelo seu corpo e pelo seu processo. Siga firme e forte.”




