CARREIRA: LEONARDO REIS DA CARREIRA ACADÊMICA À EMPRESARIAL NOS EUA

Last updated:

Leonardo Reis é filantropo, escritor, mestre em Linguística e em Ensino da Língua Inglesa, brasileiro naturalizado americano, com uma trajetória extraordinária construída entre Brasil, Inglaterra e Estados Unidos. Adotado recém-nascido em Belo Horizonte e criado em São Paulo, encontrou na educação e na língua inglesa sua missão de vida. Desde 1994, quando se mudou para os Estados Unidos durante um intercâmbio, estabeleceu-se em Nova York, cidade onde trilhou grande parte de sua carreira acadêmica e profissional.

Reconhecido por sua contribuição à educação bilíngue e ao ensino de inglês para brasileiros, Leonardo tornou-se referência internacional na área. É colunista da CNN Brasil, onde escreve sobre educação, bilinguismo e o ensino da língua inglesa, além de ser fundador da American English Academy, escola sediada nos EUA que acumula prêmios e reconhecimento internacional.

Sua atuação transita entre a sala de aula, o jornalismo, a filantropia e o meio acadêmico. Como escritor, publicou o livro Sociolinguistic Aspects of Brazilian Portuguese, obra disponível na Amazon e na Barnes & Noble, que investiga aspectos sociolinguísticos do português brasileiro. Além disso, conquistou impacto social significativo por meio de projetos de doação de milhares de cursos de inglês para comunidades vulneráveis no Brasil, incluindo Rocinha, Vidigal, Mangueira, Cidade de Deus, Alemão, entre outras localidades.

A soma de suas ações sociais, sua carreira sólida e sua presença constante na mídia tornaram Leonardo conhecido como o “Professor das Celebridades”, título reforçado pela longa lista de artistas, atletas, influenciadores e personalidades públicas que já passaram por suas aulas.

Leo, como foi seu início nos EUA e como você foi direcionando sua carreira para negócios educacionais? Eu fui para os Estados Unidos aos 17 anos, em um programa de intercâmbio cultural. Foi uma experiência transformadora, principalmente porque ali percebi, na prática, a minha dificuldade em falar e entender inglês, mesmo tendo estudado o idioma desde os 8 anos de idade. A imersão mostrou que algo no processo tradicional de ensino não funcionava como deveria. Quando voltei ao Brasil, decidi aprofundar meus estudos para entender melhor essa falha entre “estudar inglês” e realmente “falar inglês”. Fiz faculdade no Brasil, depois um mestrado na Inglaterra, e mergulhei de vez no universo educacional. Paralelamente, fui aprimorando, em sala de aula, a maneira como eu acreditava que o ensino deveria ser conduzido: mais prático, mais humano e mais conectado com a realidade de quem aprende.

Depois de muito estudo, pesquisa e anos de prática diária ensinando, desenvolvi a minha própria metodologia, focada em comunicação real, ritmo natural de aquisição de linguagem e estratégias que realmente funcionam para quem precisa usar o inglês no mundo, e não apenas decorar regras. Esse processo foi o que abriu o caminho para eu direcionar minha carreira para os negócios educacionais e, mais tarde, para a criação da AEA, isso tudo já em Nova York, onde resido.

Como surgiu a American English Academy? Depois de mais de 20 anos lecionando inglês em cursinhos no Brasil e nos Estados Unidos e também de atuar como professor em faculdades e universidades americanas, senti que era o momento de dar um passo além. Com toda essa experiência acumulada, ficou claro para mim que existia espaço para um modelo de ensino mais eficiente, mais acolhedor e mais alinhado às necessidades reais dos estudantes internacionais.

Foi aí que decidi criar meu próprio curso de inglês, online para brasileiros e presencial nos EUA para outras nacionalidades. A American English Academy nasceu justamente desse desejo: unir meu conhecimento acadêmico, minha vivência prática e minha metodologia própria em um projeto que entregasse resultados reais para quem precisa dominar o idioma para viver, trabalhar ou estudar no país. A AEA é, de certa forma, a síntese de tudo o que aprendi ao longo dessas duas décadas de ensino e a oportunidade de fazer educação da maneira que eu realmente acredito.

Os planos para 2026 são expansão da marca e atingir um lucro superior a 60%. O que tem sido feito para se atingir essas duas metas no próximo ano? Nós estamos trabalhando em três frentes principais:

1. Modelo de expansão estruturado – Criamos um playbook completo da AEA: operação, marketing, padronização acadêmica, cultura interna e suporte ao investidor. Isso permite que novas unidades sejam abertas com mais segurança, rapidez e previsibilidade de resultados.

2. Eficiência operacional – Estamos investindo em tecnologia para automatizar processos administrativos, reduzir custos fixos e aumentar a produtividade de cada unidade. Isso vai desde CRM e sistemas acadêmicos até integrações financeiras e indicadores em tempo real.

3. Posicionamento de marca e parcerias estratégicas – A marca está se fortalecendo com presença em eventos internacionais, parcerias com agentes educacionais, conexões com o universo do esporte e da mídia – o que gera um fluxo constante de novos alunos e investidores. Com receita crescendo e custos sob controle, o lucro acima de 60% deixa de ser um sonho e vira uma meta bem concreta.

A empresa fundada em 2019 se tornou uma referência na área, atingindo um faturamento anual superior a US$ 2 milhões. Qual a razão desse sucesso? Ainda mais em um país que não é o seu? Eu diria que são três pilares: Entender profundamente o aluno brasileiro e de outras nacionalidades:

Eu sei exatamente como é chegar aqui com medo, insegurança e sem dominar o idioma. Então criamos uma experiência que fala a língua emocional do aluno: acolhimento, clareza e transparência. Entrega real, não só promessa de vitrine:

Não vendemos um “sonho americano” genérico. Mostramos o caminho, os desafios, as regras de imigração, o impacto financeiro e o plano de estudos de forma honesta. Isso gera confiança. Confiança gera indicação. Indicação gera crescimento. Gestão profissional desde cedo: Mesmo sendo uma empresa jovem, sempre tratamos a AEA como um negócio global, com governança, indicadores, metas, treinamento de equipe e reinvestimento constante. O fato de eu ser estrangeiro nunca foi desculpa, foi combustível: eu sabia que teria que ser duas vezes melhor para competir no mercado americano.

Em Bridgeport, Connecticut, vocês atendem uma média de 303 estudantes internacionais portadores de visto F-1. Como é feito esse trabalho com eles e que resultados têm tido? O trabalho com os estudantes F-1 é extremamente sério e estruturado, porque envolve não só educação, mas também questões legais de imigração. Nós atuamos em quatro grandes etapas:

1. Pré-chegada: orientação sobre documentação, processo de visto, moradia, custo de vida e expectativa real do dia a dia nos EUA.

2. Chegada e adaptação: recepção, integração com a comunidade estudantil, workshops culturais e acompanhamento mais próximo nas primeiras semanas.

3. Desempenho acadêmico: aulas focadas em comunicação prática, mas com rigor acadêmico; acompanhamento de presença, desempenho e evolução do aluno.

4. Planejamento de próximos passos: muitos querem depois migrar para faculdades, cursos técnicos, universidades ou usar o inglês para crescer profissionalmente no seu país de origem. Ajudamos a desenhar esse caminho.

Os resultados aparecem na fluência, na empregabilidade, na segurança com que eles se comunicam e, principalmente, nas histórias que eles contam de vida transformada. Esse é o nosso melhor indicador.

O modelo de expansão de vocês se tornou bem atrativo para investidores, por trazer um custo médio de abertura de US$ 100 mil mais o valor de participação, o retorno do investimento (ROI). Como chegaram até isso e como tem sido a receptividade do mercado? Nós chegamos a esse modelo depois de muita análise de números e da experiência prática da unidade de Bridgeport. Fomos entendendo qual era o ticket médio, o custo operacional, o tempo de maturação de uma nova unidade e a capacidade de geração de caixa. A ideia foi construir um modelo de expansão em que o investidor:

· Não precisasse investir dezenas de milhões para entrar no mercado americano.· Tivesse um negócio com demanda recorrente e previsível.

· Contasse com o suporte de uma marca e de um time que já validou o modelo.

O valor médio de US$ 100 mil para abertura, mais a participação, foi definido como um ponto de equilíbrio entre acessibilidade e robustez do projeto.

A receptividade do mercado tem sido muito positiva. Investidores veem a educação como um setor resiliente, e quando você soma isso ao apelo de atuar com estudantes internacionais nos EUA, o interesse naturalmente cresce.

Qual o plano de expansão para outros países e que países pretendem trabalhar primeiro e por quê? Nosso plano de expansão internacional segue uma lógica clara: primeiro, mercados com alta demanda por inglês e forte cultura de estudo no exterior. Entre os primeiros países no nosso radar estão:

· Brasil: pela origem da maior parte dos nossos alunos e pela credibilidade que já construímos com o público brasileiro que vem para os EUA.

· Alguns mercados estratégicos na Europa e no Oriente Médio: onde há tanto interesse em aprender inglês quanto em ter experiência internacional nos EUA.

A ideia é criar uma rede global de captação e preparação de alunos, conectada às unidades nos Estados Unidos, sempre mantendo o padrão AEA de qualidade.

Como a tecnologia, em especial a inteligência artificial, é usada na AEA juntamente com o ritmo acadêmico da experiência presencial? Nós não vemos tecnologia como substituta do professor ou da experiência presencial, mas como uma ampliação do que é possível fazer. Na AEA, a inteligência artificial é uma aliada poderosa para otimizar o aprendizado e oferecer uma experiência mais personalizada e eficiente. Utilizamos IA para:

· Diagnóstico de nível de inglês mais preciso e rápido, analisando fala, escrita e compreensão de forma detalhada.

· Personalização de trilhas de estudo, garantindo que cada aluno receba conteúdos e exercícios alinhados às suas necessidades reais.

· Prática de conversação fora da sala de aula, por meio de ferramentas que simulam diálogos e situações do cotidiano americano.

Ao mesmo tempo, preservamos o que a experiência presencial tem de melhor: conexão humana, networking, vivência cultural e leitura de contexto e elementos que nenhuma tecnologia substitui.

No caso dos alunos portadores do visto F-1, é importante lembrar que eles devem cumprir obrigatoriamente 18 horas de aula presenciais por semana. Por isso, deixamos claro que a IA não substitui a carga horária exigida; ela vem para somar, ampliando as possibilidades de prática, reforço e acompanhamento fora da sala de aula.

Já no curso online, a tecnologia assume um papel ainda mais estratégico. O programa é composto por 60 módulos, que levam o aluno do nível básico ao avançado. Ao final de cada módulo, o estudante pode optar por fazer uma aula de revisão com um professor humano ou com um professor baseado em IA permitindo um aprendizado flexível, contínuo e adaptado ao ritmo de cada pessoa. A tecnologia potencializa o aprendizado; o presencial dá profundidade e sentido à jornada. É justamente na união desses dois mundos que a AEA se destaca.

Você recebeu um importante prêmio em Cannes e esteve ao lado de estrelas como Marina Ruy Barbosa e Camila Pitanga. Como foi essa experiência? Estar ao lado de nomes como Marina Ruy Barbosa, Nelson Wilians, Camila Pitanga e o diretor da Forbes França, Dominique Busso, e participar de um painel com eles, mostrou que, quando você trabalha com propósito, negócios e imagem acabam se conectando de uma forma muito natural. Ali não era apenas sobre glamour; era sobre narrativa. A narrativa de um brasileiro que construiu, nos Estados Unidos, uma empresa de educação que realmente transforma vidas. Receber uma homenagem da Forbes francesa, na Vila Forbes, pelo projeto social em que doei 2 mil cursos de inglês para as comunidades da Rocinha e do Vidigal, teve um peso emocional enorme, porque reforçou que meu trabalho não se limita às salas de aula ou às unidades da AEA, ele também alcança quem mais precisa de oportunidade. Foi um momento de celebração, claro, mas também de responsabilidade. Cada reconhecimento, cada homenagem, aumenta a minha cobrança interna de continuar entregando algo relevante, verdadeiro e com impacto real na vida das pessoas.

A AEA tem uma ligação muito próxima com o universo do Futebol. Tanto que você é amigo de craques como Neymar, Cafu e o Ronaldo. Como essas relações foram surgindo ao ponto de se tornarem parceiros e estar no leilão Galáticos? Tudo começou pela admiração mútua. Eu sempre fui apaixonado por futebol, e muitos jogadores começaram a se interessar pelo trabalho que fazemos com educação e mobilidade internacional. Com o tempo, fui me aproximando desse universo não só como fã, mas como empreendedor. Alguns atletas e ex-atletas têm projetos sociais, institutos, iniciativas com jovens e educação e inglês são fundamentais nesses contextos. As conexões surgiram de forma orgânica, por meio de amigos em comum e projetos com propósito.

Participar do leilão Galáticos foi um desdobramento natural dessa relação. Ali, a AEA não estava apenas como empresa, mas como parceira de transformação. O futebol abre portas, mas o que mantém essas portas abertas é a seriedade do trabalho.

Soubemos que você também é colunista da CNN Brasil. Como surgiu isso e como te completa?  A coluna na CNN Brasil surgiu da necessidade de falar para um público maior sobre temas que eu vivo na prática: educação internacional, mercado global, imigração, empreendedorismo fora do país e tendências de carreira. A emissora buscava alguém que tivesse os dois olhares; o de quem entende o Brasil e o de quem opera no dia a dia nos Estados Unidos. Essa ponte é exatamente o lugar onde eu me sinto mais à vontade. Ser colunista me completa porque me obriga a refletir, organizar ideias e compartilhar aprendizados de forma acessível. Não é só opinião; é responsabilidade com quem está tomando decisões importantes de vida baseado em informação.

Leo, e na vida pessoal, o que pretende para um futuro próximo? O que ainda falta realizar? Na vida pessoal, o que eu mais busco é equilíbrio. Empreender em outro país consome muito tempo e energia, e eu tenho trabalhado para estar mais presente com a minha família, amigos e comigo mesmo.

Em termos de realização, ainda falta:

· Consolidar um legado educacional que continue existindo mesmo quando eu não estiver mais à frente da operação.

· Ajudar mais imigrantes pelo mundo a entender que morar fora não é só uma foto bonita no Instagram, é planejamento, estudo e disciplina.

· E, claro, realizar alguns sonhos simples: viajar sem agenda cheia, ter mais momentos off-line, e continuar crescendo como pessoa, não só como empresário.

Alguma dica para os leitores que desejam empreender no exterior?

Tenho algumas:

1. Venha preparado, não iludido. Estude o mercado, entenda as leis, fale a língua local. Sonho sem planejamento vira frustração.

2. Respeite a cultura do país. Você não vai “ensinar” os americanos a fazer negócio. Vai aprender a jogar o jogo deles, com a sua visão de mundo somando, e não substituindo.

3. Construa rede de contatos desde cedo. Sozinho, o caminho é muito mais difícil. Procure mentores, associações, empreendedores que já passaram pelo que você vai passar.

4. Pense em propósito e em modelo de negócio. Não basta ter uma causa bonita, o negócio precisa parar em pé financeiramente para ser sustentável.

5. Lembre-se de quem você é. Ser imigrante é desafiador, mas também é uma vantagem competitiva: você enxerga o mundo por duas lentes. Use isso a seu favor.