Você deve estar se perguntando, “como assim um homem pelado na capa da MENSCH?!” Pois é, a ousadia do ator Alex Morenno vem por uma causa, com um belo projeto por trás que é o “Pelados na Chapada”, idealizado por Diego Giallanza. Que já teve nomes como Nando Rodrigues, Maria Joana e Aline Riscado entre os seus fotografados.  Que neste momento especificamente serve de alerta para os incêndios que estão destruindo a região. Conhecido de novelas como “Novo Mundo” e “Órfãos da Terra”, o ator Alex Morenno, também encarou outro desafio, empreender e está dando seus primeiros passos no mundo da moda com a sua marca de beachwear ‘O Escafandro’ (@seja.oescafandro), que ele lança esta semana. Sua primeira coleção da marca tem sido uma bela realização e ele não esconde a felicidade. Foram meses de dedicação, que cerceou todo o processo criativo, passando pela produção até a execução e finalização de cada peça, findando nas fotos que transmitem essa paixão e ligação do criador, Alex, as peças criadas.

O ator conversou com a MENSCH enquanto realizava um ensaio exclusivo para a revista na Chapada dos Veadeiros, parte no Vale da Lua, um dos seus lugares favoritos na Chapada, e a segunda parte no Baguá Bangalôs. Entre os cliques do fotógrafo Luciano Gurgel, Morenno respondeu às perguntas da revista e falou sobre carreira, posar pelado, boa forma e sobre moda.

Você é um cara que lida bem com o seu corpo. Como foi posar pelado pela primeira vez? Não foi a primeira vez que eu posei nu, eu já posei nu, e eu acho que foi em 2014 para o Sergio Santoian para o projeto “Ofélia Project”, e agora voltei a posar nu, para o Luciano Gurgel lá na Chapada dos Veadeiros. Um lugar que inclusive agora tá precisando da nossa atenção, pegando fogo pra todos os lados, um lugar que eu amo muito, que eu vou regularmente e que é muito difícil ver isso acontecer. Falando sobre estar nu, eu me lembro que dessa vez fazia muito tempo que eu não posava sem roupa e que falei para a equipe na hora “…gente eu para ficar à vontade, fazer um trabalho legal, eu gostaria que a gente ficasse só com quem é necessário mesmo, o Fotógrafo, e o Diego que é o produtor”. Estávamos com amigos, uma galera por perto e tal, foi eu tirar a roupa, eu não sei se foi a energia da Chapada, eu não sei o que é, eu me senti tão integrado a tudo, a natureza, aí mandei chamar todo mundo de volta, eu estava à vontade. Fiquei pelado, fiz pirocoptero na frente de todo mundo (risos), eu estava me divertindo, foi lindo de fazer. Realmente ali era só uma coisa a mais estar nu, não era uma coisa assim, ah o Alex está pelado, era basicamente uma coisa muito simples, não tinha nenhum espanto. Foi muito bom poder me desprender e fazer esse ensaio pelos olhos tão atentos e maneiríssimos do Luciano Gurgel.

O que você faz para manter a forma? Não tem grandes segredos, eu tenho uma alimentação, entre aspas, muito boa, saudável, eu digo entre aspas porque eu não passo vontade, o que eu tenho vontade de comer eu como. Não saio enfiando diariamente o pé na jaca, e eu sou um crossfitero, eu tô lesionado como todo crossfitero, então eu tô treinando um pouco menos. Mas é a minha dose diária de saúde mental, o momento de ir pro crossfit, quando eu não vou eu fico até mal humorado, parece que eu to pesado, então eu acho que é isso, unir uma alimentação minimante possível, com um exercício, e tomar muita água, tão clichê, mas tão verdadeiro.

O seu primeiro trabalho de destaque na TV foi em ‘Novo Mundo’, como era trabalhar em uma trama que marcou por sua estética e história? A experiência em ‘Novo mundo’ foi de uma imersão profunda na história do Brasil. Acho que quando eu fui chamado pra fazer essa novela, eu não esperava vivenciar momentos tão importantes da história, reproduzir esses momentos, me ver ali tão diferente de mim mesmo com aquele trabalho primoroso de caracterização, de preparação de elenco, outros costumes, outro tempo. Ver aquela equipe de atores tão afim de contar aquela história especifica do Brasil, e agora assistindo ‘Nos Tempos do Imperador’, vendo a continuação da novela, como uma coisa linka com a outra. E como é bonito de ver esse espaço na TV aberta pra gente poder contar a nossa história e não a história de outro. Então realmente foi um trabalho que me marcou demais, pela experiência como ator de trabalhar com quem eu adorava e também como artista, me vê ali dando voz a um personagem que existiu, isso foi muito importante pra mim.

Seu último trabalho foi em ‘Órfão da Terra’, da TV Globo, nos fala sobre como você encarava o título de “ruivo infernal” que ganhou na época.

‘Órfãos da Terra’ foi um dos trabalhos mais legais que eu fiz na TV, justamente porque o personagem teve um arco, ele começava sendo um gerente de hotel, de repente ele era um dos grandes vilões da novela. E ser um dos grandes vilões da novela com aquelas reviravoltas todas, eu pude brincar muito, eu pude fazer coisas que talvez eu nunca faça na vida, e provavelmente não farei, falo até mesmo na teledramaturgia, as cenas de ação, as cenas de que tinha um tom de comedia, principalmente no começo. Então teve tantas nuances esse personagem, foi tão legal de fazer, tão legal ver como ele ia de um ambiente pro outro, ia se transformando e as quebras dele. Eu lembro que tinha que gravar umas cenas que tinha que estar com a respiração bem ofegante, eu acho que ele tinha levado facada e tal, e era uma cena longa e estava difícil de respirar, eu lembro eu gravei umas 2, 3 vezes porque eu estava tão ofegante que eu tinha uns apagões, dava aquela tela preta, então o Robson, meu personagem, me levou nesse lugar de ator, de me desafiar fisicamente, foi muito massa.

Tanto em ‘Novo Mundo’ como ‘Órfãos da Terra’ você fez vilões. São personagem que você prefere fazer? Tanto em uma novela quanto na outra eu peguei essa coisa de ser um vilão, mal caráter e tal, e eu acho que em ‘Novo Mundo’ eu não chegava a ser um vilão, o Francisco era ambicioso com o caráter duvidoso, mas não era um vilão. Eu acho que o Robson sim levou pra essa coisa do Vilão mesmo. Sequestrar criança, atirar em gravida, invadir a casa das pessoas. Eu acho que aí sim está mais pra essa coisa do vilão mesmo. São personagens que eu adorei fazer, e eu gosto sim de fazer esses personagens duvidosos assim, que tem o pé na vilania, mas eu também sou um cara da comedia, eu sou um ator, em geral eu ia ficar muito feliz com qualquer papel que me aparecer. Esses estigma de vilão eu não sei se ele me cabe, ele tem servido porque foram as últimas coisas que eu fiz na TV, mas acho que ele também é transitório, acho que posso não fazer daqui a pouco e voltar a fazer mais pra frente e eu vou estar feliz do mesmo jeito.

Pouca gente sabe, mas você já coreografou comissão de frente de escola de samba, na verdade também tem formação na área. Fala um pouco desse lado? Eu fiquei uns 5 anos à frente da Tom Maior no grupo especial de São Paulo, coreografando comissão de frente, ganhando notas máximas, é um trabalho que eu gostava demais e eu fiz com muito amor nesse tempo que eu passei lá. Sempre fui muito ligado a dança, eu fui bailarino, depois migrei para as danças populares, fui dançar lá no Carlinhos de Jesus, onde me apaixonei pelo samba, por esse universo do carnaval e anos depois eu fui convidado pela Tom Maior para ocupar esse cargo de coreógrafo e foi uma experiência absurdamente incrível. Toda vez que eu pisava na avenida era como se eu estivesse nascendo de novo, era uma emoção totalmente indescritível. As pessoas dizem o carnaval é realmente um lugar que você sente uma coisa diferente, e eu concordo, você sente uma coisa diferente, eu morro de saudades do carnaval, mas eu não voltaria a fazer comissão de frente tão cedo porque eu acho que eu não tenho mais coração para aguentar aquela emoção.

No teatro você já fez muitos papeis de destaque, no último você viveu Van Gogh no espetáculo ‘Van Gogh, por Gauguin’. Como foi experiência de fazer um personagem tão marcante? O Van Gogh foi uma experiência muito transformadora para mim, é clichê, a gente sempre fala que as coisas são transformadoras, mas é que nas artes quando você está de verdade e isso transforma. Fazer esse personagem me modificou demais, acho que no teatro ele me levou ao meu melhor, ao mesmo tempo que ele me levou ao meu pior, porque ele é um personagem muito difícil, um personagem muito complexo, que as pessoas não conhecem, mas elas já ouviram muito falar, então elas criam uma ideia de como seria esse Van Gogh. Tem uma expectativa das pessoas que a gente claramente não tem que cuidar disso, mas ao mesmo tempo tem o reconhecimento da pessoa falar “Olha você lembra o Van Gogh que eu já ouvi falar”. Então tinha muita coisa envolvida nesse projeto, era um projeto meu, uma ideia minha que eu chamei pessoas brilhantes para estar comigo, a Thelma Guedes que escreveu o texto, o Roberto Lajes que dirigiu, o Augusto Zack que era o meu parceiro fazendo o Gauguin, então foi um projeto que de fato me transformou pra sempre, eu me sinto muito mais seguro e muito mais forte depois de ter conseguido fazer esses espetáculo para fazer outros trabalhos.

Você sempre foi muito estiloso. Como você define seu estilo? Creio que meu estilo é básico, eu curto a ideia do “menos é mais”, de um tempo pra cá tenho sido cada vez mais minimalista, tenho curtido muito usar cores neutras e pouquíssima estampa, curto calça de alfaiataria com regata e tênis e em geral, estou sempre com algum acessório.

Como veio o insight para investir na moda? A pandemia foi o start. Sem ideia de quanto tempo isso ainda iria nos afetar, precisei, assim como tantos brasileiros, me reinventar. Como o setor da cultura foi duramente prejudicado, encontrei uma nova forma de fazer renda, mas não poderia ser só pelo dinheiro, então como sempre curti moda e beachwear, resolvi investir toda minha energia e criatividade nisso.

Essa sua primeira empreitada tem o que de “Alex Morenno”? Tem muito. Tive um sonho de um pôr do sol que vivi em Ipanema e foi muito especial. Isso rolou em fevereiro de 2020, pouco tempo antes de começar a pandemia. A coleção “pôr do sol” traz essa sensação muito íntima e particular desse final de tarde, então a marca tem muito de mim, tanto nas coleções, como em cada detalhe das peças, todos eles, em algum momento, foram uma opção minha. Participei de todo o processo. De C-A-D-A detalhe.

O que o público pode esperar desse primeiro trabalho na moda de Alex Morenno? Podem esperar o melhor que eu e minha equipe pudermos oferecer. Estamos trabalhando muito para que nossos produtos sejam bem recebidos pelo público, e digo isso porque esse projeto começou há um ano atrás e muita coisa foi se transformando de lá pra cá, muita coisa melhorou, tem sido um trabalho árduo, mas extremamente gratificante.

Porque “O Escanfrado”? Existe uma música do Chico Buarque que cita os escafandristas, que são mergulhadores, e essa música sempre esteve presente na minha vida, e sempre produziu muitas imagens na minha cabeça, tanto que uma das coleções se chama “escafandro” e é toda azul petróleo, porque na minha imaginação o fundo do mar, tem esse tom mais escuro de azul, as águas mais profundas.

Explica um pouco sobre como serão lançadas as coleções? Serão 3 coleções: Escafandro, Pôr do Sol e Beira Mar. Elas estão disponíveis desde o dia 22 de setembro, mas vai rolar uma pré-venda. Isso nos importa bastante porque serão poucas peças para a inauguração da marca, e todas elas estão sendo produzidas de forma quase artesanal, pra chegar numa qualidade que considero importante. Então os interessados e interessadas que fiquem atentos, não é papo de vendedor, são poucas peças mesmo.

Você já se via empreendendo em moda e estilo? Acredito que sim, me lembro que essa ideia já me acompanha há muito tempo, mas tocando minha carreira de ator, acabei deixando esse projeto na gaveta, e com a pandemia tive certeza que era a hora de fazer essa nova aposta, mesmo com todas as adversidades.

Existe um pouco do Alex artista em algum momento desse novo projeto. Se sim, qual? Claro que há, tudo isso nasceu de um processo criativo, pra cada peça, pra cada coleção, uma história por trás. Poderiam ser apenas peças aleatórias, mas no meu momento de criação, não são. É o tal do ator que gosta de uma boa história.

Além da marca, há projetos fora do mundo da moda para o futuro? Sim, os projetos estão reaparecendo aos poucos e um está ganhando forma para 2022. Confesso que estou ansioso para voltar a atuar, mas sei que esse momento de dedicação à marca é absolutamente necessário. Então estou feliz por poder me dedicar integralmente ao O Escafandro, e ao mesmo tempo, já sonhando com meus próximos passos como ator.

“Alex Morenno” por “Alex Morenno”? Eu acho que eu posso dizer que é um cara que tem amadurecido demais, a pandemia me fez repensar como homem, artista, agora como empresário. Um cara que está em constante aprendizado na busca de me tornar uma melhor versão de mim mesmo, e um cara que adora voltar para casa.

FOTOS LUCIANO GURGEL (@lucianogurgell)