Ela é movida a música, cria do samba e musa do funk, Rebecca é sexy, provocante e altamente cativante. Menina sapeca, prestes a completar 24 anos, que está conquistando seu espaço e em breve ultrapassa a fronteira rumo a abalar as estruturas no Rock in Rio Lisboa, agora em junho. E isso com apenas 4 anos de carreira. Já gravou com Elza Soares e Anitta, já possui uma legião de fãs e dona de si. “Me sinto livre para me expressar através da minha arte e acho que essa autenticidade faz toda a diferença”, comenta a bela durante nossa entrevista. Aumenta o som que Rebecca chegou!

Rebecca, como é isso de em apenas 4 anos de carreira você já virar uma referência no funk? Quando me colocam como referência eu fico toda boba com o elogio, mas o que me pega mesmo é que sinto que estou no caminho certo com o meu trabalho. Cantar e dançar são o meu trabalho, mas também são coisas que preenchem a minha alma e me fazem ser quem eu sou. Fico muito feliz pelo reconhecimento! 

De onde vieram suas referências e influências? Da vida, do samba e do funk! Me inspiro muito em mulheres maravilhosas e guerreiras que também vieram da periferia, assim como eu. Gravar com a Elza Soares foi um sonho! Ela tem uma história de muita luta e foi inspiração para muitas mulheres brasileiras. É uma honra ter uma música com ela. Hoje, me inspiro muito na Anitta, que é minha amiga e está conquistando o mundo! 

E que identidade você procura imprimir no seu trabalho? O que você acha que faz a diferença? Faço a sincerona! Procuro ser autêntica e sempre dizer o que penso. Me sinto livre para me expressar através da minha arte e acho que essa autenticidade faz toda a diferença. Além disso, quero sempre inspirar outras mulheres a se empoderarem e serem livres também! 

E olhando para trás podemos dizer que tudo isso teve origem lá no samba? Como foi passar do samba pro funk? A minha paixão pela música, com certeza, teve origem lá no samba, quando eu ainda era criança. Mas o funk também faz parte da minha vida há muito tempo. Eu cresci na favela e sou cria do Morro São João, no Engenho Novo. Minha adolescência foi ouvindo funk e eu estava ali no berço do 150 bpm. Eu segui carreira no funk, mas nunca abandonei o samba, tanto que fui musa do Salgueiro no último Carnaval com a maior honra do mundo. Levo os dois no meu coração.

E como foi começar aos 10 anos como sambista do Salgueiro? Que recordações traz dessa época? Nossa… Só coisa boa! Foi uma época maravilhosa. Foi onde eu cresci. Eles me viram crescer e cresceram comigo. Foi meu avô Marco Antônio que me levou para o Salgueiro. Guardo muito carinho por essa época e levo no meu coração tudo que vivi. O Salgueiro faz parte da minha história. Lá, desde pequenininha, eu via tudo o que tinha por trás de um espetáculo e aprendi muito. É tudo lindo, mas também tem muito trabalho e muita dedicação! 

E foi lá no Baile da Goiaba que você foi se revelando no funk. Como foi isso? Quando percebeu que tinha encontrado o caminho para sua trajetória no funk? Na verdade, a minha música estourou no set mixado do DJ Zebrinha do Baile do Pistinha. Mas o Baile da Gaiola foi um divisor de águas na minha vida e no funk, de forma geral. Foi à porta de entrada para o mercado para muita gente. Era um espaço de muita liberdade para cantar e fazer arte. 

Como o funk te toca? E o que você quer transmitir através dele? O funk é uma parte gigante da minha vida. Funk é liberdade, é dança, é luta, é resistência e é cultura brasileira! Quero transmitir tudo isso! 

Logo de início você já acumulou 11 milhões de visualizações no Youtube. Ficou assustada com a repercussão toda? Fiquei mega feliz! É um sinal de que as pessoas curtiram o meu trabalho, então isso é maravilhoso! 

E como foi virar uma referência no movimento feminista? É um rolê ser mulher e, no Brasil, é mais ainda. Temos que trabalhar mil vezes mais pra sermos reconhecidas. Eu sou uma mulher negra e da favela, então sei bem da nossa realidade. Fico feliz por poder inspirar outras mulheres e, de alguma forma, espero que a minha filha possa crescer em um país mais igual e mais justo com as mulheres. 

Ao todo 50 músicas no streaming, com 10 faixas mais ouvidas que já somam mais 105 milhões de plays. A que se deve esse sucesso? Aaaaaa muito trabalho, (risos)! E muita dedicação também. Sempre levei a arte muito a sério e sonhei muito com tudo isso. 

Isso tudo resultou em que para sua carreira? Muita coisa boa! Só tenho a agradecer. Hoje, tem muita gente que valoriza e acompanha o meu trabalho. Com isso, tenho a honra de poder trampar com o que amo e ainda pude dar uma vida melhor para a minha família. 

Cantar ao lado de Anitta, Lexa e Luisa Sonza foi como reunir as “meninas superpoderosas”. Como foi a experiência e o que cada uma representa para você? Pussy é o poder! Elas são incríveis. Cada uma me inspira de uma forma diferente. São três mulheres geniais, super dedicadas e talentosas. Para nós três, acho que o convite da Anitta foi um presente. Depois de ‘Combatchy’, eu fiz uma outra música com a Anitta, ‘Tô Preocupada’. Trabalhar com ela foi uma experiência surreal e eu sou muito grata. 

Você se tornou a primeira mulher negra a estar no topo da lista das músicas mais ouvidas do Spotify Brasil. É a tal representatividade que tanto se fala. O que representou para você? Foi a conquista de um sonho e o resultado de muito trabalho. Espero que eu tenha sido a primeira de muitas. Nós somos muito capazes e precisamos de mais respeito e mais oportunidades. Espero que outras mulheres negras possam ver aonde eu cheguei e possam enxergar que é possível. 

No Carnaval passado você se jogou! Desfilou na sua querida Salgueiro, estreou seu Bloco da Rebecca… ou seja, se jogou na folia depois de tanto tempo. Como está sendo esse retorno depois desse período de restrições por conta da pandemia? O retorno tem sido bem bom! Esse período de pandemia, além de ter sido muito tenso e triste, foi horrível para a classe artística. Sofremos muito. Tanto pela perda financeira, porque não fizemos eventos e shows, quanto pela falta que fez poder ficar perto do público e performar. Sou uma artista que amo dançar, cantar etc… Estou muito feliz com essa volta e esse Carnaval foi só um gostinho de tudo! Ser musa do Salgueiro foi uma honra e o meu bloco era um sonho! Estou muito feliz. 

E tudo isso será coroado este ano com sua estreia no Rock in Rio Portugal. Como andam os preparativos? Ansiosa? Estamos a mil! Eu e toda a minha equipe. Muita ansiedade e muita dedicação pra fazer tudo dar certo e sair perfeito como os meus fãs merecem. É um passo muito grande e muito importante pra mim, mas me sinto pronta! 

Depois de tanto agito, na hora de relaxar, o que curte fazer? Amo passar um tempo com os meus amigos e com a minha família! Principalmente, com a Morena, minha filha. 

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