Priscila Ubba é, definitivamente, umas das atrizes mais viscerais e completas de sua geração. Natural de Minas Gerais e com apenas 31 anos, a atriz já soma em seu currículo vários trabalhos na TV e no cinema, além de importantes prêmios por suas atuações.  Depois de ganhar o prêmio de Melhor Atriz no Festival do Rio por seu trabalho no filme “O Vôo da Capo”, dirigido por Dúbio e filmado na cidade do Porto, em Portugal, Priscila também participou do último Festival de Petrópolis como protagonista do filme europeu “Falling in Love”. No curta, dirigido pelo belga Yves Callewaert e também rodado em terras lusitanas, Ubba deu vida a Soul par romântico de Tom, interpretado pelo ator português Antonio Maria. Em dezembro de 2020, a atriz começou a rodar “Godiva”, filme dirigido por seu marido, Candé Faria, ao lado de atores como Beth Goulart, Reginaldo Faria, Marcelo Faria e Adriano Garib. Na trama, Priscila será a protagonista e irá interpretar uma mulher com várias personalidades em uma só e que sofrerá de um distúrbio raro mais conhecido como Transtorno Dissociativo de Personalidade. Outro filme protagonizado pela atriz é o longa “Bruto 180”, com direção de Candé Faria. A trama, que se passa entre Brasil e Portugal, já teve parte de suas cenas rodadas em Friburgo, no Rio de Janeiro. No Brasil, a atriz também já integrou o elenco de outras produções como o longa “Abismo”, de Rafael Botta e Júlio César Gomes. Priscila atualmente integra o elenco de “Gênesis”, nova novela da Record, onde interpreta Guemecha, serva de Nadi, vivida por Camila Rodrigues.

Você já esteve em alguns trabalhos na Record e agora integra o elenco de “Gênesis”. Fale o que mais te atraiu nesse novo trabalho e, principalmente, na Guemecha, sua nova personagem. A Guemecha me instigou desde que recebi a sinopse. Ela é desafiadora e sou movida por desafios. Ela transita por muitos núcleos, mas tem a sagacidade de saber o que dizer e se permite a “ousadia” de falar. É uma personagem instigante. Sem contar que “Gênesis” é uma super produção e um misto de culturas que enriquece muito a obra e nos faz crescer bastante como artistas.

Como foi o processo de construção da Guemecha? Você fez algum trabalho específico nessa composição? Sempre realizo sozinha um grande trabalho de composição e construção para qualquer personagem. É como uma carpintaria artística que me sustenta durante toda os trabalhos e um porto seguro para qualquer desafio que venha durante os processos. No caso da Guemecha, meu processo também envolveu livros sobre o tema, filmes, séries e imagens que me ajudaram a nutrir uma linha do tempo da personagem na trama. Em seguida, iniciamos uma preparação na Record com o nosso núcleo que foi muito enriquecedora e importante para fortalecer laços e relações.

Como está sendo gravar seguindo tantos protocolos de combate à Covid-19? Está sendo um grande desafio, mas estamos seguindo com uma garra de realização maior do que a normal. Acredito que tudo isso terá reflexo na tela.

Além da novela, você está envolvida em outros projetos como o filme “Godiva”. Fale um pouco desse novo trabalho e como foi ser dirigida pelo seu marido, o diretor Candé Faria? “Godiva” é um presente para qualquer atriz, mas também um enorme desafio. É um grande filme, onde interpreto a Silvia, a protagonista da trama que sofre de distúrbio dissociativo de identidade. Ela assume várias personalidades distintas durante a vida. Sobre ser dirigida pelo Candé, é sempre um presente também. Ele é muito sábio, generoso e criativo como artista. Nos entregamos de corpo e alma, com muita intensidade e honestidade, no processo. Seguimos nutrindo um ao outro e construindo nossos projetos sempre com muita cumplicidade, respeito, amor e em função total da ARTE.

Você também está no elenco de dois curtas filmados em Portugal. Fale um pouco sobre essa experiência. Faz dez anos que tenho uma relação forte e muito próxima com a Europa, desde de que estudei artes em Madrid. A relação se fortaleceu ainda mais quando finalizei a novela “A Terra Prometida” aqui no Brasil e fui premiada como atriz revelação. Depois disso, surgiram oportunidades de trabalhos na Europa e decidi ampliar minha carreira. Foi maravilhoso. Tive a oportunidade de trabalhar com diretores de diversos lugares do mundo. Sou apaixonada pela Europa! Será a minha eterna segunda casa.

Quando você soube que queria ser atriz? Como foi esse processo? A arte sempre fez parte da minha vida desde pequena. Fazia aula de pintura e desenho, dançava ballet, jazz, cancan e participava do grupo de teatro desde os 7 anos de idade. Com 16 anos, em Minas Gerais, tomei a minha decisão e tive a certeza de que esse era o meu ofício, o meu propósito de vida.

O que significou o prêmio de melhor atriz no Festival do Rio pelo longa “O Vôo da Capo”, dirigido por Dúbio e filmado em Portugal? Eu, realmente, não esperava. Estava concorrendo com grandes atrizes, em trabalhos muito fortes, e foi uma honra. Prêmios, pra mim, representam “uma chama divina”, “um sinal” para seguir em frente nessa luta que é a nossa profissão. Continuo seguindo com muita consciência do meu ofício, com honestidade e cumprindo o meu propósito.

Quais são os seus próximos projetos pra 2021? Além da novela e de “Godiva”, assim que possível, vamos retomar o filme “BRUTO 180” que será filmado no Brasil e em Portugal. O longa trata de um tema importantíssimo que é a violência doméstica. Além disso, também irei dar continuidade à minha carreira como apresentadora. E também tenho mais novidades no cinema nacional para o segundo semestre.

Qual a sua expectativa para profissional após a pandemia? De muito trabalho e muita realização. A pandemia fez com que todos os artistas se alimentassem através da alma com esse ofício, se reinventassem. Acredito na dificuldade como alavanca para novos caminhos.

Priscila Ubba por Priscila Ubba. Como você se define? Uma artista visceral.

O que você diria para quem está começando na carreira de ator? Que conselhos você daria? Primeiro, tenha a certeza de que esse é, realmente, o seu ofício e o seu propósito. Se for, estude muito, se experimente sem receios e seja perseverante, sempre! Ser artista é um dom, mas requer entrega e uma boa dose de coragem.

Fotógrafa Priscila Nicheli

Styling / Edição de moda Alê Duprat

Produção de moda Kadu Nunes

Beleza César Marquez

Priscila veste Rodrigo Grunfeld (@rodrigogrunfeld)