Humor, drama…sucesso! A trajetória de Rodrigo Pandolfo sempre fluiu muito dentro do humor, fazendo o próprio ator se questionar se não precisava se aprofundar mais no drama para “provar” que era um ator para todos os gêneros. Mas Pandolfo sabe que seu universo fica mais colorido com as cores que o humor traz. Como ator em filmes de sucesso, como “Minha Mãe é uma Peça 3” ou como diretor da peça “Alaska”, ele é só sorrisos. Uma vocação que cresceu junto com ele e hoje em dia o torna pleno como artista.

E aí, como anda a vida do filho mais querido de Dona Ermínia depois desse recorde de público? Olha, a vida tem sido bastante generosa comigo rs. Ou talvez eu que esteja aprendendo a encarar tudo com mais cautela, sensibilidade, aceitação e maturidade. Estou feliz, animado para 2020 e recebendo muito carinho de quem assistiu “Minha mãe é uma peça 3”.

Esperava esse sucesso todo com o terceiro filme? A que se deve isso? Após o sucesso dos dois primeiros filmes existe, claro, aquela expectativa, mas não imaginei que o terceiro fosse bater esse recorde tão rapidamente. É uma grande alegria pra gente e pro nosso cinema. Acredito que todo esse sucesso é resultado do feliz encontro de uma equipe muito competente e talentosa, dentro de uma obra que apresenta questões bastante profundas com muita leveza e naturalidade.

O humor realmente é onde você se sente mais em casa? Passei um tempo negociando isso comigo mesmo e buscando trabalhos mais densos, pois quem faz humor ainda sofre alguns julgamentos equivocados pela crítica e pela própria classe artística. Mas a vida me mostrou que o importante mesmo é trabalhar feliz e se comunicar bem com o público, independente do gênero. Adoro fazer drama, tragédia, suspense, mas confesso que me sinto bastante em casa (e muito feliz) fazendo humor.

Você parece ser um cara leve, de bem com a vida… É isso mesmo? É isso mesmo, até a segunda página (risos). Procuro sim levar a vida numa boa e busco desenfreadamente o autoconhecimento…mas de vez em quando a coisa aperta, né? Uma hora a chave vira e a gente perde as estribeiras. Estamos neste mundo doido e muita coisa foge do nosso controle. Procuro tolerar bastante as adversidades, mas as vezes o bicho pega e eu dou umas ferroadas.

E o que te tira do sério? E o que coloca um sorriso no rosto? Não tolero quando me faltam com respeito ou tentam me enganar. Não suporto injustiça e não aceito mentira. Pra me deixar feliz é mais fácil: estar junto de pessoas do bem, que desfrutam de leveza, gentileza e bom humor. Também adoro estar perto da natureza e comer bem!

2020 pelo jeito começou quente, com a micro série Chacrinha, no qual você participa, segue com Juliano no cinema e pelo jeito vem muito mais por aí. Dá pra adiantar um pouco dos planos? Muitos projetos ainda estão se definindo, mas uma coisa é certa: quero fazer teatro. Estou levantando um projeto meu, chamado “Heróis”, onde vou dividir o palco com a atriz Karen Coelho e o Rodrigo Portella vai assinar a direção. E também vou co-dirigir junto com o Pablo Sanábio um texto americano brilhante chamado “Alaska”.

 

Atuar em filmes que contam histórias de personagens reais como Chacrinha e Elis dão um desafio maior? Tem um “q” de especial para você? Sem dúvida, tem um gosto especial. Foram artistas maravilhosos, estão no meu imaginário desde criança. Fazer parte dessas obras certamente me deixa bastante honrado. Pensando em desafio, talvez o maior de todos até agora tenha sido a filmografia do Maestro João Carlos Martins. Foram dias a fio treinando intensamente para dublar as músicas no piano. Trabalho de formiguinha.

Estamos sabendo que uma das novidades é a peça “Alaska” que você vai dirigir. O que podemos esperar desse espetáculo? É um projeto idealizado pelo Eduardo Sterblitch e sua esposa Louise D’Tuani, e aborda o encontro de duas pessoas desconhecidas numa cabana do Alaska. Ambas estão pedindo socorro, foram brutalmente atingidas pela crueldade da vida, cada qual com sua história, e se encontram ali em busca de uma possível salvação. A cabana gelada é uma metáfora bastante interessante das nossas doenças psicológicas modernas: pânico, depressão, transtorno de ansiedade generalizada, etc. No elenco estão a Louise e o Leonardo Brício.

 

A direção é algo que te completa como ator? Ou atuar é algo que te completa como diretor?  E agora? O ovo ou a galinha? (risos) Acho que atuar me completa mais como diretor do que vice-versa. Faz toda a diferença você dirigir, sendo ator. Eu consigo rapidamente acessar a loucura que habita ali…somos parte da mesma ala.

O que te inspira na hora de criar um personagem? Imaginar que existam pessoas exatamente iguais ao personagem me assistindo.

Para quem desde criança já se descobria ator em algum momento teve dúvida do que queria fazer da vida? Teria um plano B caso a carreira de ator não desce certo? Nunca tive dúvidas, mas já pensei em desistir diversas vezes. Parece paradoxal, mas é isso. Não tenho dúvidas com relação ao meu prazer de atuar, tenho dúvidas com relação ao pacote que envolve toda a carreira. Meu plano B seria vender coco no nordeste e passar o resto da vida bronzeado. (risos).

O que curte ler, ver e ouvir ultimamente? Tenho lido bastante sobre autoconhecimento e Mindset. Tenho curtido assistir documentários e ouvido músicas que me elevam a alma. Ando apostando em trilhas sonoras de cinema.

E para relaxar, vai pra onde? O que curte? Se for possível eu viajo pra sair da mesmice. Se não vou à praia, cinema, teatro, boteco, abraço uma árvore, escalo um morro.

Para conquistar Rodrigo basta… Estar disposto a olhar para o lado bom da vida.

Fotos Sérgio Baia

Styling Gugu Ribeiro

Grooming Ewerton Pacheco