
Por Solange Gomes
Em um cenário em que a medicina estética se reinventa a cada avanço tecnológico, a Dra. Ana Clara Faria surge como um nome que representa uma nova geração de médicas empreendedoras — mulheres que unem ciência, inovação e sensibilidade em um mesmo propósito: transformar vidas através do cuidado. Primeira médica de uma família de empresários, Ana Clara trocou o interior de Minas pela metrópole paulistana aos 17 anos, movida por uma vocação inata de cuidar. Hoje, à frente da Clarivie, ela comanda uma rede de clínicas que simboliza o encontro perfeito entre conhecimento técnico, gestão de excelência e visão global.
Com mais de uma década de imersão em polos tecnológicos da Ásia, especialmente na Coreia do Sul e China, a médica construiu uma trajetória que conecta o futuro da dermatologia à realidade brasileira — traduzindo o que há de mais avançado em dermocosméticos, inteligência artificial e protocolos regenerativos em experiências acessíveis, seguras e profundamente humanas. Entre a ciência e o empreendedorismo, entre a precisão do laser e o toque do cuidado, Ana Clara representa o novo rosto da medicina estética: aquele que une propósito, performance e alma.

Você foi a primeira médica da sua família. De onde nasceu essa decisão de seguir a medicina? Apesar de vir de uma família de empresários da indústria de papel, desde criança eu tinha um impulso muito genuíno de cuidar de pessoas. Sempre fui apaixonada pelo contato humano, pelo poder de transformar a vida de alguém através da ciência e cuidado. Aos 17 anos deixei o interior de Minas para vir para São Paulo cursar Medicina. Foram seis anos decisivos que fortaleceram essa certeza e despertaram minha paixão pela dermatologia e medicina estética.
Sua família sempre viveu o empreendedorismo. Quando essa veia começou a pulsar em você? O empreendedorismo veio antes mesmo da medicina. Cresci em uma casa onde empresa, criação, risco e expansão eram linguagem diária. Todos os anos eu viajava para a China com meus pais para a Canton Fair. Lá, em meio ao universo de importação, tecnologia e inovação, fui exposta a equipamentos médicos, cosméticos, maquinários — e algo acendeu. A curiosidade virou paixão. O empreendedorismo entrou como ponte para o que viria depois.
Em que momento a Medicina e o empreendedorismo se tornaram uma coisa só na sua vida? Logo após me formar, em 2021, eu abri minha primeira clínica — mesmo ainda estando no meio de especializações. E percebi um gap enorme: muitos médicos não têm vontade ou estrutura para montar, gerir e construir seu próprio espaço. Então eu criei um modelo de negócios onde eu desenvolvia clínicas completas e locava consultórios prontos para médicos. Hoje já são 8 clínicas na zona sul de São Paulo, com mais de 40 consultórios em operação. Meu lado médico e meu lado empreendedor se tornaram complementares.


O que a Ásia representou dentro dessa sua jornada? A Ásia foi a porta de entrada para o futuro antes do futuro chegar aqui. Eu acompanho esse ecossistema tecnológico desde 2011, visitando fábricas, feiras e hubs de inovação. Quando hoje se fala de Coreia, cosméticos e tecnologia como tendência — pra mim é quase engraçado — porque isso já era realidade lá há mais de uma década. E eu pude presenciar isso de perto.
O que o público pode esperar agora dessa fusão entre sua visão médica e sua visão de mercado? O próximo capítulo é trazer o que existe de mais tecnológico e potente no mundo de dermocosméticos, inovação e protocolos. A Ásia continua sendo uma bússola antecipadora — e eu pretendo entregar isso de forma traduzida, acessível e potente aqui no Brasil. Muita coisa grande está chegando.
Quantas vezes ao ano você viaja para Ásia para trazer as últimas novidades para o Brasil? Vou pra Ásia há 13 anos pelo menos uma vez por ano pra participar feiras e confessos na Coreia do Sul e na China. Só esse ano já fui 3 vezes pra Coreia onde estou trazendo linhas de dermocosticos e uma vez pra China onde trago equipamentos médicos com inteligência artificial como o akin analyser.
O que você possui na Clarivie em melhor tecnologia para seus pacientes? Na Clarivie, investimos continuamente em inovação para entregar resultados reais e seguros aos nossos pacientes. Contamos com tecnologias de referência mundial, como o Ultraformer MPT para lifting sem cortes e estímulo de colágeno; o Laser Chrome e o Laser de CO₂ fracionado, que tratam manchas, melasma, cicatrizes, rugas e a qualidade geral da pele; e o Laser de Diodo para uma depilação definitiva mais confortável.

No corpo, oferecemos desde radiofrequência microagulhada para flacidez e cicatrizes, até EMS, VelaShape e criolipólise, que atuam em tônus muscular, contorno corporal e redução de gordura localizada. Além disso, utilizamos o Skin Analyser para um diagnóstico digital preciso e planos de tratamento personalizados — e complementamos tudo com protocolos avançados de injetáveis e bioestimuladores de colágeno. Nosso propósito é unir ciência e tecnologia com um olhar acolhedor, para que cada pessoa se sinta confiante e transformada ao cuidar da sua pele e da sua autoestima.
Qual procedimento você indica para rejuvenescimento facial para uma paciente que já passou dos 50 e ainda não fez nenhum procedimento? Consulta e diagnóstico completo. Avaliar: estrutura óssea, perda de gordura facial, flacidez, textura, manchas, histórico médico, expectativas. Usar exame de imagem/digitalização ou sistema de “skin analyser” para mapear áreas críticas. Melhoria da qualidade da pele (fase inicial) Protocolos como microagulhamento ou radiofrequência para estimular colágeno. Laser fracionado ou tecnologias de renovação superficial, para melhorar manchas, textura, poros. Implantar uma rotina de skincare madura: antioxidantes, filtro solar forte, renovação com retinóides. Reestruturação/firmeza e contorno facial:
• Preenchimentos com ácido hialurônico ou similar para recuperar volume perdido (regiões malar, mandíbula) e suavizar sulcos.
• Fios de sustentação ou lifting não cirúrgico, se houver flacidez significativa.
• Toxina botulínica para suavizar linhas dinâmicas (terço superior, pés de galinha) com moderação.
Manutenção e prevenção
Sessões periódicas de “touch-up” ou manutenção das tecnologias para garantir durabilidade.
Incentivar estilo de vida saudável: alimentação, sono, não fumar, proteger do sol.


Temos visto ultimamente produtos coreanos em farmácias populares, lojinhas de cosméticos e até feiras de beleza. Como saber se um produto coreano vendido em lugares populares e com preços acessíveis é realmente original e seguro para a pele? O fenômeno do K-Beauty se popularizou rapidamente, o que é ótimo porque amplia o acesso a tecnologias de cuidado da pele. Porém, junto com essa expansão, surgiram produtos falsificados, paralelos ou sem registro sanitário, o que representa um risco real para a saúde da pele. Para garantir a originalidade e segurança, é essencial observar alguns pontos:
1. Registro na ANVISA – Todo produto cosmético importado deve ter número de registro ou notificação na Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Essa é a principal garantia de que passou por controle de qualidade e segurança.
2. Rótulo em português – Produtos originais importados legalmente vêm com rótulo ou adesivo traduzido, contendo composição, modo de uso e fabricante.
3. Canais oficiais de venda – Prefira comprar em lojas reconhecidas, farmácias de manipulação ou sites que possuam distribuidor autorizado no Brasil. Evite marketplaces e lojinhas sem procedência clara.
4. Preço muito abaixo do mercado – É um alerta. Cosméticos coreanos de alta tecnologia têm custo de produção elevado; valores muito baixos podem indicar falsificação ou adulteração.
Como dermatologista, sempre incentivo o paciente a buscar produtos com procedência verificada e orientação médica, mesmo que o preço seja um pouco mais alto. A pele é um órgão delicado, e a economia imediata pode custar caro a longo prazo.


Como você enxerga a evolução da dermatologia nos últimos anos? A dermatologia evoluiu de forma extraordinária, tanto na área estética quanto na clínica. Hoje, dispomos de recursos que transformaram o diagnóstico e o tratamento de doenças cutâneas, desde as inflamatórias até as autoimunes. Nos últimos anos, vimos um grande avanço no uso de imunobiológicos e terapias alvo-específicas, que revolucionaram o manejo de doenças crônicas como psoríase, dermatite atópica e urticária crônica, proporcionando controle eficaz e qualidade de vida aos pacientes. Do ponto de vista da dermatologia clínica cotidiana, condições comuns e desafiadoras — como melasma, rosácea e vitiligo — passaram a ser tratadas com protocolos mais integrativos, combinando terapias tópicas, orais e tecnologias que modulam a resposta inflamatória e a pigmentação, respeitando os mecanismos fisiológicos da pele. Na dermatologia estética, o foco migrou do tratamento isolado para a regeneração tecidual, com bioestimuladores, lasers e ultrassons que estimulam o colágeno e restauram a harmonia facial. De modo geral, a especialidade se tornou mais científica, precisa e humanizada — com ênfase em prevenção, personalização e bem-estar global.


