Da época de Paquita no início da carreira, até hoje, onde está interpretando a personagem Yohana em “A Dona do Pedaço”, Monique Alfradique já tem mais de 20 anos de carreira. Ela virou uma bela mulher mas ainda conserva aquele ar de moleca que tanto nos encantou. Bem humorada, Monique leva a vida com leveza sempre que pode. “Acredito que bom humor e otimismo mesmo nas circunstâncias mais difíceis”, comentou ela durante a entrevista. Isso sem falar que ela está ainda mais linda. Não foi à toa que ela volta à nossa capa num momento bem especial da sua carreira. Apaixone-se!

Monique quer dizer que você virou a “justiceira” da novel das 9? Como surgiu o convite? Pois é, dá-lhe, Yohana, (risos). Estou bem contente com o papel e grata pela oportunidade de estar numa novela de tanto sucesso. O convite veio do Walcyr, o autor, e da Amora Mautner, diretora da novela, e eu, claro, topei na hora.

O que te desafia em um novo trabalho? O que te motiva mais em querer fazer cada vez melhor? O novo trabalho é sempre desafiador. Inclusive, estou vivendo um momento como esse, onde faço personagens distintos no teatro e na TV. Na minha peça Como ter uma vida quase normal, em cartaz de sábado a domingo no Teatro Folha, faço uma mulher impulsiva, sufocada e os efeitos da ansiedade na vida desta mulher aparecem sob o filtro de uma cabeça fervilhante de pensamentos, mãos trêmulas, falta de ar e, sobretudo, humor. Na novela, gravo de segunda à sábado, interpreto uma personagem mais centrada, estrategista e um tanto misteriosa. Viver dois personagens tão distintos é desafiador e, ao mesmo tempo, gratificante porque tenho a oportunidade de mostrar outras vertentes do meu ofício e ter a resposta positiva do público torna tudo isso muito gratificante.

Falando em desafios, como foi interpretar a gordinha Glória em “Deus Salve o Rei”? Foi muito interessante. Foi a minha primeira personagem de época. A Gloria tinha uma mensagem importante e atual, que é aceitação e o risco de estarmos condicionas à pressão da sociedade que nos impõe um padrão de beleza impossível de alcançar. A história da Glória era lúdica, tinham vários momentos de magia, como por exemplo, a cada fruto que ela comia ela perdia um ano de vida. E quando ela se tornou magra foi o momento mais infeliz da vida dela. Perdeu o namorado, brigou com a mãe e estava cada vez mais perdida. Então, gerava esse questionamento: até que ponto vale esse sacrifício pelo corpo que julgamos ideal? Mostrar isso em cena foi uma forma de dizer que, apesar de termos avançado na aceitação de quem somos e na quebra do “padrão’’ imposto pela sociedade, as pessoas ainda sofrem muito com essa cobrança, isso ainda existe, infelizmente.

Ela era movida pela vaidade. Como é que você lida com isso? Você que sempre teve o corpo em forma, como lida com o espelho? Eu tenho uma relação muito boa com o meu corpo, quando a gente se conhece e se respeita, isso vem naturalmente. Temos que nos aceitar acima de tudo.

Assim como Glória algum sacrifício justificaria por conta da vaidade? Acho que a palavra sacrifício já diz muito, nada vale a nossa saúde e o respeito pelo nosso corpo, que abriga nossa alma e nossa história.

Da época de Paquita até hoje muita coisa aconteceu. Quais os grandes destaques ao longo desses anos? Pergunta difícil. Estou com mais de 20 anos de carreira e durante este período eu vivi tanta coisa bacana. E tenho tantas outras pra viver. Pude exercer minha arte no teatro, no cinema, na tv… Foram mais de 15 espetáculos, mais de 10 longas… e muitas novelas, programas. Sou muito grata por todas as oportunidades e pela carreira que venho construindo. Este ano realizei mais um sonho, coloquei de pé meu primeiro monólogo da carreira, isso era algo que queria muito fazer, é a concretização de um desejo. “Como ter uma vida quase normal’’ é inspirado no livro de Camila Fremder e Jana Rosa, com texto adaptado e dirigido pelo meu parceiro renomado Rafael Primot. Não é fácil produzir, principalmente quando nós optamos (eu, Rafael e minhas produtoras associadas Celia Forte e Selma Morente) por produzir sem a lei de incentivo. Mas contamos com alguns apoiadores, além desse meu desejo de levantar este espetáculo. Estou com uma equipe incrível: Daniel Maia na trilha; Carol Bertier como cenógrafa; Karen Brustolin no figurino e Aline Santini na luz. Além do meu preparador vocal e corporal Rodrigo Frampton e Haroldo Miklos na assistência de direção. Todos fazendo com muito amor à arte acontecer e acreditando nessa história que vou contar.

Pra você o que é mais difícil como atriz na hora de encarar um novo personagem? Todo início de processo de construção de um novo personagem é difícil. Acho que encontrar a verdade e naturalidade do personagem e fazer com que seja tão real quanto o meu universo para as pessoas que vão assistir é uma tarefa complicada.

A beleza ou tipo físico já atrapalhou em algum momento? Sim, já aconteceu. Infelizmente, as pessoas acabam te subestimando para fazer determinados trabalhos.

Você parece ser alto astral e de bem com a vida. É isso? O que te coloca um sorriso no rosto? Tenho humor na vida. Sou prática. Acredito que bom humor e otimismo mesmo nas circunstâncias mais difíceis, porque ninguém está livre de problema, nos ajudam a não nos deixar abater.

Na hora de recarregar as baterias o que você procura? Ficar em casa. Meditar. Assistir séries. Tomar um vinho e estar entre os amigos e a família.

O que torna um homem interessante aos seus olhos? O que ele precisa ter e ser? Precisa ter humor, antes de qualquer coisa (risos).

Você é de tomar a iniciativa numa paquera? Ou prefere jogar um charme e esperar pra ver qual é? Depende da situação, não vejo problema algum em tomar a iniciativa.

Onde eles estão errando ainda hoje em dia? Ficando no passado. As coisas mudaram e é preciso entender que não se fazem mulheres como antigamente.

Para conquistar Monique basta… Ser sincero, ter bom humor e respeitar meu trabalho.

Fotos Mucio Ricardo / ODMGT

Styling Gabriel Fernandes

Make Marci Freittas

Produção executiva ODMGT / Octavio Duarte