
A busca por equilíbrio, saúde e bem-estar nunca esteve tão presente na rotina contemporânea. Em meio a uma vida cada vez mais acelerada, cresce também o interesse por cuidados que vão além da estética e se conectam com qualidade de vida, autoestima e longevidade. É nesse contexto que profissionais comprometidos com uma visão mais ampla da saúde ganham destaque.
Nesta entrevista, conversamos com a Dra. Denise Torejane, que compartilha sua visão sobre os avanços da medicina, os cuidados essenciais para manter o corpo e a mente em harmonia e as transformações que vêm moldando a relação das pessoas com o próprio bem-estar. Com experiência e olhar atento às necessidades atuais, ela fala sobre prevenção, autocuidado e a importância de abordagens cada vez mais personalizadas. O que resultou no surgimento do projeto Mulher por Inteiro.
Ao longo da conversa, a especialista também reflete sobre tendências, desafios da profissão e o papel da medicina em uma sociedade que busca viver mais — e melhor. Uma leitura que convida à reflexão sobre saúde, consciência e escolhas para uma vida mais equilibrada.

Dra. Denise, como surgiu a paixão pela medicina e pela área de cirurgia plástica? Minha história com a medicina começou muito antes da faculdade. Cresci em um ambiente onde o conhecimento sempre foi valorizado. Meus pais eram proprietários de uma farmácia e, durante boa parte da infância e adolescência, aquele foi também o meu universo de observação. Nas férias, enquanto muitas crianças brincavam, eu passava horas naquele ambiente. Ali eu via pessoas buscando alívio para dores, acompanhava conversas sobre saúde, escutava médicos que passavam pelo local e observava de perto a relação entre cuidado, ciência e vida real. Esse contato precoce despertou em mim uma curiosidade profunda sobre o funcionamento do corpo humano e sobre como o conhecimento poderia ser usado para transformar a vida das pessoas. A cirurgia plástica veio depois, quase como um caminho natural dentro da medicina. O que sempre me chamou atenção nessa especialidade é que ela une precisão técnica com impacto emocional. Não se trata apenas de transformar formas, mas muitas vezes de restaurar confiança, identidade e autoestima.
E como surgiu a ideia de estruturar o programa “Cuidado 360º no pós-operatório” dentro da DT Cirurgia Plástica? Quais lacunas a senhora identificou no acompanhamento tradicional? Ao longo da minha prática clínica, percebi algo muito claro. A cirurgia plástica evoluiu enormemente em técnica e tecnologia, mas o acompanhamento pós-operatório muitas vezes permanecia fragmentado. Em muitos modelos tradicionais, a paciente realiza a cirurgia e, depois disso, precisa buscar por conta própria profissionais para fisioterapia, drenagem, nutrição ou suporte durante a recuperação. Nem sempre esses profissionais estão alinhados com a equipe cirúrgica ou com o planejamento do procedimento realizado. Essa lacuna me levou a desenvolver o conceito de Cuidado 360º dentro da clínica.
A proposta é simples e profunda ao mesmo tempo: oferecer uma jornada estruturada, multidisciplinar e integrada, onde paciente e família se sintam realmente acompanhadas em todas as etapas. Porque, no fundo, quando uma mulher decide realizar uma cirurgia plástica, ela não está buscando apenas uma mudança física. Muitas vezes ela está buscando um recomeço, uma reconexão com sua autoestima. A técnica é fundamental, mas o fator humano é igualmente decisivo nesse processo.

Falando da estrutura de cuidado 360º, como essa equipe multidisciplinar atua desde a saída da sala cirúrgica até a recuperação completa da paciente? O cuidado começa imediatamente após o término da cirurgia. Ainda na recuperação anestésica, a equipe especializada de fisioterapia inicia protocolos precoces que têm como objetivo reduzir o edema, melhorar o conforto da paciente e monitorar a perfusão dos tecidos. Utilizamos também tecnologias como a termografia, que permite avaliar de forma precisa a circulação e o comportamento inflamatório da região operada. Essa atuação precoce torna o pós-operatório muito mais previsível, confortável e seguro. Em vez de esperar que os sintomas apareçam, nós acompanhamos o processo desde o primeiro momento.
A reabilitação precoce iniciada ainda no hospital tem ganhado destaque. Quais são os principais benefícios clínicos dessa abordagem? Os benefícios começam a aparecer nas primeiras 24 horas. Quando iniciamos protocolos precoces de fisioterapia, conseguimos controlar melhor o inchaço, proporcionar maior conforto para a paciente e facilitar a mobilidade no início da recuperação. Além disso, a avaliação imediata da perfusão sanguínea por meio da termografia se torna uma ferramenta valiosa para orientar condutas e personalizar estratégias terapêuticas. Isso transforma o pós-operatório em um processo muito mais acompanhado e individualizado.

Como funciona o planejamento individualizado de curativos, fisioterapia e acompanhamento integral das pacientes? A ideia central é que a paciente não precise “administrar” o próprio pós-operatório. Toda a jornada é planejada previamente. Curativos, sessões de fisioterapia, orientações nutricionais e acompanhamento clínico fazem parte de um protocolo estruturado. Além disso, mantemos um canal exclusivo de comunicação com a equipe, onde pacientes e familiares podem esclarecer dúvidas e receber orientações durante todo o período de recuperação. Isso cria uma relação de confiança muito importante, porque a paciente sabe que não está sozinha nesse processo.
No caso de pacientes que vêm do exterior, quais estratégias são adotadas para otimizar a recuperação e permitir um retorno mais seguro ao país de origem? Uma parte importante da nossa estrutura nasceu justamente para atender pacientes que vivem fora do Brasil. Muitas vezes essas mulheres vêm sozinhas e precisam de um ambiente que ofereça segurança e suporte completo. Por isso, trabalhamos com estratégias que começam antes mesmo da cirurgia. Utilizamos abordagens de medicina integrativa e funcional para reduzir processos inflamatórios pré-existentes e preparar o organismo. No pós-operatório, associamos tecnologias como laser terapêutico e oxigenoterapia hiperbárica, que auxiliam na cicatrização e na recuperação. Essa combinação permite um retorno ao país de origem com mais segurança e previsibilidade.
A senhora costuma dizer que “técnica e acolhimento juntos são a chave para recuperar a autoestima com segurança”. Como essa filosofia aparece na prática? Para mim, cirurgia plástica nunca foi apenas sobre técnica. Claro que a técnica é essencial, mas ela precisa estar acompanhada de escuta, sensibilidade e entendimento do momento de vida daquela mulher. Cada paciente chega ao consultório com uma história diferente. Algumas vêm após a maternidade, outras após grandes transformações pessoais. Saber escutar é a chave para construir um planejamento realmente assertivo. Quando a equipe compartilha desse mesmo propósito, o acolhimento deixa de ser um discurso e passa a fazer parte da experiência real da paciente.

Como funciona o planejamento cirúrgico avançado adotado na clínica para procedimentos como contorno corporal e Mommy Makeover? Hoje trabalhamos com o conceito de cirurgia plástica funcional. Isso significa que, antes de pensar apenas na cirurgia em si, avaliamos o estado global de saúde da paciente. O planejamento envolve entender metabolismo, composição corporal, níveis inflamatórios e outros parâmetros que influenciam diretamente na recuperação. Em outras palavras, buscamos preparar o terreno antes de realizar a intervenção. Quando o corpo está equilibrado, a resposta cirúrgica tende a ser muito mais favorável.
O Brasil lidera o ranking mundial de cirurgias plásticas. O que esse cenário revela sobre o perfil das pacientes brasileiras? A mulher brasileira tem uma relação muito particular com estética. Ela valoriza o cuidado com o corpo, mas cada vez mais busca naturalidade e elegância. A maioria das pacientes que chegam até mim já passou por experiências importantes de vida, especialmente a maternidade. Muitas estão entrando em uma nova fase e desejam reencontrar uma imagem que reflita harmonia e vitalidade. A tendência atual não é transformação exagerada, mas beleza atemporal.
O que representa o conceito de cirurgia plástica funcional dentro da Clínica DT? A cirurgia plástica funcional amplia a visão tradicional da especialidade. Ela considera que o desempenho cirúrgico e a qualidade da recuperação estão diretamente ligados ao estado global de saúde do paciente. Por isso trabalhamos com parâmetros de performance, ajustes metabólicos e estratégias que favorecem uma resposta inflamatória mais equilibrada. Um organismo preparado se recupera melhor, cicatriza melhor e responde de forma mais previsível ao procedimento.

Tecnologias como bioimpedância, termografia e laser fazem parte dos protocolos da clínica. Como elas contribuem para segurança e qualidade dos resultados? A tecnologia, quando bem aplicada, se torna uma grande aliada da medicina. A bioimpedância permite avaliar com precisão a composição corporal da paciente, o que ajuda no planejamento de procedimentos de contorno corporal. A termografia auxilia no monitoramento da circulação e dos processos inflamatórios da região operada. Já o laser terapêutico atua estimulando a cicatrização e otimizando a qualidade dos tecidos durante o processo de recuperação. Esses recursos tornam o acompanhamento muito mais preciso e personalizado.
Em um momento de grande crescimento da busca por procedimentos estéticos, qual é o papel do preparo físico e emocional da paciente? Hoje as pacientes buscam algo além de um procedimento isolado. Elas buscam uma jornada de cuidado. O preparo físico e emocional é essencial para que a experiência seja positiva e transformadora. Eu costumo dizer que opero corpos com técnica, mas conduzo mulheres com consciência. Quando corpo e mente estão alinhados, o resultado vai muito além da estética.
Onde mora sua vaidade, como mulher e como médica? Depois dos 40 anos e da maternidade, minha percepção sobre vaidade mudou bastante. Hoje ela está muito mais ligada à forma como eu escolho viver. Como médica, minha maior satisfação está em participar da transformação de histórias reais. Em ajudar mulheres a entender que o mundo aprendeu a contar com elas, mas que talvez tenha chegado o momento de voltarem a contar consigo mesmas. No plano pessoal, minha vaidade está no tempo que destino às minhas prioridades. Cuidar da saúde, manter atividade física, investir em desenvolvimento intelectual e cultivar interesses como a música. Quando eu me priorizo, naturalmente me torno uma versão melhor para tudo ao meu redor.

Quais são os próximos passos da sua trajetória e da DT Cirurgia Plástica? Os próximos passos são de expansão consciente. A clínica continua avançando em tecnologia, segurança e planejamento cirúrgico de alta precisão. Esse compromisso é inegociável. Mas, paralelamente, algo novo começa a ganhar forma. Depois de muitos anos acompanhando mulheres em momentos de transformação física, percebi que muitas delas buscavam algo além da estética. Elas queriam recuperar presença, identidade e direção. Foi dessa percepção que nasceu o projeto Mulher por Inteiro.
Como nasceu o projeto Mulher por Inteiro e como ele se conecta com sua atuação médica? O projeto Mulher por Inteiro nasceu de algo que observei durante anos no consultório. Eu recebia mulheres extremamente competentes. Profissionais brilhantes, mães dedicadas, mulheres que sustentavam famílias, empresas e rotinas complexas. Elas davam conta de tudo. Mas, quando começávamos a conversar com mais profundidade, surgia uma percepção muito clara: muitas delas haviam se afastado de si mesmas ao longo do caminho. Não foi de uma vez. Foi silencioso. Primeiro vieram as responsabilidades. Depois os papéis. Depois as expectativas externas. Quando percebem, muitas mulheres estão funcionando perfeitamente para o mundo… mas já não sabem exatamente onde elas mesmas ficaram dentro da própria vida. Depois da maternidade eu também vivi um processo importante de revisão pessoal. Foi um momento em que precisei olhar para minha saúde, para minhas escolhas e para quem eu queria ser além da profissão. Voltei a estudar filosofia, retomei o piano, mergulhei em desenvolvimento pessoal e comecei a refletir profundamente sobre o lugar da mulher dentro da própria história. O Mulher por Inteiro nasceu desse processo. Hoje ele está se transformando em uma série de conteúdos, podcast, mentorias e encontros presenciais. Mas, na essência, não é apenas um projeto. É um movimento de reconexão. Porque quando uma mulher se lembra de quem ela é, algo muda na forma como ela ocupa o mundo. E isso não transforma apenas a vida dela. Transforma tudo ao redor. Cuidar do corpo pode ser o começo. Mas o verdadeiro reencontro acontece quando uma mulher volta a ocupar a própria vida.

Fotos Anderson Macedo


