Ela já foi divertida, sexy, má, atrapalhada… Christine Fernandes é daquelas atrizes que podem ser o que quiser, sempre será intensa e sedutora. Seja por sua forma de atuar, seja por sua fina estampa, sempre é um prazer vê-la com um novo personagem. “Sou somatório de tudo que vivi, de bom e de ruim”, comenta ela durante essa entrevista. Atualmente interpretando Karina Nobre na atual temporada de “Malhação”, Christine é pura poesia para os sentidos. Assim como podemos vê-la nesse belo ensaio que ilustra nossa matéria. Que venha muito mais Christine em suas várias personagens para nosso deleite. 

O que essa “americana” tem de mais brasileira e o que essa brasileira tem de mais “americana”? De mais brasileiro, a simplicidade e transparência. De mais americana, o senso de ética e justiça. 

Hoje em dia moraria nos EUA? O que te faria mudar de país e o que te faria morar lá? Moraria em quase qualquer lugar do mundo. Sou muito curiosa e a possibilidade de ampliar meus horizontes me alimenta. Certamente a violência é o que mais me amedronta sobre o Brasil. Vivemos com medo. É um problema grave que vai além de um assalto ou bala perdida. Tem a ver com desigualdade social e educação, investimento em educação. Eu admiro a política americana em relação à educação de qualidade para todos. Viabiliza um mundo mais justo e melhor.   

Você tem mais de 20 anos de carreira. E hoje se observa uma mudança em se fazer TV com a chegada da internet e streaming. Como você avalia isso? Acho que o streaming e a internet chegaram, são uma realidade, mas não engoliram a TV como se previa. Creio que essa é a maior surpresa, há lugar pra TV, mesmo que ela possa cada vez mais se aproximar em conteúdo do streaming e da internet. Sinto uma conversão e não uma exclusão entre as mídias. 

Antigamente os canais de TV presavam pela exclusividade de seus artistas. Hoje não existe mais isso e o ator pode navegar de um canal para outro com mais liberdade trabalhando por obra. Para você isso dá mesmo mais liberdade ou segurança? Sempre fui uma operária. Nunca tive nenhum ganho na vida sem ralação, portanto pra mim nada muda. Sou uma operária do trabalho que ofereço. Nessa profissão nunca se pode sentir-se ‘seguro’. Uma abertura de cortina por dia. 

Por ser uma mulher que é referência de beleza isso já te rotulou muito? Já ajudou ou atrapalhou mais? Quando eu não percebia a questão, do rotulo x ou y, talvez me ressentisse e fosse mais reativa. Queria que me vissem de outras formas. Se não viam eu preferia não ser vista de jeito nenhum, queria ficar invisível, o que é um grande contrassenso numa profissão de tanta exposição. Quando finalmente entendi que não dependo do olhar do outro, me libertei e tudo ficou mais fácil na vida e na profissão. Não sou o que o olhar do outro me projeta. Nunca serei, nem pra bem nem pro mal. É libertador poder ser o que se é, sem depender da anuência ou expectativa alheia. A beleza que realmente importa pra mim é muito subjetiva.

Falando desses anos de carreira, que momentos você destacaria? Que personagem te deixou alguma “herança”? Não descarto nada. Nem ninguém que jamais cruzou o meu caminho. Sou somatório de tudo que vivi, de bom e de ruim. Não tenho mágoas, tenho aprendizados. A gente tem que ir se lapidando ao longo da vida, olho com compreensão e generosidade para todas as personagens, mesmo as pequenas, porque certamente se eu tivesse os recursos que tenho hoje eu poderia ter dado mais por elas. Tudo me enriquece. Mas amo os personagens de época eles sempre são enriquecedores. 

Hoje em dia o que ainda te dá um frio na barriga? Quando se sente desafiada? No trabalho, início de uma nova personagem sempre me dá aquele frisson amedrontador, mas gostoso. E a maternidade. Quero muito acertar em ambos os casos, é um xadrez diário (risos). Tento fazer os acertos maiores que os erros.

Muitas personagens variadas, do drama ao humor. Mulheres mais sensuais, outras mais contidas. O que te deixa mais confortável? Sou confortável numa personagem bem escrita e que me dê chance de voar. Boa, má, tanto faz. Somos ambíguos, ninguém é só uma coisa ou outra, somos camadas. Eu gosto mesmo é de uma personagem com camadas. Me interesso mais na viagem que no destino. 

Sabemos que para o ator o corpo é instrumento do trabalho também. Como a idade interfere nisso? Tem algum peso? Não interfere em nada. Minha cabeça é muito mais relaxada com meu corpo do que antes. Hoje gosto mais de mim, inclusive meu corpo com a idade que ele tem. Não sei meu peso. Na última consulta médica era por volta dos 60 kg. 

Falando em beleza, até onde vai sua vaidade? Como lida com o espelho? Sou vaidosa, mas não vítima. Eu sei quem manda em quem. 

O que te desperta interesse no outro? Gosto de gente limpa, sem agendas escondidas, gente inteligente (que não significa cultura), gente de boa índole, gente criativa. Não ligo pra beleza, nem grana. Meus valores são bem conservadores. 

Para relaxar um bom… Vinho tinto. 

Para conquistar Christine basta… Ser você mesmo.

Fotos e Beleza Vinicius Mochizuki

Stylist Milton Castanheira