O gigante, como é chamado não por acaso (ele tem 2 metros), Léo Santana é um baiano cheio de rebolado, sorriso no rosto e vozeirão que agita a galera por onde passa. Esse é o Léo que todos conhecem e amam de hoje no auge dos seus 32 anos e muita energia para gastar. Um cara simples, de sucesso mas que guarda suas origens com muito orgulho. Nascido e criado no bairro do Lobato em Salvador, Leandro Silva de Santana sempre soube que cedo ou tarde a música tomaria conta da sua vida. O percurso até isso não foi fácil. De vender frango na praia até auxiliar de cabeleireiro, Leo fez de tudo. Mas quando se tem perseverança e um talento sem igual, não tem erro, o sucesso chega! E chegou com a força do “Parangolé”, onde ficou por cinco anos como vocalista, e depois seu voo solo onde sua popularidade e canções o levaram até Portugal. Seu trabalho mais recente, é o DVD “Léo Santana Al Mare”, foi lançado início do mês, e claro, sucesso total! Até porque com essa animação e essa simpatia fica difícil não ficar fã. Ainda mais depois dessa matéria exclusiva com Léo.

Léo como é, você sempre soube que iria trabalhar com música? Quando despertou para isso e quando sentiu que estava no caminho certo? Eu sempre gostei de música mas no início precisei passar por outras áreas… Vendi frango na praia, cortei cabelo da galera do bairro… fiz um pouquinho de tudo que cabia para ajudar em casa, claro, e ter minhas coisas, também. Aos poucos a música foi entrando na minha vida e os caminhos sendo trilhados. Percebi que era nesse meio mesmo que precisava estar. E foi muito natural, sabe? 

Falando em caminho, que percalços e barreiras teve que enfrentar até chegar onde chegou? Cara, sou um homem negro, nordestino, que veio de uma comunidade, cantando pagode… Só daí você já tira alguns. A negação para estar em determinados espaços foi enorme. Não que hoje não aconteça, mas acaba sendo menos.

Você tem um jeito moleque e de muita simpatia. O que guarda do garoto do bairro de Lobato até hoje? Acho que minha essência. Não mudei! Continuo com a mesma humildade, as amizades, a mesma vontade de ajudar minha família, meus amigos, a forma de olhar o outro. O menino do Lobato tá aqui comigo sempre! 

Que lições aprendeu com seus pais que você levou pra vida? Muitas… mas acredito que a humildade e a sinceridade sejam as que mais prevalecem…

O que o sucesso e a fama não roubam de você de forma alguma? Exatamente isso que falei nas perguntas anteriores, a minha humildade e a minha verdade jamais serão abandonadas ou esquecidas. Fazem parte do meu caráter, da minha formação. 

Quando deixou o grupo Parangolé e se jogou na carreira solo deu um friozinho na barriga ou sabia que era o vai ou racha na carreira? Tudo junto (risos). Deu um frio enorme na barriga e tinha consciência também que era um risco. O Parango estava em um momento incrível quando decidimos, eu e meus empresários, que era o momento de dar um novo passo. Mas tive pessoas essenciais ao meu lado me dando apoio, acreditei em Deus, como sempre, e cá estamos!

Algum arrependimento ou ressentimento desse período? Nenhum. Tudo foi aprendizado!

De Salvador para o mundo com sucessos em Portugal e Angola. Como isso pegou você? É uma realização enorme. Imagine você perceber que a sua música ecoa para lugares tão distantes daqui… Perceber que as pessoas estão se conectando com sua verdade, com o que você produz. É muito gratificante.

A vaidade como artista já quis te dar alguma rasteira ao longo desses anos de sucesso? Como controlar isso? Tendo uma base de apoio fortalecida. Meus pais, minhas irmãs e minha noiva estão sempre comigo e quando necessário, acendem o sinal vermelho (risos).

Falando em vaidade, você parece ser um cara bem vaidoso. Como lida com o espelho e do que não abre mão? Sou muito vaidoso mesmo. Não abro mão de um bom perfume, um relógio bacana, gosto de joias e um tênis legal.

Você é um cara grande (mais de 2 m). Muito trabalho pra manter esse “pequeno” Leo? Qual sua rotina de treino e dieta? (risos). Eu tento ter uma alimentação balanceada mas também não me privo de comer aquilo que der vontade… é tranquilo. Malho muito também, sou muito disciplinado e focado, gosto de me sentir bem comigo mesmo.

Depois de idas e vindas com Lorena, o que é mais difícil manter numa relação? O que pode ser uma cilada e onde encontrar o equilíbrio? Como temos agendas bem movimentadas, em nosso caso, o complicado era encontrar esse meio termo onde ambos trabalhassem mas não deixassem o outro de lado. Hoje conseguimos enxergar melhor isso, amadurecemos, estamos vivendo um momento incrível na relação.

Ser um cara desejado e ter que lidar com o assédio o tempo. Difícil de lidar com essa parte da fama? Não, não, sou muito tranquilo e meio que já me acostumei, respeito muito meus fãs e admiradores e fazer uma foto com quem admira meu trabalho é sempre um prazer.

Ano passado você lançou “Levada do Gigante”. Qual a sua levada gigante? Fazer a galera feliz nos quatro cantos do mundo é a minha levada!

Ano de pandemia e isolamento social. Como lidou/lida com isso? Foi difícil… ansiedade, angustias, medos… Não foi um período fácil, mas me apeguei, como sempre faço, a Deus, meus amigos, minha família. Estamos caminhando melhor, um dia de cada vez e rezando na expectativa de que tudo isso vai passar logo.

O que te inspira? Onde recarrega as baterias? Sem dúvidas meus amigos, minha família e meus fãs são minha recarga mais inspiradora, os palcos, a música, a energia do povo…

Encerra o ano com que lições e aprendizados? Muitos! Acho que todo mundo aprendeu bastante nesse ano, né? Nunca vivemos algo parecido… foi surpreendente e, sem dúvidas, um ano de lições enormes.

Consegue imaginar como será seu 2021? O que tem planejado para o novo ano? Temos alguns planos mas é muito difícil esquematizar algo com certeza para o ano que vem. Nós, do entretenimento, continuamos sem permissão para fazer qualquer tipo de evento então no momento meu único plano é esperar a vacina (risos). Mas enquanto isso vou lançando algumas músicas, gravando alguns clipes, fazendo parcerias, investindo no digital.

Fotos Marcio Farias

Styling Willian Costa

Produção de moda Felipe Lemes

Assistência Robissinho

Direção e assessoria Dani Basilio

Studio Galpão 22 / Bruno Ricci

Edição de imagem Pedro Fonseca