CAPA: JUNIOR AUDACIOSO E INOVADOR COM A “SOLO TOUR”

por Ivan Reis

Um dos artistas brasileiros mais conhecidos da cultura pop vive um novo momento. Com uma carreira de 35 anos que transcende gerações, Junior embarca novamente em uma jornada artística audaciosa e inovadora com a Solo Tour. O cantor e multi-instrumentista faz um mergulho profundo, convida o público a explorar as profundezas de sua alma em nova turnê que passará por Curitiba, São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Bernardo do Campo e Campinas.

Com a estreia dos shows em agosto, os cenários impressionantes e novos ritmos prometem um espaço dinâmico onde a dança acrobática e o parkour se misturam e ampliam a experiência visual junto à batida eletrônica. O repertório não foge de trazer momentos nostálgicos, além de suas referências familiares e íntimas para levar os fãs a lugares novos e inexplorados.

Em entrevista exclusiva à MENSCH, Junior contou um pouco sobre os novos caminhos por onde tem andado, as experiências transformadoras de sua trajetória – incluindo a paternidade – e o que reflete o seu momento atual. “A música me ajuda sempre, e pretendo que me ajude muito, a continuar contando a minha história”, afirmou o cantor. Confira!

Como é começar uma nova fase de seu trabalho solo? As expectativas são maiores do que na primeira vez? É muito interessante recomeçar a essa altura do campeonato e depois de tantos anos de história. É bem desafiador ao mesmo tempo, mas está sendo muito bom poder fazer o meu som, e a música que eu acredito e da forma que eu gosto de fazer. Sobre as expectativas, na verdade, eu tento não criar muito e deixar a coisa acontecer e ver o que que rola. Mas não dá para ter uma expectativa maior do que na primeira vez, até porque tem uma história já muito bem cedida de realizações muito grandes e acho que cada história é uma história.

Em qual momento da carreira você percebeu que Solo Tour tomou forma no seu repertório musical? Conforme eu fui produzindo o disco, eu já ia sentindo muito as coisas que eu queria fazer, como eu queria tocar as músicas e como eu queria que elas acontecessem no show. Enfim, como eu gosto muito de fazer show, fez parte dessa imaginação, e essa parte do palco ali, fez parte de toda parte do processo. Então, acho que, desde o início, mas eu não sabia muito como isso seria, só tinha ideias de momentos e aí foi ótimo poder me juntar com a Nídia [Aranha, diretora artística de Solo Tour] para a gente pode botar para fora as ideias e realizar, criar o show juntos.

Em entrevista, você afirmou que sua atual fase é “a mais transparente em todos os sentidos, porque é [tudo] muito autobiográfico”. Como a música te ajudou a contar a sua história? Eu acho que a minha música faz parte da minha cura e falar desses assuntos, mesmo que às vezes de forma um pouco mais subliminar, é um processo de cura, de lidar com as suas questões, com a sua própria história e transformar isso em arte. É uma maneira de transformar mesmo essa energia. E é isso. Acredito que a música me ajuda sempre, e pretendo que me ajude muito a continuar contando a minha história e as coisas que eu vou vivendo.

Como os fãs reagiram à nova etapa de sua vida artística? Foi estranho vê-lo fora da aura nostálgica da infância? Acho que, para algumas pessoas, ainda lembra e traz essa questão nostálgica da infância, mas acredito que também tem um público novo chegando. Quem é muito fã também consegue ficar, acompanhar e entender os momentos, as fases que eu vou vivendo e perceber isso nas letras e tudo mais. Tem sido bem massa o retorno do público.

Das transformações pelas quais você passou na carreira musical, qual delas foi a mais marcante? Nossa! Foram muitas fases e muitas transformações. Acho que marcante, talvez, foram as mudanças mais bruscas, o encerramento da dupla com a minha irmã e formar uma banda com o P [Peu Sousa, na guitarra, Champignon, no baixo, Péricles ‘Peri’ Carpigiani nos vocais] quando formamos a 9.000 Anjos [banda de rock brasileira atuante até 2009]. Foi tudo muito diferente, bem contrastante e ao mesmo tempo muito encantador. Fiquei muito envolvido. Eu sempre mergulho muito de cabeça em tudo o que faço e, então, essas transformações foram mais contrastantes. Depois, treino um projeto de música eletrônica e aí é um novo universo para desvendar. De repente, a Solo Tour também é muito marcante e talvez acho que o maior salto, o maior passo corajoso que eu dei, sabe?

O que não para de tocar no seu fone de ouvido? Hoje em dia, eu tenho ouvido muito, e a maior parte do meu consumo de música tem sido em vinil, em casa. Varia bastante a minha coleção, mas acho que é um dos discos que eu mais tenho ouvido, é uma coletânea de bugs antigos, algumas pérolas encontradas de que eu gosto muito, é um disco bem raro e difícil de encontrar. Tem de tudo ali: Cassiano, Tim Maia, Tony Bizarro, tem uma galera dessa época. Eu gosto bastante e tenho ouvido bastante.

‘Enrosca’ e ‘Libertar’ foram músicas que ficaram marcantes na sua voz e que estiveram no setlist das apresentações de ‘Solo Tour’ no ano passado. O que podemos esperar desta nova fase da turnê? Pois é, essas músicas ficaram bem marcadas, vão continuar no show e tem mais uma música dessa época também cantada na minha voz que eu vou trazer para esse ano, mas, por enquanto, é surpresa.

Longe dos palcos, o que faz para manter a mente e o corpo saudáveis? Pratica algum esporte? Pratiquei muitos anos de jiu-jitsu, mas, hoje em dia, eu não tenho feito. Faço mais musculação e, agora, voltei para as minhas aulas de dança e, para manter a mente, muita terapia.

O que foi mais transformador quando a paternidade aconteceu na sua vida? A paternidade, por si só, já é absolutamente transformadora e, em cada filho, eu senti um degrau nesse sentido. Com cada filho, eu senti essa transformação [Junior é pai de Otto, nascido em 2017, e Lara, nascida em 2021, frutos do relacionamento com a designer e modelo Mônica Benini]. Claro que, na primeira vez, foi mais intenso porque me transformei em pai. No segundo, no nascimento da minha filha, eu já era pai, mas também foi transformador e continua sendo diariamente com as coisas que a gente vai vivendo, com as alegrias, as dores, as preocupações, o estresse, as tensões e também momentos muito felizes. Enfim, é um aprendizado constante e cada fase vai trazendo o seu desafio. Eu sei que sou uma pessoa muito mais consciente, muito mais madura, muito mais completa hoje em dia com os meus filhos do que antes, sem dúvida.

Você se considera um cara vaidoso? Faz rotinas de autocuidado? Eu não me considero uma pessoa vaidosa. Acredito que o que eu tenho de cuidado com a imagem vem muito em decorrência da minha profissão mesmo que aprendi e fui desenvolvendo isso, mas eu não sou uma pessoa muito vaidosa. Não tenho uma rotina de cuidados, a não ser a musculação, mas é mais por uma questão de saúde do que qualquer outra coisa e para não sentir dores nas costas [risos].

Recentemente, você fez uma colaboração com uma marca de roupas streetwear. Qual é a sua relação com a moda? É adepto das tendências ou prefere peças atemporais? Eu gosto da moda. Acredito que combina muito com a minha profissão e que anda muito de mãos dadas. Então, faz parte do meu universo. Gosto de sacar as tendências desde que eu me sinta à vontade com elas, que eu me sinta bem. Priorizo bastante o conforto também, mas, principalmente nessa minha fase nova da minha carreira, eu tenho ficado mais conectado com tendências, modas, marcas para conhecer e me reconhecer também.

O que você falaria para o Junior do passado? Para respirar, segurar a ansiedade que está tudo certo, e para ir com calma. Sempre fui muito ansioso e é uma coisa que eu sempre tenho que trabalhar muito. Então, acho que seria algum conselho nesse sentido.