Quando tem que ser não tem escapatória. A profissão às vezes escolhe você sem que você perceba. Foi assim com o ator Betto Marque, carioca de 38 anos, que atualmente tem se destacado com seu personagem Tonho, o entregador da confeitaria de Maria da Paz (Juliana Paes), em “A Dona do Pedaço”. Do garoto que queria descobrir sua real vocação à o ator que emplacou duas novelas seguidas no horário nobre, Betto assim como seu personagem Tonho, traz uma boa vibe pra vida e para o trabalho. E isso tem ajudado na sua trilha pela vida. “A positividade é a revolução que esse mundo precisa, na minha opinião!”, comentou Betto durante a entrevista. Vamos lá conhecer um pouco mais desse cara que tem muito o que mostrar e nos inspirar.

Betto, conta pra gente como e quando descobriu que queria ser ator? Eu tinha aproximadamente 13, 14 anos quando descobri no sótão da minha avó materna o livro “A Preparação do Ator” (de Constantin Stanislávski) que pertenceu a um tio meu que fez teatro na juventude. Na época eu sofria por não saber o que fazer da vida, tinha alimentado durante muitos anos o sonho de ser um oficial da marinha, mas não tinha grana para pagar o curso. Achar o livro estimulou minha imaginação (que já era fértil devido ao hábito de ler que minha mãe desde cedo incentivou) a saga de Kóstia me fez ver como um ator podia usar a imaginação para viver experiências além do dia a dia ordinário que parecia ser a minha realidade na época. Aquilo foi o start. Mas eu esperei até entrar no Colégio Pedro Segundo, onde tinha um grupo de teatro, ali começou!

Você está no segundo trabalho com o autor Walcyr Carrasco. Como tem sido dessa “parceria” e como surgiu o convite para interpretar Tonho? É uma honra ter destaque na segunda novela das 21 com esse autor incrível que é o Walcyr. Em “O Outro Lado do Paraíso” foi uma escola, eu convivi de perto com Marieta Severo, Juliano Cazarré, uma das coisas que mais me emociona foi ter tido uma sequência no casamento da Dona Caetana (personagem de Dona Fernanda Montenegro), vê-la de perto realizar seu ofício foi um grande presente que minha carreira me deu! Depois disso fiz alguns longas (que estreiam em breve) E o Gui Gobbi (produtor de elenco da novela) me falou do Tonho. Tiveram as seleções… E aqui estou aprendendo mais ainda e me surpreendendo a cada cena!

Como é trabalhar ao lado de Maria da Paz, quer dizer, Juliana Paes? A Juliana é generosa, carismática e competente. É aprendizado todos os dias! Lembro que antes de gravarmos as primeiras cenas eu perguntei a ela: “Ju, como foi que você se preparou para sua primeira novela aqui?” Ela respondeu: “Eu trabalhava cada cena como algo muito sério e importante para contar a história desse ser humano que estou dando vida!” Eu decidi fazer isso com o Tonho. Então acredito que a positividade dele foi se espalhando! A positividade é a revolução que esse mundo precisa, na minha opinião!

Já aprendeu a fazer algum bolo? É desenrolado na cozinha? Não sei fazer doce, mas sou muito bom em preparar jantares, mesmo assim ainda tenho vontade de aprimorar isso em mim.

E essa sensitividade de Tonho, de onde surgiu a ideia? A primeira cena que eu gravei ao lado da Maria da Paz, o Tonho dizia que era espírita kardecista, eu fui pesquisar sobre a doutrina. Então começaram a vir indícios cada vez mais claros no roteiro que o personagem possuía o que os espíritas chamam de Mediunidade de Vidência, que são sensitivos com capacidade de ver além das aparências. Julguei que seria bom aumentar a frequência das meditações diárias (antes eu fazia somente uma pela manhã, agora eu medito no mínimo 2 vezes por dia sendo uma sempre antes das gravações).

Eu estou muito surpreso e feliz, pois o Tonho, com os conselhos certeiros que dá para Maria da Paz, parece adquirir uma função dramatúrgica de Mentor do Herói (se fomos falar tendo como referência Jornada do Herói – estudo de Joseph Campell, mitologista que influencia bastante a indústria cultural Norte Americana). Isso me coloca numa posição importante (e também de grande responsabilidade) na trama das 21!

Você parece ser um cara de bem com a vida. É isso mesmo? O que te dá tranquilidade e o que te tira a paz? É isso mesmo, acho que sou de bem com a vida, sim… mas acredito também que estar de bem com a vida é uma decisão que você tem que tomar diariamente. O que me dá paz é meditar para lembrar que sou filho de Deus criador e sustentador do universo, a energia inteligente que sustenta galáxias inteiras! Medito para lembrar que tenho direito às bênçãos que todo filho de Deus tem. O que me tira a paz é ficar desempregado.

Onde recarrega as energias? É chegado à praia como bom morador do Rio? Eu recarrego as energias quando faço uma trilha… Quando estou com a família e com amigos sinceros… Sim, eu adoro correr na Praia e meditar em seguida! Isso também me recarrega muito!

Como cuida do corpo? É muito vaidoso? Minha vaidade está diretamente ligada a ter um corpo pronto para as demandas do meu ofício de ator. Eu cuido do corpo com corridas na areia e treinos funcionais.

Com a visibilidade da novela vem o assédio na rua. Como tem sido isso? Olha eu tenho sido surpreendido muito nos transportes públicos. As pessoas falam os jargões do Tonho: “Tô sentindo as vibrações!”; ou então: “Entrega um bolo de limão para mim?”. Eu gosto muito de sentir o carinho do público e sempre tento aproveitar a oportunidade para passar uma mensagem de fé e coragem.

O que os homens precisam aprender com as mulheres? Precisam aprender a conjugar o verbo cuidado. Eu acredito que o Tonho, do jeito dele, aponta uma direção para a construção de uma nova masculinidade, que pode ser mais sensível, intuitiva e cuidadosa com o próximo sem deixar de ser homem. Eu mesmo fui educado para ser competitivo e agressivo… Com o Tonho aprendo que homem também pode ser sensível, amável.

Onde elas te encantam? Eu gosto do cheiro, gosto do tempo feminino, gosto da capacidade que a mulher tem de compreender e cuidar do outro.

O que mais deseja como ator? E como homem? Como ator eu desejo me conectar com o público afim de apresentar para ele uma nova possibilidade de perceber o mundo, através dos meus personagens, mostrando que quanto mais diversa é a experiência individual humana, mais preciosa ela se torna. Como homem eu desejo ser um exemplo de bom cidadão, bom filho, bom irmão, bom companheiro, bom profissional, etc. Quero honrar as pessoas que gostam de mim com palavras e ações conectadas com ideais de positividade e progresso.

Qual seu pecado preferido? Sexo com amor.

O que é uma boa vibe para você? É compartilhar com as pessoas que são importante para mim, momentos felizes. Vibe boa é estar em família no dia do meu aniversário… Vibe boa é abraçar quem eu amo!