Desde os primórdios até hoje em dia, muita coisa mudou nas redes sociais. Quem pegou o início de tudo, como nossa estrela de capa, foi desbravando um universo imenso a ser explorado e foi passo a passo desvendando como lidar com as redes sociais. “Eu era uma adolescente, lá em Curitiba, fazendo teatro, querendo conquistar um lugar e a internet foi o lugar que me acolheu naquele momento”, declarou Kéfera Buchmann de Mattos Johnson Pereira, melhor dizendo, Kéfera! Que em 2010, aos 17 anos, lançou seu canal no YouTube, “5inco Minutos”, e logo foi percebendo que estava num local fértil e amplo para expor suas ideias e suas várias facetas. Em 2016 foi eleita pela revista Forbes como uma das jovens mais promissoras do Brasil. E em dezembro de 2019, entrou no ranking do instituto QualiBest como uma das maiores influenciadoras digitais do Brasil. Daí em diante veio novela, filmes para o cinema e nunca mais Kéfera foi a mesma. Mas sem sombra de dúvida seu humor e sua inquietação não mudaram ao longo desses 11 anos. E em meio a essa pandemia, veio a “Série do Cérebro” para nossa estrela extravasar e agitar mais uma vez essa tal de rede social.

Kéfera, seus “5inco Minutos” de fama e sucesso duram até hoje! Esperava isso tudo? Eu fico muito feliz quando olho para trás. Eu fui fazer os vídeos na internet com o objetivo de me comunicar e mostrar um pouco do meu trabalho. Não imaginava a proporção que tomaria! Mesmo. E fico muito feliz com o retorno das pessoas, o carinho dos fãs. Criei ali um espaço meu com o público e foi muito importante ver que existia um caminho para mostrar o meu trabalho. Eu era uma adolescente, lá em Curitiba, fazendo teatro, querendo conquistar um lugar e a internet foi lugar que me acolheu naquele momento. 

Você é uma das pioneiras a desbravar as redes sociais. Olhando para trás, o que você aponta como seus principais acertos? E quais as dificuldades superadas no meio disso tudo? É difícil dizer os acertos e os erros, porque era algo novo, não tínhamos parâmetro de qual caminho seguir ou o que fazer. No início, foi tudo muito intuitivo. E acho, de verdade, que foi essa espontaneidade o grande acerto. E acredito que as pessoas gostam muito disso, de ver temas e conversas que elas se identificam. Ao mesmo tempo em que fui muito acolhida e recebida. Teve também quem não curtisse e lidar com isso numa grande escala foi um desafio. As pessoas não tem filtro ou cuidado na internet. Elas vociferam. E eu fui aprendendo com a vivência, com as coisas que ia acontecendo. 

Cancelamentos e haters, como administrar isso? Já sofreu muito isso? Já sofri. Hoje eu estou lidando de uma forma que me afete menos, mas não é assim que deve ser. A gente não tem que achar mecanismos que amenizem esses ataques. Isso é que não deveria mais existir. Afinal é difícil encontrar alguém que seja unanimidade. Teremos pessoas que vão gostar e pessoas que não vão gostar. E ok. Sobre cancelamento, eu penso muito sobre o que ele representa: se é algo que faz “quem errou” ter uma lição, supostamente aprender, ou ele é apenas punitivo. É importante repreender informações falsas, falas intolerantes… Tem uma porção de coisa que é inadmissível, mas o cancelamento, da forma como ele é, não cria diálogo, não vejo como algo produtivo.

Prova de que vida inteligente na web tem público e sobrevive. Como você vê isso? Tem muito conteúdo legal na internet, muita gente interessante produzindo e criando. E a internet possibilitou que muitas pessoas tivessem acesso a temas e conteúdos que elas não teriam em outros tempos. É claro que a gente tem o ônus e o bônus… Assim como tem muita coisa legal, tem muita fake News e é preciso estar cada vez mais atento as fontes das informações que recebemos, mas ainda vejo o lado positivo. 

Hoje o sucesso para muita gente é medido pelo número de seguidores e likes. O que é sucesso para você? Sucesso é muito relativo! Mesmo! Vejo ele como consequência de um trabalho bem feito. E existe diferente entre sucesso e fama. Sucesso, para mim, está relacionado as suas conquistas e é derivado do seu trabalho, dedicação… Tenho muito orgulho do caminho que construí e ainda tenho muitos sonhos. Uma coisa importante sobre sucesso: você não pode se acomodar. 

Atriz, cantora, apresentadora, influenciadora e escritora. Essa é a multi Kéfera. Falta algo? Cantora, eu não me considero. Preciso fazer algum tempo de aula de canto antes de ser chamada de cantora (risos). Até hoje o canto foi uma ferramenta da atuação… Mas eu sou inquieta (risos). Estou sempre em processo criativo, pensando em possibilidades… E a forma que eu encontrei de colocar tudo o que penso é na arte. É nela que eu me expresso, extravaso tudo. Agora eu tenho feito os vídeos, escrevo roteiro, atuo, edito, dirijo… São várias porções que eu coloco em ação. 

Isso tem um pouco haver com a “Série do Cérebro” lançada no Instagram? Lá você solta todas as Kéferas que existem dentro de você? Total (risos). Tenho me divertido muito criando os episódios da Série do Cérebro. Fazia um tempinho que eu não ficava tão empolgada. Eu moro sozinha e passo boa parte do tempo “conversando” comigo mesma (mais risos). E aí surgem todas as ideias. Vou colocando no papel e desenvolvendo. E o retorno do público tem sido muito legal, o que me deixa bastante feliz. 

Você inclusive recebeu elogio da Courtney Cox. Uau! Como foi isso pra você? Pois é! Eu sou muito, muito fã de Friends. Amo a Courtney Cox. Eu a acho sensacional, genial. E receber um elogio dela foi algo muito surreal (risos). Inimaginável. Ela não segue ninguém do Brasil e começou a me seguir. Eu pirei. E depois comentou sobre um dos meus vídeos. Zerei o jogo (gargalhadas). Gritei muito quando vi! 

O que te inspira na hora de criar? A inspiração é do dia a dia. Eu estou sempre pensando nas coisas que vejo, sou muito observadora… Algumas coisas ficam na minha cabeça e eu vou elaborando. É assim que surgem as ideias para o roteiro, para os meus projetos. 

Que dificuldades enfrentou nesta pandemia e que soluções encontrou? É até injusto falar das minhas dificuldades diante da realidade da maioria dos brasileiros, que vivem em situação de vulnerabilidade e só viram as coisas piorarem com a pandemia. Acho que a maior questão para mim foi me manter equilibrada, não deixar a ansiedade falar mais alto, porque a pandemia afetou muito a nossa mente. É difícil ficar bem diante de todas as coisas que estão acontecendo. 

Você em breve será vista em “Casais Inteligentes Enriquecem Juntos”, do GNT. O que podemos esperar desse novo trabalho? É um trabalho muito legal, que eu adorei participar. Fui dirigida pelo Pedro Vasconcellos, que foi o diretor da minha primeira novela na Globo (Espelho da Vida). Eu contracenei com o Leo Jaime e tivermos uma troca muito legal. É um texto bem inteligente, com humor e ainda faz reflexões. 

Falando em novela, em 2018/2019 você estreou como atriz na TV. Como foi a experiência? Ficou um gostinho de quero mais? Quero fazer mais sim. Eu amei fazer novelas. Eu amo atuar. Essa é a minha verdadeira paixão. Foi muito legal fazer Espelho da Vida, uma experiência que foi gratificante demais. E, com certeza, quero que venham outras. 

Em meio a tantas atividades, onde se sente mais desafiada? Tudo o que eu faço me traz desafio. Eu só me envolvo com atividades que despertam isso em mim. A arte é a minha ferramenta, minha válvula de escape também, porque é nela que eu liberto muitas das coisas que passam pela minha mente. Amo produzir, criar e estar nesse processo constante. 

Na hora de relaxar e recarregar as baterias, o que procura? Adoro ver séries! Amo. Fica horas maratonando. Eu sou muito caseira. A pandemia acentuou ainda mais isso. Fica quietinha, no meu canto e vendo todas essas histórias. E como eu moro sozinha, adoro ver as mensagens que recebo nas redes, trocar com o público… Também é uma forma de relaxar. E gosto de dar atenção para a galera que está me assistindo e curtindo os vídeos. 

Qual seu maior pecado? Não resiste a que? Hum, eu amo pizza de chocolate, de brigadeiro… Pizzas doces no geral. E quanto mais doce, melhor (risos).  

Quais os próximos passos ainda para este ano? Tenho alguns projetos em andamento, mas tudo está na pendência da pandemia, de como vamos evoluir nos próximos meses. Mas meu foco maior agora é produção da Série do Cérebro e a criação de conteúdos no IGTV. Esse contato tem sido muito legal com o público, essa interação. 

Para conquistar Kéferea, basta… Bom-humor é algo que conta e muito para mim. Adoro pessoas que não se levam tão à sério, que sabem rir de si mesmo… Já ganha muitos pontos (risos).

Fotos @Wherb_