A vida de Juliano Laham do ano passado para cá foi de grandes desafios, tanto no trabalho, quanto na vida pessoal. Com a mesma intensidade e garra que ele superou um tumor benigno, ele encarou o maior papel da sua vida (José em “Gênesis”). E quando tudo parecia ter passado, ainda enfrentou um caso forte de covid. Mas Laham está aqui firme e forte. Cheio de aprendizados e repleto de agradecimento por tudo que passou e forma o homem que ele é hoje. Dá fama ao drama pessoal, nem tudo que as redes sociais transmitem é só glória. É por isso que Laham batalha contra os exageros na internet e a propagação de ódio gratuito. Prestes a voltar à TV em mais uma superprodução bíblica, ele conversou com a MENSCH sobre seus acontecimentos mais recentes e seus próximos passos rumo ao futuro. Mais fortalecido e seguro de si.

Juliano, a primeira vez que conversamos foi em 2017, você estava encerrando sua participação em Malhação. De lá pra cá muita coisa aconteceu e você amadureceu como ator também. Como se avalia até aqui? A cada novo personagem, vem um novo desafio, e consequentemente isso nos traz mais conhecimento e amadurecimento pela quantidade de trocas ao longo dos trabalhos. Eu me vejo muito feliz pelas oportunidades que tenho ganhado mesmo com pouco tempo de carreira. Eu me avalio como uma pessoa em constante aprendizado, a vida sempre nos surpreende.

Quais as principais lições do começo da carreira que você levou para vida? Faria algo diferente? Se você ama aquilo que faz, tenha persistência e disciplina, uma hora a oportunidade vai chegar. Não faria nada diferente, cada momento que vivi me tornou quem sou hoje, com as maturidades e responsabilidades que tenho.

Ano passado foi um ano intenso para você por conta do seu papel em Gênesis vivendo José. Diria que foi um divisor de águas na sua carreira? Como foi encarar esse desafio? Eu diria que foi uma experiência diferente dos outros personagens, por se tratar de um personagem bíblico e de tamanha responsabilidade. O meu primeiro protagonista. Eu me joguei por inteiro, tudo que eu fazia era pro José e me cobrava muito para que tudo saísse da melhor forma possível, levando a mensagem e a história para quem nos assistia. Eu perdi mais de 10 kg durante o processo.

Também foi um ano de superação onde você teve que se submeter a retirada de um tumor benigno das glândulas adrenais. Agora que já passou e está tudo bem, o que ficou de ensinamento? Sim, foi um ano bem difícil. Mas com fé tudo se supera. Sou eternamente grato a Deus, aos meus médicos, familiares e amigos. A vida é passageira. Faça o bem, viva cada momento da sua vida, vibre com pequenas e grandes conquistas e não deixe para amanhã. Nunca saberemos a hora de partir, mas sabemos o que podemos deixar de legado até esse dia chegar. Transborde, leveza, amor e alegria. Passou um flashback na minha cabeça e decidi viver sempre o hoje, eu era muito ansioso e vivia acelerado, querendo que as coisas fossem para ontem. Aproveite ao lado de quem te ama e de quem você ama, perdoe quem você tem que perdoar e viva com o coração limpo, viva em paz.

Isso sem falar da covid que afetou comprometendo 70% dos seus pulmões. Ou seja, você deve ter passado por tudo isso muito mais fortalecido. Sim. Passei por inúmeras problemas de saúde até descobrir o tumor, mas graças a Deus tudo agora foi resolvido e ainda continuo com acompanhamento médico para certificar que está tudo bem.

Como pessoa pública você se sente com a responsabilidade de passar informações e alertas sobre esses tipos de problemas que afetam a qualquer um? Sim. Acho super importante compartilhar e ter essa troca com quem está passando pela mesma situação que eu passei. Temos sempre que nos fortalecer porque é difícil você não saber o que pode acontecer durante ou após a cirurgia. Quanto mais troca e ajuda de como prevenir ou tratar, mais pessoas vão se sentir seguras e enfrentar um “problema” como qualquer outro.

As redes sociais, em muitos casos, tem virado um local para propagação de ódio gratuito. Você já sentiu isso na pele? Como combater? Isso é um assunto muito delicado. Da mesma forma que rede social ajuda a propagar coisas interessantes e etc, ela também tem propagado esse tipo de atitude que eu repudio. Infelizmente isso já aconteceu. É uma grande responsabilidade minha dizer como combater isso, mas eu Juliano, acredito muito no diálogo das coisas e no respeito. Nós não sabemos a dor do outro. O que se passa. Então eu prefiro sempre buscar conhecimento das coisas para ter a minha opinião formada e mesmo assim isso não permite que eu tenha o direito de fazer isso nas redes sociais. Ainda mais quando não se trata de mim e sim de uma outra pessoa qualquer.

O que você define como público para as redes sociais e privado? Quais os critérios que usa? Eu sou uma pessoa que não mostra muito a minha vida pessoal nas redes sociais, às vezes até me cobram para eu usar mais a ferramenta. Não existe um critério específico, só sou mais reservado e sincero comigo. Quando estou com vontade eu mostro, quando não estou, eu não mostro, não me sinto na obrigação de ter que mostrar tudo, faca aquilo que me faz bem.

Você já se sentiu vítima da própria fama? Como escapar disso? Já aconteceu em momentos muito específicos e não busco uma maneira de escapar. Encaro isso como consequência do meu trabalho, o reconhecimento e o carinho do público é muito bom.

Em 2018 você participou da novela “Orgulho & Paixão”, uma novela de época onde seu personagem se descobria em um amor homoafetivo. Como foi levantar essa questão numa novela de época? Recebeu muitas críticas? Eu adorei ter feito o Luccino, não é o meu lugar de fala, mas eu amei ter feito. Quis muito que essa representatividade chegasse em uma novela das 18 horas pela primeira vez. Fico feliz pelo reconhecimento do público e de como podemos transformar vidas através da história daquele personagem. Infelizmente tive muitas críticas negativas por pessoas com ódio no coração, mas não me importei, pois estava fazendo para quem não tinha preconceito, perdi muitos seguidores na época, mas isso não me afetou, acredito que podemos construir uma sociedade melhor através do respeito e educação.

Você se considera um homem atual ou se atualizando? Eu vim de uma família libanesa e com culturas diferentes, mas sempre aprendi com os meus pais a educação e respeito que devemos ter pelo outro, seja quem for. Eu me considero um cara atual que busca estar antenado no que está acontecendo, me sinto em constante evolução, sempre busco aprender mais.

Na hora de relaxar o que faz sua cabeça? Eu tento me desligar de tudo, gosto do meu momento cinema na sala (risos), amo jogar tênis e andar à cavalo, amo estar ao lado da minha família e amigos. Por ser um cara mais caseiro, busco sempre cozinhar, é um hobby para mim, e quando tenho mais tempo (férias), busco viajar e sempre me conectar com a natureza.

Em breve você voltará à TV em um novo trabalho, “Reis”, na Record. O que pode nos adiantar? Sim, estou confirmado nessa super produção da TV Record. Infelizmente não posso adiantar muita coisa, mas garanto que será um novo desafio.

Qual seu maior pecado? Não resiste a que? Eu amo comer, mas se tem uma coisa que eu não resisto é comida libanesa e um tradicional café (risos).

Encerrando… Para conquistar Juliano basta… Ser sincero e verdadeiro.

Fotos Maria Fernanda Frassettto

Styling Rafa Menezes

Beleza Max Weber

Assessoria Casnovo