Conversar com Paulinho Vilhena é falar de arte, coletivo, Noronha, surf, amizade céu e mar. Da estreia na TV com Sandy & Júnior, até passar por Salvador, Cristiano e tantos outros. Do processo criativo para a dramaturgia até seu coletivo no Velotrollers. Não tem como não fugir de certos adjetivos como um cara irreverente, anarquista, genial e altamente conectado com a arte, o novo. Esse é o Paulinho que vocês vão encontrar aqui nesse papo que terminou ficando longo, mas muito gostoso de ler.

Paulinho, antes de tudo é um prazer ter você finalmente na MENSCH. Vamos organizar as ideias aqui porque é muito assunto para falarmos. Mas vamos pro início… Como se descobriu artista? Até porque, hoje, você não é só ator. O prazer é todo meu. Antes de tudo obrigado pelo espaço, por estarmos fazendo arte através da comunicação. Eu sempre acredito que quando a gente se envolve de alma, coração e propósito, é arte. É um DNA familiar – meu avô e minha avó foram cantores de rádio e esse dom, esse talento, vem acompanhando todas as gerações, por que meus pais também tocavam, participavam de festivais, meu tio, minha irmã, a família toda ali, né?! E eu muito novo acompanhando esse processo. Na verdade, novo mesmo! Minha mãe conta que, em momentos deles participando de festivais, me deixavam na primeira fila da plateia com alguém, e eles subiam pro palco pra fazer a apresentação. Então, eu acho que vem do DNA mesmo e dessa inquietude, dessa vontade de falar de coisas que não sejam só a realidade, né?! De viver o mundo da ficção, do lúdico. Manter essa chama da nossa criança acesa sempre, que é uma forma de nos mantermos vivos da melhor maneira. E, realmente, o ator foi um desdobramento que aconteceu lá traz, sem saber o que poderia acontecer porque eu estava no colégio, estudando.

Prestei faculdade para Odontologia. Fui fazer a matrícula, mas achei o valor totalmente injusto porque era um valor muito alto e eu nem sabia se eu queria aquilo como profissão, a odontologia em si. E eu sabia que minha família não tinha condições de segurar essa onda, então eu não fiz a matrícula. Minha mãe deu uma endoidada, depois me entendeu e foi me apoiando em cada passo – o primeiro foi modelar. Meu irmão me usou como cobaia em um ensaio fotográfico.  Quando meu pai se aposentou, ficou sócio de um laboratório de fotos em 1 hora, e meu irmão começou a trabalhar com ele, a fotografar. Eu fui o modelo cobaia dele. E quando esse material ficou pronto, minha mãe viu e mostrou pra uma amiga que falou que ela devia levar a uma agência de modelos. Foi o que eu fiz, levei. Morava em São Paulo, em Santos. Então, passei um dia inteiro visitando agências e só portada na cara. Foi muito boa essa experiência, porque foram os primeiros “nãos” que eu recebi na tentativa profissional, ou me tornar profissional em alguma coisa, até que uma das agências me abriu as portas e eu comecei a modelar. Foram três anos modelando. Comecei a fazer muita publicidade, muita televisão pra marcas grandes. E a própria agência começou a me mandar para castings onde tinha a interpretação. Aí veio “Sandy & Júnior”, uma surpresa doida que a vida me deu. Doida e linda.

E como a arte te toca? Em que ela mexe com você? A arte tem esse poder de emocionar, de fazer pensar, refletir a sociedade, trazer bons sentimentos, trazer maus sentimentos… Porque é isso, a arte não é só pra te alegrar, é pra você pensar sobre sua vida. E eu fui aprendendo com isso ao longo dos anos. Porque o ofício traz a responsabilidade. Então, eu tinha que entender que, além do que eu estava trabalhando, eu também tinha que deixar aflorar algo em mim e criar um entendimento. Por isso viagens, conhecimentos, leituras, busca de referências artísticas que me inspiram, servem também pra criar em mim minha maneira de fazer arte.

Não por acaso você está no ar agora com a reprise de Império onde você interpreta Salvador, um artista louco (ou um louco artista). Como foi pintar através de um personagem? Como foi criar o Salvador? Eu também não acredito no acaso, não (risos). Acredito em conexões divinas, astrológicas e tudo o mais que diz respeito ao intangível da vida. Tem essa questão do louco. Todo mundo chamava ele de maluquinho, mas foi um dos pontos mais importantes dentro da criação do Salvador. O que foi, realmente, olhar para essa doença – a esquizofrenia, de forma séria a ponto de me jogar profundamente nesse universo. Isso porque eu sabia que também é uma discussão de saúde pública, né?! Uma novela das nove ela leva essa informação para muitas pessoas, para muitas famílias. E, ao longo da novela, eu fui percebendo que, realmente, foi sobre esse ponto que eu tomei o maior cuidado para ser mais respeitoso e verdadeiro com a patologia. Foi o que me aproximou mais do público em geral, mas principalmente das famílias que, de alguma maneira, passavam, naquele momento, por histórias semelhantes, por essa doença que tem vários níveis. Fui estudando cada um desses níveis e eu fui estudando para chegar o mais próximo da realidade. E o Agnaldo Silva me deu essa liberdade. Falei com ele em um encontro que tivemos sobre a profundidade que essa doença tem – do mais baixo ao mais elevado. Então, perguntei a ele a que nível ele queria que eu chegasse. E ele falou que eu podia chegar ao nível a que eu me sentisse mais interessado e fosse adequado para contar essa história.

Passei dias em hospitais psiquiátricos no Rio de Janeiro, para me aproximar dessa realidade que é uma realidade muito difícil e triste porque você ver seres humanos ali abandonados, muitas famílias não conseguem entender e acabam se distanciando, se livrando dessa responsabilidade. Mas ao mesmo tempo, são pessoas de uma pureza, de uma grandiosidade intelectual e artística muito grande. Então, esse foi o primeiro passo para montar a personalidade do Salvador –  entender a patologia e respeitá-la como uma questão de saúde pública, mesmo. E pintar através do personagem foi incrível, porque me deu uma outra profundidade nas artes plásticas do que eu tinha como público destas. Fui a muitas exposições, viajei, mas nunca tinha tido uma oportunidade profissional. Já tinha experimentado a brincadeira de pintar, de jogar tinta no papel, mas, através de Salvador, eu tive um aprofundamento, né?! Eu tinha um ghostpainter que é a Ana Durães, que é uma grande artista plástica carioca. E foi muito bom me expressar, através do personagem, através da arte que ele criava. Criar o Salvador foi um prazer, um deleite, um tesão. Cada dia que eu saia pra gravar, eu colocava na aminha cabeça que eu estava saindo pra fazer uma obra prima mesmo. Junto com editores, diretores…Foi contar com uma grande equipe, para que aquele trabalho tenha tido aquele impacto. E teve, né?!Vejo hoje com olhos tão contentes por ver que todo aquele esforço e dedicação que hoje esse trabalho chega no público de uma forma ainda maior, talvez.

Recentemente você divulgou seu fim de contrato com a Globo, onde passou 23 anos. Olhando para trás, que personagens mais marcaram você e sua carreira? Aqueles que foram divisores de águas. É muito louco, né?! Porque são vários, e todos fizeram parte de etapas muito importantes da vida. Primeiro, lógico, o Gustavo de Sandy & Júnior. Depois, teve o Fábio de Coração de Estudante, que também foi muito legal. Queria muito fazer uma novela. Foram três anos fazendo Sandy & Júnior, e eu corri atrás desse personagem, fui bater na porta da diretoria artística no Rio de Janeiro. Saí de Campinas num buzão, numa madrugada pra chegar no Rio e brigar por esse personagem, porque eu achava que estava preparado para fazer uma novela. Queria muito fazer essa novela, queria muito ir pro Rio, até para ficar mais perto da praia também (risos). Pra ir em frente na minha trajetória nas artes cênicas, e foi o que aconteceu. Teve o Cristiano de Morde & Assopra, um gaguinho divertido que era uma delícia de fazer, são tantos… O Baroni de A Teia, que é uma personagem também com uma patologia psíquica muito forte, inspirado em fatos… O Domingos Salvador… Na televisão… são esses que vieram de primeiro, na minha cabeça. A trajetória no teatro para mim é toda importante, porque veio por conta de uma conversa de Paulo Autran num programa de entrevista que fizemos juntos, em que eu tive a honra de estar com Paulo Autran. Eu tinha acabado de chegar de Bali e estava com a mente muito fora da realidade. E ele foi muito cuidadoso, e me mandou fazer teatro. E foi assim que eu fiz, eu já vinha produzindo teatro. Sempre tive essa inquietude. E as palavras dele me mostraram que o caminho do teatro era um caminho de escolhas, o que você quer falar, para quem você quer falar, qual sua parceria com a direção, com autor… isso tudo, essa conversa foi muito valiosa. Então, eu fiz uma peça que foi Essa nossa Juventude, e o Paulo Autran foi assistir essa peça e ficou encantado. E depois, ele sofreu uma sabatina da Folha que tinha, naquela época, não sei se ainda tem, e falou que realmente a gente não pode dizer o tamanho do talento de alguém e citou nossa história, e me deu, vamos dizer assim, esse sermão, e na sequência, ele foi assistir uma peça minha e enalteceu muito minha interpretação. A peça como um todo, mas especialmente a minha interpretação. Então, esse com certeza foi um divisor de águas. No cinema, Magnata foi um, entre outros filmes incríveis que participei – Entre Nós, Como Nossos Pais… Todos os filmes da Laís Bodanzky, a Laís é um divisor de águas na minha vida!

Trabalhar por obra e não mais com contrato dá mais liberdade. Porém, um friozinho na barriga? Como tem encarado isso? Ah, com certeza, né? Você sair da tua zona de conforto causa um friozinho na barriga, causa uma estranheza. Mas a liberdade que se tem depois que passa esse frio na barriga, vem o outro que é o da liberdade, né? Que é você pegar uma pista totalmente livre pra você voar e construir novos caminhos, novas oportunidades, novos projetos. Essa liberdade realmente é incrível, é um êxtase. E eu tenho encarado desta forma, como um recomeço, um novo ciclo. Fecha-se um ciclo, começa outro e essa é a maravilha da vida, né?! A gente se desafiar, ir em frente, acreditar no potencial, na trajetória e fazer uso desses conhecimentos, de tudo que eu nesses 23 anos vivi pra construir um novo momento, uma nova realidade, um presente.

Na TV você já fez de tudo um pouco, do louco ao gago, do assassino ao surfista. O que te move a cada novo personagem? Quando se sente desafiado? Eu acho que é tornar o personagem mais humano, independentemente  dele ser o mais normal, ou mais louco, ou com problemas físicos ou mentais. Eu acho que meu desafio é tornar os personagens humanos. Quando você vê aquela figura, aquele personagem, você se conecta porque é humano – você se reconhece naquele personagem, tem traços seus naquele personagem. Então, pra mim, esse é o maior desafio. Fazer com que os personagens se tornem humanos, e não caricaturas.

Algum tabu? Algo que não faria por um personagem? Não. Acho que dentro do propósito do roteiro, do estudo, do que realmente aquela história tem a dizer… quando eu dou o ok pra qualquer trabalho, é porque eu confio naquela história, naquele potencial de afeto. Eu sei que, como um todo, vai chegar, e meu papel, meu personagem é uma engrenagem da história toda. Então, quando eu dou um ok pra um projeto, é porque eu estou disposto a cair pra dentro de contar a história da melhor maneira com toda a dedicação e empenho. Pra mim o ponto é, qual história vai ser contada. E qual o potencial que ela tem junto com minha contribuição de afetar, de chegar ao público de uma forma contundente mesmo. De fazê-los pensar, se emocionar. Então, estas são as minha premissas. E não o tabu. “Ah você daria um beijo gay, você ficaria nu…” Isso pra mim não é tabu. Isso pra mim é falar sobre a nossa sociedade, é contemporaneidade da arte, a realidade. Então, isso nem passa pela minha cabeça. Contando que a história seja linda, e que minha contribuição seja necessária para conta-la.

Falando nisso, em Segredos do Pênis, peça de 2003, você ficava nu em cena. Algum constrangimento? Era, de certa forma, um tabu? Obviamente, naquele época tinha menos experiência. Tivemos essa conversa. O próprio Evandro Mesquita que é meu mestre, meu ídolo, questionou isso. É não é, não é. É sobre a história. Meu corpo e minha alma estariam a serviço do personagem. Então, não entro nesse ponto do tabu assim. Não tem constrangimento.

Fernanda Rodrigues, Raoni Carneiro, Fernanda Paes Leme… São alguns de seus “cúmplices” de vida, digamos assim. Como é a relação entre vocês e que valor tem a amizade para você? Cara, fico até emocionado de tocar no tema. Amizade pra mim é uma das coisas mais, se não a mais valiosa, que se tem na vida. Isso entre familiares também, né?! Porque tem muito familiar que tem o sangue do outro, mas não tem um pingo de amizade pelo outro. Então eu acho que amizade, o que essa nomenclatura abrange, é a coisa mais valiosa que o ser humano pode ter. É muita coisa. E eu sou amigo mesmo saca?! Tenho muita lealdade, muito valor pelas amizades que eu fiz. Eu dou muito valor. E cobro também (risos), no mesmo sentido assim. Porque não existe essa de “ah amizade não se cobra!”, pra mim se cobra sim! (risos) Eu falo “irmão tava melando… Não faz isso…” Saca? Isso também para amizades que a gente tá validando. Mas para as amizades que são eternamente as nossas, assim, de fato, realmente não se cobra. Mas é porque eu me dou muito. Então, pra quem eu vejo uma possibilidade de amizade eu me dou muito. Teve um momento dessa vida, que essa pandemia serviu demais pra validar uma amizade. E caiu uma galera! Mas que também está tudo certo! Nem por isso vou deixar de respeitar, de ter carinho. Mas eu não vou contar como AMIGO(A), entende? É nesse lugar que eu vejo uma amizade. Tipo deu uma dor de barriga, eu vou chegar onde for. Seja no Iraque no meio de uma guerra, ou enfim, na praia mais bonita, eu vou levar lá um pouquinho de água gelada com vinagre, pra segurar a onda e segurar a mão do amigo(a). Então, amizade, pra mim, é isso. É assim com o Rao e as Fês, eles são parte fundamental da minha vida.

E como é Paulinho em família? Sempre teve apoio em casa e que lições aprendeu em casa e levou pra vida? Eu sou o que eu sou, na vida também. Eu respeito muito meu ambiente familiar, amo infinitamente meus entes, todos. Os com quem eu tenho problema, eu vou lá e resolvo pra não ter que ficar levando isso pra frente, e fazendo disso uma energia que não merece fazer parte de nossa família entende?! Energia ruim não merece estar entre nós. Então, resolve logo. E as lições, são os valores, respeito, a amizade. Meus pais sempre foram pessoas muito livres, nos criaram de uma forma muito livre. E é sobre isso, a vida é liberdade. Quando teus valores e teu alicerce está bem fundamentado nos pontos importantes da vida, no respeito, no afeto, nos valores fundamentais, no amor ao próximo… Enfim, você ser livre é uma benção porque você só propaga isso. Leva isso para onde você for

Desde quando vimos você pela primeira vez até hoje sua imagem no mar surfando, é algo sempre presente. O que o surf representa para você? Como o esporte te preenche? O surf, quer dizer, o mar, o oceano são meu templo. E o surf é minha terapia onde eu me reconecto comigo mesmo, reflito sobre tudo, reenergizo. E quando eu estou no mar, na beira da praia, é meu templo, onde faço todas as minhas orações, me conecto com o divino, que pra mim é a natureza, é a abundância desse marzão que nos cerca pelo planeta inteiro. É o vento, a restinga… É a divindade, né?! A natureza é a face de Deus. Mas enfim, é um papo para outra história…(risos). O surf representa isso pra mim, representa meu oásis onde vou para me embriagar de êxtase, de prazer e boas vibrações.

Do surf vamos até Fernando de Noronha onde você é quase um local de tão íntimo da Ilha. Quando foi a primeira vez que você pisou lá e o que te conquistou pra sempre? Eita, que eu fico emocionado só de ler o nome…(risos) Eu fui pela primeira vez com minha mãe. A gente fez uma viagem, eu e ela juntos, porque meu amigo Eri Johnson botou tanta na cabeça, “caralho você não para de viajar, vai pra Bali, vai para Maldivas, vai pra tudo que é lugar e não foi pra Noronha ainda?!”. Enfim, eu fui depois de um término de trabalho, que era uma novela chamada Três Irmãs, que eu fazia um surfista e levei minha mãe. E o que me cativou, conquistou, tomou meu coração lá, foi a simplicidade de como se vive lá. É o que eu sou. É a minha essência, meu espelho. Eu me vi ali, observando os locais da ilha, como a ilha funciona. Pegar tua prancha e tua bermuda e ir ali, pegar um surf, parar ali, comer sem camisa, descaso. Pra mim, isso foi o que mais me conquistou. Porque é como eu vivo, gosto de viver – na simplicidade. E tenho grandes amigos, grandes pessoas que fazem parte de minha construção como ser humano, da minha evolução lá. Então, Noronha tem esse lugar especial no meu coração, e principalmente, na minha evolução.

Divertido, irreverente, anarquista e genial. Quem é Paulinho Vilhena nisso tudo? Cara, se puser uma panela de barro e colocar uma pitada desses ingredientes todos, jogar uma cachaça, um coentro, fé, amor (ao próximo e a mim mesmo), valores… Eu sou um pouquinho de tudo isso ai, cara. Eu tento ser o mais leve possível, mesmo sendo muito sério em algumas situações – em compromisso, principalmente, a irreverência é uma maneira leve de lidar com a vida. E verdadeira. Não fico fazendo ensaio de número em casa, que, às vezes, até custa alto assim para as pessoas que, talvez, não entendam alguma brincadeira, alguma palavra. É o que eu sou é o que eu hoje admito ser. Não fico mais ponderando. Anarquista é um bom adjetivo pra colocar na discursão sócio-política para as pessoas pesquisem o termo e entendam o que é. Genial, é um pouco até vaidosamente instigante, mas acho que a genialidade é algo que foge aos padrões, é você construir diferente, criar algo diferente, viver de forma diferente. Diferente dos padrões que ditam pra gente.

Você se considera um cara vaidoso? Falando nisso, como foi enfrentar o processo de calvície, implante e de volta à cabeleira? Me considero vaidoso sim, não por isso fiz esses tratamentos todos (risos), pra eu conquistar meus cachos que hoje tenho graças a Dr. Ruston, um profissional de excelência, de quem eu faço questão de falar. E não é jabá! Apesar da gente ter feito todo o processo na parceria, eu só o fiz porque hoje as pessoas de quem eu falo, represento através da minha voz, minha chancela… são pessoas que eu tenho certeza da excelência, seja no âmbito pessoal ou profissional. Então, por isso. Eu sempre falo e vou falar a vida inteira sobre ele/ela. Foi foda, difícil pra cacete. Começou cedo. Com 24 anos eu fiz a minha primeira cirurgia, com 29 a segunda, no método antigo. Hoje, falo com mais leveza, porque o processo se encontra em estágio resolvido. Mas foi muito difícil, autoestima baixa, insegurança profissional, pessoal… porque, o cabelo para construção de um personagem é muito importante. Ao mesmo tempo, aos 29 anos eu não queria me ver careca – nessa parte, pessoal. Foi muito difícil. Por isso que eu enalteço tanto o trabalho de Dr. Ruston e da equipe dele toda porque é um cara que passou por isso, e por isso se transformou no profissional de transplante capilar que é hoje. Que passou pela mesma dor que eu sofri e falou que ia resolver isso. Então, ele tem uma empatia muito grande pelos casos mais difíceis. Eu sou muito feliz com minha cabeleira, muito mesmo. (risos)

Indo para o Paulinho músico, cantor… como andam os projetos com o coletivo Velotrollers? Não sou músico (risos). Cantor… eu represento esse personagem (risos) no coletivo, mas também tenho a função de produtor executivo, de autor, sou autor de todas as músicas junto com meus parceiros. Então, nessa nova versão artística, eu me colocaria muito mais como compositor, um produtor executivo e um intérprete em construção (risos). Cara, esse coletivo pra mim é onde eu linko, aquele começo de nosso papo que é da onde veio a questão artística, quando cito meus avós, meus pais – o que eu sempre acompanhei, a música. Mas de tanto eu acompanhar eu me afastei do quesito artístico – o meu caminho foi se tornando a dramaturgia e eu fui cada vez mais me empenhando nesse campo, o da arte. Mas como somos multifacetados e temos a inquietude, temos a anarquia, a inquietude, a genialidade e a irreverência… (risos). Nada mais fiz, quer dizer, nada mais não, deu um trabalho do caralho! Foi uma dedicação, e é, vai ser sempre, não gosto de fazer nada mais ou menos, pra fazer, se construir esse coletivo, nasce de uma canção da minha mãe e eu numa viagem pra Califórnia, em um motohome, que era o sonho do meu pai ter um, mas ele faleceu sem o ter. E eu levei minha mãe pra Califórnia, aluguei um motorhome pra fazer essa viagem. E quando a gente começou a viagem deu um arrepio do dedo do pé até a cabeça, com certeza – era a presença do meu pai ali, reverenciando aquele momento. E minha mãe disse “vamos escrever uma letra”, e é a primeira letra de Velotrollers, que depois brilhantemente musicada por Aramis Burato, que é meu parceiro junto com Naná Risini, dentro do trio do coletivo de frente do palco – mas que tem por trás, outros grandes artistas. Essa música se chama Expectativa, mas não foi lançada ainda. Ela será nosso segundo single, e foi nosso início. Foi onde começou o Velotrollers, escrita por dona Lena Vilhena e eu, e musicada por Aramis, Naná… enfim, é uma viagem! É a viagem, doido!! (risos)

Falando nisso, o single Baião Resenha foi lançado. Como foi o processo de criação? A gente já estava, como contei anteriormente, entre o nosso coletivo e um dia, num ensaio nosso, numa reunião, a Michelle Cordeiro que é uma guitarrista por excelência, uma artista de mão cheia, falou que estava com uma letra, uma que tinha começado a escrever, que era tipo uma estrofe. Isso foi durante uma “aliviada” da pandemia ano passado, a ali começamos a criar, escrever, saiu daquela roda de… irreverentes, anarquistas, geniais (risos)… Uma onda que foi o Baião Resenha, que é realmente nosso coletivo criativo, todo mundo falando, criando, pensando. E o momento ajudou muito a gente, todo mundo trancado – um tempo, em casa. Então foi um grito de liberdade, aos bons ventos que cheguem. Saca? É deixar vir, deixar passar e tocar em frente.

Paulinho, pra encerrar… e na hora de relaxar o que você curte? Onde recarrega as baterias? Em qualquer água salgada e um tanto de areia eu já me conecto com o Divino. Mas se puder ser em Fernando de Noronha, melhor ainda (risos). O mar, a praia são meu porto seguro, meu lugar de recarga de baterias. E eu agradeço mais uma vez o espaço, a oportunidade de fazer esse relato tão sincero, tanto através das fotos que a gente pensou nisso e conseguiu levar com Márcio, e essa visão. E dessa entrevista, que é longa mas que está aí minha verdade absoluta, a minha essência. Um beijo e obrigado mais uma vez!

Fotos @marciofariasfoto

Assist. de fotografia @jnunessena

Styling @paulozelenka

Beleza @thaismartinsmakeup

Assist. de produção @indyara__noronha