
O EMPRESÁRIO GOIANO RUBENS INÁCIO TRANSFORMOU DESAFIOS EM OPORTUNIDADES E CONSTRUIU A TEXAS CENTER E A TXC, QUE CELEBRAM A IDENTIDADE DO INTERIOR BRASILEIRO COM AMBIÇÃO E AUTENTICIDADE.
Por Isabelle Barros / Fotos Rafael Yaguiu
Por conta do empresário Rubens Inácio, gostar de gente e pensar grande esses foram os caminhos que levaram ao sucesso de seus negócios, que incluem a loja multimarcas Texas Center, localizada em Goiânia, e a marca de roupas TXC, cujo slogan é “produzindo para quem produz”. Ambas, atendem o público apaixonado pelo agro que quer expressar sua identidade por meio da moda. Os negócios de Rubens representam um Brasil do interior, que se considera a nova locomotiva do país e quer ser reconhecido e respeitado como tal.
O tino de Rubens para vender veio de família. O empresário, de 40 anos, nasceu em Anápolis, Goiás, mas foi criado em Redenção, no sul do Pará. O pai trabalhava com táxi aéreo e a mãe tinha uma padaria. Eram tempos diferentes, com uma vida conectada à natureza em um local de difícil acesso. “Hoje em dia, temos tudo na palma da mão, com celular, Internet via Starlink, ar condicionado e TV. Não tínhamos uma condição financeira ruim, nunca faltou nada em casa, mas morávamos em uma fazenda, onde passamos cinco anos à luz de lamparina, sem eletricidade. Tomava banho no córrego, não tinha água encanada. Para chegar lá, era melhor ir de avião, porque o caminho por terra era difícil. Exigia um carro, um trator e um cavalo. Mesmo assim, na minha cabeça de criança, achava tudo aquilo maravilhoso. Era um tempo feliz”.

Foi com a ampliação dos negócios familiares, ainda com oito anos de idade, que o empresário começou a ganhar o próprio dinheiro. Nesse período, Rubens percebeu que o carro do pai tinha lugares suficientes para ele começar a “vender” passagens, como em uma lotação, até à cidade de Redenção. Ainda criança, o empresário também aproveitava o carro para trazer frutas e verduras para vender. “Desde pequeno, eu já tinha uma mentalidade de vendas, de gerar oportunidades em locais onde havia dificuldade. “Quando eu tinha 13 anos, perguntei ao meu pai o que fazer para ganhar mais. Ele me respondeu que, se eu tirasse o leite das vacas da fazenda nos finais de semana, eu poderia ficar com o lucro. Assim, de forma intuitiva e prática, aprendi que receita é diferente de lucro. Aos 15 anos, eu já tinha dinheiro suficiente para comprar um carro. Com essa mesma idade, fui emancipado e já passei a fazer parte do contrato social de uma empresa familiar de venda de autopeças”.
Chegou a hora de fazer faculdade, de se mudar para Goiânia – a primeira opção de curso, foi Medicina Veterinária. No entanto, Rubens viu logo que seu campo de atuação era outro. Ele também se formou em Administração e, ao final dos estudos, voltou para Redenção a fim de trabalhar numa construtora fundada pelo pai. No entanto, questões familiares, bem como a necessidade de se provar como profissional e de se casar com a atual esposa, Camila, o fizeram voltar para Goiânia, em 2011. “Cheguei com R$ 85 mil e um carro sem documentos, o que só descobri depois. Eu também tinha uma égua do mesmo valor do carro. Comprei a empresa sobre a qual fiz meu trabalho de conclusão de curso em Administração e, comecei a empreender em uma empresa de produtos cárneos. Foi uma grande escola, porque não me encontrei ali. Eu tinha que competir com o cara que trabalhava de maneira informal, sem pagar imposto, e com a Sadia. Eu ficava no meio desses dois e era muito desgastante”.

Em 2013, surgiu a oportunidade de abrir a Texas Center, em Goiânia, uma loja de roupas multimarcas, por meio do convite do sócio Kaio Cesar Pires. A abertura da empresa resolvia, segundo Rubens, a busca dos clientes em ter uma roupa de qualidade e que fosse, ao mesmo tempo, conectada ao estilo agro. “Eu sempre gostei de roupa de qualidade, roupa de marca. Sempre trabalhei duro, então me sentia no direito de escolher bem. Minha mãe pegava no meu pé com isso, dizia que roupa é tudo igual, mas sabe aquele ditado que diz ‘você não é igual a todo mundo’? Então pensei – eu gosto de roupa, gosto de cavalos, sou apaixonado pelo agro e posso unir tudo isso nesse novo negócio”. Rubens pediu ao pai para que ele fosse avalista em um empréstimo bancário a fim de levantar recursos para abrir a loja.
O empresário foi adiante, mesmo com o boicote de concorrentes, de fornecedores e de ter as roupas para a inauguração da primeira loja, compradas diretamente nos Estados Unidos, e que foram confiscadas pela alfândega. “Meu pai me chamou de maluco, mas empreendedor é maluco mesmo, não é? Na semana da inauguração da loja, passamos cinco dias trabalhando sem parar. Perdi sete quilos”. Segundo Rubens, a meta de vendas do mês inicial da Texas Center foi batida no próprio coquetel de abertura, em 27 de agosto de 2013.


O sucesso chamou a atenção, para o bem e para o mal. Em 2015, a Texas Center foi roubada por uma quadrilha e perdeu R$ 250 mil em estoque. O incidente teve um desfecho inesperado – uma onda de solidariedade se formou e as vendas cresceram ainda mais. “A vida ensina muito. Já conhecíamos muita gente em Goiânia, mas muitos artistas, muitos influenciadores postaram sobre nós, nos deram força, e dobramos a meta de vendas”. Atualmente, a Texas Center ocupa um espaço de 2,4 mil m². Além da venda de roupas multimarcas, o local tem chapelaria, selaria, barbearia, restaurante, itens para esportes equestres e outras amenidades.
A criação da TXC, em 2015, de acordo com Rubens, foi mais uma consequência do seu modo de trabalhar, ao ver oportunidade onde outros enxergam apenas riscos. Com as oscilações do dólar e a evolução de um mercado consumidor agro no Brasil, ele e mais dois sócios, Antônio Neto e Rafael Biazin, fundaram a marca, cuja sigla significa Textile Xtra Company. “Inicialmente, confeccionamos 1.800 peças, entre camisas e bonés, e vendemos tudo em uma semana. A TXC veio para prestigiar quem é do interior e tem uma boa condição financeira. Criamos peças que eles possam usar em todas as situações, não apenas no trabalho, mas em momentos de lazer. Quando damos esse passo, fazemos mais do que uma marca – construímos uma comunidade. Além disso, gera emprego e riqueza para o país”.

Com sua identidade e seu público-alvo bem definidos, a TXC cresceu ainda mais pós-pandemia, formatando ainda um modelo de franquias para alavancar sua expansão. Em 2024, a empresa realizou R$ 130 milhões em vendas, com presença em 14 estados de todas as regiões do Brasil. A intenção, em 2025, é chegar a cem lojas e três mil pontos de venda no país inteiro. De acordo com o empresário, esse desempenho também está relacionado ao seu estilo de liderança e posicionamento nos negócios. “Eu venho construindo uma trajetória de muita clareza. Percebo que muita gente quer aprovação em vez de resultado, e não é por aí. Tento ser o mais educado possível, mas, pela minha personalidade, falo o que precisa ser dito. Uma das minhas características é a lealdade. Se eu for encerrar um ciclo com quem quer que seja, eu aviso com antecedência, agradeço e sigo em frente”.
Rubens acha que chegou a hora de deixar um legado e repassar o que aprendeu com seus erros e acertos. Uma das ações que ele planeja para este ano é o lançamento de um livro, no qual conta sua trajetória. Outra iniciativa, é a Imersão Varejo Raiz, evento marcado para os dias 21 e 22 de junho, em Alphaville (SP), voltada para empresários de moda e varejo. A ideia é fazer cada vez mais conexões, algo que se encaixa com sua personalidade. “Eu não vivo numa bolha. Um dia desses, eu estava no Pará, comendo uma buchada a R$ 15. Outro dia, eu estava no Soho, em Londres. Eu gosto de tudo, me abasteço de networking, de pessoas, de relacionamentos. Mas eu tenho um defeito – sou viciado em trabalho. Tenho dois filhos, Lourenço, de 8 anos, e Mirella, de 7 anos, mas sei que preciso intensificar minha convivência familiar. O momento no qual sou mais feliz, é quando estou na fazenda com meus filhos, mas isso acontece pouco. Minha missão nesse mundo é fazer dos meus filhos boas pessoas e vejo o orgulho que eles têm de mim e do meu trabalho”.



