Tem alguma coisa estranha acontecendo no mundo hoje. Quem está na casa dos trinta e poucos anos conhece essa história: todo mundo ao seu redor está ou grávida ou com filho pequeno ou planejando ter. Se você não tem e é casado, a pressão é enorme. E você meio sem jeito tem que dizer “estamos só treinando”, na esperança de que isso baste aos mais curiosos. E o papo menino-leite-fralda vai dominando todos ambientes. E eu não estou falando do universo feminino. Eis a questão! Isso agora é assunto de homem. Mulheres, licença, eles estão tomando o último recôndito do gênero feminino. 

Antes, todo mundo sabe como funcionava. À mulher (sozinha), cabiam todas as responsabilidades, agruras e benesses da maternidade. Ao homem restava a dura (trocadilho irresistível!) tarefa da concepção. E terminava por ai. Depois, adentravam as grávidas, as amigas, as mães, as avós e as parteiras. A gravidez era uma exclusividade delas. E foi assim até bem pouco tempo, todos nós sabemos. Ai veio uma revolução cheia de sutiãs queimados, pílulas e minissaias que levou as mulheres para rua e, paradoxalmente, trouxe os homens para mais perto de casa. 

E para mais perto da maternidade. Hoje já não se concebe a ideia da mulher grávida, mas do casal grávido. Afinal, e com muita justiça, eles participam o mais diretamente possível da gestação, do acompanhamento médico à sala de parto. E começam, tão cedo quanto as mulheres, a criar seus vínculos afetivos com aquela criança em formação. Espaço conquistado, eles estão saindo agora para reivindicar seus direitos. Será outra revolução em curso?

Os homens querem ter filhos. A projeção da paternidade já não assusta como antes, ao contrário, gera desejo: de criar, de alimentar, de pôr para dormir, de levar na escola e até na festinha de aniversário. Um filho para chamar de seu. Eles não têm mais vergonha, dizem em alto e em bom som que desejam ser pai. Ok, mas desejar é uma coisa, e fazer é outra e ai, eles precisam combinar com a outra parte. Danado, é que as mulheres hoje já não são criadas para esse fim, apenas. Elas querem o mundo. E, para muitas, filhos já não a única opção. Está formada a confusão. Já vi caso de marido esconder a pílula da mulher… onde chegamos?!

O fato é que, para o bem de todos, quando eles veem aquelas criaturinhas fofas e cheirosas em seus braços logo se derretem. E estão dispostos a tudo: “ou filhos ou o divórcio”, gritam na sua revolução antissexista. E, nós, pobres mulheres, continuamos sem escolha! Ainda bem que essa reviravolta toda só traz mais alegria para ambos os lados. Quem há de levantar a mão contra? 

Considerações:
 – Fui visitar um casal amigo que teve o bebê recentemente. A cara de felicidade besta do pai foi a inspiração para esta crônica! 
– A propósito, eu quero ter filhos! Já, já…
– O texto refere-se a Homens, com H maiúsculo mesmo, maduros o suficiente para enfrentarem essa aventura deliciosa (a gente sabe que não são todos)!