Claudia Melo é sem dúvida uma guerreira e adora um novo desafio. Para você ter ideia, já foi apresentadora, jornalista, é atriz e tem exercido a função de co-produtora para o cinema. Quer mais? Em breve vem séries, filmes e projetos que a tiraram da zona de conforto. A trajetória de Claudia até aqui é um pouco o que ele é e suas escolhas, que não foram poucas. Anote esse nome e guarde esse belo rosto, ela ainda vai aparecer muito nas telinhas e telonas.

Claudia como e quando você começou sua carreira artística? Eu nasci artista (risos). Iniciei minha carreira na dança, a paixão foi tanta que aos 11 anos eu e minha prima montamos um grupo cover das Paquitas, produzíamos nossas próprias roupas e os shows. O que começou como brincadeira, fez sucesso e começamos a ser contratadas para pequenos eventos em nossa cidade. Logo na adolescência, iniciei os estudos na oficina da Globo e tive como professora Cininha de Paula que me ensinou muito, mas como estudante de jornalismo acabei me tornando Apresentadora de TV por alguns anos. Dando pausa na dramaturgia.

Em um de seus próximos projeto você vive a policial Vanessa no longa “Rocinha – Toda História Tem Dois Lados”. Conte um pouco sobre sua personagem e como e quando vai ser o lançamento do filme? O filme está sendo diferente de tudo que já vivi na dramaturgia – Vanessa é forte, empoderada não tem tempo para romance. Ela luta por justiça. Quer acabar com todos os tipos de preconceitos. Por ser um agente policial mulher já sofreu com muitas piadinhas de mau gosto no universo masculino, mas não escuta de boca calada não (risos) – de sexo frágil, ela não tem nada. Queremos ver todo Brasil imunizado contra o Covid-19 para estrearmos com segurança e lotarmos os cinemas do nosso País com a história da maior comunidade de morro da América Latina de forma nunca contada, vai ser emocionante.

Além de atriz você também é Co-produtora do filme, fale mais sobre o projeto. Quais são os maiores desafios em filmar em meio a uma pandemia? Esse filme nasceu no coração da Rocinha, quando a roteirista e diretora Rayssa de Castro escreveu para dar oportunidades para as crianças da comunidade. Quando fiz o teste, me emocionei e abracei a causa, me tornando co-produtora. O projeto trouxe oportunidades para profissionais, empregos, cultura… Com cultura, fé e muito trabalho, mudamos vidas, literalmente. Dos envolvidos no projeto, 80% dos profissionais são da comunidade. Tem sido difícil fazer acontecer principalmente em meio à uma pandemia. Nos reinventamos, diminuímos os núcleos, fizemos testes de Covid. Cenas, somente em lugares abertos, máscaras… Seguindo os protocolos de segurança e higiene da Organização Mundial de Saúde (OMS), do Ministério da Saúde e do Governo do Rio de Janeiro. Tudo isso encareceu o projeto – somos um filme independente e contamos com o apoio da BS Produções, patrocinadores e muitas vezes, tiramos do nosso próprio bolso mas, não esmorecemos – pelo contrário, seguimos em frente para realizar o sonho de todos os profissionais envolvidos. O Mundo precisa ouvir as vozes das crianças das comunidades, todas elas precisam de oportunidades. É minha primeira co-produção e ter essa responsabilidade de transmitir uma realidade às vezes esquecida por muitos, me faz sentir privilegiada em poder ajudar, de alguma forma, o nosso povo. E estou tendo o prazer de ver meu filho (Edward Melo, 7 anos) atuando pela primeira vez!  E o melhor – junto dessas crianças tão talentosas e maravilhosas da Rocinha.

Você também está gravando a série “Minha Onda”, da Amazon Prime, conte como está sendo conciliar esses dois trabalhos? Foi pauleira, mas tirei de letra – quando se ama o que faz, criamos energia extra (risos). A minha personagem é a Bernadete, uma empresária, dona de loja de grife famosa, divertida que acredita não ter sorte no amor. Em breve teremos lançamento da série na Amazon Prime e vocês vão poder saber mais sobre ela (risos).

Você está estudando para ser a protagonista da série “Sobrevivendo ao Inferno” para uma plataforma streaming, que ainda não pode ser revelada. Mas, Já pode adiantar detalhes sobre sua atuação? Eu dou vida a Luana, uma jovem que perdeu a mãe ainda criança, no parto da irmã, e assume a responsabilidade de cuidar dela como sua própria filha. Luana é recém formada em Direito, cheia de planos, tem como objetivo se tornar Juíza, e por uma rasteira do destino, vê sua vida mudar em um piscar de olhos. Ela vai se tornar um tornado para sobreviver no inferno em que ela nunca imaginou habitar. Vocês vão ver muitas cenas de ação, drama e suspense. Vou parar por aqui porque já dei muito spoiler. Se preparem porque vem muitas temporadas boas, vocês não vão conseguir parar de assistir.

Você expressa a imagem de uma mulher guerreira, determinada que sabe onde quer chegar, de onde vem essa força? Essa força vem de meu sangue nordestino que corre nas minhas veias, venho de uma família que foi destruída ao ver o patriarca morrer jovem, vítima de um assalto e ao mesmo tempo, ver também uma mulher guerreira que lutava para sobreviver e cuidar de duas filhas, sem ninguém por perto para ajudar!  Essa mulher foi minha mãe que veio do Ceará para viver na cidade grande, no Rio de Janeiro, ao lado do meu pai que faleceu e deixou eu e minha irmã ainda crianças. Aprendi que teria que lutar por meus sonhos. Comecei a trabalhar muito jovem e nunca parei. Falar sobre isso, é uma viagem no tempo que, realmente me emociona. Havia pessoas que falavam para eu parar de sonhar com coisas grandes, que elas não eram para mim. Riam de meus sonhos de criança e mesmo muito jovem, eu li algo que mudou a minha vida – “Para Deus nada é impossível”, Lucas 1:37. Eu não desisti e tudo que naquela época eu sonhei, eu conquistei e tem novos sonhos que eu ainda conquistarei porque nada é impossível para aquele que crê!

Você também é jornalista e apresentou os programas Circuito Carioca e o MKC Combate por muitos anos, qual o balanço que você faz dos tempos de comunicadora? A comunicação está em tudo, como dizia o saudoso Chacrinha – quem não se comunica se trumbica. (risos) No Circuito Carioca tive o prazer de gravar, por muitos anos, o Carnaval de Salvador que é uma experiência única. Ver a cultura de nosso povo tão de pertinho, poder entrevistar os pioneiros do Axé e de cantores, me ajudou a perder a timidez de estar na frente das câmeras! Me ensinou a não pensar muito mas ir e fazer porque não temos muito tempo com os artistas…É tudo muito corrido. Então, temos que ser dinâmicos e objetivos. É quase um programa ao vivo e dá frio na barriga (risos). No MKC Combate falávamos de esportes, principalmente de MMA – foi muito gostoso poder conhecer de perto esse esporte, no qual termos tantos atletas de sucesso.

Você fez participações em novelas da Globo como Órfãos da Terra e a Dona do Pedaço. Você acredita que suas passagens pela TV abriram as portas no cinema para você? Claro! Contracenar com grandes nomes da TV brasileira, ser dirigida por diretores renomados, participar de roteiros bem escritos, são escolas que não têm preço. Tenho minha eterna gratidão. Aprendi e aprendo relembrando esses momentos.

Seguindo o novo modelo das artes cênicas, onde o próprio artista precisa elaborarr seus produtos e se engajar em novos projetos para o streaming, como você vê o futuro das artes no Brasil? Vejo crescer, se expandir e dar oportunidades para novos talentos, sem os vícios de usarem os mesmos atores de sempre. É necessário renovar! O Brasil é uma máquina de talentos que só precisam de oportunidades. Então, vamos criá-las e mostrá-las para o Mundo! Tem espaço para todos no mercado das artes cênicas! Temos como exemplo, inúmeros atores de Hollywood que iniciaram a carreira se auto-produzindo e hoje são renomados e premiados. Não podemos deixar o mercado nos limitar, somos nós que damos limites para o mercado. O poder está em nossas mãos. Mãos à obra, então!

O que é preciso para conquistar Claudia Melo? Honestidade, caráter e amizade

O que gosta de fazer quando está longe das câmeras? Manter minha conexão com Deus, minha família, a natureza e buscar aprendizados.

Qual a viagem dos sonhos? Fazer uma viagem pela Costa Amalfitana e conhecer Israel. São as viagens de meus sonhos, que quando eu der uma pausa nos trabalhos, vou realizar. Mas, por enquanto, pode esperar sem problemas. Estou com sede de projetos (risos).

Com quem você sonha contracenar um dia? São tantos, mas Alice Braga e Rodrigo Santoro, eu queria pra ontem, pode ser? (risos) A experiência internacional que eles estão trazendo é uma inspiração para todos nós.

Deixe uma Mensagem para os leitores da MENSCH… Viva, ame, acredite, sonhe… mas sonhe acordado, fazendo os sonhos se tornarem realidades e sem esquecer que as pessoas a nossa volta são nossos anexos, que de alguma forma, todos nós estamos conectados! É necessário respeitar para ser respeitado, amar, para ser amado. Nessa pandemia vimos o quanto somos vulneráveis e o quanto é ruim não poder abraçar quem amamos. Valorizar as pequenas coisas da vida, porque no final, são elas que fazem toda a diferença. Vamos manter nossa conexão através do meu Instagram @claudiameloficial Lá, vocês vão poder acompanhar mais do meu trabalho, saber de minhas rotinas e as datas das estréias desses projetos que estamos realizando com tanto carinho para vocês! Saúde, amor e paz para todos nós! Obrigada, Revista MENSCH pelo carinho.

Fotos / Styling / Produção @beauty_aramisefreitas

Colaboração Marcia Dornelles Comunicacao

@marciadornellescomunicacao

Locação – Hotel Fairmont

Claudia veste: Terno Zara, macacão e vestido Boss, maiô Rygy, saída Blessed, bota Prada.