Não sei se vocês lembram, a turma acima dos trinta deve lembrar, daquele clássico filme da Sessão da Tarde, “As Mil Faces do Dr. Lau”, onde um mágico chinês encarnava vários personagens para interagir com os outros e no final você ficava meio perdido sem saber quem ele era de verdade. Falar do ator Alejandro Claveaux é mais ou menos rever esse clássico filme, onde em sua estréia na TV com a série “Clandestinos”, de João Falcão, Alejandro interpretava vários personagens. Lá ele ia desde um gay, passando pelo gago até um homem-macaco. Era o personagem dentro do personagem e uma viagem para o universo da interpretação na TV que virou teatro, ou o teatro que virou TV. Enfim, o que ficou é a imensa capacidade de Alejandro se entregar a um personagem seja lá ele qual for. Essa estréia lhe rendeu um novo desafio que é visto diariamente nessa temporada de Malhação onde Alejandro interpreta o antagonista Moisés. A cada personagem um novo desafio. Desafio esse que esse cara de nome sofisticado, que já foi engenheiro de alimentos, enfrente como se fosse o primeiro e único a ser vivido.

Alejandro Claveaux, você já nasceu como nome de artista internacional! Esse nome vem da sua origem de pais uruguaios? Alguma vez esse nome já ajudou ou atrapalhou em algo? Sim, vem dos meus pais e meus bisavós espanhóis e franceses. Atrapalha quando tenho que soletrar, quase sempre, escrevem errado.

 

Podemos dizer que você começou com o pé direito na TV ao fazer sua estréia no seriado Clandestinos sendo dirigido por João Falcão, que já revelou grandes talentos como Wagner Moura e Lázaro Ramos. Você concorda? Com certeza. João não só nos dirigiu nos Clandestinos, como também escreveu pensando em cada ator que ia interpretar o personagem, tanto é que meu personagem em Clandestinos tinha meu próprio nome. Foi um processo único. Não só na minha vida, como também na TV. O João é um artista completo. Autor, diretor, compositor, músico, cantor. Cada dia durante estes 3 anos de Cia Instável, foi transformador e divertido. Tive a grande sorte de estrear com grande suporte de texto, direção e colegas de elenco talentosíssimos.Como você foi parar na Globo? Foi uma consequencia ou um objetivo? O projeto Clandestinos começou em 2008. João Falcão abriu inscrições em um site para formar sua Cia de teatro e ao mesmo tempo o elenco de Clandestinos. Eram atores de 18 a 30 anos de todo Brasil. 3000 atores se inscreveram 400 fizeram os testes, 30 as oficinas, onde por 2 meses os atores trabalhavam diariamente com o próprio João e convidados, e dai 14 foram escolhidos formando a Cia Instável de Teatro. Clandestinos já estava bombando no teatro no Rio de Janeiro, quando surgiu o convite para a transposição da obra para a TV, na Globo.

Como foi a experiência de participar de Clandestinos fazendo um gago e confundindo até a cabeça dos expectadores ao tentar entender se seu personagem era tudo aquilo ou se era um ator interpretando um personagem dentro do personagem? Foi um presente. Na TV fiz o mesmo personagem que no teatro. Era um ator ex-modelo que no seu primeiro trabalho na TV interpretou o modelo Yuri, e todo mundo começou a falar que ele interpretava que nem modelo, para isso ele teve que provar que podia ser um ator de verdade. Tentou convencer como gago, não colou, virou viado, argentino, macaco. O grande desafio era fazer de cada tipo, figuras reais que não ficassem só na caricatura. A transposição do teatro para TV também me fez segurar a onda e deixar cada personagem mais humano. Eram 20 minutos no ar e 5 personagens dentro do mesmo personagem. Na rua as pessoas comentavam comigo que acreditavam em tudo que eu fingia ser. E me perguntavam, qual deles você é de verdade. Muito gratificante quando isso acontece.

 

Você passou de Clandestinos, que era um produto mais cultural e intelectual, para Malhação que é algo mais pop e comercial. Como ator, o desafio é maior? Tento abraçar as oportunidades e meus personagens sem preconceitos e sem rótulos. Fiquei muito inseguro quando recebi o personagem Moisés de Malhação, era um personagem completamente diferente de todos que tinha vivido em Clandestinos e todos da minha carreira. Moisés é um líder comunitário de uma comunidade carioca e o vilão da história. Era tudo que eu queria e precisava um desafio dos grandes, outro desafio era a linguagem da TV que e eu ainda não tinha me acostumado. Tenho a sorte de estar em uma Malhação diferente, o texto é muito bom a direção idem e o elenco a maior parte vem do teatro, são muito talentosos. Acho que se o ator vem com uma bagagem legal, é disciplinado, criativo tem vontade e ama trabalhar independente do produto ser intelectual ou comercial ele vai ter espaço para comunicação, para mostrar seu trabalho dando sua cara ao produto. Assisto a todos os tipos de programas, o ator tem que estar aberto e antenado a tudo para dar vida a um personagem em qualquer contexto sem preconceitos. Sou muito feliz com minhas conquistas.Com poucos papeis na TV, porém todos na Globo, como você vê sua carreira daqui a curto e longo prazo? Tenho projetos para o teatro depois da novela. Não dá para se programar em outro projeto de TV ou cinema com tanta antecedência, pois não depende só de mim. O que eu quero é estar transitando entre esses 3 universos, trabalhando muito e me divertindo, como tenho feito.

Antes de ser ator você era engenheiro de alimentos, como se deu essa transição? O que te fez despertar por atuar? Fiz faculdade de engenharia ao mesmo tempo em que estudava teatro. Cursava engenharia de manhã e de tarde e a noite teatro. Nos fins de semana viajava com os espetáculos. Era muito cansativo, tive que escolher. Não tive dúvida, me dediquei ao teatro completamente.

 

Você acha que o sucesso entre as mulheres é o que define se o ator pode ser um galã? O rótulo de galã incomoda? Acho que sim, são elas que definem se o ator é um galã ou não. Não adianta lançar um ator como galã se a mulherada não concordar, não cola. Acho que o grande desafio é fazer um personagem galã, mas com outros atributos. Isso é interessante. O ator galã tem que saber fazer outros personagens, se enfear se necessário. O rótulo incomoda quando o ator não tem ferramentas para ir além disso. Meu personagem em Clandestinos falava exatamente sobre isso.Alguma mulher já conseguiu te deixar sem graça? E se você perceber que a intenção dela é essa, qual sua reação? Sim, uma cantada muito direta me deixa sem graça. Mas tudo depende do lugar o contexto e da mulher.

Muitos artistas usam esse discurso de que não se envolvem com fãs. Isso funciona com você? Não sei ainda, acho que é possível sim. Depende muito da situação. Já aconteceu de ficar com uma garota e depois de um tempo ela dizer que era minha fã. Não mudou nada. No relacionamento um deve admirar o outro.

 

Mulher de amigo seu pra você é homem? Claro! Tem tanta mulher no mundo, pra que ficar justo com a do amigo?

Você concorda que os homens são mais fiéis aos amigos do que as mulheres? Depende do homem. Sou fiel as pessoas que amo, tanto aos amigos quanto a minha namorada. É questão de caráter e compromisso.

Mulheres mais liberais assustam ou atraem? Como lidar com elas?
Assustam, se o homem também é liberal rola uma compatibilidade é muito difícil ter uma relação com uma mulher liberal se o homem não é liberal.

Se na hora H a coisa não funcionar, qual a melhor saída? Isso já aconteceu com você? Não sei, muito constrangimento. Depende muito da mulher que está ao seu lado. Se ela levar na boa, ter paciência, as coisas podem mudar, mas se não, se a garota começar a rir ou se sentir desprezada, a tensão aumenta e nada rola. Já rolou comigo, mas teve final feliz.

Qual o principal erro das mulheres num relacionamento? A insegurança é o pior erro. A desconfiança desgasta.

Que qualidades um homem deve cultivar? Quais você busca? Caráter, fidelidade, compromisso, cuidado, disciplina, desprendimento, espiritualização, consciência ecológica.

Acompanhe a MENSCH também pelo
Twitter: @RevMensch e baixe gratuitamente pelo iPad na App Store.