
João Camargo é ator de teatro, televisão e cinema, formado em Artes Dramáticas pela Unirio, com extensão na Royal Central School of Speech & Drama, em Londres. Estreou na TV na novela Vale Tudo (1988), na TV Globo, como o personagem Freitas, papel que lhe rendeu indicação como ator revelação e projeção internacional após campanha do Unibanco premiada com Leão de Ouro em Cannes. Na televisão, destacou-se em produções como Um Anjo Caiu do Céu, Uga-Uga, Bela, a Feia, Cúmplices de um Resgate e A Força do Querer. Mais recentemente participou da série Tô de Graça, do Multishow. Atualmente integra o elenco da novela Êta Mundo Melhor, de Walcyr Carrasco, e do musical O Cravo e a Rosa. Em 2026, celebra 44 anos de carreira no teatro e 38 anos de trajetória na televisão. E aqui na MENSCH ele nos conta um pouco dessa trajetória brilhante.
Hoje, com 44 anos de profissão, o que você sente olhando para trás e vendo toda sua trajetória? Eu sinto que eu fiz a escolha certa, porque no colégio eu já formei um grupo de poesia para a gente se apresentava falando poesias, no Colégio Rio de Janeiro, e desde aquela época que eu já tinha vontade de ser ator, então, e graças a Deus, eu fui bem sucedido, a minha carreira se desenvolveu, fiz muitos trabalhos e, portanto, acho que foi uma decisão acertada.
Você já teve algum momento em que pensou em desistir? Já tive momentos de desânimo entre um trabalho e outro, mas de desistir mesmo, nunca pensei seriamente, não. Tanto que estou aí até hoje.



O seu primeiro trabalho na TV, foi na novela Vale Tudo, interpretando e icônico Freitas. Você acredita que esse trabalho foi o marco na sua vida artística? O Freitas, com certeza, foi um marco. Meu primeiro trabalho na televisão e logo esse sucesso. Espetacular. Uma novela que parou o Brasil. E eu comecei com o papel, era pequeno, foi crescendo, crescendo. Acabou que eu fiquei sendo um dos suspeitos da morte de Odete Rotman, que era um dos principais ganchos da novela. Então foi muito importante, porque eu já fazia teatro, mas a novela me lançou para o Brasil inteiro e até para o mundo, porque a Globo passa no mundo inteiro. Então me marcou muito, realmente.
O ator Luis Lobianco interpretou o Freitas, no remake da novela. Na trama do “novo Freitas” foi diferente da sua. Você se sentiu incomodado com essa mudança? Não, imagina, o Luis Lobianco, que é um ótimo ator, fez muito bem. E eu não acompanhei muito a novela, todos os capítulos eu não vi, mas o que eu vi eu gostei muito dele. Eu acho que o ator, quando pega um personagem, imprime a sua personalidade. Nunca é igual um ator fazendo o mesmo personagem que o outro.
O Ofélio, da novela do SBT, cúmplices de um resgate, te deixou mais perto do universo infantil. Como foi o carinho das crianças com você? O Ofélio foi incrível, realmente um sucesso extraordinário, me deixou muito próximo das crianças e tinha também um charme porque ele era um cantor, então eu cantava as músicas e as crianças adoravam, eu aparecia, quando elas me viam cantavam Farofafá. Lotei o Ibirapuera, foi maravilhoso, realmente só tenho memórias boas dessa época.
Você é um homem vaidoso? O que você faz para cuidar da beleza e da boa forma? Eu tento me cuidar, sim, eu malho todos os dias e passo creme à noite no rosto, mas assim, nada exagerado não, mas assim, fazer exercício, tentar dormir bem e me alimentar bem, acho que isso aqui é o mais importante.


Por falar em cuidados, o que você não faria em nome da beleza? Ah, eu não faria um procedimento que me deixasse com uma aparência muito mais nova, porque aí eu acho que não tem sentido. Mas fazer um procedimento, arrumar o rosto, alguma coisa do corpo, não tenho nada contra, não. Tudo na medida certa.
Chegar bem aos 65 anos dá muito trabalho? Chegar bem aos 65 anos não dá muito trabalho, não. O importante é você estar sempre indo ao médico, digamos, uma vez por ano eu faço o check-up, faço os meus exames. E essa questão da alimentação e de fazer exercício que é fundamental. Eu não bebo, não fumo, então a saúde está indo bem, graças a Deus. Sem grandes esforços.
Você nasceu na Suíça. Quando veio para o Brasil? Conte-nos um pouquinho sobre essa trajetória. É, eu nasci na Suíça, porque a minha mãe morava lá. O primeiro casamento dela foi com o suíço, e aí eles se separaram, ela conheceu meu pai aqui no Brasil, ela veio de férias, ficou grávida de mim, e eu vim bebê, vim com ela, e eles se casaram e viveram felizes até meu pai falecer. E é muito bom, eu tenho a nacionalidade, dupla nacionalidade, eu vou sempre à Suíça, à base, eu visitar os parentes lá, então tenho esses laços familiares, isso é muito bom.

Atualmente você dá vida ao padre Lucas, em Êta Mundo Melhor. Como está sendo fazer este personagem, que também tem vários momentos de humor? O Padre Lucas foi um presente, realmente, fazer uma novela do Walcyr Carrasco, é um presente, é um grande autor, sempre quis fazer, e dirigido pela Amora Maltner, então veio também junto com a peça O Cravo e a Rosa, que é uma adaptação da novela do Walcyr também, então esse ano que passou, eu tive esses dois presentes e o Padre Lucas tem agradado muito o público, a reação na rua é muito boa, ele é aquele padre bem-humorado, meio ingênuo, de boa fé, então é muito bom fazer um personagem para cima, né, alto astral, e me dá a chance de contracenar com praticamente todos os núcleos da novela, eles vêm, os personagens vêm se confessar com o padre, contar seus problemas, ou tentar enganar o padre, então isso é muito divertido, eu estou adorando.
Você já havia trabalhado anteriormente com o autor Walcyr Carrasco? Não, como eu falei era um sonho que eu realizei duplamente, desde o ano passado com a peça O Cravo e a Rosa, do Pedro Vasconcelos, da novela do Walcyr e veio a novela também o que foi uma feliz coincidência. Foi um presente realmente poder fazer no caso duas obras de Walcyr. Muito feliz e realizei um sonho.
O que você gosta de fazer nas horas de lazer? Eu gosto muito de ir ao restaurante, comer fora, com meu marido, viajar, ir ao cinema, cinema. A gente assiste muito filme, muita série na televisão, mas ir ao cinema é muito bom, ir ao teatro. Esses são os meus programas favoritos.

Fotos Rodrigo Lopes
Assessoria Julyana Caldas
Agenciamento Montenegro Talents


