
NO AR COMO RENATO FILIPELLI NA NOVELA DA TV GLOBO, ATOR ABRE O JOGO SOBRE TRABALHO, AMOR, FAMÍLIA E OS NOVOS CAMINHOS QUE PERCORREU NOS ÚLTIMOS TEMPOS.
Por Ivan Reis
João Vicente de Castro vive um momento único em sua carreira. Na televisão, no cinema ou na internet, o ator brilha em frente às câmeras com o seu carisma e irreverência peculiares. Na ficção, já atuou em novelas, como ‘Rock Story’ e ‘O espelho da vida’ e na série ‘Lili, a Ex’, além de tantos outros trabalhos. Hoje, vive na pele do criativo e galanteador Renato Filipelli, no remake de ‘Vale Tudo’, novela da década de 1980 de Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères, com adaptação de Manuela Dias para a TV Globo.
Filho da estilista Gilda Midani e do jornalista Tarso de Castro, um dos fundadores do jornal ‘O Pasquim’, o ator e humorista, formado em Publicidade, é um dos sócios de um dos canais humorísticos mais famosos da web. Com Fábio Porchat e Gregório Duvivier, inicia uma nova e promissora fase do ‘Porta dos Fundos’, sucesso estrondoso na internet há pouco mais de uma década e que promete novidades ao público. Há 10 anos, João Vicente também apresenta o ‘Papo de Segunda’, no canal GNT, ao lado de Eduardo Sterblitch, Francisco Bosco e Russo Passapusso, com temas que cercam e fazem o homem pensar sobre o que sente e, sobretudo, o que vive no mundo contemporâneo.
Em um papo exclusivo e sincero com a MENSCH, João Vicente falou sobre os trabalhos com os quais têm se envolvido nos últimos meses, os amores que já viveu e o que pensa sobre a evolução do pensamento masculino. “Ainda precisa mudar muita coisa na cabeça dos homens – o comportamento, o jeito de lidar, o tal machismo estrutural”, disse ele. Confira!


Como é reviver o personagem de uma novela que marcou tanto o imaginário dos brasileiros? O que foi mais prazeroso na preparação de Renato Filipelli? Eu acho que o prazer de fazer um personagem que já foi feito é achar onde existe o espaço para fazer o que ainda não foi feito, sabe? Achar características que você gostaria de adicionar ou propor algo diferente em uma obra que fez tanto sucesso. Acredito que o Renato é um personagem que, no começo da novela, muita gente, inclusive o Gregório [Duvivier], falou: “Ah, mas é igual a você”. E eu acho que, hoje, o grande prazer é ouvir que o Renato é muito diferente de mim. Além de ter transformado o personagem, de ter construído a doçura dele – também porque ele ganhou uma importância na trama que acho que não tinha antes, graças a Manu [Manuela Dias, autora da nova versão de Vale Tudo]. Acredito que esse é o prazer dessa construção.
Você acredita que a cultura do remake é um caminho promissor para a teledramaturgia brasileira? Eu acho que são vários caminhos – não existe um só para a dramaturgia brasileira. A televisão, por conta do hábito das pessoas assistirem a outros formatos longos, como séries, está reencontrando seu próprio caminho de existir. Acho que tem muito espaço para a novela – o Brasil ama novela e produz como ninguém. Então, acredito que o remake é, sim, um caminho, até porque a TV Globo já fez obras espetaculares, como Pantanal. Eu fiquei louco com esse remake, e assistia sem parar. E Vale Tudo, que também está sendo um sucesso. Essas obras, muito bem feitas, com uma nova direção e um novo olhar, podem fazer total sentido hoje em dia. Por isso, sou a favor dos remakes, mas também das obras originais.
Seu personagem em Vale Tudo tem uma vida amorosa um tanto conturbada. Para você, o que é importante em um relacionamento? Eu acho que, em uma relação, o primeiro ponto que precisa dar certo tem a ver com o alinhamento de expectativas. Talvez seja a principal regra de uma relação – as duas pessoas quererem as mesmas coisas, mas também, para além disso, terem desejos que vão além do que elas vivem juntas. Então, é uma comunhão de desejos internos e externos. Acho também que um relacionamento tem muito a ver com escuta, com entender que as pessoas vivem momentos diferentes. Porque nem sempre é fácil, quase nunca é fácil. É muito prazeroso, mas precisa haver concessões. Então, há muitos fatores que envolvem um relacionamento bem-sucedido, mas acredito que, especialmente, o alinhamento de expectativas.

Falando em amores, você tem um bom relacionamento com as suas ex-namoradas? Ah, eu sabidamente tenho, né? Eu tenho um relacionamento muito bom com as minhas ex-namoradas, até porque não consigo entender direito essa dinâmica de estar com alguém, dizendo que é o amor da sua vida, e, por conta de alguma coisa, apagar essa pessoa totalmente, a não ser que tenha sido algo de uma falta de caráter assombrosa e tal. Acho importante construir a relação amorosa não só quando ela começa e enquanto existe, mas também quando ela termina. Todas às vezes em que ‘escolhi’ alguém para estar ao meu lado, foi por motivos muito sólidos – e isso também tem muito a ver com as mulheres com quem me relacionei.
Como a paternidade lhe toca? Já pensou em ter filhos no futuro? Eu penso muito em ter filhos. Penso em não ter filhos. Penso de novo… e por aí vai. Quando era pequeno, sempre quis ser pai, desde um ponto de vista narcisista, de imaginar como seria meu filho, até o ponto de vista de pensar se eu saberia educar, ou que amor é esse incondicional, como é sentir isso? Como é receber de volta esse amor incondicional? Como é ver uma pessoa que tem um pouquinho de você crescendo, lidando com dificuldades e prazeres? Tenho muita vontade. Hoje, eu diria que tenho muita vontade de ser pai. E alguma coisa, nos últimos tempos, me fez pensar que talvez, um dia, eu seja.

Renato Filipelli também tem chamado a atenção pelos looks descolados e elegantes em cena. Você também é ligado em moda? Fica de olho nas tendências ou prefere peças atemporais? Peças atemporais. Eu tenho observado que, hoje em dia, tanto no Brasil quanto fora, as pessoas estão um pouco vítimas da moda, das tendências e do que foi apresentado nas passarelas. Acho isso um pouco cafona, sinceramente. Gosto mais da moda atemporal. A minha mãe é a pessoa em quem mais confio esteticamente. Ela é estilista, e me ensinou muito sobre estética. Ela sempre disse para eu observar as pessoas na rua, porque isso é moda, muito mais do que passarela ou vitrine de loja. Ela sempre me falou: “repara nas pessoas na rua, repara no que você vê, no que elas estão vestindo’”. Não para se inspirar necessariamente, mas para perceber como é a união de uma roupa com uma pessoa.
Às vezes, você vê uma pessoa lindíssima com uma roupa lindíssima, mas aquele casamento não funciona. Então, essa corrida para estar onde a moda está, eu acho um pouco cafona. Eu gosto e, cada vez mais, procuro entender qual é o meu estilo e o que me faz sentir bonito. Não vou mentir – não sou do estilo ‘tudo pelo conforto’, gosto de me sentir bem e de usar roupas que me façam pensar: “nossa, que roupa linda!”. Mas isso não é necessariamente pautado pelo que está na passarela, sabe?

Indo para o ‘Porta dos Fundos’, onde agora você, Gregório Duvivier e Fábio Porchat administram juntos, no que você acredita que fez o ‘Porta dos Fundos’ ser um sucesso? Um projeto muito bem pensado, criado na hora certa e feito por pessoas muito talentosas. Não só o Fábio, o Greg e eu, mas também o Kibe [Antonio Tabet] e o Ian SBF, que começaram com a gente no ‘Porta’. Nascemos de um grupo de pessoas que tinha ideias diferentes, mas que, juntas, formaram um conjunto muito interessante, divertido e engraçado. Nascemos em um momento que ajudou o humor no Brasil a dar uma virada de chave (e vem até hoje pautando o que é humor no país). É muito bonito ver a nossa história e o impacto que o ‘Porta’ causou e ainda causa nas pessoas. Por exemplo, este ano,13 anos depois do lançamento do canal, batemos recorde de visualizações mensais (242 milhões de views em fevereiro).
Todo dia, eu sou parado na rua e alguém me cita em um vídeo. Todo dia alguém fala sobre o ‘Não importa’ e sobre como o ‘Porta’ mudou, de alguma forma, a vida dessa pessoa. Já ouvi de gringos que aprenderam português com o ‘Porta’. Também recebi relatos de pessoas que estavam em situações muito difíceis, com parentes doentes que não podiam sair de casa, dizendo que nossos vídeos eram o momento de risada deles. Acredito que o ‘Porta’ revolucionou, e pretende revolucionar ainda mais o jeito de consumir humor, de fazer rir, de criticar o que acontece na sociedade, de apontar o dedo e de falar sobre temas como política e comportamento. Acho que o ‘Porta dos Fundos’ cobriu um espaço que estava ali para ser preenchido e, até hoje, é o canal de maior relevância no Brasil.
O fato de terem estado vinculados a uma gigante do entretenimento chegou a restringir – de alguma forma – a criatividade dos assuntos abordados nos esquetes dos programas? Não. Justiça seja feita – nunca tivemos nenhum tipo de cerceamento por parte da Paramount. Foi um parceiro incrível. A saída foi feita em comum acordo, também por decisões globais da empresa. Eles não saíram só do ‘Porta’, saíram de várias empresas. Sempre tivemos uma relação muito boa com eles e um estímulo constante da parte deles. A única limitação talvez tenha sido o fato de o ‘Porta’ não poder usar dinheiro de lei de incentivo, algo que ajuda muito no audiovisual.


Agora com esse novo quadro societário, o que podemos esperar do futuro do ‘Porta’? Acredito que é o momento em que sentimos que podemos fazer tudo o que sempre quisemos. O ‘Porta’ já é o maior canal de humor da América Latina e um dos maiores do mundo. Agora, nosso pensamento, meu, do Fábio [Porchat] e do Greg [Duvivier], é como vamos diversificar nosso humor e nosso conteúdo. Isso inclui o nosso Fast Channel, que já está em fase de teste e é algo que eu queria muito fazer. Também queremos criar conteúdo com o uso de inteligência artificial (IA), escritos por nós, claro, sem nunca perder o que temos de mais rico que são nossos roteiros, nossas ideias e nosso olhar. Mas usar IA para efeitos especiais e vídeos que antes não podíamos fazer por serem grandiosos demais.
Também queremos ampliar a internacionalização do ‘Porta’. Já temos um canal no México, que é gigante, um vídeo ultrapassou 50 milhões de visualizações e virou a série ‘Harina’. Queremos expandir para outros países e transformar o ‘Porta’ no maior conglomerado de conteúdo do mundo. A gente quer mostrar, mais do que nunca, que somos mais que um canal de esquetes. No começo deste ano, lançamos o podcast ‘Não Importa’ que, em seis meses, já ultrapassou 96 milhões de visualizações, somando todos os conteúdos das plataformas digitais. Também queremos diversificar ainda mais nosso público que sempre foi predominantemente masculino. Com o ‘Não Importa’, já mudamos isso. No Spotify, 71% do público é feminino e já é uma grande vitória. Estou animado com este momento como nunca estive na minha vida. Eu, o Fábio [Porchat] e o Gregório [Duvivier] estamos felizes de voltar totalmente ao ‘Porta’. Em algum momento, nós nos afastamos por questões de agenda. Hoje, estamos 100% envolvidos. Antes desta entrevista, por exemplo, eu estava em uma reunião com o Greg, o Fábio e o time de roteiro, rindo e nos divertindo. Parece o ‘Porta’ no primeiro ano.
E o ‘Não Importa’, o que explica o sucesso do podcast? Não tenho a menor ideia, mas eu acredito que o ‘Não Importa’ está dando certo porque tem muito amor entre Gregório e eu. Tem muito papo furado e filosofia rasa. Esse encontro de amigos, com muita intimidade, acho que fomenta interesse nas pessoas. É um projeto feito com carinho genuíno, sem a pretensão de ser mais do que é. Recebo muitos comentários nas ruas de pessoas dizendo: “esse é um momento leve do meu dia, algo despretensioso e gostoso de ouvir”. As críticas chegam sempre de forma muito carinhosa.

Neste ano, o ‘Papo de Segunda’, do GNT, completou dez anos no ar. Você é o único que se manteve desde o primeiro time de apresentadores do programa. Ao longo desse tempo, o que mais lhe marcou? A evolução do próprio ‘Papo de Segunda’. Acredito que é interessante ver como o debate público foi se moldando, diferenciando. Antes era num tom, depois virou num tom mais violento, depois voltou, aí depois o pêndulo foi, o pêndulo voltou. Então, conseguir transitar por todos esses momentos do debate público foi muito interessante para mim. Quando eu virei o apresentador do ‘Papo de Segunda’, fiquei muito honrado, mas também senti que estava criando outros ‘tipos de músculos’ profissionais, né? Levar um programa ao vivo não é fácil. Então, quando eu vi que estava conseguindo fazer isso de uma maneira decente, me deu muito prazer. O ‘Papo de Segunda’, nesta temporada, está batendo recordes e números que há muito tempo não alcançava. Isso me faz muito feliz, até porque manter um programa de 10 anos na televisão não é fácil. E espero que continue por muito tempo porque é um programa pelo qual tenho muito carinho e gostaria de seguir nele.
Como é o clima dos bastidores do ‘Papo de Segunda’? A amizade e a parceria de fato continuam fora das câmeras? Acho que seria impossível fingir o clima bom que a gente tem. Nós realmente nos divertimos muito e isso dá para ver, né? O clima é ótimo, a gente ri o tempo todo. Acredito que essa sintonia seja um dos segredos do ‘Papo de Segunda’. Assim como no ‘Não Importa’, o que acontece ali é genuíno. Não dá para fingir o que acontece ali.
Dos assuntos abordados pelo programa, qual deles você destacaria como o mais desafiador e que gera discussões acaloradas? Não acho que exista um tema específico mais difícil de conduzir. O desafio está no momento em que vivemos, em que o subjetivo não é muito bem aceito. A sociedade, mundialmente falando, parece ter menos espaço para discutir nuances. As conversas já chegam com respostas prontas, muitas vezes pautadas por um tweet ou um post em grupos de Telegram, Instagram e Twitter. No ‘Papo de Segunda’, nosso desafio é justamente trazer subjetividade para esses debates.

Você acompanhou essa trajetória do ‘Papo de Segunda’ até hoje. Percebe uma mudança de comportamento significativa na cabeça dos homens ao longo desses anos? Como sente isso? Eu acho que avançou. Acho que a passo de bebê, e ainda precisa mudar muita coisa na cabeça dos homens – o comportamento, o jeito de lidar, o tal machismo estrutural. Aquela proposta de um programa há 10 anos, onde ali tinha homens que abraçavam suas vulnerabilidades e que não tinham medo de ser frágeis e também apoiavam, de alguma forma, o movimento feminista ou eram aliados, se ampliou. Hoje em dia, não é tão estranho você encontrar um homem sensível ou um homem que é isso tudo que eu falei – abraça sensibilidade e vulnerabilidade ou é aliado a pensamentos feministas, aliado a mudanças fundamentais na nossa sociedade. Pessoas que estão mesmo tentando mudar o jeito de pensar e os hábitos. Eu vejo que a gente avançou em muitas das pautas identitárias, só que poderia ter avançado muito mais. A gente viu um cara que deu 60 socos na namorada na frente de câmeras. Isso tem uma camada de certeza de impunidade ou a certeza de superioridade de gênero que é flagrante, né? Você ainda vê muitos casos de comportamentos masculinos dos tempos das cavernas.
Hoje, as redes sociais são importantes ferramentas de posicionamento. Como é a sua relação com esse universo? Quais momentos você revela para o digital? Acredito que as redes são importantes, mas são insuficientes para um posicionamento. Eu vejo muita gente transformando o debate público num debate raso porque simplifica e deixa básico, com um tweet ou um post no Instagram, assuntos que são muito complexos. Então, acho que rede social é muito importante para pressionar socialmente o Estado ou pressionar socialmente a sociedade. Mas acredito que é uma ferramenta muito mal-usada, na maioria das vezes. Assunto sério não é para ser tratado apenas em rede social. Acontece muito também da pessoa estar militando ou reclamando e protestando online em um efeito de manada mais para ter uma sensação de pertencimento do que para resolver mesmo o problema. Não estou dizendo que as redes sejam irrelevantes, só estou dizendo que não são suficientes.

Longe dos estúdios de gravação, o que mais gosta de fazer no tempo livre? Olha, quando eu tinha tempo livre [risos], gostava de sair com amigos, jantar, namorar… Mas, no último ano e meio, entre Vale Tudo, a gestão do ‘Porta dos Fundos’, as gravações de ‘Não Importa’ e a apresentação do ‘Papo de Segunda’, eu praticamente não tenho tido momentos de lazer. Percebi que, às vezes, acabamos encontrando prazer nessa correria e cai na armadilha de glorificar o “estar ocupado” – pensar: “nossa, faço tanta coisa, trabalho tanto, nem durmo direito” como se fosse motivo de orgulho. Mas, na verdade, é algo ao qual preciso ficar atento. Tenho muito essa mania de abraçar tudo e querer resolver tudo, jogar tudo no meu peito, o que pode até levar a resultados menos competentes do que poderiam ter. Minha meta para janeiro do ano que vem é buscar equilíbrio, para que o trabalho não tome o meu tempo de maneira tão violenta como tem acontecido.
Em meio a trabalhos paralelos à televisão, do que você não abre mão no seu cotidiano? De estar com o meu cachorro.


Cuidar do corpo e da mente é uma prioridade no seu estilo de vida? De que forma? Sim. Porém, no momento, infelizmente, não. Não tenho feito psicanálise que considero fundamental para qualquer ser humano e também não tenho conseguido manter uma rotina de exercícios. De vez em quando, consigo ir para o boxe à noite, mas é raro. Acho importantíssimo cuidar do corpo e da mente, só não tenho conseguido fazer.
Para você, qual é o perfil do homem contemporâneo? É impossível responder a essa pergunta, né? Não existe o perfil do homem contemporâneo. Acredito que temos vários perfis. Eu acho que, de certa forma, tentar enquadrar o homem contemporâneo numa caixa só é um falso dilema, né? Acho que o homem ideal é o homem que basicamente se comporta como um ser civilizado. Acho que resumiria assim.
O que podemos esperar de João Vicente depois de ‘Vale Tudo’? Férias ou novos projetos? Novos projetos. Eu, provavelmente, vou fazer um filme assim que acabar a novela. Vou continuar fazendo o ‘Não Importa’. Provavelmente, vou fazer uma série e quem sabe, mais uma novela?

Foto @luciolunaphoto / Produção @marcia_dornelles / Direção criativa @daudtbruna / Vídeo @euandreivo


