É nítido como o crescimento de Anajú Dorigon como atriz. Da sua estreia na TV com “Malhação”, em 2014, até seu atual trabalho como a Camila em “Órfãos da Terra”, Anajú só atrai mais elogios e sua lista de fãs só aumenta. Nascida em Campinas, SP, trabalhou muito tempo como modelo, chegou a ser Miss, até que entrou para o curso de Artes Cênicas na Escola de Atores de Wolf Maya e estudar no Film Institute, em Los Angeles, para descobrir sua real vocação. Simpática, dedicada e naturalmente sensual, Anajú volta a ser capa da MENSCH por todas essas qualidades e algo à mais que você vai descobrindo aos poucos.

Da estreia na TV em “Malhação”, em 2014, até hoje com “Órfãos da Terra” muita coisa aconteceu. O que marcou mais? Como avalia tudo? Ah, tem sido uma trajetória linda! Pela qual sou muito grata. Tive a grande sorte de participar de trabalhos e histórias maravilhosas, de viver personagens deliciosas, de aprender com atores que admiro muito, de poder trocar experiências com pessoas especiais. Acho que esse é o grande barato da coisa, ir aprendendo, ir se renovando, ir se transformando. E sou muito grata em poder viver esse processo fazendo o que amo.

A Camila de “Órfãos da Terra” parece ter sido seu trabalho mais consistente. O que te trouxe de novo e o que representa para você? É difícil colocar tudo “na ponta do lápis”, mas todo trabalho que fazemos nos afeta muito, nos ensina muito. A Camila foi um grande presente, uma personagem que me permitiu experimentar um pouquinho de tudo, sair de certas zonas de conforto e explorar escolhas novas. E isso é tão gostoso, renova a gente, estimula nosso processo criativo, nos limpa de alguns medos. Desde quando começamos os processos das leituras eu sabia que eu entraria de um jeito e sairia transformada. Cada obra, cada trabalho, nos transforma, nos ensina. É uma novela com uma linguagem, um tempo e um processo de executa-la diferentes do que eu já havia feito antes. Vejo como um marco, tenho aprendido muito!

Como você defenderia sua personagem Camila? Ela começou bem egoísta, quase uma vilã e foi mudando ao longo da trama. Sou suspeita pra falar porque ela é quase uma “filha” minha (risos). Me apego muito às personagens e com a Camila não foi diferente. É uma novela em que todos os personagens tem diversas camadas e são muito humanizados. E estamos podendo ver isso na Camila também. Seu amadurecimento. Ela era como sabia ser, o que a levou a fazer escolhas que a ensinaram, na dor ou no amor. Através disso ela aprendeu. Ela evoluiu. Tornou-se melhor dona de suas escolhas, mais consciente de cada uma delas. Entendeu que não machuca amar, que a família é uma dádiva e que, mesmo podendo ter diversos defeitos, ela ama, ela sente, ela pode ser melhor do que já foi um dia.

Você começou como modelo. Como foi se revelando atriz? Hoje vejo que desde pequena sempre via as coisas assim, sempre quis isso, eu só não sabia o nome e que era uma profissão. A vida foi muito generosa, me trouxe oportunidades e eu as fui agarrando tentando aproveitar cada uma delas. Acho também que o oficio escolhe a gente sabe? Tudo foi acontecendo de forma muito natural e sou muito grata a isso.

Que lições ficaram da época que trabalhou como modelo? Nossa, muitas! Tanto da modelagem quanto dos concursos de beleza. Responsabilidade, dedicação, determinação, entender que o mundo é gigantesco, levar a vida de forma mais leve, conhecer-se, renovar-se, estudar, buscar melhorar. Entender que você pode ser seu melhor amigo e seu pior inimigo, que sempre existe algo a aprender, que alguém sempre terá algo pra te ensinar… a lista é longa e espero deixa-la continuar crescendo.

Já foi muito julgada pela aparência? A beleza atrapalhou em algum momento? Acredito que, como tudo, possui dois lados. O que hoje é considerado belo (o que é transmutável) pode abrir portas como também pode dificultar passagens. Às vezes é atribuído um peso maior do que realmente tem. O belo é relativo. Já me senti sim julgada, mas prefiro ver por outro ponto de vista. A gente pode julgar, a gente pode ser julgado assim como podemos exercitar o entendimento de que o que existe por dentro, seja o que for, é infinitamente mais belo.

Qual seu maior desafio como atriz? Acho que lidar bem com a autocrítica. O exercício de renovar-se e transformar-se. Pra isso é preciso mergulhar em si mesmo, entender suas luzes e sombras e fazer as pazes com isso. Cada trabalho irá te pedir uma versão nova sua e, durante a execução desse trabalho, é necessário estar em constante evolução, em constante ação do “criar”. É preciso estar sempre aberto a renovação e entender que não existe muito “certo” ou “errado” quando se trata de arte, existe a verdade que colore a história que você está contando. Sempre me cobrei muito no meu trabalho, o que às vezes é bom mas muitas vezes se torna algo ruim, então aprender a lidar com isso é meu maior desafio.

Leva algo das personagens com você? E empresta algo seu para elas? É natural que aconteça uma certa simbiose em determinados momentos. Acredito que temos um universo inteiro dentro de nós, então é natural que, ao levarmos o que criamos ao público, isso venha acompanhado de alguns acessórios pessoais. No período em que estamos gravando uma obra, nos tornamos completamente envolvidos naquela história e aquilo te afeta, diretamente. Através dos personagens, aprendemos, crescemos, tiramos lições, portanto levamos sim algo conosco. É um processo muito lindo.

A vida de modelo termina deixando a pessoa escrava do corpo? Como vê isso? Acho que isso varia muito de acordo com cada pessoa. Qualquer atitude que temos que vai contra o que acreditamos, o que é natural pro nosso corpo, nos torna “escravos” daquilo, sendo alguém que trabalha com isso ou não. É importante entender que trabalhar na indústria não te torna cego em seus questionamentos e que na grande maioria das vezes o cuidado com o corpo é feito de forma muito consciente e saudável. Pessoalmente eu não me senti afetada, porém acho que essa “escravidão” pode acontecer em qualquer lugar, em qualquer indústria. Por isso é tão importante a gente exercitar a autoconsciência. Entender porque tomamos as decisões que tomamos, o que está por trás das nossas escolhas, quais são os nossos limites e aonde queremos chegar.

Você continua esquia como na época que trabalhava como modelo. Como mantém a boa forma? Não sei se é “boa” forma, mas é a forma que tenho. Tenho períodos em que estou me alimentando melhor e me exercitando mais e outros que não, coisa que sinto influenciar diretamente no meu corpo, nas minhas emoções. Mas acho que o mais importante é a gente entender e cuidar da nossa relação com a comida e com o corpo. A gente recebe tantos estímulos e tantas influências que pode se tornar muito fácil desenvolver desafetos com a nossa alimentação. Vejo como um ciclo sabe? Quando estamos de bem conosco, é gostoso comer de forma saudável, é gostoso encontrar uma atividade física que nos faça bem. Seja isso resultar no corpo que for, se cuidar é muito prazeroso. Tenho uma alimentação que leva em conta minhas restrições: sou vegetariana e tenho hipoglicemia. Amo pedalar, sinto a alma sorrir quando pratico yoga e voltei, recentemente a fazer aulas de dança (sou apaixonada). Não sou grande fã de extremos, o saudável, pra mim, é o meio termo, é o equilíbrio.

Como lida com o espelho e vaidade? Acho que como tudo, tenho dias que lido super bem e outros poderia lidar bem melhor (risos). A vaidade, na quantidade apropriada, é ótimo! Amo tudo que faz parte desse universo. Maquiagem, perfume, cremes, roupas. Me maquiar, fazer minhas próprias unhas, fazer meu próprio cabelo são coisas que adoro e que me ajudam muito a lidar com a minha autoestima, é como se fosse um jeitinho de me cuidar, de me mimar. A dança também é um lugar aonde encontro muito isso sabe? É um canal pra me soltar mais, pra gostar mais de mim, pra descobrir novas formas de me olhar. Cuidar da gente é um exercício constante, pessoal, relativo e que pode ser muito gostoso.

Na hora de relaxar o que faz sua cabeça?  Ah, são tantas coisas! Pedalar, dançar, ouvir música, ler, assistir filmes, tomar um bom vinho… confesso que também adoro simplesmente não fazer nada (risos). Assistir alguma série leve, ver vídeos engraçados na internet. Acho que vale um pouquinho de tudo.

Com o fim de “Órfãos da Terra” algum plano ou projeto em vista? Estamos entrando na reta final, nos dois últimos meses de gravação, o que já dá um apertinho no peito de ter que me despedir de um trabalho tão lindo. Tem muitas coisas acontecendo, graças a Deus, mas no momento estou dedicada em entregar tudo de mim e desfrutar esse trabalho que está sendo tão especial.

Para encerrar bem um encontro… Sorrisos sinceros, coração quente e alma leve. Sempre. (:

Fotos Vinicius Mochizuki
Make Walter Lobato
Roupas do Espaço Edu Santos