Por Sávio Cardoso

A vida moderna nos trouxe uma série de facilidades, incluindo conexões e praticidades à palma da mão, mas toda essa tecnologia, infelizmente, não nos trouxe apenas aspectos positivos. Vivemos com a corda esticada, sob o fio da navalha, do ponto de vista da saúde mental. Estamos constantemente com uma demanda tremenda de trabalho e problemas, tudo sempre numa urgência sem igual. As informações nos chegam de uma forma quase exponencial, mas nossa capacidade resolutiva continua seguindo uma forma linear, sem conseguir acompanhar esse ritmo.

Hoje, nós estamos cercados por máquinas super inteligentes e de super capacidade. O ser humano precisa entender que a sua “máquina interna” tem um limite e isso afeta nossa saúde e o equilíbrio de nosso corpo. Estamos falando de uma reação em cadeia que não afeta somente nosso corpo, como também nossa mente. Pessoas, hoje, se queixam de que não conseguem mais render no final do dia, já não raciocinam da mesma forma do começo, parecem estar em seus limites mentais.

Antigamente, se falava em ter cuidado para não entrar numa estafa mental, que seria uma sensação momentânea de ter ultrapassado a capacidade mental de lidar com as situações e resolver problemas, tendo provocado um certo esgotamento do cérebro. Hoje, se escuta falar em evitar a síndrome de burnout. Mas o que seria isso?

O burnout seria um desgaste que prejudica os aspectos físicos e emocionais da pessoa, levando a um esgotamento profissional e o atrapalho nas questões pessoais, por exemplo. Esse distúrbio foi mencionado na literatura médica pela primeira vez em 1974, por um psicólogo americano que descreveu os sintomas que ele e seus colegas estavam enfrentando. Hoje em dia, o transtorno é facilmente encontrado no CID (Classificação Estatística e Internacional de Doença e Problemas Relacionados à Saúde). O burnout termina atingindo pessoas cujas vidas profissional e pessoal são muito atribuladas. Segundo pesquisa recente, essa sobrecarga acomete cerca de 33 milhões de pessoas em nosso país.

Esse tipo de descontrole emocional e cognitivo termina por fazer a pessoa chegar ao seu limite físico e emocional, sempre se sentindo extremamente cansada, desmotivada, esgotada mesmo, perdendo sua capacidade laborativa ideal. A pandemia, por exemplo, deixou as questões emocionais mais afloradas e alterou muito a rotina de trabalho das pessoas, favorecendo essa sobrecarga e o desenvolvimento desses sintomas. Muitas vezes, essa questão acaba por desencadear episódios depressivos, uso excessivo de medicamentos, e causando insônia.

BURNOUT ALÉM DO TRABALHO

A Síndrome de burnout não está somente relacionada ao ambiente de trabalho. Muitas vezes as tarefas da faculdade ou até mesmo de casa, por exemplo, podem ocasionar o surgimento do problema. O Burnout seria sinônimo de esgotamento, que está relacionado com o esforço físico, mental ou emocional excessivos, normalmente associados a poucos momentos de descanso ou descontração. 

Claro que pessoas mais comprometidas com seus afazeres, estão mais suscetíveis ao distúrbio quando se sentem sobrecarregadas, quando enfrentam dificuldades para cumprir suas tarefas e terminam absorvendo parte do trabalho e a carga emocional de terceiros para si, até pelo compromisso que têm com o resultado desse trabalho. Pode-se dizer também que uma pessoa com personalidade que não tolera frustrações está mais propensa a desenvolver o burnout.

Ao realizar uma pesquisa em nove países, a ISMA, uma associação internacional que aborda o manejo do estresse, concluiu que o Brasil ocupa o segundo lugar em nível de estresse, perdendo apenas para o Japão. Dessa forma, 70% dos brasileiros acabam tendo problemas com estresse e sobrecarga de trabalho, dos quais 30% chegam a desenvolver o burnout.

FIQUE ATENTO AOS SINAIS

É importante tentar identificar os sinais, entendendo que o corpo está no limite, com o surgimento de sintomas tais como irritabilidade excessiva, distúrbios do sono, fadiga intensa, dificuldade de concentração, perda de memória, queda de rendimento nos afazeres do trabalho, apatia, tensões musculares, agressividade, perda de prazer em realizar atividades corriqueiras, ou seja, esses sinais podem aparecer das mais variadas formas. O importante é reconhecer que algo não anda bem e procurar uma orientação profissional. Se for o caso, compartilhe esses sintomas assim que começar a identificar com alguém no trabalho e, principalmente, com sua família.

A saída é tentar gerenciar o estresse embora que, muitas vezes, seja difícil se livrar da situação estressora. É importante tentar se cobrar menos e aceitar que todos nós temos limites. Manter a rotina de exercícios físicos, alimentação saudável e um sono reparador também é de grande valia. Sempre que possível, não deixar de respeitar seus momentos de lazer e descanso, seus momentos com a família. Por mais empreendedores e dedicados ao trabalho que possamos ser, nossa saúde deve sempre vir em primeiro lugar.