Estamos acostumados a ouvir que os homens se interessam pelo visual e as mulheres pelo interior, que os homens são adeptos da relação casual e as mulheres se apegam em qualquer relacionamento, e assim por diante. Essa é uma percepção social construída por muito tempo, mas que não é verdadeira. A base de tudo é a Estética.
O princípio do prazer (no sentido amplo da palavra) tem duas vertentes: a sensorial e a psicológica. O sensorial é o reino dos nossos sentidos, do corpo, e é estimulado pelo que atinge o corpo. Um sabor, um cheiro, um toque, vão despertar sensações que nos agradarão o paladar, o olfato, o tato, etc. Quando falamos da esfera sexual é a mesma coisa: determinadas posições, movimentos ou carícias vão despertar sensações nos sentidos que tragam sensações prazerosas.
O psicológico, por sua vez, é o domínio mental, do subjetivo e do incompreensível. Se refere a tudo aquilo que é particular de cada um, geralmente envolvendo coisas ocultas até para a própria pessoa. O prazer psicológico não vai ser despertado de uma forma direta e lógica, mas pelo que a situação evoca, como no caso do cheiro de café, quando tomamos um remédio bem ruim ou quando tomamos um milk shake de chocolate. Uma pessoa pode sofrer ao tomar o milk shake se estiver fazendo regime e isso o fizer sentir a quebra da sua proposta, pode sentir-se bem com o gosto ruim do remédio só de pensar que isso lhe fará bem como pode ter uma relação de amor e ódio com café por se lembrar da casa da vovó, por pensar no amarelo dos dentes, por ser sua bebida das madrugadas de trabalho, etc. A mente humana é impressionante.
Na esfera sexual o psicológico interfere na predisposição dessa pessoa frente ao ato. O simples fato de fazer as mesmas coisas com a mesma pessoa, mas num local diferente, por exemplo já muda completamente a experiência. Uma data comemorativa pode ter o mesmo efeito estimulante (ou brochante) de acordo com as sensações que evocará. O estímulo físico sensorial sempre é potencializado ou enfraquecido pelo psicológico.
Tudo isso para voltar ao início de pensar a diferença entre homens e mulheres em relacionamentos. O lance casual, o “ficar” ou a coisa de uma noite só tem a ver com o prazer sensorial, os estímulos daquele momento enquanto o relacionamento traz a construção de envolvimento e constrói cenários complexos. Se a gente entende que o homem fica no “pega e não se apega” e a mulher fica no romantismo do relacionamento estaremos negando uma parte importante de cada um, mas também podemos perceber que há uma tendência nos dois lados.
A sociedade ainda tenta educar as meninas para a idealização, para o romantismo, para a estabilidade, enquanto que a construção da figura masculina ainda se dá pela força de não se apegar, de ser o caçador, aquele sai em busca de algo. Há quem defenda que essas características nascem de diferenças inerentes aos gêneros mesmo, mas enquanto ninguém provar continuará sendo mera especulação.

Diego Rocha