
Com uma carreira internacional em ascensão, Selton Mello mantém os pés bem no chão de quem conhece os dois lados da vida artística desde cedo e a cabeça nas nuvens de quem sempre se emociona com o novo, o diferente, o que desafia e faz vibrar o desejo de caminhar, observar e aprender. Experienciando a atuação em diversos idiomas e a cultura de contar histórias e fazer cinema em diferentes cantos do mundo, Selton Mello segue sendo quem ele desde sempre vem se moldando para ser: alguém preparado para o que der e vier. Nessa nova conversa com a MENSCH, Selton Mello segue a nos encantar com seu jeito de ver e estar no mundo, de atuar em frente ou atrás das câmeras e de nos orgulhar com seu talento. O mundo está tendo a sorte que nós sempre tivemos.
Por Nadezhda Bezerra
Seja bem-vindo de volta, Selton. A gente tá começando a achar que você gosta da nossa revista, hein?! Eu dou valor a quem me valoriza, sou generoso com quem é generoso comigo. Eu sou fiel à quem é fiel a mim. Sou assim na vida. E sinto o mesmo vindo de vocês.
Em um canto do mundo a divulgação de Ainda Estou Aqui, em outro, as filmagens de Anaconda, a sua estreia como ator em Hollywood. Conta pra gente sobre essa maratona e principalmente sobre viver esses momentos tão especiais pra você, mas também pra todo brasileiro amante do nosso cinema. Essa é uma resposta que começa pelo fim. É impressionante como a trajetória de Ainda Estou Aqui mobilizou os brasileiros, né? E o Oscar ainda foi no meio do Carnaval. O prêmio foi algo inédito para o Brasil, e isso foi muito forte! Toda essa aventura que eu vivi, que eu ando vivendo porque ainda não acabou — as filmagens de Anaconda, trabalhar com pessoas que eu sempre admirei — foi especial, sim, mas foi como se fosse uma consequência natural do que eu já venho fazendo, com a diferença de que eu estava numa outra cultura, num outro espaço. Mas, no final das contas, é tudo muito parecido, sabe? Tudo foi muito bonito, eu fui muito bem recebido em Anaconda. Os atores me amaram, vibraram com meu trabalho. Eu já tinha um espaço muito bom no filme, e eles me deram mais ainda. O diretor, o roteirista, o Jack Black, o Paul Rudd, me incentivaram a criar, inventar, improvisar, em um ambiente muito favorável e muito generoso, e isso é muito bonito e raro.

Eu acho que tem a ver com maturidade. Viver isso com 30 anos seria uma coisa, com 50 foi outra. Então, tudo isso é muito marcante. Mas eu sinto muito as coisas, eu sou muito sensível, e eu sinto que esse momento que eu estou vivendo, que foi muito evidente em Ainda Estou Aqui e Anaconda, foi em um momento de muita maturidade. Um momento em que você já não se engana tão fácil, não se deslumbra, vê as coisas como elas são.
Vibra, sim, é importante vibrar e saber comemorar. Eu tenho dificuldade de comemorar as coisas, é um exercício diário que eu faço, de saber comemorar, e, sim, comemorei. Mas, ao mesmo tempo, eu estava sempre muito pé no chão e muito ligado em tudo, e foi muito especial este momento todo que eu vivi. Parece que era um bloco da minha vida que estava esperando para acontecer, que ia acontecer de qualquer maneira, em algum momento, e esse momento foi agora.
Muitas críticas não pouparam elogios à sua atuação em Anaconda. Tá lidando bem com essa positividade ou precisa de uma sessão com o Caio pro sucesso não subir à cabeça? (risos) Acho que tem a ver com a maturidade que eu falei antes. Como eu comecei muito cedo, e, inclusive, eu nem recomendo começar tão cedo, porque é algo muito delicado: você pode dar certo, pode não dar, pode sumir, pode ser esquecido, pode ser encostado, como eu fui, aliás. Durante toda a minha adolescência, fui acolhido pela dublagem. Tudo isso pode ser muito danoso, sabe? Eu passei uma grande parte da minha infância e adolescência achando que eu era péssimo, que eu era feio, que eu era ruim. E isso, potencializado por uma exposição pública, pode machucar muito se você não tem uma família, uma estrutura de carinho e amor. Isso eu sempre tive dos meus pais e do meu irmão. A gente sempre foi um núcleo familiar muito unido, no sentido de estar profundamente conectado e de se apoiar, sabe? Eu nunca tinha feito um filme que estreou no mesmo dia no mundo inteiro. Foi a primeira vez na vida que eu fiz um filme que estreou no Natal, no mundo inteiro. No mesmo dia, ele estava aqui, no México, na Índia, na Finlândia… Isso é uma coisa muito louca e muito interessante de se viver. Nesse processo recebi, sim, críticas fabulosas. As pessoas enalteceram muito o meu trabalho, Santiago chamou muita atenção e abriu portas para outras coisas. Mas eu volto à questão anterior: quando você vive isso na maturidade da sua vida, você sabe olhar em perspectiva e identificar exatamente esses momentos mais duros. É uma profissão em que hoje você é o cara, amanhã você não é nem um cara, e depois é só mais um entre duzentos. Eu aprendi muito cedo sobre as coisas boas, mas também sobre as partes duras e tristes da minha profissão. Isso me foi apresentado logo aos 12 anos e, na época, foi terrível. Mas hoje, olhando em perspectiva e depois de tudo o que vivi, vejo como um grande aprendizado, que me preparou tanto para ganhar um Oscar quanto para não ganhar nada, para não passar em um teste, para não ser reconhecido. Para tudo isso, eu fui preparado.
E por falar em Caio, o que a gente pode esperar da nova temporada de Sessão de Terapia? Alguns episódios já foram liberados, alguns novos personagens apresentados. Mas o que o diretor tem pra nos contar sem que a gente prometa guardar segredo? Essa série, para mim, é muito importante. Eu cuidei de três temporadas atrás das câmeras, sendo o diretor da série. A partir da quarta temporada, eu passei a fazer o personagem do terapeuta também, Caio Barone. Eu sempre faço questão de falar o sobrenome, porque eu sou fã de séries e acho muito importante a marca do personagem. Costumo dar o exemplo do Tony Soprano, de Os Sopranos, que foi a grande série já feita. As pessoas acham que a grande série já feita foi realizada ontem, mas não, a grande série foi Os Sopranos. Pula para Breaking Bad: Walter White, não era Walter. Não era Tony, era Tony Soprano. Então é Caio Barone. E eu amo fazer esse trabalho, viver esse personagem, falar de saúde mental. Eu sei o quanto essa série é importante para muita gente. É um trabalho de muita concentração com meus atores, delicado, sensível. Eu amo fazer essa série e não vejo a hora de o público se emocionar com a nova temporada.

A gente já falou por aqui o quanto essa série é especial pra você, do quanto você valoriza o cuidado mental e o quanto as pessoas deveriam buscar esse cuidado e largar de mão o preconceito ainda existente em relação à psicologia, psiquiatria e psicanálise. Será que as pessoas têm medo de descobrirem a si mesmas ou suas responsabilidades nas escolhas que fazem ou deixam de fazer? Qual sua teoria? Eu acho que existe muito medo, por parte das pessoas, de se descobrir, porque se conhecer é um processo que não é só agradável. Também passa por conhecer as próprias sombras, as fraquezas, os lugares em que a gente patina. Mas é justamente esse conhecimento que faz com que você tenha mais ferramentas para construir uma vida melhor, emocional e psicologicamente mais saudável. A terapia é fundamental na minha vida. Então eu devolvo, por meio da arte, tudo o que a terapia fez por mim, e continua fazendo. Os terapeutas são muito gratos pela série, porque ela ajudou a desmistificar o trabalho deles. Mostra que, na sexta-feira, ele também está na terapia, na supervisão, revelando que é frágil, que tem problemas, que é uma pessoa com suas alegrias e fraturas. E isso ajudou muita gente a perceber isso e a procurar ajuda. É uma série única no nosso audiovisual, diferente de todas as outras. Não posso dizer que é melhor, porque certamente não é sobre isso, mas ela ocupa um lugar muito singular: o de utilidade pública, o de ajudar pessoas, de estender a mão ao espectador. Por isso, essa série é fundamental para mim, e eu amo cada momento dessa experiência de vida.
Como são pensados os casos e os personagens da série nessa temporada? Desde o começo, esse trabalho se estrutura em um trio, que é fundamental: eu, na direção e também no cuidado com o tom da série, mesmo antes de atuar nela; a Jaqueline Vargas, que é uma peça central, autora da série, quem realmente põe a mão na massa, chama os roteiristas para escrever sobre cada personagem, supervisiona esse trabalho e define os caminhos dos personagens; e o Roberto d’Ávila, produtor da série, o terceiro membro desse trio e uma figura essencial, que teve a ideia de trazer esse formato para o Brasil. Então, quando decidimos fazer uma nova temporada, a Jaqueline nos apresenta vários casos. Eu e o Roberto damos sugestões sobre quais têm mais potencial, quais podem render histórias bonitas e até quais poderiam ser combinados e transformados em um só caso, por exemplo. Depois, apresentamos isso ao Globoplay, e aí começa uma nova etapa do processo: discutir quais são os temas mais relevantes, quais têm mais apelo junto ao público e, a partir daí, decidir quais casos serão tratados na série. É um trabalho muito coletivo, feito em grupo, extremamente pensado e estudado.

Atores e atrizes costumam dizer que ao terminar uma filmagem, não levam “trabalho” pra casa, mas Sessão de Terapia parece tão próxima de todo mundo, tão a história de algum conhecido. Acontece de ficar pensando sobre as discussões das cenas, as questões dos personagens depois que as luzes do estúdio se apagam? É um trabalho muito intenso, muito concentrado, mas não, eu não levo para casa. Nem acredito muito nesse método de atores que acham que vivem o personagem, não é o meu estilo. Eu aprendi, desde criança, que atuar é brincar, é fingir muito bem. Como diria um poeta, é fingir tão bem que os outros acreditam que aquilo é verdade. Isso tem muito a ver com Sessão de Terapia. Acho que a série encontra ecos no público de uma forma muito contundente, e cada pessoa acaba se identificando com algo: um personagem da segunda, outro da terça, alguém se vê no da quarta, e há quem se reconheça completamente no da quinta. É uma série muito bem construída e profundamente humana. Em tempos de ódio, violência, guerra, polarização e tantas outras tensões, ela oferece a possibilidade da escuta, mostra o quanto é importante ouvir o outro com atenção. Acho que esse é o maior mérito da série, e a grandeza dela reside aí.
Aqui entre nós, como em uma sessão de terapia, como se sente com essa carreira internacional te abraçando com tantas possibilidades? Desejou isso um dia achando ser possível ou era um sonho daqueles que ficariam sempre como sonho? Desejei, sim, mas sempre achei que fosse algo meio impossível, meio inalcançável. O Ainda Estou Aqui abriu muitas portas na minha vida profissional ao redor do mundo, de todos os cantos mesmo. As pessoas viram esse filme em muitos lugares, e, a partir daí, várias coisas começaram a surgir. Eu também passei a me dedicar mais, a estudar mais inglês e espanhol, porque se abriu um universo muito forte na América Latina, na língua espanhola, e também fora dela. Tudo isso tem sido muito enriquecedor, mas acho que a melhor palavra é: estimulante. Eu estou muito estimulado, e sempre estou em busca de algum estímulo. Quando virei diretor, foi parecido. O ator olhou para o lado, naquela altura do campeonato, com meus trinta e poucos anos, e se perguntou: ‘o que mais?’. Eu já tinha feito teatro, novela, série, minissérie, dublagem… foi quando pensei: diretor. Eu vou ter o meu olhar, o meu ponto de vista. A partir daí, passei a pensar não só em um personagem, mas em trinta. Como eles se comportam? Como entra a edição? A trilha sonora? O figurino? Aquilo foi muito estimulante.

Agora, eu cheguei a um momento da vida muito parecido. Já atuo, já dirijo, já me dirijo, dirijo filme, dirijo série… para onde mais eu vou? Foi justamente quando as portas do mundo se abriram, e eu comecei a atuar em espanhol, em inglês, em outras culturas, em outros ambientes criativos. Isso é muito estimulante. É algo que me renova, como se fosse um renascimento, uma nova fase da minha vida. E isso tudo me deixa muito contente para seguir adiante criando, porque, quando eu estou criativo, é quando estou feliz. Quando vivo a minha imaginação de maneira plena, é quando chego mais perto do meu ideal de felicidade. Então, esse momento que estou vivendo agora, de tanta riqueza cultural e de tantas oportunidades absolutamente novas, é um momento muito mágico na minha trajetória. E eu vejo esse caminho com naturalidade, porque acho que ele tem a ver com o meu caminhar, com a minha trajetória. Sigo ouvindo os meus instintos, sigo interessado no mistério da vida, no que não é palpável, no que não é apenas terrestre.
Mais do que uma pessoa religiosa, sou uma pessoa espiritualizada. Então sigo muito ligado às intuições, ao que os caminhos estão apontando, às coisas boas e às coisas difíceis, aos aprendizados que vêm de tudo isso. Estou em um momento muito feliz e muito maduro.

Sua próxima produção tem diretor brasileiro radicado na França, se passa em Paris. Além dela, tem La Perra, longa Chileno. Com o mundo pela frente, como lida com a questão do idioma? Passei a estudar mais o inglês e o espanhol. No filme que fiz recentemente na França, também tive algumas cenas em francês, e foi muito difícil, então estudei também. Acabei passando a estudar várias línguas. Isso é estimulante, é algo que te movimenta, te desafia, te tira do conforto, das suas certezas. E isso, na verdade, é fascinante. Estou me sentindo um menino de novo, com tantas possibilidades pela frente, e isso é muito, muito bom.
“I Don’t Even Know Who I Was”, realizado em Paris, traz o luto e o cinema na narrativa. Conta pra gente um pouco da trama e do teu personagem. Eu não posso contar muito sobre o filme, mas posso dizer que ele fala sobre luto e também sobre o próprio cinema dentro da narrativa. Acho que existe uma metalinguagem muito forte nessa história. É um drama, um filme que eu amei fazer. Foi realizado com poucos recursos, mas com muita criatividade e muito amor por tudo o que estava sendo feito. Em Paris, em quatro línguas, algo que eu nunca tinha vivido: falei português, inglês, espanhol e francês, trabalhando com pessoas de diferentes origens. É disso que eu estou falando, sabe? Tudo isso é muito estimulante.
Até Anaconda foi filmado na Austrália, então havia uma equipe americana, uma australiana e outra da Nova Zelândia. Era o máximo ouvir as pessoas contando a história dos seus países. História mesmo, com H maiúsculo: a política, o que aconteceu na Austrália, a formação do povo australiano, a cultura deles e eu contando das nossas, uma troca riquíssima. Tudo isso, para mim, é fascinante, como se eu fosse uma criança descobrindo brinquedos novos. E que, no fundo, são os mesmos brinquedos: uma câmera, um ator, uma verdade, uma história para contar. Só que agora em outras línguas, outras culturas, com pessoas e formas de pensar diferentes.

La Perra, longa Chileno, é baseado no romance da colombiana Pillar Quintana que aborda ressentimentos e traumas. Mais uma narrativa densa. Como tem sido filmar encarreado, como dizemos por aqui, tantas histórias densas? Na verdade, eu sempre gostei de mesclar coisas mais pesadas com coisas mais leves, filmes mais autorais com filmes mais comerciais, minissérie, comédia, drama, televisão, cinema. Sempre gostei dessa mistura e sempre tentei me desafiar, transitando por diferentes gêneros e experimentando várias formas de expressão. O que está acontecendo agora é que eu estou fazendo exatamente o que já fazia, só que em outras línguas, em outros países, dentro de outras culturas. Isso dá um sabor muito especial ao momento que estou vivendo. Mas, no fundo, é o mesmo Selton expandindo aquilo que ele já intuía, só que agora de uma outra forma.
E pra gente fechar, já esperando uma próxima conversa, o que tem visto quando se olha no espelho e que conversa poderia ter com teu reflexo em meio a tanta coisa boa acontecendo? Eu me olho no espelho e vejo o menino com brilho nos olhos, excitado com as novidades, como eu ficava na infância olhando o estúdio, pensando: ‘Nossa, olha só como é uma câmera. Como é que eles filmam? Como isso é feito?’. É aquele mesmo menino que ficou encantado com os estúdios da TV Bandeirantes e, depois, da Globo, com nove, dez, onze anos de idade. É o mesmo de agora, em Hollywood, ao lado de Jack Black e Paul Rudd, dizendo: ‘Olha só como eles fazem isso’. No fundo, é um filme. A diferença é que eles têm mais dinheiro e mais estrutura para fazer. E eu observo tudo, aprendo também como diretor, porque, como faço as duas coisas, estou sempre aprendendo dos dois lados, com os meus dois chapéus: o de ator e o de diretor.
Então, na verdade, eu olho para o espelho, vejo esse menino, que eu cuido com muito amor, e digo: ‘Você está fazendo o que sempre sonhou. Está mantendo o caminho que sempre quis. Está sendo coerente com as suas escolhas desde o princípio. Então, você já venceu. Você já está no lucro e está sendo feliz fazendo aquilo que te faz feliz’. Eu olho no espelho e vejo esse menino satisfeito, realizado e querendo mais, sempre mais. Querendo aprender mais, de formas diferentes, e querendo se expressar agora de uma forma mais abrangente, para um público ainda maior. Então, isso tudo é muito estimulante. Acho que a palavra que me move hoje é estímulo. Estou me sentindo muito estimulado com tantas oportunidades que estão acontecendo na minha vida, no Brasil e no mundo. E o amor que eu tenho pelo que faço talvez acabe estimulando outros atores que assistem ao meu trabalho, cujo olho também brilha, e que querem sonhar como eu sonho. Cada um vai ter a sua história, cada um vai ter o seu caminho.

Eu estou muito feliz. E é bonito, porque é uma felicidade serena, com a tranquilidade de quem conhece a dificuldade e a beleza de cada pedacinho da trajetória construída até aqui. É muito bom ter a noção exata de quem você é e não esquecer nada do que aconteceu, porque tudo faz parte do caminho. As coisas boas e as coisas difíceis preparam você para tudo. E eu me sinto preparado, e sigo me preparando mais, para os outros momentos que ainda vou viver nessa vida, algumas até que já sei mais ainda não posso contar. Fica para uma próxima entrevista. Muito obrigado!
E para encerrar… sobre o próximo projeto, o que pode nos adiantar? Na verdade, eu sempre gostei de mesclar coisas mais pesadas com coisas mais leves, filmes mais autorais com filmes mais comerciais, minissérie, comédia, drama, televisão, cinema. Sempre gostei dessa mistura e sempre tentei me desafiar, transitando por diferentes gêneros e experimentando várias formas de expressão. O que está acontecendo agora é que eu estou fazendo exatamente o que já fazia, só que em outras línguas, em outros países, dentro de outras culturas. Isso dá um sabor muito especial ao momento que estou vivendo. Vale dizer que o filme que estou rodando agora, que se chama Zero K, dirigido por Michael Almereyda, é baseado no livro homônimo de Dom deLillo e também possui uma narrativa densa. Será meu segundo filme norte-americano. Feliz de trabalhar ao lado de atores que tanto admiro, como Britt Lower, Caleb Landry Jones, Peter Saarsgard e Inga Ibsdotter Lilleaas. Mas, no fundo, é o mesmo Selton expandindo aquilo que ele já intuía, só que agora de uma outra forma.

Fotos Mariana Valverde
Stylist Patricia Zuffa
Maquiagem Marcos Padilha


