Ator de diversos personagens da vida real, José Loreto irá protagonizar mais dois filmes biográficos. Depois de interpretar José Aldo em “Mais Forte Que O Mundo”, Loreto se prepara atualmente para viver Sidney Magal nas telonas em “Meu Sangue Ferve Por Você” e também será Walter Casagrande no longa que contará a história do jogador. No ar duplamente nas reprises das novelas “A Flor do Caribe”, onde interpreta Candinho, e de “Haja Coração”, como Adônis, Loreto também estará em mais três longas-metragens de ficção com estreias previstas para 2021: “Pacificado”, que já ganhou prêmios internacionais como o de San Sebastian (melhor filme), “A Cerca”, dirigido por Rogério Gomes (Papinha), e “Abestalhados 2”, ao lado de Paulinho Serra, – os três filmes já estão finalizados, mas sem uma data de estreia definida. Já no teatro, Loreto pretende reestrear, assim que possível, “A Paz Perpétua”, peça do autor Juan Mayorga, com direção de Aderbal Freire Filho. Abaixo, você pode conferir a entrevista completa com o ator e descobrir também um pouco mais sobre o seu lado paternal e a relação com a filha Bella. 

Zé, como está sendo poder se rever na TV duplamente nas novelas “Flor do Caribe” e “Haja Coração”? Está sendo uma delícia poder rever dois personagens tão diferentes e marcantes na minha carreira. No caso do Candinho, por exemplo, as pessoas se identificam muito com ele. É muito gostoso também poder reviver essa troca com o público.

Dois personagens totalmente distintos, com caráter opostos. Como foi construir o Adônis e o Candinho? São personagens muito diferentes. O Adônis é um rebelde sem causa, sem empatia e com algumas pitadas de vilania. Já o Candinho tem uma personalidade ímpar e uma pureza comovente. Apesar disso, é um personagem difícil porque tem tudo pra cair no exagero, mas, com a ajuda do time da preparação e direção, além da dona Laura Cardoso, claro, acho que consegui colocar muita verdade nele sem correr esse risco. Consegui construir um Candinho com muita sensibilidade, com um coração imenso e genuíno.

O que te desafia como ator e onde você busca inspiração? Poder fazer um personagem diferente do outro e garantir que cada um seja único, que tenha a sua própria digital. Tento dar o meu máximo na construção de cada personagem e isso, por si só, já é um grande desafio.

Depois de viver o lutador José Aldo nos cinemas, você irá interpretar Sidney Magal no filme “Meu Sangue Ferve Por Você”. Como tem sido esse processo? Tem sido a maior pesquisa que já fiz para um personagem. Tenho estudado muito material em vídeos, além das aulas de dança e canto específicas para dar vida a esse grande artista. Já estou nessa preparação há mais de um ano e, a cada dia, me sinto mais preparado.

Depois do Magal, você irá começar a preparação para viver o Casagrande nos cinemas, ou seja, mais um personagem biográfico. O que te atrai nesse mundo da biografia? Amo biografias. Amo ler, assistir… Sempre foi uma das coisas que mais despertou o meu interesse, até mesmo em relação ao cinema que apareceu na minha carreira através dos filmes biográficos. Adoro tudo que é baseado em fatos reais. Apesar disso, como ator, acho um pouco mais complicado dar vida a um personagem real, que existe ou existiu, porque você acaba caindo na comparação do público, ainda mais quando é alguém que tem uma apelo popular muito grande.

Na sua participação no programa “Amor & Sexo” você certa vez comentou que serviu para uma reconstrução como homem. Quebra de tabus. O que mais destaca nesse processo? O que ficou de aprendizado? Entrei no “Amor e Sexo” aos 27 anos de idade. A partir dali, comecei a me deparar com questões que eu nunca tinha parado para pensar. Talvez porque, antes disso, eu estivesse acomodado em um lugar onde eu não conseguia despertar a minha sensibilidade ou empatia para assuntos tão sérios relacionados às minorias. Desde o primeiro programa, ao ouvir as questões levantadas pela Fernanda, pela Regina e inúmeros convidados, comecei meu processo de desconstrução abrindo o meu coração com muita sinceridade para mudar algumas formas de pensamento. “Amor e Sexo” foi fundamental na minha vida e me ajudou muito em um processo brusco de mudança. Foi uma total quebra de tabu. Me tirou a miopia e me fez olhar com mais nitidez para questões que são óbvias na minha vida hoje. Agora, aos 36, ainda me sinto nesse processo de mudança, mas vejo tudo com muito mais clareza e verdade.

Falando nisso, como você enxerga essa masculinidade tóxica hoje em dia? Acho que não existe mais espaço para esse conceito de masculinidade, onde a força é tudo, enquanto as emoções são uma fraqueza. É preciso desenraizar, de forma urgente, certos comportamentos para que a gente avance ainda mais nessa questão que é tão estrutural e complexa. Essa mudança também é essencial para uma sociedade menos tóxica e que consiga abrir a sua percepção para outros pontos de vista. Homem chora, sim. E muito!

Zé você parece ser um super pai. Sempre presente e atencioso. O que aprende com sua filha Bella, e que lições pretende passar para ela? Estou aprendendo muito através do olhar dela. Com a pandemia, passamos a ter um tempo enorme juntos. Estou podendo ver a Bella aprender uma coisa nova a cada dia. É maravilhoso! Ter esse tempo mais próximo é algo que eu pretendo levar pra sempre. Ela é a coisa que eu tenho de mais importante na minha vida.

Momento de pandemia e isolamento social, momento de aprendizado e reflexão também. Como foi ou tem sido isso para você? Aprendi a cozinhar e a ter prazer em cozinhar. Outra coisa que eu nunca imaginei foi colocar a mão em cada etapa da obra que fiz na minha casa. Trabalhei, literalmente, como ajudante de pedreiro na minha própria obra e, claro, tomando todos os cuidados necessários que o momento exigia (e ainda exige!). Mas, de todas as coisas novas que vieram com a quarentena, a mais importante é o tempo que eu passei a ter para ficar com a minha filha. Passei a ter um tempo enorme com ela e estou podendo acompanhar cada etapa mais de perto.

Como você se definiria em um frase? Um homem em constante aprendizado.

Um conselho para os leitores. Pedir desculpa é melhor do que receber um elogio.

Fotos Priscila Nicheli

Styling/Edição de moda Alê Duprat

Produção de moda Kadu Nunnes

Beleza Jeane Santos

Assessoria Equipe D Comunicação

José Loreto veste look Eduardo Guinle (@eduardoguinle), joias Joyá (@joyaipanema) e Listh