ENTREVISTA: MATHEUS COSTA – MATURIDADE EM CENA COM “JUNTAS E SEPARADAS”

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Com uma trajetória que começou ainda na infância e se construiu com consistência ao longo dos anos, Matheus Costa chega a um momento de maturidade artística marcado por escolhas mais conscientes e desafiadoras. Transitando com naturalidade entre diferentes linguagens — da televisão ao cinema, do teatro ao streaming —, o ator consolidou uma carreira versátil, guiada pela busca por personagens complexos e narrativas que provoquem reflexão. Nesta entrevista, ele revisita os marcos que definiram seu percurso, fala sobre o reconhecimento conquistado dentro e fora do país e mergulha nos bastidores de seu mais recente trabalho, “Juntas e Separadas”. Entre desafios emocionais, amadurecimento profissional e o desejo de expandir horizontes, Matheus revela não apenas o artista em constante evolução, mas também alguém profundamente comprometido com a potência das histórias que escolhe contar.

Matheus, você começou sua carreira muito cedo. Como enxerga essa trajetória desde a infância até este novo momento? Começar aos 7 anos foi algo muito natural para mim. Hoje, olhando para trás, vejo o quanto isso foi importante para a minha formação. Tive a oportunidade de experimentar diferentes linguagens — novela, cinema, teatro, dublagem — e isso me deu uma base muito sólida. Cada trabalho foi essencial para que eu chegasse a este momento com mais maturidade.

Seu trabalho em novelas e séries sempre chamou atenção. Existe algum papel que você considera um divisor de águas? Acho que alguns personagens marcaram viradas importantes. “Cobras & Lagartos” foi um deles, porque trouxe um reconhecimento muito forte logo no início. Mais recentemente, “Sob Pressão” também foi muito especial, principalmente pelo desafio e pela responsabilidade de interpretar um personagem com deficiência intelectual, o que exige um nível maior de cuidado e pesquisa. Foi muito gratificante ver o retorno do público, com pessoas dizendo que simplesmente não me reconheceram em cena.

Você também tem expandido sua atuação para o streaming e o cenário internacional. Como foi essa experiência? Foi incrível. Participar de um projeto selecionado para o Festival de Berlim foi algo muito significativo para mim. É uma oportunidade de dialogar com outras culturas, ampliar o alcance do meu trabalho e aprender com novas formas de produção. Além disso, existe uma motivação muito real: mostrar a cultura e o cinema brasileiro para o mundo. Sinto que isso é uma responsabilidade bonita, não só uma conquista.

No cinema, você chegou a ganhar um prêmio de Melhor Ator. Como esse reconhecimento impactou sua carreira? Foi muito importante, claro. Um prêmio como esse valida um trabalho feito com muita dedicação. Mais do que isso, me deu confiança para continuar buscando personagens desafiadores e histórias que realmente me mobilizem artisticamente.

Agora você chega com “Juntas e Separadas”. O que pode nos contar sobre o Inácio? O Inácio é um personagem muito humano. Ele é leal, sensível, mas também cheio de conflitos internos. Acho que muita gente vai se identificar com ele, principalmente nesse lugar de começar a enxergar os pais como pessoas, e não apenas como figuras de referência.

O conflito dele com a mãe e o melhor amigo é bastante intenso. Como foi trabalhar essa carga emocional? Foi um processo profundo. Tentei entender esse sentimento de traição sob o ponto de vista dele, que é legítimo, ainda que imaturo. Ao mesmo tempo, existe um arco de amadurecimento muito bonito, que foi um dos aspectos que mais me interessou no personagem. E nada disso teria chegado nesse lugar sem as pessoas certas ao meu lado. Natália Lage e Lucas Leto foram essenciais nessa construção, assim como a direção da Mini, que foi extremamente sensível. A preparadora de elenco Helena Varvaki também teve um papel fundamental para que a gente alcançasse esse estado emocional verdadeiro.

Fotos Anderson Marques

Assessoria First Press Comunicação