CAPA: EM CLIMA DE COPA, GABRIEL GODOY MARCA UM GOLAÇO NO AUDIOVISUAL

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Celebrando 22 anos de carreira, Gabriel Godoy vive um momento de consolidação no audiovisual, com duas novelas no ar — Coração Acelerado, na TV Globo, e Dona Beja, na HBO Max — transitando com versatilidade entre o galã e o humor, da TV aberta ao streaming e ao cinema. Filho de argentino, corinthiano e apaixonado por futebol, traduz essa conexão em um ensaio especial inspirado na Copa do Mundo FIFA. O tema também marca a estreia do documentário Chama o VAR, nos canais SporTV e Globoplay. Em 2026 Gabriel amplia sua presença com novas séries e filmes, reforçando sua trajetória sólida e multifacetada no entretenimento. Para acompanhar um pouco dessa fase, a MENSCH conversou com Gabriel sobre trabalhos, desafios, e claro, futebol. E para entrar bem no clima, para esse ensaio Gabriel usou parte da sua coleção de camisas de times de futebol. O resultado não poderia ser mais legal.

Você celebra 22 anos de carreira com dois trabalhos simultâneos no ar, Coração Acelerado e Dona Beja. O que esse momento representa na sua trajetória como ator? Diria que representa mais um passo de uma caminhada interminável e muitas vezes incerta, nessa carreira. Mas também aprendi a celebrar os bons momentos com coragem, com o mantra: “eu sou merecedor”. Levo meu ofício muito a sério, com entrega e responsabilidade. Tenho certeza de que essa colheita vem desse compromisso com a profissão. Aos 42 anos, também passo a olhar tudo com mais maturidade, tanto na carreira quanto na vida pessoal. Tenho conseguido diminuir a ansiedade diante das incertezas e viver o presente com mais alegria e presença. 

Ao transitar entre personagens que vão do galã ao humor, como você equilibra esses registros e evita cair em estereótipos? Em Coração Acelerado, estou vivendo minha primeira experiência na TV aberta com um personagem mais “mocinho”, um galã. Afinal, faço par com Letícia Spiller, é uma grande responsabilidade (risos). Tem sido um processo bonito de descoberta, porque ele, Palhares Leite precisa conquistar a Janete, uma personagem forte e empoderada e Letícia é uma parceira muito generosa. Nosso encontro tem sido muito bonito. 

Já em Dona Beja, trabalho em um registro mais cômico, mas com uma carga dramática diferente de outros personagens que já fiz. Até porque interpreto praticamente dois personagens: o mendigo Honorato da primeira fase e o conde filósofo, romântico e misterioso da segunda. São construções distintas, que desenvolvo com calma e de dentro para fora, me aproximando aos poucos no processo. Em Beja faço par com a maravilhosa Catharina Caiado e o casal Carminha e Honorato está fazendo muito sucesso. 

Coração Acelerado, na TV aberta, e Dona Beja, no streaming, atingem públicos diferentes. Como você percebe essa mudança de linguagem e recepção? Fiz quatro temporadas de O Negócio, na HBO, entre 2013 e 2018, e naquela época sentia que era um produto mais voltado para um público específico. Hoje percebo que Dona Beja, mesmo sendo do streaming, por ser novela, alcança um público muito amplo, tanto nas ruas quanto nas redes. Estou surpreso com a repercussão. Seguimos o sucesso de Beleza Fatal também na HBO Max. Já Coração Acelerado, por estar na TV aberta, tem um impacto imediato. Inclusive, já vivi situações curiosas e inéditas com as duas novelas no ar ao mesmo tempo: as pessoas me param para elogiar, e eu não sei se é por uma ou pela outra (risos). 

Estamos vivendo uma fase de consolidação do audiovisual brasileiro em múltiplas plataformas. Como você enxerga o seu papel nesse cenário que envolve TV, streaming e cinema? Acredito que filmes como Ainda Estou Aqui e O Agente Secreto ajudaram a reposicionar o cinema brasileiro no cenário internacional. É um reconhecimento mais do que merecido. Os streamings também trouxeram uma democratização importante, ampliando o acesso a conteúdos do mundo todo. Vivemos um grande momento, mas ainda aguardamos a regulamentação do streaming, que é essencial para garantir direitos mais justos à nossa classe. Eu venho do teatro, porém no audiovisual comecei no cinema e no streaming antes da TV aberta, e isso me deu uma experiência diferente, principalmente em relação ao ritmo intenso da novela. 

Filho de argentino e corinthiano declarado, como o futebol influenciou sua formação pessoal e até mesmo artística? Meu tio, por parte de pai, foi jogador profissional na Argentina, Horácio Godoy, que atuou por clubes como Racing, Independiente e Celta de Vigo. Meu pai também sempre jogou, e meu avô materno era um fanático pelo Corinthians, a ponto de tatuar o escudo no braço. Cresci nesse ambiente. Quando criança, sonhava em ser jogador e cheguei a disputar campeonatos interclubes. Depois, mudei o sonho para o jornalismo esportivo e cheguei a cursar dois anos de faculdade de jornalismo. Mas o teatro falou mais alto. Durante a faculdade, comecei a estudar atuação e percebi que era ali que eu era mais feliz. Acabei deixando tudo para me dedicar à carreira de ator mas a paixão pelo futebol segue até hoje. Não perco um jogo do Corinthians. Gosto de sofrer (risos)

Sua coleção de camisas de futebol virou inspiração para um ensaio especial. O que esse projeto revela sobre você além do ator? Revela justamente essa paixão que me acompanha desde a infância e que faz parte da minha família. Tenho também achado curioso como as camisas de futebol viraram peça de moda ultimamente. Já emprestei várias para minha namorada e amigos montarem looks. Quem diria (risos)? Hoje tenho mais de 100 camisetas na minha coleção. 

Em ano de Copa do Mundo, o lançamento do documentário Chama o VAR chega em um momento estratégico. Como foi participar de um projeto que mistura ficção e análise esportiva? Foi a realização de um sonho antigo, daquele Gabriel que queria ser jornalista esportivo. O projeto é muito interessante: um grupo de jornalistas analisam lances polêmicos de Copas do Mundo anteriores à existência do VAR e debatem como os resultados poderiam ter sido diferentes. Eu interpreto um correspondente argentino que provoca os jornalistas brasileiros. Foi uma experiência deliciosa. O elenco é liderado por Antônio Tabet e conta ainda com George Sauma, Letícia Lima e João Pimenta, com direção de Rodrigo Van der Put. A série estreia próxima a Copa desse ano no SporTv e Globoplay.

O futebol é carregado de emoção e polêmica. Houve algum lance revisitado em Chama o VAR que te marcou mais profundamente? Como filho de argentino, não tem como não falar do gol do Maradona com a mão, na Copa de 1986. Com o VAR, esse lance histórico não existiria. Ele dizia que não foi a mão dele, e sim “a mão de Deus”. É um momento inesquecível.

Você também está envolvido em diversas estreias para 2026, como Amor da Minha Vida 2 e Volte Sempre 2. O que o público pode esperar dessas continuações? Amor da Minha Vida é uma série que acompanhei como espectador e me conquistou na primeira temporada. Estar na segunda temporada foi um presente. Adoro o texto do Matheus Souza e sempre quis trabalhar com ele. Faço par com a Rayssa Bratillieri, uma atriz que admiro muito e foi uma excelente parceria. Já Volte Sempre 2 é um projeto pelo qual tenho muito carinho. Interpreto o Carlinhos Tattoo, um tatuador que transforma a sessão em uma espécie de terapia. Como alguém que faz análise há anos, tenho me divertido muito construindo esse personagem. Torço para que o programa chegue à TV aberta. Sinto falta de programas de humor nesse espaço, tivemos uma época com clássicos como A Grande Família, Os Normais e Tapas & Beijos, Tá no Ar, Zorra. Como apaixonado por humor, espero ver esse gênero de volta à TV aberta com força.

No cinema, projetos como Às Vitrines, Virtuosas e Oratório apontam para narrativas distintas. Como você escolhe seus papéis nesse momento da carreira? O cinema me permite explorar outros caminhos além da comédia. Em Oratório e Virtuosas, de Carol Fioratti e Cíntia Domit Bittar, experimentei o terror, algo novo para mim. Já em Às Vitrines, de Flávia Castro, tive minha primeira experiência atuando em espanhol. O filme se passa no consulado argentino no Chile, durante a ditadura, e traz um olhar muito sensível para esse período. São projetos bem diferentes entre si, e isso é o que mais me atrai. Os três filmes tem estreias previstas para esse ano. 

Depois de mais de duas décadas atuando, o que ainda te desafia e te motiva dentro da profissão? O que me motiva é o próprio ato de atuar: construir personagens, viver novas histórias, as relações no set, as trocas e amizades. Eu amo o que faço e isso é o que sustenta tudo, especialmente diante dos desafios da profissão.  E acreditar que o “ir além” do ator colabora na criatividade e “sobrevivência”. Se posicionar como um artista e não somente como um ator. 

Olhando para frente, qual é o próximo passo dessa fase de consolidação? Existe algum território artístico que você ainda deseja explorar? Este ano, a produtora que fundei com Vinícius Vasconcelos e Victor Mendes completa cinco anos: a Prelúdio Núcleo Criativo. Tenho me dedicado bastante a esse lado produtor, que tem me dado muito prazer. Gosto de buscar novas histórias e fazer essa ponte entre roteiristas, produtoras e plataformas. Em breve, teremos novidades.

Fotógrafo Robson Maia @cine7__

Stylist Nathalia Menezes

Visagismo Diego Nardes

Looks: Shui, Converse, New Balance 

Simpla e Saint Studio