
A trajetória de Paloma Bernardi no audiovisual começou lá trás, nos tempos de colégio, mais especificamente no Colégio Brasil, – novela exibida pelo SBT em 1996. Daí em diante ela não parou mais. Vieram dezenas de personagens em novelas, filmes e peças. Mais recentemente ela deu o que falar nos palcos interpretando Catarina Batista na peça O Cravo e a Rosa. E agora no streaming ela chega com tudo em Arcanjo Renegado com uma personagem cheia de segredos e intenções. A não para por aí! Nas telonas ela estreia em três produções para começar o novo ano com tudo. Como costumamos dizer por aqui, Paloma é tudo de bom! Além de muito talentosa, é de uma simpatia e um alto astral que contagia. E para coroar tudo isso, mais uma bela capa MENSCH que nós amamos ter sempre por perto.
Paloma da sua estreia em “Colégio Brasil” (1996) já se vão quase 30 anos de carreira. Entre novelas, filmes, seriados e peças, que momentos você destacaria? Te marcaram como atriz? Acho que cada fase da minha trajetória me marcou de uma forma muito particular. Tenho um carinho enorme pelas minhas primeiras experiências, porque foi ali que descobri minha vocação e o poder transformador da arte na minha vida. Depois vieram personagens que me desafiaram emocionalmente, outras que me trouxeram leveza – e todas me ensinaram algo sobre mim. Hoje, olho para trás e vejo uma história construída com entrega, fé e muita paixão, e isso me dá força para continuar indo atrás dos meus sonhos, profissionais e artísticos.

Você é muito crítica com você mesma? Em que momento você se assistiu e pensou que estava madura como atriz? Nós atores somos eternos aprendizes. Como eu comecei muito cedo, eu comecei a olhar para a minha profissão muito cedo, então me dedicar a ela muito cedo, ou seja, eu estou sempre buscando estudar, me reciclar, me reinventar e a cada experiência que eu vivo, eu acredito que me vejo mais potente e mais madura. A cada personagem e cada mergulho intenso que vivo artisticamente, me sinto cada vez mais uma atriz mais madura, com mais bagagens, mais experiências, mais camadas. Quanto mais eu pratico, mais amadureço a profissão em mim, porque cada experiência é uma experiência nova e estamos sempre recomeçando do zero, então sempre tenho esse friozinho na barriga. E isso é bom! É um combustível e o ponto de partida para que acelere e diga: “Vai, vamos contar essa história!”
Entre romances, dramas, aventuras… o que te move como atriz? O que te atrai em um personagem? O que me move é a possibilidade de tocar as pessoas. Eu me interesso por personagens que me provoquem, que me tirem da zona de conforto e me façam enxergar o mundo por outros olhos. Não importa o gênero – drama, romance ou suspense – o que me atrai é a complexidade humana por trás de cada papel. O que me interessa é contar histórias, seja no teatro, na televisão, nos streamings ou no cinema.


Qual foi a maior loucura que você fez por uma personagem? Existe limite? Eu não me recordo qual foi a maior loucura que fiz por um personagem, mas eu sou muito persistente e gosto sempre de entregar além do que é pedido. Acredito que isso pode ser um diferencial quando eu estiver sendo avaliada ou cogitada para viver aquela personagem ou aquela história. Por exemplo, quando eu vivi a Mia em ‘Viver a Vida’, que foi a minha primeira novela na Globo, eu estava em São Paulo e me chamaram para fazer o teste no dia seguinte. Então eu saí de casa às seis horas da manhã, peguei um ônibus, cheguei no Rio ao meio-dia, às duas horas da tarde fiz o teste e às seis horas já estava voltando para São Paulo. Dois dias depois recebi a grande notícia de que fui aprovada. Então eu não vejo como loucura, acho que faz parte do processo lutarmos pelos nossos sonhos e entregar tudo que podemos para fazer acontecer. Acho que quando queremos muito algo, a gente tem que fazer a nossa parte e o resto é com Deus, porque quando é nosso vai ser e não tem nada que impeça. Quando é para ser, será! Basta fazer a nossa parte, que é um trabalho individual, de busca, de entrega e de diferencial. Outro exemplo foi o teste que fiz para um filme, que a princípio era só ler o texto, um diálogo, mas eu sabia que a personagem era uma stripper, então eu resolvi fazer um segundo vídeo onde eu criei uma coreografia e fiz um strip-tease. Então eles me viram dando o texto e estando entregue a energia da personagem.
Hoje em dia sem longos contratos e com contratos por trabalho se sente mais livre mesmo com o frio na barriga sem saber como será o “depois”? Como lida com isso? Graças a Deus eu nunca me vi cem por cento parada, eu sempre estive trabalhando. Seja no cinema, no teatro, com publicidades, nos streamings ou na televisão. Então acho que Deus tem sido bem bacana comigo nesse sentido e eu tenho feito a minha parte e com meu trabalho contínuo conquistando novos trabalhos, me reinventando dentro do mercado, entendendo que a concorrência está cada vez maior, entendendo para onde a arte está sendo apontada, para além do que era antigamente e como é agora dentro das redes sociais, por exemplo. Se manter ativa, atenta e reconectada com as novidades do mercado faz com que esses contratos, mesmo que não sejam fixos, me mantenham viva artisticamente e isso é muito positivo. Óbvio que um contrato fixo nos traz estabilidade, mas hoje em dia não é mais assim. Então esse frio na barriga do que vem depois sempre existe, mas nos dá liberdade de transitar por todos os veículos e meios possíveis, o que importa é se manter pronta.


As redes sociais e o streaming tem proporcionado diversas possibilidades dentro do universo do audiovisual. Muitas vezes até mais interessantes do que a TV aberta. Como você vê esse mercado? É preciso estar pronto para o jogo para que o mercado seja onde a minha arte apontar. Estar pronto é tudo nesse momento que vivemos hoje onde o mercado está movimentado, concorrido e diversificado. Ser proativo e não parar diante do novo, mas se adaptar, se reinventar, se reestruturar e buscar aquilo que dialoga com o meu bem-estar. Eu não vou me vender para um mercado onde eu não me sinta bem. Por exemplo, se eu me sinto bem em espaços nas redes sociais, como as novelas verticais ou vídeos de lifestyle, como o quadro ‘Paloma na Cozinha’ que eu tenho no meu Instagram, então eu vou estar lá, mas se é algo que eu não diálogo e não faço, eu não vou fazer. O objetivo é somar e caminhar junto.
Falando em streaming, você está na 4a temporada de Arcanjo Renegado e já está gravando a 5a temporada. O que podemos esperar da sua personagem Elaine? Elaine é uma mulher multifacetada, cheia de segredos e intenções – o tipo de personagem que nunca se revela por completo. Na primeira fase, vocês vão conhecer uma Elaine Caroline muito transparente, verdadeira e movida pela fé, mas depois vão descobrir a mulher inteligente, estrategista e manipuladora, que não só reage, mas age e questiona o jogo e o poder da trama. Nessa nova fase, o público vai poder conhecê-la de um jeito mais profundo e entender o que a move, suas contradições e seus medos. Ela vem com ainda mais intensidade e propósito, mexendo com as estruturas e virando o tabuleiro da história.

E como foi gravar uma trama policial de tanto sucesso como Arcanjo? É muita realidade dentro da ficção? Foi uma experiência muito forte. Arcanjo é uma série que fala de temas urgentes, que fazem parte da nossa realidade, especialmente no Rio. Em vários momentos, a fronteira entre ficção e realidade parece se apagar. Isso exige muita entrega, mas também muito respeito pelas histórias que estão sendo contadas. É um trabalho que mexe com a alma.
Na internet recentemente você gravou Por Dentro da Sessão com sua Frida Kahlo. Como foi viver uma pessoa tão emblemática como Frida? Foi uma terapia, literalmente. Eu tive a oportunidade de dar vida a uma personagem que tinha toda a sua história pautada na vida de Frida Kahlo. Então eu não vivi Frida Kahlo, mas uma personagem que passava por todas as suas dores, realizações, conquistas, experiências, sua infância, adolescência, traumas e medos. E a Frida, como mulher é um ícone mundial, então mergulhar na sua biografia e trabalhar isso em formato de terapia foi incrível. Foi um trabalho pontual mas que eu gostaria muito de produzir algo com maior expansão de repente, porque é um projeto artístico onde a terapeuta, que não é atriz, faz uma sessão com uma personagem interpretada por mim, como atriz, inspirada na biografia de um grande ícone mundial que a Frida Kahlo. Esse processo de mergulho foi uma conexão muito intensa onde por muitas vezes eu também me vi sendo atendida naquela sessão, onde a Paloma e a minha Frida se misturavam com seus momentos de prazer, realização profissional e artística, traumas de relacionamentos passados. Foi um trabalho muito intenso em que eu gostei muito de estar lá.


Indo para os palcos você rodou o Brasil com o espetáculo O Cravo e a Rosa. Como foi encarar Catarina Batista nos palcos? Como foi a aceitação do público? Fazer Catarina foi uma celebração! Ela é uma personagem emblemática, com uma energia vibrante, e levá-la para o teatro foi um presente. O público abraçou o espetáculo com um carinho enorme, e cada cidade trouxe uma troca diferente. Estou ainda mais animada agora que vamos entrar em turnê internacional em Portugal. Estar no palco é um respiro, uma conexão direta com quem nos assiste. Saio de cada apresentação com o coração cheio.
Como o cinema não poderia ficar de fora… soubemos que vem três filmes na sequência: “Por Um Fio”, “Loucos Amores Líquidos” e “Fatalidade”. O que o público pode esperar de você nesses trabalhos? Como atriz, eu estou em uma fase muito feliz, em uma fase muito grata e realizada. Estou no teatro, nos streamings e venho com três filmes ai, se Deus quiser, com lançamento para o ano que vem em 2026. ‘Loucos Amores Líquidos’ eu tive a honra de rodar na Itália, tendo essa conexão com uma produção italiana, além da direção do Alexandre Avancini. ‘Fatalidade’, que é uma produção independente com direção do Paulo Gabriel, em que interpreto uma enfermeira enigmática e tive a honra de contracenar com a Débora Duarte e o Luís Amorim, fala sobre eutanásia e a eternidade dos relacionamentos. E ‘Por Um Fio’, que foi uma participação especial que fiz, nesse que com certeza será um grande filme, dirigido por David Schurmann, meu grande amigo, que vai contar a história do Drauzio Varella.
Chegou a hora de recarregar as baterias o que procura? O que curte no tempo livre? Eu gosto de desacelerar. No meu tempo livre, procuro estar perto da natureza, ver um bom filme, dançar, ler, viajar, me reunir com amigos e família. Coisas simples que me conectam com o presente. Aprendi que o descanso também é parte do processo criativo.

Fotos Sérgio Baia
Beauty Vivi Gonzo
Styling Ale Duprat / Kadu Nunnes


