Sempre elegante, entregue e simpática, essa é sempre a impressa que a atriz Leona Cavalli nos passa sempre que aparece na TV com um novo personagem. E dessa vez com sua Tereza em “Órfãos da Terra” não está sendo diferente. “A Tereza é uma personagem especial, que tenho muito prazer em fazer; pois passa por um conflito com que muitas pessoas se identificam, o abandono de um sonho em função de uma relação”, comentou Leona em entrevista para a MENSCH. E olhe que Leona já fez de tudo um pouco na TV, e sempre nos trouxe personagens marcantes como a zarolha de “Gabriela” ou a Valdete de “Duas Caras”. Com uma sensualidade natural, Leona gosta de se despir de si mesma para encarar o que a personagem pede. E nós ficamos aqui só admirando e aplaudindo a cada nova estreia dessa querida atriz. Assim como essa nova capa para a MENSCH.

Leona, desde sua estreia na TV em 2002 até hoje já vão 17 anos. Quais momentos e / ou personagens você guarda com mais carinho? O você guarda com carinho especial? Guardo todos com muito carinho! As duas primeiras novelas foram realmente muito especiais, “Belíssima”, de Silvio de Abreu, direção Denise Sarraceni, que foi uma participação, mas o Silvio escreveu um papel especialmente pra mim, a Valdete, o que foi uma honra. E a seguinte, “Duas Caras”, de Aguinaldo Silva, direção Wolf Maia, como Dália, uma carnavalesca, casada com um casal de homens, a primeira vez que isso foi colocado em uma novela. Depois fiz muitas outras que adorei, novelas e minisséries, como “Amazônia”, de Gloria Peres, “Negócio da China”, de Miguel Falabella, “A Vida da Gente”, de Licia Manzo, “Dalva e Herivelto”, de Maria Adelaide Amaral. Mas um outro papel que me marcou especialmente foi a prostituta romântica Zarolha, de “Gabriela”, de Walcyr Carrasco. As mais recentes na Globo, a médica Glauce de “Amor a Vida”, também do Walcyr e a mãe Gilda, de “Totalmente Demais”, do Paulo Halm e da Rosane Svartman, também adorei fazer. E agora, a Tereza, cantora de “Órfãos da Terra”, nessa novela linda da Thelma Guedes e da Duca Rachid, que fala do resgate de um sonho, abandonado por causa de um casamento; de transformação, superação. Sou muita grata e aprendo mesmo com as personagens que represento.

Da comédia ao drama, você já fez de tudo um pouco. O que te deixa mais confortável o que te desafia mais? Amo justamente variar, fazer drama, comédia, tragédia. Na televisão comecei com comédia; antes das novelas, fiz participações em programas ótimos de humor como “Os Normais” e “A Grande Família”, acho que a TV pede leveza, mesmo no drama. No teatro, comecei com dramas, clássicos, como “Hamlet”, de Shakespeare, “Um Bonde Chamado Desejo”, de Tennesse Willians, e tragédias, como “Bacantes”, de Eurípedes. Agora estou com um personagem um pouco mais dramático na TV, a Tereza, e fazendo 8 personagens cômicos no teatro, na peça “Gatão de Meia Idade”, de Miguel Paiva, direção Eduardo Figueiredo, que volta em cartaz em São Paulo em agosto. Então, o que mais me desafia, e ao mesmo tempo dá prazer, é poder variar, atuar em diferentes linguagens.

No teatro e no cinema sua trajetória ainda é mais longa e rica. Passando por “Hamlet”, “Toda Nudez Será Castigada” e “Gatão de Meia-Idade”. Teatro é sua “casa” como atriz? Teatro é a raiz de toda arte dramática, onde comecei e sempre estarei. Mas a “minha casa” é onde estou no presente; se estou atuando na TV, no cinema, na internet, lá se torna a minha casa naquele momento.

Falando em teatro e nudez, seu ensaio para a Playboy, em outubro de 2012, foi em um teatro. Como surgiu a ideia e o que representou para você? O convite veio quando eu estava fazendo a novela “A Vida da Gente”, onde eu interpretava uma médica, pediatra, e não aceitei; porque achei que não tinha nada a ver com aquele momento. Mas me convidaram novamente, quando eu estava fazendo a novela seguinte, “Gabriela”, como uma dançarina de cabaret. Então, achei que estava mais próximo da personagem que estava representando, e aceitei. Mas fiz questão que fosse num teatro, justamente porque pra mim foi como atuar em personagens que estivessem em situação de nudez, criamos uma “cena” pra cada foto.

Pelo jeito a nudez nunca foi um tabu para você. É isso? Acredito que a nudez não pode ser tabu, porque todos nascemos nus. Por outro lado, também não gosto da banalização da nudez. Já fiz alguns trabalhos onde a nudez fazia parte da trajetória da personagem, como a Lígia, de “Amarelo Manga” no cinema; em que o nu foi importante para a cena. De toda forma, acho que depende do momento e do contexto.

Quando se sente sexy? Quando estou à vontade.

Você parece ser uma mulher bem resolvida e com muita personalidade. É isso? Como sente isso? Vou procurando me resolver em cada situação, buscando ser melhor a cada momento; mas é um aprendizado constante. Por ter nascido numa cidade que não tinha nem teatro, sempre precisei de muita determinação, fé e disciplina pra fazer o que amo, o que pode ser considerado como personalidade forte; mas também tenho minhas questões e fragilidades.

O que é arte para você e como você se sente parte dela? Arte pra mim é vida, viver é participar de uma grande obra de arte. Tenho sorte de ter uma profissão dedicada a representar a arte através das relações humanas e suas histórias; mas acredito que todos nós somos artistas.

O que homens e mulheres precisam aprender juntos e separados? Acredito que todos precisamos aprender a conviver, em paz conosco mesmos e com os outros, aceitando e integrando nossas diferenças e semelhanças.

O que te atrai em um homem? O que ele precisa ter / ser para chamar sua atenção? Bom caráter, inteligência, humor e ginga.

Como lida com o espelho, a vaidade…? Cuidando da saúde do corpo, alimentação, exercícios; e da mente, procurando ver a vida com bons olhos.

Qual o lado bom da fama e qual o negativo? Digamos que a fama é um mal necessário? O bom é o reconhecimento do trabalho. O ruim é o excesso de exposição independente da situação. Acho que não é, em si, um mal ou um bem, depende de como lidamos.

Nas horas vagas o que faz sua cabeça? Estar com bons amigos, ouvir boa música, ler, ir ao cinema, ao teatro, a exposições, e viajar, que amo.

O que curte ler, ver e ouvir? Entre tantos outros, adoro Guimarães Rosa, Jorge Luiz Borges, José Saramago, Fernando Pessoa, Ramon Nunes de Mello. E gosto de biografias e poesia; atualmente estou lendo a biografia de Isadora Duncan; e acabei de comprar as obras completas da poetiza portuguesa Sophia de Mello Breyner, maravilhosa. Cinema é difícil escolher, mas adoro Almodóvar, Fellini, Woody Allen, os brasileiros, Glauber Rocha, Fernando Meirelles, Chico Assis, Tata Amaral, pra citar alguns. Musica gosto de tudo, clássicos, jazz, pop, percussão, MPB…

Em breve você estará nas telonas com o filme “Águas Selvagens”. O que podemos esperar desse novo trabalho no cinema? É um filme com co-produção Brasil/Argentina, do diretor argentino Rolly Santos, produzido pela LAZ, produtora brasileira com que eu já tinha feito o filme “Cafundó” do Paulo Betti e do Clovis Bueno. É um filme forte, que se passa na tríplice fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai, tratando de um tema pouco abordado no cinema, mas infelizmente muito comum, o tráfico de crianças, do qual a minha personagem tem um filho vítima. Será lançado no segundo semestre.

Atualmente você está interpretando a personagem Teresa em “Órfãos da Terra”, que é uma personagem mais séria e com uma missão social. Como está sendo dar vida a Teresa? O que tem aprendido com ela? A Tereza é uma personagem especial, que tenho muito prazer em fazer; pois passa por um conflito com que muitas pessoas se identificam, o abandono de um sonho em função de uma relação. Recebo muitas mensagens de gente que já passou por isso. Ao mesmo tempo ela consegue reagir, se transformar, e ir além dos preconceitos ao se envolver com uma pessoa em situação de refúgio. É uma novela que fala de algo necessário nesse momento, a necessidade de irmos além das fronteiras, de solidariedade. Pessoalmente sou diferente da Tereza, pois, ao contrário dela, jamais abandonaria o que mais amo em função de alguém; mas somos parecidas na paixão pela arte e nos ideais humanitários.

O quanto é importante o engajamento social por parte dos atores? Como você vê essa questão? Acho que é importante, não só para os atores, mas pra qualquer cidadão. Independente de opção política, religiosa, sexual ou ideológica; é fundamental nos importarmos uns com os outros, sermos solidários, nos auxiliarmos dentro do possível, com a consciência de que o mundo só vai melhorar se nós melhorarmos, vivendo com mais amor, respeito, ética e paz.

O que te tira do sério e o que te coloca um sorriso no rosto? O que me faz sorrir é o amor, que pode me fazer parar de sorrir é a falta de amor.

Para conquistar Leona basta… Amar.

Fotos Márcio Farias

Stylist Samantha Szczerb

Make Valentim Bruno

Assis. de fotografia Thadeu Sant Anna

Leona veste Duloren, Eduardo Santos, J´Adore Luxe, Giseli Dias, Maracujá, Velleno